sábado, abril 25, 2026

MASSA, PODER E ESTUPIDEZ



O ser vivo, qualquer ser vivo, tem como seu guia de vivência a entidade Medo. Ela se manifesta em diversas instâncias e intensidades, mas todas diretamente relacionadas à sobrevivência. Mas para os humanos, com suas consciências “evoluídas”,  o reconhecimento desta condição é absolutamente incômodo e a saída que vislumbramos é nos tornarmos estúpidos, sabendo que estupidez é o sinônimo “mais que perfeito” para o negar as realidades de si e de seu entorno.

Temos medo porque odiamos perder privilégios. Odiamos imaginar perder a vida, o primeiro dos privilégios (evidentemente para aqueles que têm noção de a vida ser um privilégio que o acaso concedeu a uma específica estrutura de átomos!). A partir deste, TUDO é uma sequência de medos de perder privilégios. Modernamente, o medo de perder a casa para o banco, a namorada para o amigo, o amigo para o ciúme, o emprego para o beneficiado por uma cota qualquer, o bolsa família para a realidade da vida, e assim “ad aeternum”. O medo é o mote da vida e o pai da estupidez. Por nossos privilégios não nos vexamos de ser estúpidos. De nos mantermos com antolhos para não termos que ver e conviver com o que ameaça nossos privilégios.

A exaltação de Lula só se sustenta enquanto se descarta, consciente, mas estupidamente, tudo o que possa ameaçar a coerência. Sou estúpido, logo sobrevivo.

Estupidez e hipocrisia são irmãos siameses[1], um não sobrevive sem o outro. Para ser estúpido e sobreviver, preciso ser hipócrita. Se não sou hipócrita, não sou estúpido.

Vejamos o jogo (jogo?, não!), guerra de poder, especificamente no caso do ex-Brasil[2].  Tanto de um lado quanto de outro do espectro político, o que é objeto das ações é, por uns, o medo de perder o poder, por outros, o medo de não chegar ao poder. Integrantes, defensores, militantes, partidários, TODOS são bonecos manipulados pelo medo, ou de perder privilégios ou de almejar privilégios.

Lula está no poder por ação de uma massa não majoritária de sustentadores integrantes de todos os níveis de todas as instâncias (econômica, social, política e intelectual). Bolsonaro está fora do poder, mas com um potencial de poder sustentado também por uma massa não majoritária de sustentadores também de todas as instâncias. Enquanto o lulismo teme bolsonarismo e usa como recurso a estupidez para desmoralizar suas ideias e ações de todas as formas com a intenção de eliminá-lo como potencial ameaça a seus privilégios, o bolsonarismo teme o lulismo e usa do mesmo artifício, a estupidez, para desqualificar seus atos e ideias de todas as formas, com a intenção de destituí-lo do poder, pois um obstáculo à obtenção de privilégios.

É a isto que a política se resume. Um contingente de gentes que necessitam do exercício de poder, divididos em dois grupos, os que querem mantê-lo e os que querem conquistá-lo. É só isso em essência, mas uma essência que só se manifesta através de massas cuja estupidez é manipulada, parte por uns, parte por outros. Contingente que denomino de IIUs, “inocentes inúteis, úteis”. Mas quem não é?

 


[1] Não sei como construir esta proposição na linguagem dita “politicamente correta”.

[2] A constituição brasileira foi incinerada pelos seus protetores. Como um país só existe a partir de uma “Constituição”, caso contrário ele não pode ser “constituído”, então, por dedução primária, não existe mais um país denominado Brasil.