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quinta-feira, outubro 17, 2019

QUANDO A JUSTIÇA É INÚTIL

Escrevo na quinta-feira, 17 de outubro de 2019, quando em uma sessão do plenário do STF deverá ser dado mais um passo em direção ao final da discussão sobre a prisão ou não em 2ª instância.

É, na minha ignorante e humilde visão, a mais maluca e idiossincrática discussão que a nossa mais alta Corte já teve oportunidade de protagonizar. Será que você concordará comigo? Vejamos.

Não creio que exista no restante do mundo (*), um país, de governo democrático ou não, que tenha um tribunal de justiça com o objetivo de julgar possíveis crimes e condenar o réu à prisão se provas assim levarem à tal conclusão, mas cuja decisão não possa ser cumprida pelo simples argumento de que tal desfecho possa vir a ser contestado em uma outra instância. Tribunais de justiça têm como única função julgar e punir. Se não é possível aplicar a punição, pra quê julgar? Julgar sem punir é simplesmente um completo non-sense!!! ATENÇÃO: o julgamento é o final de um longo processo no qual defesa e acusação tiveram oportunidades muitas de apresentarem seus argumentos, portanto, tudo passível de contestação pode ser feito até minutos antes de uma sentença ter sido proferida. Voltando ao prático, o noticiário nos dá conta de que o resultado já é "favas contadas" contra a prisão em 2ª instância pelo placar de 6 a 5 ou, um muito provável, 7 a 4!!! Pelo jeito vamos ser vistos como os criadores da maior piada jurídica internacional!!!

Nós temos 4 instâncias judiciais: 1ª, 2ª, STJ (Superior Tribunal de Justiça) e STF (Supremo Tribunal Federal. Para você saber as características e o funcionamento dessa estrutura acesse este link.

Ali você vai encontrar a seguinte afirmação: "se o cidadão não concordou com a sentença do juiz de primeiro grau, ele pode recorrer para que o caso seja julgado no TJ". Perfeito, um direito líquido e certo de um réu. Mas alguém conhece ou soube de um réu que ficou satisfeito com uma sentença que lhe foi desfavorável? E nos surpreendemos com a quantidade de processos que abarrotam todas as instâncias!!! Então não pode ser simplesmente "não gostei", "não concordo", mas sim há que estar muito bem estruturada a argumentação de um recurso a uma instância seguinte.

Recorramos a números. Diz o noticiário que se retrocedermos à posição de que a prisão só pode ocorrer depois desta excrescência do "trânsito em julgado", 190 mil casos terão que ser individualmente analisados para se definir se o réu tem direito a ser solto ou não!!! Você pode imaginar a dimensão deste processo?

Se temos 4 instância e "trânsito em julgado" passou a significar "julgado pelo STF", então meu amigo, fodeu: 100% dos casos levados à justiça poderão ser levados ao Supremo!!!


Atentemos para um outro aspecto. A condenação com prisão é apenas uma das modalidades de punição, existem outras. Pensemos em uma condenação em primeira instância a serviços comunitários por um x tempo. Ou uma condenação a prisão domiciliar? E agora? Vai-se esperar por anos até que chegue ao Supremo para, finalmente, estabelecer o "trânsito em julgado". Há quem vá propor agrupar os tipos de condenação para efeito de se estabelecer critérios diferentes para cada grupo. Desse modo teríamos que prisão em cárcere é diferente de prisão domiciliar e por aí em diante. 

Enfim, se há um tribunal que julga e condena, cumpra-se a condenação independente de qual tenha sido. Ou nossa justiça precisa ser totalmente reformulada pois ela não atende seu objetivo principal, qual seja o de estabelecer uma justa avaliação de um evento a ela submetido. Recorrer é um direito inalienável mas de forma alguma pode anular o cumprimento da decisão de um tribunal. Ou acabe-se com o Tribunal!!!

Se você mais ou menos concorda comigo, há de estar se perguntando por que o óbvio não é tão óbvio assim? Bem, aí é que entram os argumentos "não republicamos" como diria Roberto Jefferson nos tempos de Mensalão. Acontece que os réus agora são do andar de cima, são os compadres, são os colegas da oligarquia, são os privilegiados do poder, são os que nos nomearam ou que nomeamos, são aqueles a quem devemos estar onde estamos! Aí, amigos, tudo muda.

Vamos aguardar o final, ou, pelo menos, a modulação anunciada pelo Presidente do STF. Aí você volta aqui e dá uma conferida no Poder e no Phoder (ainda escrevo sobre isso).

(*) Tenha uma ideia de como é em outros países neste link.




domingo, janeiro 29, 2017

COMENTÁRIOS DA SEMANA - DE 29/JAN A 4/FEV/17

04/02/17 - IMAGENS PARA A HISTÓRIA


Lula quase Ministro.


Temer leva condolências a Lula.

Moreira Franco nomeado Ministro.



01/02/17 - LÁ & CÁ

Há uma ideia flutuando na mídia e no meio político de que o STF se politizou, indevidamente, dizem os políticos, justificadamente, diz a mídia, além da conta, dizem ambos, acrescentando que a função do supremo seria tão somente de guardião da Constituição. 

Adicionalmente a isto, vimos, às vésperas da Ministra Carmem Lúcia homologar as delações da Odebrecht, e ainda hoje, nestes últimos momentos que antecedem a decisão da escolha do novo relator em substituição ao Ministro Teori Zavascki, uma excessiva (a meu ver) preocupação, ou mesmo um forte temor, quanto ao que poderá acontecer à Lava-Jato, dependendo de quem será o escolhido.

Simultaneamente, ou melhor, ontem, Donald Trump indicou Neil Gorsuch, um político conservador, constitucionalista, para Juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos. Um fato dá a dimensão da função política daquela instituição: o cargo estava vago há quase um ano e não foi ocupado por um indicado de Obama porque, simplesmente, o Senado, com maioria Republicana, impediu.

Lá e cá, as coisas são parecidas, mas diferentes.




31/01 - SEM PARAQUEDAS


Sei que é muito cedo para o que vou registrar aqui. Sei que muita água vai rolar por baixo das "pontes de Madison" e Nova York. Vou me jogar sem paraquedas, pois penso que o risco é calculado. 


Donald Trump não termina este seu mandato.

A conferir.

30/01 - DESEMBARQUE DA ILUSÃO


Aproveitando o desembarque, que acontece neste momento (10:22), de Eike Batista, no aeroporto Tom Jobim, ao som, provavelmente, de Samba do Avião ("Olha a pista chegando..."), com destino ao presídio Ary Franco, passando antes nas dependências da Polícia Federal, reproduzo o trecho mais importante do vídeo da participação do mega-fajuto-empresário no programa Manhattan Connection em 3/jul/2013. 





Diogo Mainardi, o único, pelo que parece, jornalista a não se deixar iludir pela hipocrisia reinante na mídia de ontem, de hoje e, quiçá, do amanhã. 


29/01 - HIPOCRISIA POLÍTICA


Considero fundamental que todos tenham em seus arquivos, mesmo que seja só o da memória, este vídeo: