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terça-feira, setembro 10, 2024

PROTEGER A REPUTAÇÃO É PRECISO

Meu último texto aqui publicado foi no dia 24 de abril deste ano. Deste então minhas desilusões dizem que tudo já foi tratado e as narrativas apenas se repetem. Mas os acontecimentos desta última semana me obrigam a escrever sobre o que não é falado nos canais digitais.

Há dois dias atrás assisti “Versões de um Crime” com Keano Reeves interpretando um advogado. Conversando com sua assistente ele diz mais ou menos o seguinte: “as pessoas fazem de tudo para proteger sua reputação”. Isto posto...

Quando – entre 2019 e 2020 - percebi que as ações de Alexandre de Moraes, fragrantemente inconstitucionais e/ou juridicamente absurdas, disse em conversa com meus amigos que só haveria uma razão motivadora: uma arma apontada para sua cabeça. Alguém, tendo provas de coisas inconfessáveis sobre um outro, o ameaça de expor publicamente os fatos caso tal pessoa não faça o que este alguém deseja.  Naquele momento, atribuí a mão no gatilho ao PCC, entidade criminosa para a qual consta ter Alexandre, como advogado, prestado serviços. Sabemos que uma vez entrado no crime, sair dele é praticamente impossível. O quadro, portanto, para mim era claro. Um ministro do supremo, ou seja, com supremo poder na justiça, começa a tomar atitudes que extrapolam as competências da instituição da qual faz parte (para dizer o mínimo), em evidente serviço a vontades alheias para manter sua vida ou no mínimo, sua reputação protegida.

Já naquele período chamava a atenção a inação – uma total apatia – das instituições, Câmara, Senado, PGR, CNJ, OAB, Associações Empresariais, enfim, todas - e são muitas – silenciosas num efetivo “quem cala consente” sem publicamente consentir porque sem coragem para o enfrentamento.

Decorridos mais de 5 anos desta insanidade institucional, já não atribuo mais a facções do crime organizado o porte da arma. O “buraco” parece estar bem abaixo ou muito mais acima. Então passei a incluir na minha tese questões pecuniária$. Considerando os projetos globalistas[1] de uma dúzia de bilionários – em dólar – a compra de integridade moral passou a ser uma hipótese bastante razoável. Notícias de que fulano deu X milhões para uma ONG aqui, outra ali, sicrano idem, passaram a constar do noticiário com frequência. E, sabemos, políticos têm uma certa tendência a fundar sua ONG própria para funcionar como receptáculo de doações de origem identificada ou não. Mas se isto existe, não me parece suficiente para justificar o que acontece neste meado do ano da graça de 2024. A munição na arma não é, ou não é só, de pólvora ou papel pintado de verde do Tio SAM. Tem que ser mais do que isso.

No início deste ano rolou nas redes que em Cuba existe um “esquema” ligado a orgias sexuais devidamente vídeo-gravadas sem conhecimento dos participantes e, especificamente, envolvendo os nomes de Barroso e José Dirceu. Não importa aqui se o “esquema” existe ou não, nem se é verdade quanto aos citados. O que quero levantar é: tente pensar em alguma razão para você fazer  o que Moraes está fazendo se no lugar dele estivesse.

Não é pouco o que  Xandão está fazendo neste início de setembro. Um pouco antes de começar a escrever este texto, me chega a informação de que o Ministro mandou bloquear TODOS os bens da Starlink no Brasil, o que inclui contas bancárias, imóveis, veículos e aviões. Não tenho formação no direito, portanto não vou citar as ilegalidades jurídicas deste ato. O que quero mostrar é que o pavor de Moraes é tão imenso que suas ações acabam de extrapolar a vingança pessoal de seus atos – o que ficou patente em muitos casos anteriores -, e chegam ao ápice de prejudicar o país, como nação integrante de relações internacionais, empresas brasileiras, a própria estrutura de governança, e diretamente o cidadão brasileiro, não só em seu acesso à informação, mas em seu direito de livre exercício profissional, o que significa simplesmente sua capacidade de sustentar a si e aos seus.

A entrada de Elon Musk no processo traz à tona o caráter psicótico de um indivíduo mentalmente doente. E o continuado silêncio dos não-inocentes nos indica que tem muita gente sendo esmagada por um rolo compressor ainda não identificado. E o que me chama a atenção é que jornalistas de reputação ilibada e competência e honestidade intelectual provada, continuem a dar explicações politicamente lógicas em lugar de expor que o país está sendo levado para um abismo ético e moral por um bando de covardes protegendo suas reputações, fazendo de tudo – ou melhor não fazendo nada – para que suas ações moralmente condenáveis não sejam expostas à opinião pública.

Ser íntegro não é preciso, proteger a reputação é preciso.

Você tem alguma dúvida de que algo nesse sentido é que está por trás do que acontece? Ou acha que é só esquerda contra direita?

Encerro fazendo um pedido que nunca fiz: distribua tanto quanto puder mesmo não concordando comigo no todo ou em parte, só para ajudar a tirar mais pessoas da visão crédula de que as motivações são só políticas, para seu bem e para o bem do país.

                                                                                        


[1] Soros, Gates, Black Rock, Vanguard, Morgan Stanley, State Street Corp etc.








segunda-feira, novembro 22, 2021

NOSSAS INSTITUIÇÕES E A CONSPIRAÇÃO PÚBLICA

Conspiração : Ação de construir secretamente um plano que prejudica alguém, geralmente um governante; conluio; maquinação; trama.


Há tempos coço meus parcos neurônios sobre em que ponto do ciclo resultante das ideias políticas o Brasil, especialmente, se encontra. Esclareço. A minha visão de funcionamento do Universo, parte da premissa de que tudo nele é jogo de forças, um eterno empurra-empurra de elementos que se chocam, se opõem, se aproximam e se afastam, o que resulta em ciclos de dominância, ora de um, ora de outro dos envolvidos.

Isto, para mim, vale desde átomos e moléculas até galáxias e, quiçá, além. Vale tanto para humanos quanto para quaisquer outra espécie vivente, seja da fauna ou da flora. Vale até mesmo para elementos inanimados, do grão de areia à montanha de granito. Vale para todas as inter-relações entre dois ou mais elementos mesmo que de mesma constituição. E talvez a razão principal seja uma das descobertas da física, qual seja a de que tudo está em movimento. E se em movimento, se encontram a esmo, ao acaso, se chocam, se repelem, se agridem e por aí vai. As ondas do mar, com seu incessante ir e vir, fluir e refluir, são um bom exemplo. Mostram tanto o movimento contínuo quanto o jogo de forças entre o vento que empurra as águas, quanto a resistência da inclinação da praia que enfraquece as faz retornar.

Introdução conceitual feita vamos à questão política. A partir da eleição de 2018, estão os estóicos, como entidade, ganhando terreno sobre os vitimistas, ou, tendo chegado à presidência da República geraram tamanha reação dos perdedores (inocentes úteis e os de intere$$e$ contrariados) que, através de ações esdrúxulas, imorais, ilegais, inconstitucionais, corporativistas, serão capazes de retornar ao phoder restabelecendo seus perdidos privilégios? 

Ainda não tenho resposta razoável. Trago apenas algumas observações. Por exemplo, não se pode mais afirmar que as  instituições estão funcionando dentro dos ditames para o que foram criadas. Sejam instituições do Estado, sejam da sociedade civil. Mas “instituições” não pensam e não falam, quem o faz são homens e mulheres que as integram, e que, portanto, as sustentam em seus objetivos e a eles se limitando. Não é o que vemos.

Vejamos a OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, que entrou em estado de total negação quanto a se manifestar sobre qualquer das graves agressões que vêm sendo praticadas pelo STF contra a democracia e, consequentemente, contra a sociedade brasileira. Esta minha afirmação se respalda no que consta no próprio site da Ordem 9https://www.oabrn.org.br/arquivos/ESTATUTO-DA-ADVOCACIA-E-DA-OAB.pdf), em documento assinado pelo seu próprio presidente, Felipe Santa Cruz: “A busca pela segurança jurídica e criação de regras inteligíveis e diretas é prioridade da nossa Gestão”. Santa Cruz, vitimista confesso e adepto do iluminismo[1] contemporâneo liderado pelo ungido Iluministro Barroso, o empurrador da história, entende que suas crenças utópicas lhe dão não só o direito (e o dever!!!) de ficar acima da instituição que preside, como o direito de desprezar a ( e mesmo cuspir na) história de lutas junto com a maioria de brasileiros pela volta à normalidade democrática.

Nesta mesma toada da OAB, vamos encontrar uma outra instituição  até então considerada como uma das defensoras intransigentes das liberdades de opinião e expressão. Falo da ABI, Associação Brasileira de Imprensa. Seu silêncio é sepulcral. Indecente e imoral. Nenhuma manifestação sobre os tantos e diversos ingredientes da receita de conduta das empresas de comunicação que já foram independentes, divergentes e bravos, e que hoje, independente dos efeitos oriundos da concorrência dos novos meios, se organizaram em um “consórcio” para divulgação de opiniões unificadas a serviço de um único objetivo, e que, em adição, cada um por si, criaram suas versões de “agências censoras” dos fatos e opiniões (publicadas em meios não consorciados, evidente) que são inconvenientes aos claros, mas inconfessos desejos de voltar a um passado glorioso de benesses públicas. É esta ABI que “ainda” tem em seu estatuto o Art.74 onde consta: “Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho é para a ABI símbolo maior de cidadania e de liberdade de expressão”. Não a menor dúvida de que seu espírito vaga pelo vazio do universo de sua decepção com aqueles que ficaram incumbidos de zelar pelo seu legado. Enfim, mais uma instituição cujos integrantes abandonaram os princípios que justificaram sua criação, em nome de suas crenças utópicas que os fazem acima de tudo.

Apenas para seguir no embalo deste tipo de entidades, lembro a ABL, Associação Brasileira de Letras, que acaba de nivelar Machado de Assis a dois de nossos “grandes pseudoescritores”, Fernanda Montenegro e Gilberto Gil. Triste Academia. Triste lado do Brasil.

E as instituições empresariais, tanto organizadas em associações de classe quanto individualmente? No primeiro caso no topo estão CNI, Confederação Nacional da Indústria, FEBRABAN, Federação Brasileira de Bancos, e FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e as tantas FECOMÉRCIO, Federação do Comércio, existentes em cada estado. O que fazem? Ao que reagem? A nada. Reformas e Decretos do governo Federal são solapados ou anulados por “iluministros progressistas” em decisões monocráticas “sacadas” com a rapidez de um Clint Eastwood em “Os Imperdoáveis”. Quanto às entidades membros, lembro a banqueira que não vê a hora dar seu voto e recurs$o$ para trazer de volta aquele “ambiente” profícuo de proteção ao setor financeiro. As associadas à CNI precisam ser lembradas do que diz o inciso II, do Art. 3º do estatuto da entidade: “defender a livre iniciativa, a livre concorrência, a propriedade privada e o estado democrático de direito, tendo em conta a valorização do trabalho, a justiça social e o meio ambiente”. E por último o lembrete da ação “racista do bem” contra candidatos não-negros promovida por dona Luiza em suas demandas por novos funcionários. Aqui também a “verdade utópica” da presidente da instituição privada de comércio ultrapassa os limites da atuação de sua empresa.

E chegamos ao Congresso Nacional. Tratemos primeiro da Câmara dos Deputados, esta instituição composta por uma transitória mixórdia de “representantes do povo” que, em mínima parte[2], foram eleitos por ação direta do voto, sendo a maioria “alçada” por convenientes escadas de uma legislação eleitoral feita para manter no phoder quem lá já está. Esta instituição essencial à manutenção do tal “Estado Democrático de Direito”, expressão que virou chacota na República do Togaquistão[3], recebeu carimbo de sua inutilidade e desmanche em diversas ocasiões, mas cito duas. A primeira quando, quase literalmente, “arriaram” as calças para iluministros que foram pessoalmente à Câmara exigir de partidos a troca de membros na CJJ de modo a garantir a não aprovação da PEC do voto impresso. A segunda, também uma demonstração de covardia explícita, foi a subserviência ao STF (que, aliás, continua até hoje).  Na prisão de Daniel Silveira. Nesta instituição não se trata de usurpação de phoder como nos anteriores, mas, ao contrário, de abandono do seu papel institucional, transferindo ao poder judiciário grande parte daquilo que deveriam ser suas exclusivas atribuições.

Espero que não esteja lhe cansando a paciência. Estamos próximos ao fechamento desta prosopopeia.

A penúltima instituição que avalio é o Senado Federal. Este é um caso de, digamos, duas personalidades. Uma é covarde, a outra arbitrária, mas em ambas se sente o cheiro da corrupção, do rabo preso, do olha-cuidado-eu-também-sei-dos-seus-podres. Como covardia podemos citar, tal como na Câmara, a subserviência ao STF, aqui junto com o componente de um pretenso acordo “eu não te julgo, você não me julga”. Nestas circunstâncias, portanto, não há espaço para atos que ultrapassem os limites do seu papel institucional, pois estes teriam que, obrigatoriamente, estar em acordo com o desejo dos “iluministros”. De outro lado, o Senado como um todo encontra-se hoje “estado de choque”, paralisado, sem ação quanto à arbitrariedade espúria daquele que tem a obrigação de agendar a sabatina de um indicado à Supremo Corte e não o faz por razões que todos nós desconhecemos, mas cujos objetivos desconfiamos.

Até aqui meu objetivo foi o de sugerir ao Leitor um olhar além dos fatos e das falas em si, um olhar para onde estão ocorrendo e a que estão subordinados. Mostrar, principalmente, que a maioria das instituições do país se enquadram em 4 classes: as que usurpam de seus poderes e limites; as que se investem inadequadamente de papéis para os quais não foram criadas; as hipocritamente silenciosas que aguardam condições para dar algum bote; e as demais que simplesmente se silenciam, principalmente, por medo de serem alvo de ataques das primeiras. Como salientei que instituições não falam, não pensam, não agem, as 4 classes são, na verdade, classes que identificam o caráter de indivíduos.

Ufa! Chegamos ao nosso Supremo Tribunal Federal, a instituição à qual os formuladores das bases democráticos atribuíram a condição de “poder” sem ter poder de fato, pois seu único poder não é poder, é tão somente o direito e obrigação de julgar causas dando seu veredito exclusivamente sob o manto do que estabelece a Constituição. Poderes são dois, o Legislativo e o Executivo. É o que deveria ser. Até já foi. Deixou de ser.

A maioria dos “iluministros” do STF, acreditando cada um em sua “sapiência suprema”, colocam-se acima da Constituição. Melhor dizendo, não estão nem aí para ela. Entrará para a história como um momento ridículo e de completo nonsense aquele em que Carmem Lúcia[4], então presidente do Supremo, entrega a Bolsonaro um exemplar da Constituição[5]. Super e iluminados Ministros, fazem o que bem entendem a quilômetros de distância de nossa lei máxima. Prendem arbitrária e ilegalmente qualquer um que diga “verdades inconvenientes” a eles ou a seus patrões (Ninefingers, guerrilheiro mor, Soros, “who knows”?) e quando não, simplesmente impedem o cidadão de exercer seu trabalho e tirando-lhe o direito ao sustento de si e dos seus. Não bastassem as loucuras de Alexandre de Moraes (sem maiores comentários), vem Fachin, que além de interferir no direito de ação de um Prefeito, quer, simples e ditatorialmente, viabilizar o assassinato da língua portuguesa - em uma ação de total desprezo pelo direito inalienável do cidadão ser livre para falar e escrever do jeito que sabe - deseja subordinar os valores de uma cultura construídos ao longo de dezenas de séculos a seus próprios valores[6]. É caso para colocar o autor em camisa de força ou então “que nos locupletemos todos!”.

Enfim, desde a posse de Bolsonaro até a primeira quinzena de novembro/21, tudo girava em torno do que expus acima com alguns poucos exemplos. E este “acima” foi apresentado para se chegar ao quase clímax[7] deste louco processo de tomada de phoder a que estamos assistindo.

O Super Ministro Gilmar Mendes, promoveu um seminário em Lisboa[8] onde reuniu esquerdopatas de carteirinha e muralistas de ocasião com a tarefa de discutir a implantação de outro regime de governança no Brasil!!! Fora do Congresso, mas com a presença de presidentes das duas casas, comunistas como Aldo Rebelo e Raul Jungmann, centenas de desembargadores e “algumas das figuras mais influentes da nata do poder em Brasília”[9].

Deste encontro de “autoridades” à revelia das instituições brasileiras e sediado “além mar”, eis que surgem descaradamente revelados seus objetivos. De Gilmar Mendes, depois de, desconfio eu, claramente ter sorvido algumas taças de um bom e caro vinho português, ficamos cientes de que “a questão central” foi a discussão do semipresidencialismo. Atenção: a proposição não é para o Togaquistão, é para o Brasil mesmo.

Já Toffolli nos confidenciou que o Brasil já tem “um semipresidencialismo com um controle de poder moderador que hoje é exercido pelo STF”, disse Toffoli. “Basta verificar todo esse período da pandemia.” Além de confessar estar participando de um paralelo governo semipresidencialista, despreza a vontade dos cidadãos-eleitores que optaram em 1993 pelo presidencialismo em um específico plebiscito. E quanto a se arvorar participar de uma entidade a que atribui unilateralmente o papel de “poder morador”,  com a palavra sua colega Ministra Carmem Lúcia que em 17/8/21(há recentes 3 meses) em entrevista dada, vaticinou, com convicção, que “Não há poder moderador no estado brasileiro”[10], pode procurar na Constituição.

Chegamos ao finalmente!!! Eis aí uma nova forma de conspiração, aquela que não se dá, como sempre imaginamos, em recintos fechados, em completa discrição, longe de todos os olhos não cooptados, sem provas de sua existência a não ser nossa fértil imaginação. Temos agora a maneira pública de conspirar: passeando em Lisboa, bebendo vinhos caros e lagostas do Mar do Norte, com direito a música, e entrevistas à velha mídia com um leve toque de embriaguez.

Reações? Nenhuma pois, como vimos nos exemplos, no interior de nossas instituições públicas e privadas de duas uma: ou "tá tudo dominado" ou estão todos se "borrando de medo". 

Sobram as FFAA de que não tratei. Estão caladas? Cochilando? Ruminando que rumo tomar? Não estão nem aí? Será que divididas? Ou... conspirando no velho estilo?

Cansado? Fui longo? Não gostou? Como dizem alguns Youtubers: “conta aí nos comentários e dá uma forcinha pra mim”.


Abraço e boa semana!

 



[1] Não sei se foi ela que primeiro usou esta denominação, mas Ana Paula Henkel a usa com frequência.

[2] Apenas 37 deputados dos 513 de hoje estão lá hoje por voto direto. Os demais foram alçados pelo instituto do voto proporcional, que faz com que “celebridades” do momento que se elegem exclusivamente por sua presença na mídia carreie votos para gente medíocre. Para saber mais e corretamente, acesse https://www.camara.leg.br/noticias/544742-deputados-sao-eleitos-pelo-sistema-proporcional-veja-como-funciona/.

[3] Tiro esta denominação de uma live do Rodrigo Constantino. Parece ter sido ele o primeiro a propor, mas não tenho certeza.

[4] Carmem Lúcia, quando presidente do STF, assinou um decreto “progressista politicamente correto” que obriga empresas a contratar presos e egressos do sistema prisional.

[5] Eu defendo que Bolsonaro aproveite esta realidade de termos um STF que não respeita a Constituição para devolver à Ministra o exemplar dela recebido, já que ele já decorou todos os artigos e os respeita na integridade, o que não é o caso “deles”.

[6] Não podemos esquecer de sua atuação na libertação do “molusco”.

[7] Uso “quase clímax” por que obviamente vem muito mais e além pela frente.

[8] Por que diabos, o Instituto Brasiliense de Direito Público, depois de mantido hibernado por quase 2 anos, faz este seminário em Portugal? As intenções explicam? Para mais informações acesse https://revistaoeste.com/politica/politicos-e-juizes-se-reunem-em-portugal-para-seminario-de-gilmar-mendes/

[9] Fonte: Revista Oeste https://revistaoeste.com/politica/politicos-e-juizes-se-reunem-em-portugal-para-seminario-de-gilmar-mendes/. Mas a proposta não é novo. Assim que Bolsonaro foi eleito Gilmar Mendes já enviava a proposta para o Congresso.


[10] Para mais informações acesse: https://veja.abril.com.br/blog/matheus-leitao/frase-do-dia-1284/

 




quinta-feira, abril 08, 2021

O PROCESSO

 "Não é medo, não há nada a temer. 

O que há é mais uma apreensão imensa e difusa, sem origem e sem causa." 

Personagem Eddie Willers no romance A Revolta de Atlas, de Ayn Rand.

Revendo, relembrando: se, por princípio, ninguém convence ninguém de coisa alguma e, portanto, o debate é inócuo, o não debate é essencial quando o outro se nega a ouvir seus argumentos. 

O que temos na política mundial neste início da 3ª década do 3º milênio, é resultado de um processo que ocorre no mundo ocidental há quase 2 séculos. Seu início se dá no pós revolução industrial que trocou monarquias por repúblicas, em tese democráticas, e criou o Estado-Nação definindo fronteiras e intensificando identidades culturais. O combustível para a explosão de "o Processo" ao final do século XX, foi e é o dinheiro de metacapitalistas (os antigos magnatas) ungidos, supremacistas da verdade, que é injetado no motor composto por organizações de todo tipo e mote - desde que comprometidas com a destruição da cultura ocidental como a vivemos até então. A maioria velhotes que se lixam para as consequências que deixarão como legado principal para a humanidade que será mal-formada porque estão "desconstruindo" a identidade de nossos filhos e netos em todas as instâncias. São déspotas no âmago, muito mais perversos que seus militantes esquerdopatas por eles manipulados.

No Brasil, "o Processo" ganhou contornos insanos graças à "feliz" chegada, para os agentes do caos, do Coronavírus, gerador de uma providencial pandemia. Nossos "socinistas" (1) perdedores assumiram, agora sem qualquer pudor, o que só era dito nas entranhas dos bastidores das conspirações, o discurso e a prática do "quanto pior, melhor" para viabilizar a tirada de Bolsonaro da presidência aplicando um golpe "legal" à la Van Dame ou Bruce Lee.

Não importa se Bolsonaro pretende ou não se candidatar à reeleição. Desde o primeiro dia de mandato isto passou a ser irrelevante e, pior, improvável, não por ele, mas porque todos os socinistas, os de carteirinha, os de ocasião, e os oportunistas, vão fazer de absolutamente TUDO para que isto não aconteça. Torço para que os crédulos liberais e/ou conservadores, que acreditavam nas boas intenções do "lobo", tenham entendido claramente o recado de Gabeira (2) antes que sejam devidamente sodomizados. O que está nas linhas e entrelinhas da confissão feita por ele, é o processo que os adeptos da "nova ordem social", da destruição da família, da implantação de uma libertinagem sexual, dos incentivos ao aumento dos preconceitos de todas as espécies pelo sistema de cotas em lugar do mérito, dos coletivismos à base da proposta marxista de "de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades", chegando até o globalismo estatizante, conceitos agora praticados de maneira escancarada.

Não há, portanto, qualquer chance de diálogo. De negociação. De exercício da democracia. Entendam todos que Ciro Gomes vai continuar a defender seu direito de ser capacho do "bandido de nove dedos"; a amante vai continuar cuspindo asneiras petistas; José Dirceu não vai desistir de "tomar o poder com ou sem eleição(3); o PSOL vai impetrar novos recursos no STF contra qualquer coisa que Presidente propuser, fizer ou disser; os ministros "Supremacistas ungidos" continuarão queimando, um a um, os principais artigos da Constituição mesmo que em evidente contradição a outras decisões da "corte" desde que sirvam a seus propósitos inconfessos, além de insistir em impedir o Presidente de governar; o presidente do monopólio OAB se manterá longe dos filiados compulsórios e fiel a seus amigos esquerdistas; os sindicatos, minguados de verba, farão passeatas antifascistas com meia dúzia de pobres coitados sem direito a sanduíche; os grandes veículos de comunicação, famintos das verbas federais, beirando a falência e perda de concessão, cada dia mais intensamente, manipularão fatos, torcerão palavras, sempre na intenção de servir às intenções da Sociedade dos Perdedores Unidos (SPU); os "antas", em muitas notas de 3 linhas, vão manter sua direção sem rumo mas com conexão firme a mamatas de 8 milhões; o ex-condenado e ex-presidiário, fará discursos à distância (quero ver sair às ruas) enaltecendo mortos, fingindo honestidade sempre na maior cara-de-pau; o Senado vai dar um jeito de descartar os 2,6 milhões de assinaturas para o impeachment de Moraes; Arthur vai tocar na lira uma sonata para boi dormir enquanto espera o momento adequado para servir de instrumento golpista; governadores afeitos a uma ditadurazinha, insatisfeitos com apenas 4 mil óbitos por dia, praticarão mais e mais lockdowns para inflar os números e justificar o genocídio sempre atribuído a Bolsonaro; Agripino vai arriar as calças apertadas para os esquerdóides se isso for satisfazer sua personalidade neuro-psicótica; políticos de todo o espectro votarão, como sempre, tentando identificar qual deve ser a opinião a adotar que aumente suas chances de se manter no poder; petistas como Maria do Rosário, Gleise Hoffmann e Rui Falcão serão contra tudo o que for posto a votação na câmara; enquanto Jackes Wagner e Humberto Costa farão o mesmo no Senado; Mandetta manterá sua cara de paisagem para as consequências de sua criminosa determinação de "fique em casa"; Moro, o traidor mau-caráter, se manterá calado debaixo das saias de Mônica, escondido das intenções de Gilmar, até conseguir se candidatar a alguma coisa por qualquer partido; Hulk vai meter seu grande nariz onde não for chamado, até se ver abandonado pelos "amigos" na ilha de Caras ou nas praias do Caribe;  João Amoêdo, presidente do, agora, "partido velhaco", vai continuar publicando posts nas redes sociais sempre com o slogan "impeachment já", desapontando idiotas, como eu, que acreditaram no Novo; cartas, manifestos, notas radicais críticas a qualquer proposição dos ministérios serão divulgadas com estardalhaço pela "intelligentsia", enquanto, paralelamente, farão total silêncio para as realizações positivas do governo; muitas máscaras liberais cairão revelando empresários saudosos das benesses subsidiadas de um BNDES ou de um Estado corrupto onde "aplicar" um contrato cheio de vícios; o grupo Globo, enquanto a direção cuida de derrubar o Presidente antes da renovação de sua concessão, estimula seu jornalismo, através de suas Mirian's, Maju', Guga's e Willian's, a distorcer notícias, não divulgar ações do governo e manifestações pró Bolsonaro, tripudiar do sofrimento de trabalhadores informais, todos de quarentena gourmet no alto de seus apartamentos na zona sul; sociedades médicas se manterão dissociadas dos cidadãos, se recusando a reconhecer os tratamentos preventivos e precoces; catedráticos das universidades federais continuarão a estimular a libertinagem em todos os campi; professores irresponsáveis continuarão doutrinando nossas crianças na ideologia de gênero e promovendo práticas sexuais desde o maternal, alheios à vontade dos pais e de orientações em contrário determinadas pelo MEC; servidores públicos continuarão fingindo que o país não é com eles enquanto seus gordos salários estiverem sendo creditados todo final de mês; integrantes de guardas civis e até mesmo de policiais militares, impedirão trabalhadores de ganhar seu sustento, preferencialmente usando força bruta; cidadãos do mal esconderão vacinas, fingirão aplicar ou aplicarão um líquido inócuo, mas farão de tudo para minar a imunização da população; muitos outros encastelados no poder ou desejosos de a ele voltar ou integrar, farão coisas abjetas em nome da "democracia socinista", mas uma coisa ficará cada vez mais difícil para todos eles: andar na rua. Este é "O Processo". Um conjunto de ações intencionais, irracionais, insanas, incoerentes, às vezes ilegais, por muitas vezes mentirosas, realizadas por uma minoria da sociedade que não aceita um verdadeiro regime democrático, e não aceitará pacificamente não voltar ao poder. Para tal intento, usam de técnicas sofisticadas de manipulação (5) de nossas mentes que, resumidamente, podemos rotular de "negar, negar, negar e atacar".

Enquanto isso, Bolsonaro vai continuar respeitando a Constituição, defendendo a democracia, lutando para acabar com as arbitrariedades de governadores e prefeitos; continuará sendo acusado de fascista, genocida, negacionista, de ser louco e do que mais puder ser inventado para jogar toda e qualquer instituição contra ele; continuará a ser saudado pela população enquanto visita cidades, passeia pelas ruas, cumprimenta eleitor, sempre bem recebido por milhares e milhares da parcela da sociedade que rejeita, por princípio moral, todo este "processo". Ele continuará a falar e discursar a seus apoiadores sempre que possível; e mostrará sua revolta, muitas das vezes de modo tosco ou chulo. Mas nunca deixando de ser franco e de estampar a hipocrisia dos desesperados.

Preste atenção às mensagens explícitas e subliminares a que você está exposto o tempo todo. Conscientize-se de que estamos cercados. Este é "O Processo". Entenda-o e mexa-se. Não há como debater, conversar, discutir, argumentar. Aceite o caráter doentio de "O Processo". Só os cidadãos unidos em manifestações públicas, clamando pela causa da subordinação de todas as instâncias do poder à Constituição e às demais Leis, será possível impedir que o atraso e a ditadura dos "Supremacistas Ungidos" venha a ser instaurada em algum momento entre hoje e a eleição de 2022.

 Porque, se for isso que nos derrotará, então a culpa terá sido toda e somente nossa.(4) 

E nos envergonharemos por não termos lutado.


 (1) Termo que proponho para unir os irmãos siameses: socialistas e comunistas.

 (2) Ver artigo de Gabeira em O Globo em 5/4/21

  (3) Declaração de José Dirceu:


(4)
 Adaptação para o presente de uma fala do personagem Hank Rearden, no romance A Revolta de Atlas, de Ayn Rand, uma obra sensacional de 1.200 páginas, escrita em 1957 e mais premonitória que 1984 ou Admirável Mundo Novo!!!

(5) Para os que têm interesse em saber mais sobre "manipulação" e outras questões impostas pela esquerdopatia reinante, indico "Várias Faces da Ordem Mundial", da Vide Editorial. Comprei através da livraria da Bárbara, Canal Te Atualizei.


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quinta-feira, fevereiro 18, 2021

A RUPTURA E O MURO

“A democracia NÃO é um sistema feito para garantir que os melhores sejam eleitos, 

mas para impedir que os ruins fiquem para sempre.”

Margareth Thatcher


A quem está perplexo com a arbitrária e inconstitucional prisão do deputado Daniel Silveira, o "Chulo", sinto dizer que mais vem por aí, porque nada é tão ruim que não possa piorar. Para quem pensa que há alguma justificativa, algum respaldo, para um ministro do Supremo Tribunal Federal determinar a prisão de um político eleito no exercício de seu mandato, relembro algumas passagens da atual tão rasgada e vilipendiada Constituição Brasileira.

A primeira agressão da medida esdrúxula à nossa cartilha maior se dá no artigo 53 que reza, sem deixar qualquer dúvida interpretativa, que “Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”. Deixa ainda mais claro no parágrafo 2º que esta norma é para ser respeitada “desde a expedição do diploma”, impedindo que “os membros do Congresso Nacional” possam ser presos, “salvo em flagrante de crime inafiançável”.

Ôpa, então há uma brecha aí? Vejamos o que diz a alínea XLIV do artigo 5º: “constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”. Daniel Silveira agiu sozinho, não falou em nome de nenhum grupo, armado ou desarmado, nem fez nada mais do que propor uma reformulação do Supremo, a começar pelo processo de escolha de ministros do Supremo e de suas restritas funções.

Podemos seguir, portanto. O artigo 220 garante a todo cidadão brasileiro, ou seja, ninguém precisa ser político eleito para estar sob a guarda do que ele prescreve, garante que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

Isto devidamente relembrado e ressaltado, faço aquela que sempre é a pergunta incômoda proposta por Drumond: e agora, Arthur? O que podemos esperar de você mal chegado à presidência da Câmara? Lembro-vos de que Bolsonaro cometeu seu maior erro ao ceder à arbitrariedade do STF quando tinha a Constituição inegavelmente a seu favor no caso da nomeação do Diretor da Polícia Federal. Acovardou-se. Deu no que deu. Aguardemos.

Allan dos Santos



Oswaldo Eustáquio

Discordo frontalmente da argumentação que alguns jornalistas e pensadores do espectro conservador estão usando para questionar as decisões de nossos ungidos e arrogantes "supremos" juízes. Qual seja o de que personagens do espectro “progressista” podem, por exemplo, pedir “a morte do Presidente” sem que sejam enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Ou que acusados de crimes políticos tenham sido liberados da cadeia para cumprir uma prisão domiciliar meia-boca.  Ou que um acusado em 2ª instância tenha tido o passaporte liberado para passar férias em Cuba. Tudo isto é fato, mas também é torcida para que nossos adversários também sejam "premiados" da mesma maneira e nos venham fazer companhia na cela, acreditando que com isto ganharemos a liberdade!!! O único resultado será cadeia superlotada, não mais que isso. Não é portanto, argumento para rechaçar as prisões arbitrárias, ilegais, inconstitucionais, truculentas, de jornalistas e deputados por

Roberto Jefferson

manifestarem sua opinião sobre o modus operandi atual do STF. Este deve ser o aspecto a ser avaliado e julgado por todos, políticos, mídia, influenciadores em redes sociais e o cidadão que deseja uma justiça cega, mas ouvidos atentos aos autos dos processos e subordinada à aplicação das leis.


É preciso que aceitemos que, principalmente, os 4 ou 5 ministros que controlam o STF não se importam com o país. Agem, hoje mais que nunca, em causa própria e levam os demais na descida desembestada ladeira abaixo. Eles, periodicamente, testam a sociedade provocando tensões para ver a reação. Não havendo, a próxima será um tom acima. Claramente buscam uma ruptura. Entre outras táticas, usam, como neste caso, manifestações verborrágicas de baixo calão, idiotas, com certeza, mas legalmente garantidas, como vimos acima, para ameaçar todo aquele que se encorajar a chegar perto e tentar ultrapassar a muralha que os protege do perigo da sociedade vir a conhecer as entranhas do que acontece no dia-a-dia de suas decisões e descobrir o mau cheiro que as infesta.

Há quem esteja questionando quem pode parar a interferência de um Poder da República sobre outro. Muito simples, é aquele Poder, alvo da interferência, que toma a firme reação de não aceitá-la. Quando Rodrigo Pacheco se manifesta tergiversando mineiramente sobre uma ação que, mais uma vez, rasga a Constituição, mais do que aceitar o acordo espúrio de proteção recíproca que vigora "informalmente" entre Senado e Supremo, está validando e incentivando a escalada de tais procedimentos. 

Não nos iludamos, o “Poder” tem razões que a vã filosofia de nós, simples “governados”, desconhece. Mas estão esticando a corda, e quanto mais esticada, mais próxima de romper está, e mais drásticos serão os danos quando isso acontecer.

Em síntese, no Poder, a mensagem da ação visa iludir o coletivo, porque a causa é própria: proteger a própria pele.

E sem o predomínio da legalidade...


Enquanto isso me preparo para ir às ruas liberar meu grito: basta!

Para complementar, assista este vídeo editado do programa "3 em 1" da Jovem Pan:

E como cereja do bolo, esta edição muito boa que recebi de um amigo.




terça-feira, outubro 22, 2019

CHI-CHI-CHI, LE-LE LEVANTE DOS EXCLUÍDOS!!!

Indicação de leitura prévia (pela ordem): A CONSCIÊNCIA DOS EXCLUÍDOS 


A surpresa foi inevitável? Quê? Manifestações (18/10/19) desta ordem de violência no Chile? País com  renda média o dobro da brasileira? Espero, busco mais informação e...


Por trás, na base, o aumento da desigualdade entre o andar de cima e os demais. Frustração. Como o tema é difícil de ser sintetizado para a massa, vamos ao popular e levantemos bandeira contra o aumento das... passagens.  Como a frustração é em escala mundial, no Líbano a reação (17/10/19) foi com base na intenção do governo de taxar em cerca de R$ 0,83 as ligações pelo Whatsapp!!! 


A instantaneidade da comunicação e seu alcance em termos de volume de cidadãos, é uma realidade inevitável e, para o Poder, um problema de governabilidade e passível de só ser controlável depois de muitas mortes (neste instante já são mais de 10 no Chile). O fosso, portanto, é o mote, mas a ação reativa é proporcionada pela era digitrônica, era com caminho sem volta. E aí vêem muitas perguntas sem resposta neste momento.

Como já demonstrado, caminhoneiros podem parar um país prejudicando todos os demais milhões de cidadãos com o único argumento de estarem defendendo seus interesses particulares que têm a seguinte lógica: se o preço do combustível cai, eles querem a manutenção da tabela de preços do frete, mas se o preço subir querem liberdade para cobrar o que acharem devido! Ah! Mas sempre foi assim! Exatamente, a diferença é que "nunca antes na história deste país" jamais houvera uma greve como a de maio de 2018! Antes não havia mecanismo de arregimentação para formar uma força capaz de contrabalançar os interesses do capital (no caso). A partir de agora é possível em poucos minutos convocar um contingente de excluídos para, em turba descontrolada, depredar, saquear, incendiar o que estiver pela frente, tudo em nome "do interesse imediato dos excluídos". Políticos querem que "o povo se exploda", diria o personagem Justo Veríssimo criado pelo gênio Chico Anysio. Caminhoneiros idem. Desempregados idem. Precariados idem. Excluídos idem.

O sistema democrático, como concebido até aqui, terá tempo e condições de se re-inventar? Ou seja, a democracia por meios exclusivamente da representação indireta tem como fazer uma autocrítica rápida e profunda para encontrar um novo modelo capaz de comportar a era digitrônica? E, no Brasil, com a agravante de o dinheiro, portanto, o poder, estar centralizado na esfera federal, ou seja, a distância entre as demandas/necessidades dos cidadãos está a uma distância intransponível daqueles que têm a in/capacidade de legislar/decretar.

Em 8 de agosto a reforma da previdência foi aprovada em segundo turno na câmara e enviada ao Senado. Hoje, 22 de outubro, espera-se pela aprovação em segundo turno. Detalhe: governo e Senado fecharam acordo para não alterar o projeto da Câmara de modo a que este não tivesse que voltar a ser reavaliado e votado pelos deputados e, mesmo assim, são mais de 60 dias decorridos e estamos onde estamos! Isso por que, finalmente, chegou-se a um consenso de que o país estava (ainda está) a caminho da falência provocada pela Constituição de 88, aquela que dá todos os direitos aos cidadão e todos os deveres ao Estado, sem qualquer noção de ou menção à responsabilidade por quem paga a conta!

Sem necessidade de legenda.
Os interesses individuais, particulares, familiares, escusos ou republicanos, continuarão a embotar a visão dos integrantes do parlamento? O encastelamento no Poder levará à construção de um muro virtual em torno da praça dos 3 poderes para manterem-se protegidos da turba ensandecida? Ou, dado que tá difícil andar na ruas e voar em aviões de carreira, mesmo que de primeira ou executiva, vão ter que incluir no orçamento da União uns jatinhos para levar nossa oligarquia pelos céus do Brasil e além?

E se a democracia representativa, independente da vontade dos políticos, vier a ser implodida de fato por uma democracia direta manifesta por redes sociais e movimentos de rua através delas convocados? E agora José, Jair, Luis, Rodrigo, David e outros pretendentes a Rei: o que decidem? Uma coisa é certa, não importa o que os detentores do poder farão ou não farão, um novo sistema será criado mesmo que na marra, pelo simples fato de que algum sistema é preciso ter por base para a vida econômica pode girar. Simples assim.

Ex-Ministro Delfim Netto ao lado de provável General.
Nos primeiros anos da ditadura militar - sim, foi ditadura, foi golpe, foi governo de exceção, foi defesa dos interesses da classe média, foi afastamento de pretensões socialistas, foi combate à guerrilha de dilmas e dirceus, e foi o que abriu as portas para o que está aí, tudo junto e misturado - eu ouvia pela boca de Delfim, que era preciso crescer para dividir o bolo. Hoje constata-se que ele estava corretíssimo: dividiu-se o bolo para os que tinham mais, tirando dos que tinham menos, e aí está o resultado. Dia desses vi o seguinte número: a renda média/mensal em 2018, PRESTA ATENÇÃO, dos 1% brasileiros mais ricos é de cerca de 27,7 mil reais! Enquanto o rendimento dos mais ricos cresceu no ano 8,4%, a queda do rendimento dos 5% mais pobres foi de 3,2%. Entendeu a lógica suicida? Hoje, olhando à distância, tal estratégia - aumentar para distribuir - me soa ilógica. Considerando que a riqueza é medida pelo PIB e que este é resultado da fórmula quantidade de transações multiplicada pelo preço, consequentemente se você aumentar a quantidade de transações estará aumentando o PIB e, consequentemente, a renda per capita! Ora, fica simples entender que se há mais renda para quem tem menos, quem tem menos gasta mais, ou seja, aumenta o giro de transações, mais transações, mais produção, mais renda... Não é difícil de entender, concorda?

O gráfico não em referência a ano, mas é daí para pior.
A primeira mudança para diminuir o abismo é investir junto aos mais ricos para que entendam que quanto maior for a classe média, maior será o mercado (vide mercado americano, alemão, escandinavo e outros), maiores serão as vendas e o ciclo tenderá a ser virtuoso. Para isso, o rendimento de uma aplicação financeira pura(*) no mercado de capitais, na renda fixa ou em fundos de qualquer natureza, não pode ter uma tributação de 15% (algumas até mesmo isentas do IR) enquanto o rendimento do capital a serviço da produção e prestação de serviços paga 34% ou mais! As propostas para uma Reforma Tributária já foi catapultada para 2020 e não tenho informação se uma proposição como esta minha estará contemplada pois ricos têm a infeliz ideia de acharem que vão levar para o Paraíso suas fortunas, mesmo sabendo que no caso dos Faraós isso parece não ter dado muito certo.

Gráfico não datado, mas é daí pra pior.
Uma segunda mudança, também inserida numa futura Reforma Tributária, é a distribuição dos recursos arrecadados. No período da governança militar e depois, foi crescente a transferência dos recursos dos municípios e estados para os cofres do Tesouro Federal. As razões para tal movimento, se foram justificáveis à época, não o são mais. É fundamental uma intensa descentralização da arrecadação de modo a deixar municípios e estados com a maior fatia. Há que se estabelecer uma dinâmica ágil de comunicação e ação entre os anseios da população e as fontes de solução (vereadores e prefeitos, principalmente). Não é em Brasília, mas nas cidades que o cidadão demanda solução nas áreas de educação, saúde, transporte e mobilidade. Contrariamente a este fato inquestionável, indiscutível, a quase totalidade dos municípios e estados está quebrada, com sua arrecadação comprometida com a folha do funcionalismo e de seus pensionistas! Este princípio está no conteúdo das propostas do atual governo federal, mas, como já sabemos, de tão importante a Câmara deixou para 2020.

Gráfico não datado, mas é daí pra pior.
A terceira, visceralmente ligada à segunda, é a estrutura das bases de cálculo dos impostos. Rentistas pagam 15% de IR enquanto consumidores pagam, na maioria dos produtos, impostos entre 30% e 70%!!! Como considero esta inversão uma completa maluquice, e como inverter isto é fundamental para o desenvolvimento do país, tal proposta ficou para ser analisada... em 2020.



Tudo isso só pra cutucar neurônios em descanso. Fui.


(*) Denomino "pura" a aplicação que tem rendimento 100% do rendimento independente da ação do investidor. Ter ações de uma companhia listada em bolsa, em nada pode se equiparar a uma participação societária em uma empresa de responsabilidade limitada.



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