Mostrando postagens com marcador Servidão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Servidão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, dezembro 12, 2024

A CIVILIZAÇÃO DO FUTURO - E está tudo bem!

 

O Leitor poderá pensar, com razão, que o título deveria ser “O Futuro da Civilização”, mas tal formulação levaria a uma percepção errada sobre as reflexões que vou apresentar. Quando me refiro à civilização do futuro estou considerando que o ocidente, neste primeiro quarto do século XXI, está em um processo de “involução civilizatória” que conduz ao fim dos parâmetros que a determinaram, portanto, ao fim desta civilização milenar. Evoluímos da barbárie às sociedades democráticas para, pelo que parece, iniciarmos um retorno à barbárie. O que a oligarquia quer nos impor é a substituição dos valores construídos ao longo de mais de 10 mil anos de guerras e muito sangue por outros que obedecem exclusivamente à “vontade de poder”[1] - melhor seria dizer “sana de poder” - sobre as massas serviçais, subjugando-as e manipulando-as com uso de todas as ferramentas à disposição para tanto: cerceamento da liberdade, ameaças de encarceramento, acusações sem provas e sem direito a defesa.

Repito algumas reflexões que, de um modo ou outro, já fiz aqui: 1) o tempo de tudo encurtou; 2) tem sempre “pato novo”; 3) a quantidade de patos, cujo crescimento é impossível de ser estancado, já atingiu um nível impossível de ser razoavelmente administrado; 4) a república democrática é uma criança, um sistema recente na nossa história - não tem mais que 250 anos –, mas adquiriu um câncer terminal que corrói as entranhas da burocracia estatal. Sua  deterioração galopante é estimulada pelas novas gerações – os tais patos novos - que chegam inventando a roda, pois não se servem do arcabouço dos ensinamentos extraídos das experiências históricas. Isto por um lado. De outro, está o desenvolvimento da tecnologia, especialmente as que justificam eu rotular nosso tempo como a era da “digitrônica”[2], cuja característica maior é o pacote volume/velocidade das informações que não nos deixa um mínimo prazo de “degustação”. O resultado sempre é uma péssima digestão, levando a uma incontrolável diarreia mental monumental de dejetos, expressa e explícita de percepções, opiniões e “verdades” absolutas, “todes mau cheiroses”.

A civilização ocidental está perfilada frente a um paredão branco de medo à espera do tiro de misericórdia. É razoável imaginarmos que nosso planeta tenha uma capacidade limitada quanto ao volume populacional administrável e que não há solução para o controle do seu crescimento. Nem todas as pandemias, guerras e catástrofes ambientais já registradas fizeram cócegas na taxa de crescimento.

Hipócritas, de todas as cores, gêneros e ideologias, discutem aquecimento global e destino de lixos tóxicos viajando mundo afora para fóruns “rega bofes” inúteis, mas confortavelmente acomodados  em jatinhos particulares, falando em celulares que serão descartados e substituídos na próxima versão a ser lançada.

Se haverá ou não um retrocesso por razões que não imaginamos, é uma aposta pessoal.

Até aqui só uma introdução para esquentar neurônios, pois o que estou trazendo só vai ficar mais preocupante.

Tenho a maior curiosidade em conhecer o que Tim Berners-Lee[3] está pensando quando assiste sua WWW sendo utilizada para fins inimagináveis  em março de 1989 quando propôs seu fantástico e inocente protocolo[4] para comunicação entre computadores de todo o mundo.

O Banco Central do Brasil criou um sistema de registro da maioria das transações financeiros chamado REGISTRATO (registrato.blog.br)[5].  Como ainda nem TODAS são alcançáveis, o BC está em final de desenvolvimento de uma moeda digital, o DREX[6], que fará o serviço que falta. A partir de  2025, o governo brasileiro dará início à jornada de convencimento[7] de todos nós para passarmos a transacionar apenas através de tal sistema, quando, então, da compra do pãozinho na padaria à venda de um bem qualquer, passando por todas as transferências de valor, ou seja, toda transação que você fizer no mercado financeiro estará registrada num grande banco de dados permitindo que o Estado tenha controle absoluto sobre sua vida[8]. O governo chinês, desde 2018, faz um controle da vida particular dos seus cidadãos através de um sistema que pontua o comportamento social[9] de modo a poder cercear seus direitos porque sua pontuação está abaixo do esperado. No nosso Brasil, pelo que parece, com o DREX estaremos bem à frente da China neste quesito.

Agora percebemos que a digitrônica foi a maior das “fake news”. O tão sonhado poder de nos expressarmos livremente para o mundo, se mostrou a grande ameaça às elites no phoder. A reação veio “a STF”. Questionar a oligarquia não pode nunca ser permitido. Ela tem sempre razão, mesmo quando não tem razão alguma. É só uma questão de manda quem pode, obedecem todos, independente de terem juízo ou não, ou a “espada da lei” cairá sobre sua cabeça. Nunca valeu tanto a regra “para os amigos tudo, para os inimigos a lei”! E a distorcem, manipulam e reinterpretam sem qualquer rubor e pudor.

Na história da humanidade não há registros de retrocesso. Quando utilizamos o termo “evolução” queremos apontar somente para uma tecnologia que tornou fazer algo mais fácil, mais cômodo, mais útil comparativamente. Dado este paço, não há mais como retroceder sem que pareçamos bárbaros. O homem que aprende a comer com garfo e faca não volta mais a comer com os dedos sob pena de ser ridicularizado ou merecer a desaprovação social com expressões de nojo. Assim foi e assim é a digitrônica. Uma era que não voltará jamais. As sociedades serão a cada dia mais e mais dependentes uns e zeros. Os cidadãos de todo o planeta serão a cada ano, a cada década, a cada século, mais e mais monitorados, robotizados, e digitalmente lobotizados.

A primeira pergunta, considerado o dito até aqui, é: no futuro próximo teremos uma nova civilização? Eu acredito que sim por uma razão: se nos milênios que nos antecederam a humanidade foi controlada pela força física, o phoder agora tem uma poderosa ferramenta para controlar a mente dos cidadãos-súditos[10]. Se no passado a servidão era voluntária, como identificou Étienne de Lá Boétie[11], nesta nova civilização a servidão é involuntária, obrigatória, a constar do registro de nascimento. Sim, portanto, é uma nova civilização que se anuncia.

A segunda pergunta, consequente, é: os cidadãos-súditos aceitarão passivamente tal condição de vida? Mais uma vez, acredito que sim. A essência do ser humano ao longo dos milênios desde que desceu das árvores, passou a andar ereto e a fazer o fogo, tem um só valor a guiar suas decisões: a sobrevivência. É ela que explica a Alemanha Nazista, a Coreia do Norte barbaramente comunista, e todas as massas seguidoras de tiranos. Tudo é pela sobrevivência. O mote é “deixe-me viver”, de resto faça o que bem entender.

Tudo bem que, Você Estado, vá me impedir de viajar para onde eu quiser, pois você controlará o fluxo migratório de acordo com os interesses de sua economia planejada. Tudo bem se eu “pecar” ao não respeitar seus 99 mandamentos e Você venha a me punir me cancelando e me tirando o potencial de sustentar a mim e a minha família com minhas postagens. Tudo bem que eu tenha perdido pontos no sistema social porque me denunciaram por não ter gritado “Hi! Fuhrer!” no desfile militar. Tudo bem que meus pontos tenham sido tão baixos que Você foi “obrigado” a ser mais rigoroso comigo e me jogado em uma cela fria! Tudo bem! Só não me tire a vida. De resto, estará tudo bem.

Sim, estará tudo bem porque os humanos se provaram benditamente resilientes, malditamente subservientes. Queremos ser felizes, sim! Mas se ser feliz for incomodar o phoder, minha felicidade não tem importância.

Navegar não é preciso, viver é preciso.[12]

 



[1] Esta expressão foi formulada por Nietzsche indicando uma característica presente no ser humano. Como consta na Wikipedia: “é a principal força motriz em seres humanos — realização, ambição e esforço para alcançar a posição mais alta possível na vida”.

[2] “A microeletrônica define o mundo em que vivemos, orienta o foco da política internacional, a estrutura da economia global e o equilíbrio do poder militar.“ Fonte: Daily Digest.

[3] Timothy John Berners-Lee KBE, OM, FRS é um físico britânico, cientista da computação e professor do MIT.

[4] Protocolo: conjunto de regras para que dois interlocutores possam se entender. A língua nada mais é que um conjunto de regras de comunicação entre dois seres humanos.

[5] Para ter acesso você precisa estar cadastrado no GOV.BR.

[6] DREX: D de Digital; R de Real; E de Eletrônica; X de nada, é só uma moda.

[7] Assim como fez com o PIX.

[8] Junte isso com o sistema chinês e você poderá começar a imaginar o que significará “controle de sua vida”: o que você come, com que tipo de pessoa você gosta de se relacionar, qual sua cor preferida, quais seus ideais políticos etc. etc. etc.

[9] Sistema de Crédito Pessoal: “A partir de dados coletados na internet, em registros governamentais e por meio de reconhecimento facial, cada cidadão recebe uma pontuação. Se a pontuação for boa, a pessoa recebe algumas recompensas sociais. Já 1 crédito social ruim pode proibir que uma pessoa se matricule em uma boa escola ou seja contratada para uma boa vaga de emprego, por exemplo. Em 2018, segundo relatório divulgado pelo Centro de Informação do Crédito Público Nacional da China, 23 milhões de pessoas foram impedidas de viajar devido à pontuação baixa.” Fonte: www.poder360.com.br

[10] Aplico este termo para separar os cidadãos que se venderão, por diversas razões, a servir como braço executor das ações regulatórias, portanto, sustentadores e avalizadores do phoder, por isto “premiados” com benesses do Estado. Entre eles: servidores públicos de todas as instâncias e autarquias, elite financeira, elite intelectual, elite cultural e elite jurídica.

[11] Pensador Francês do século XVI em seu, hoje, clássico “Discurso da Servidão Voluntária”.

[12] Evidentemente estou me referindo à poesia de Fernando Pessoa, não só invertendo sua proposição como alterando totalmente seu significado. Se Pessoa utilizou “preciso” no sentido de “exatidão”, eu a uso no sentido de “necessidade”. Saiba mais aqui: 

https://www.pensador.com/navegar_e_preciso_viver_nao_e_preciso/ .

domingo, dezembro 10, 2023

7 - EXTIRPANDO A DEMOCRACIA: Do “Laissez-faire” à Tirania

A ERA DIGITRÔNICA E A TIRANIA

 (Se preferir, ouça o áudio.)


 "Deixe-me dizer em que acredito:

no direito do homem de trabalhar como quiser,

de gastar o que ganha, de ser dono de suas propriedades

e de ter o Estado para lhe servir e não como seu dono.

Essa é a essência de um país livre,

 e dessas liberdades dependem todas as outras."

Margaret Thatcher[1]

 

Recordemos em síntese. Vimos que existem modelos diferentes e cada um adaptável ao gosto do opressor da ocasião. De todo modo, todos são variações sobre a relação entre opressores e oprimidos, poder e servidão, todos sistemas que fizeram parte da história da civilização humana. Por milênios, o tempo de transmissão da informação entre emissores e receptores,  foi longo o bastante para ser um escudo protetor das barbaridades cometidas pelos dominadores. Nos séculos recentes, este tempo veio sendo gradativamente reduzido, mas os governantes, mantendo o controle dos produtores e distribuidores de conteúdo, e podendo regular as empresas fornecedoras de acesso às tecnologias de transmissão, continuou protegido da massa desprezível, mas... necessária.


Eis que chegamos ao nosso mundo contemporâneo de posse de uma ferramenta que nos dá o poder de conhecer e questionar instantaneamente as intenções e ações dos ocupantes do poder.


Cito Yuval Noah Harari[2]: “O sistema democrático ainda está se esforçando por entender o que o atingiu, e está mal equipado para lidar com os choques seguintes, como o advento da inteligência artificial e a revolução da tecnologia de blockchain"[3].

O poder de ruptura da digitrônica é tão dramático para o status quo político, que o poder, sem saber como se defender, recorre à novilíngua[4], uma maneira para convencê-lo de que o que é, não é, e o que não é, é. Exemplos: censurar é ser democrático; cancelar e lacrar é ruim, mas é do bem se a boca que o faz é vermelha; opinião é “fake news” se não for do gosto dos governantes e dos “supremos”; liberdade de expressão, só para os militantes socinistas; passeata é tentativa de golpe; não comunista é neofascista, ponto, e deve ser “extirpado”; o pleito eletronicamente fraudado, é, para os “supremos”, o mais inviolável do mundo, totalmente imune a fraudes; cidadão que faz perguntas incômodas, é um “mané, não amola”; conluio entre militares, parlamentares, instituições civis, todos liderados por Supremos Ministros do STF, podem descondenar um ladrão e transformá-lo em Presidente, e isto ser proclamado como um ato em defesa do “Estado Democrático de Direito”, um eufemismo hipócrita para “Estado Autocrático de Opressão”.

Este é o “estado” em que nos encontramos. Se é exorcizante a capacidade de todos os cidadãos, independente de suas circunstâncias econômicas e culturais, ter sua voz, seu grito, sua revolta, sua opinião digitalmente ecoadas pelo mundo, isso também faz com que os que ouvem, os ocupantes do poder, se sintam ameaçados por tais manifestações, o que os estimula ainda mais a produzir instrumentos silenciadores, cerceadores da liberdade de expressão e de trabalho.

Por uma outra perspectiva, quando podemos nos manifestar contra intenções do Estado, imediatamente após serem reveladas, antes mesmo de serem debatidas e testadas, geramos uma consequência desastrosa: uma dificuldade em agir que tende a imobilizar o governo colocando o sistema democrático em constante situação de crise. Isto acontece porque para toda e qualquer ideia há sempre uma parcela da sociedade que será atingida negativamente se ela for implantada e, então, reage imediatamente em aguerrida oposição.

Tais realidades exacerbam a reação dos poderosos que não aceitam ter seus interesses contrariados, muito menos tão rapidamente, sem que nem mesmo tenham tempo de fazer as manipulações necessárias para “convencer” a sociedade.

Há mais a ser considerado. Se o pensamento socinista dominou a formação da geração que hoje tem entre 20 e 30 anos, também é fato que esta é a mesma geração que nasceu na Era Digitrônica. Enquanto nas salas de aula estes jovens foram submetidos a uma lavagem cerebral e convencidos a adotar dogmas ideológicos gramscianos[5], simultaneamente conviveu e convive tendo a possibilidade de acessar e conhecer outras formas de interpretar o mundo e a vida em sociedade. Mas quantos deles estão buscando um contraponto?

A toda ação corresponde uma reação6], só que em política, contrariando a física, esta é sempre de intensidade desproporcionalmente maior[, o que leva a uma sequência de reações a reações em crescente intensidade até que tudo colapsa, sempre deixando um rio de sangue e milhões de mortos que, no fim, não adicionarão nada à evolução civilizatória, ao contrário, fazendo-a retroceder alguns passos.

Sempre fui descrente quanto à democracia ser uma solução de sistema político. Como empreendedor que fui, o processo democrático de tomada de decisão vai até antes da tomada da decisão. Não conheço história longa de sucesso empresarial baseado em decisões colegiadas e pelo voto[7]. No âmbito da realização, do fazer acontecer, a responsabilidade da decisão é sempre de um só, exercida sob as experiências vividas, o sexto sentido, a intuição, a coragem, e sempre solitariamente no recanto de seus medos, convicções, angústias e esperanças. O que pude constatar no exercício de mais de 40 anos como dirigente empresarial, quem melhor decide é quem melhor está preparado para tal. Como o erro é inevitavelmente a posteriori, ao ser constatado, o mais qualificado para corrigi-lo é quem foi o responsável pela decisão original.

De certo modo, graças ao mecanismo da alternância de poder, a democracia como sistema político é a melhor maneira de desagradar muitos sem que se possa atribuir a quem quer que seja, a responsabilidade pelos desastres. E com a humanidade chegando aos 9 bilhões de indivíduos, caoticamente informados[8], torna-se impraticável obter-se um conjunto suficiente de indivíduos que estejam de acordo com uma dada solução para qualquer problema.

É neste contexto que vemos iniciativas que se aproveitam das novas tecnologias para estabelecer controle das massas através da padronização. As câmeras por todos os lugares, menos que nos dar “segurança”, nos obrigam a nos comportar de uma maneira padrão para não perdermos pontos[9] e/ou não sermos punidos com perda de direitos[10]. A Inteligência Artificial das Alexas, Siris, ChatGPT etc., não nos informa nada, elas impõem respostas dadas por um “algoritmo”, humano ou robótico, trazendo como fatos verdadeiros, deslavadas mentiras virtuais.

Nietzsche[11], o filósofo duro, como já o qualifiquei aqui, observou: É preciso pensar bem profundamente e defender-se de toda fraqueza sentimentalista. Eis que a própria vida é essencialmente apropriação, ofensa, sujeição daquilo que é estranho e mais fraco, opressão, dureza, imposição de formas próprias, incorporação e pelo menos, na melhor das hipóteses, exploração.

Tendo sido a fórmula que nos trouxe das cavernas para a civilização moderna, é razoável imaginar que a relação Poder e Servidão continuará para todo o sempre, composta, em minha particular visão, de 4 tipos fundamentais de humanas personalidades políticas: os Dominadores, que não se importam com o outro em nenhuma instância (financeira, moral, familiar, existencial...) e assumem o phoder; os Corruptos[12], que se associam a estes, não importa o que eles pensem ou façam, desde que possam usufruir de parte do butim; os Oprimidos, que se submetem voluntariamente porque não têm índole, ou interesse,  ou coragem em colocar em risco sua existência; e os Amortecedores, que servem de amenizadores da opressão exercida pelos Dominadores e Corruptos sobre os Oprimidos, conseguindo, como recompensa, manter suas conquistas, mas sempre se sentindo culpados em relação às circunstâncias dos Oprimidos e críticos às privilegiadas circunstâncias dos Dominadores e Corruptos. Hoje, Opressores, com a ajuda dos Corruptos, estão, xandrinamente, tentando extirpar a democracia da lista de opções de sistemas políticos. Enquanto isso, os Amortecedores se esforçam para se manterem vivos e, os Oprimidos..., bem, estes... “entregam pra Deus”.

Algumas conclusões de tudo que vimos nestas 7 postagens podem ser as que seguem.

1. O Universo é constituído de uma tal diversidade que não há dois elementos idênticos.

2. Não há solução para o Caos, pois isto seria substituí-lo pelo vazio.

3. Neste caos de circunstâncias diversas, toda pretensa maioria é frágil e suscetível de se desfazer ao longo do tempo.

4. Todo poder é concedido, portanto, é frágil, e para se manter é imperioso usar uma força opressiva.

5. A toda força se opõe uma força contrária - é a física que prova.

6. Toda oposição, inevitavelmente, vencerá em algum momento.

7. Todo sistema político está fadado, portanto, a ser substituído no decorrer da trajetória de desenvolvimento da civilização humana.

Nosso pêndulo das forças políticas está subindo em direção ao seu auge, a tirania. Só depois de conhecê-la em sua forma mais terrível, forma que já se apresenta no horizonte do oriente médio, ele inevitavelmente iniciará uma trajetória em sentido inverso. Mas será que a civilização sobreviverá a uma nova Era de terror e trevas? Quantos milhões, quiçá, bilhões, pagarão com a vida o desejo de poder de alguns milhares? Quão próximo estamos deste momento? Nossos filhos poderão integrar os mortos? Nossos netos? Bisnetos?

Mas a síntese da síntese, estou convencido, é a de que qualquer sistema político visa uma coisa só: uma minoria autoproclamada como a “elite”, a “crème de la crème” do saber, os ungidos, todos associados com e beneficiários de uma grande plutocracia[13], submetem a maioria de milhões de cidadãos a seus desejos e psicopatias[14]. A democracia é apenas um “me engana que eu gosto”. Quando criança, minha mãe, autocrática como todas, ignorando nossos inúteis pirracentos protestos, com a mão direita nos fazia engolir, “para o nosso bem”, uma colher de óleo de fígado de bacalhau[15] com um gosto que nos causava vômito. Mas como nos amava, na mão esquerda já tinha um copo de soda limonada para amenizar aquela horrível sensação.

É isso: a democracia é como uma soda limonada, ela ameniza a sensação de vômito que a tirania causa.

 

Com esta postagem, encerro a série “Extirpando a Democracia: do Laissez-faire à Tirania” e, como bônus, deixo algumas reflexões de três videntes pensadores.





Obrigado por sua atenção e não se avexe em comentar.

 

Até uma próxima postagem.

 

 


FRIEDRICH NIETZSCHE (1844-1900)

1 - Considerava a existência de duas morais: a dos nobres ou senhores e a dos escravos.

2 - Em “Vontade de Poder” [o que chamo de “processo revolucionário]:

·         Fato: os oprimidos, os rebaixados, toda a enorme massa de escravos e meio-escravos querem o poder.

·         Primeiro estágio: libertam-se, - soltam-se, de início imaginariamente, reconhecem-se entre, defendem-se.

·         Segundo estágio: entram em guerra, querem reconhecimento, direitos iguais, “justiça”.

·         Terceiro estágio: querem os privilégios (...).

·         Quarto estágio: querem sozinhos o poder e o obtêm.

3 - Nenhum filósofo duvidará de qual é o tipo de perfeição na política: o maquiavelismo.

4 - No fundo, todos juntos somos um gado e uma plebe que só têm olhos para si.

5 - O “tiranizar” diz respeito aos grandes homens: eles embrutecem os menores.

6 - O que é medíocre no homem típico? O fato (...) de combater as situações adversas como se fosse possível passar sem elas.

 

ALAIN TURAINE[16] (1925-2023) em “O que é a democracia”?

 

1 - (...) nos limitamos a definir a democracia como um conjunto de garantias para evitar a tomada ou manutenção no poder de uma minoria contra a vontade da maioria.

2 - Para ser democrática, a igualdade deve significar o direito de cada um escolher e governar sua própria existência.

3 -Toda tentativa para opor a política universalista aos atores sociais particularistas culmina na reivindicação de privilégios e direito de governar feita por uma elite de sábios desligados das preocupações dos trabalhadores comuns, ou na redução do cenário político ao choque de interesses particulares.

4 - Um governo nacional ou local que estivesse a serviço direto da opinião pública teria efeitos deploráveis.

5 - Quase por toda a parte, os grandes partidos populares de massa constituíram ameaças para a democracia, em vez de serem seus defensores.

6 - O preço da liberdade não pode ser a renuncia à identidade.

7 - Só é possível conhecer o interesse coletivo (ou da maioria) depois de se conhecer os interesses individuais (ou da minoria).

8 - As revoluções transformam movimentos democráticos em regimes antidemocráticos.

 

GEORGE ORWELL (1903-1950) em “1984”

 

1 - [No mundo do Grande Irmão] Nada pertencia ao indivíduo, com 2 - exceção de alguns centímetros cúbicos dentro do crânio.

2 - “Quem controla o passado” dizia o lema do Partido, “controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado”.

3 - As duas metas do Partido são conquistar toda a superfície da terra e extinguir de uma vez para sempre qualquer possibilidade de pensamento independente. Um deles é descobrir o que pensa outro ser humano, e o outro é matar várias centenas de milhões de pessoas em alguns segundos sem dar aviso prévio.

4 - Só há quatro modos de um grupo governante abandonar o poder. Ou é vencido de fora, ou governa tão ineficientemente que as massas são levadas à revolta, ou permite o aparecimento de um grupo médio forte e descontente, ou perde a confiança em si e a disposição de governar.

5 - O poder está em se despedaçar os cérebros humanos e tornar a juntá-los da forma que se bem entender.

6 - Se queres uma imagem do futuro, pensa numa bota pisando um rosto humano – para sempre.

7 - Nós [o Partido] criamos a natureza humana. Os homens são infinitamente maleáveis.

8 - [Diz a personagem Julia:] A gente quer que a coisa aconteça ao outro. Não se importa que sofra. Só nós temos importância [o militante, o ideologicamente abduzido].




[1] Margareth Hilda Thatcher, foi uma política britânica que exerceu o cargo de primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990 e líder da Oposição entre 1975 e 1979. Foi a primeira-ministra com o maior período no cargo durante o século XX e a primeira mulher a ocupá-lo.

[2] Yuval Noah Harari (1976-...), professor israelense de História e autor do best-seller internacional Sapiens: Uma breve história da humanidade.

[3] Blockchain: tecnologia que possibilita a existência de moedas criptografadas.

[4] Novilíngua, conceito enunciada por George Orwell em 1948.

[5] Antonio Sebastiano Francesco Gramsci (1891-1937), foi um filósofo marxista, escritor, teórico político e co-fundador e secretário geral do Partido Comunista Italiano. Na prisão onde ficou por cerca de 8 anos, escreveu Cartas do Cárcere, obra hoje fundamental para o pensamento e ações da extrema esquerda.

[6] O enunciado da Terceira Lei de Newton (Princípio da Ação e Reação) é descrito da seguinte forma: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos.”

[7] Sobre Democracia Participativa: Conheço casos de tentativa de democracia como base de decisão empresarial, e que não deu em nada ou deu em empresa falida, Eu mesmo me envolvi pessoalmente em uma experiência sobre Participação nos Lucros, no início dos anos 1990.

[8] O supremacista Alexandre de Moraes, defende, em proveito próprio, que suas ações censoras visam combater a “desinformação”, conceito que só encontra sentido na mente de um tirano, pois “desinformado” é o indivíduo que “não tem informação”.

[9] A China tem um sistema de crédito social. Para saber mais, acesse: https://www.poder360.com.br/internacional/entenda-o-sistema-de-credito-social-planejado-pela-china/

[10] Punição: O STF no Brasil parece estar na liderança deste tipo de método corretivo.

[11] Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo prussiano, autor de “Vontade de Poder”, “Assim falou Zaratustra”, “Além do bem e do mal”, e “Humano, demasiado humano”.

[12] Incluo entre os Corruptos, grande parte do funcionalismo público, sempre bajulador e braço executivo do poder da ocasião, independente de sua ideologia. São verdadeiros camaleões políticos e, neste sentido, tal como os Amortecedores, mas em sentido inverso, buscam a manutenção de seus privilégios.

[13] Plutocracia (ploutos: riqueza; kratos: poder) seria, em tese, um sistema político governado por um grupo de pessoas que detém o poder econômico.

[14] Para saber sobre controle das massas, acesse este link: https://villadobem.com.br/manipulacao_massa/

[15] Os mais velhos sabem o que era o tal do óleo de fígado de bacalhau. Os mais novos, não devem procurar saber.

[16]Alain Touraine (1925-2023), sociólogo francês, conhecido por sua obra dedicada à sociologia do trabalho e dos movimentos sociais.