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sábado, maio 16, 2020

A DECEPÇÃO COM BOLSONARO

Tenho encontrado eleitor de Bolsonaro que agora se manifesta decepcionado e dizendo estar retirando o apoio ao Presidente com argumentos, no mínimo, frágeis. Como tal posicionamento me soa muito estranho, muito mal justificado, parei um tempo para encontrar fatos, razões plausíveis, para tal "desvoto". 

Bolsonaro é um dos raros políticos, se não o único, a ocupar o cargo de chefe do executivo, que desde o dia de sua posse vem fazendo exatamente o que prometeu em campanha, promessas estas que foram a razão fundamental do voto daqueles que hoje se dizem, de um modo ou de outro, decepcionados com ele. Vamos recordar uma poucas destas promessas, as decisões e as consequências resultantes.

Ele prometeu acabar, ou pelo menos combater, o que se convencionou chamar de "governo de coalizão", especialmente não usando o "toma lá, dá cá" como tática para obter apoio às propostas do executivo a serem encaminhadas ao legislativo. Para tanto, desde sua campanha, convocou e convoca a classe política a colocar o "Brasil acima de tudo", mensagem que sintetiza um desejo de ver a todos priorizando os interesses da nação ao invés de mesquinhos, quiçá, imorais, interesses particulares e corporativos. Fiel a este princípio, obteve dois grandes sucessos enfrentando forte oposição: aprovando a reforma da previdência e dando um certo grau de flexibilidade às relações trabalhistas. Entretanto, tem sido sistematicamente derrotado na Câmara dos Deputados que não vota os decretos da Presidência no prazo determinado em lei, deixando-os caducarem e perderem eficácia. 

Ele prometeu acabar com as nomeações políticas para cargos de primeiro, segundo e terceiro escalão nas empresas estatais, ministérios e secretarias de governo, fazendo as escolhas com base em curriculo profissional e conduta ilibada. Promessa até aqui vem sendo cumprida com determinação e resultando em um número que bem expressa uma das consequências (outra é o fim do roubo causado pela corrupção): 70% de aumento no lucro das estatais em 2019 comparado com 2018.


Ele prometeu afastar do poder e de toda a estrutura administrativa do Estado o petismo e seus correlatos. Vem cumprindo a promessa editando decretos que extinguem cargos em diversas instâncias e áreas da administração pública. Acrescento aqui uma realidade que a maioria das pessoas não se dão conta. Desaparelhar o Estado depois de mais de 20 anos de governo de esquerda (FHC, Lula e Dilma) não é tarefa para alguns meses, nem mesmo para alguns poucos anos. O vírus comunista, socialista, esquerdista, como queiram, é, hoje, endêmico nos órgãos públicos, tal como será a Covid-19 na sociedade pelas próximas, provavelmente, décadas. Isto significa dizer que, por exemplo, dentro da Policía Federal, é muito provável que existam servidores alinhados à esquerda do espectro político que não têm qualquer interesse em atuar para o sucesso de decisões de Bolsonaro, muito pelo contráripo, haja vista os reclamos do Presidente quanto à investigação da tentativa de assassinato que recebeu e da muito mal explicada história do porteiro do condomínio. E só pra lembrar, reportemo-nos ao que vêem fazendo ministros do STF.

A consequência macro da atuação do Presidente ao longo desses quase 17 meses, foi a quebra das colunas de sustentação de uma oligarquia que estava no poder cujo tapete vermelho sob o qual se apoiavam foi puxado da noite para o dia. E quem é que gosta de perder as benesses e os privilégios que o poder proporciona, os republicanos e os não tanto, sem reagir com todas as forças que ainda se tenha à mão? Bolsonaro vem enfrentando, a seu modo exageradamente franco, uma óbvia resistência e reação daqueles que perderam a eleição e não se conformam com um vencedor que não aceita fazer acordo com os perdedores como sempre foi feito na história do Brasil. Não era esse o combinado!

E, cereja do bolo, um tão eficaz presidente, um tão obstinado presidente, vem recebendo investidas diárias principalmente de governadores e prefeitos que passaram a usar da pandemia - que ameaça 211 milhões de brasileiros -, para, em primeiro lugar, sugarem os recursos do governo federal o máximo que possam, de modo a inviabilizar a governança a tal ponto que possam usar do artifício do impeachment para derrubá-lo. Sem falar nos tantos decretos de calamidade pública com o descarado objetivo de se refastelarem com compras sem licitação.

À vista do exposto, não me parece ter qualquer lógica tirar o apoio a Bolsonaro quando o seu governo é pautado pelo cumprimento de suas promessas que foram aprovadas por 58 milhões de pessoas que nele votaram. Mais do que em qualquer momento passado de seu governo, Bolsonaro precisa hoje não só do apoio de todos os seus eleitores, como de todos aqueles que percebam que não apoiá-lo é fazer o jogo, principalmente dos grandes grupos controladores da imprensa, de que "quanto pior, melhor".

Ah! Ia esquecendo. Por favor, não vale tirar o apoio com o argumento de que ele fala mal, fala demais, é rude etc. etc. É sim, mas isso não é uma razão "politicamente correta". 














quinta-feira, abril 30, 2020

CAOCRACIA BRASILEIRA

Venho insistindo que a democracia tem que ser reinventada. Enquanto não, o Brasil, principalmente, vem aprimorando dia-a-dia uma caocracia(*), o governo do caos, onde ninguém governa, os poderes se confundem e se confrontam, e os cidadãos, principalmente agora quando não tendo o que mais fazer, se afogam em debates midiáticos e digitais ao sabor dos interesses de forças que disputam o poder pelo direito de saquear os cofres públicos.

Na minha vida como publicitário, aprendi que por mais inteligente, criativa, instigante que uma campanha publicitária seja, não se mantém em pé depois de meia hora de questionamentos. Um casamento, por mais juras, não se sustenta. Uma amizade, por mais enraizada e profunda, não resiste. Mesmo o mais íntegro dos seres humanos se verá arrasado, derrotado, depois de enfrentar um bombardeio de suposições, invasão de vida pessoal e levantamento de dúvidas sobre intenções imaginadas escusas. Mas é exatamente isto que estamos vivendo todos os dias, todas as horas, um constante ataque a não importa o quê o Presidente diga ou faça. 


Ágora ateniense
Quando a democracia foi imaginada, o tempo era muito longo. Pra tudo. De cozinhar a conquistar outros povos, levava um tempo muito maior do que agora. O microondas e novos vírus oriundos de condições de saúde pública precárias, oferecem solução mais imediata! Na Ágora ateniense, em uma pracinha com meia dúzia de gente sem ter o que fazer, o representante do imperador colocava em discussão aquilo que lhe interessava e, através de uma boa retórica, aprovava sua pauta. Dali até uma nova "assembleia", passariam meses ou mesmo anos.


Hoje, no mundo, todos os que têm recursos de acesso à digitrônica se sentem impelidos a participar. No Brasil, todos, eu incluso, se sentem aptos a opinar sobre tudo com a veemência dos pretensos especialistas, enquanto especialistas são bombardeados com ataques dos que ignoram sobre o que falam e escrevem. Um mar de blogueiros e youtubers a conquistar cliques que os levem aos píncaros de seus 15... segundos de fama.


Mas na caocracia tudo é imediato, tudo "precisa" ser publicado agora porque toda opinião perde a validade em poucas horas. Nesta caocracia, tudo é possível, todos podem, ninguém é responsabilizado, não há limites, não há princípios, ou melhor, o princípio é destruir para conquistar. Ética e moral se tornaram absolutamente relativas ou simplesmente postas de lado, haja vista a falta delas nas atitudes de Moro ao deixar o ministério.

Na nossa caocracia de ocasião, os três poderes se auto-questionam em seus papéis. O legislativo quer governar - Rodrigo Maia quer atuar como primeiro ministro -, o judiciário quer interferir no Congresso - Celso de Mello pede explicações a Maia sobre não pautar pedidos de impeachment, uma questão de regimento do poder legislativo -, o executivo tem seus decretos não votados pela câmara - porque Maia deixa caducar prazos propositalmente -, nomeações são  anuladas por razões sem pé nem cabeça - Alexandre de Moraes impede nomeação do Diretor da Polícia Federal por este ser amigo de Bolsonaro. Enquanto isso governadores querem o dinheiro do governo federal mas não querem se submeter a um plano nacional de combate ao COVID-19. Sem contar que três direitos constitucionais são violados sem qualquer rubor: 1) O direito de ir e vir por governadores algemando cidadãos no exercício de sua liberdade; 2) o direito de manifestar opinião em manifestação pública pelo Ministro, novamente, Alexandre de Moraes, a pedido do Procurador Geral, Augusto Aras, alegando atos "antidemocráticos"; e 3) o direito ao sigilo de resultado de exames pela juíza Ana Lúcia Petri Betto que deu 48 horas para Bolsonaro e pelo deputado Rogério Correia do PT que lhe deu 30 dias, o que ressalta o completo non-sense do status atual da pandemia que infecta nossas instituições.

Neste grande jogo político, antes jogado por  elites intelectuais e/ou políticas sedentas de meter a mão nos recursos do Estado em benefício próprio, tem agora como partícipes todos nós - antes apenas almas de uma massa informe de manobra -, agora nos vemos pretensos e ilusórios protagonistas de nossos destinos moldados por robôs formadores e interpretadores de nossos desejos contabilizados por likes e dislikes.  

Nesta grande caocracia do sul, nesta era digitrônica que já chega perto dos 30 anos, quem perde eleição não aceita derrota, abre mão de fazer oposição construtiva para agir destrutivamente. Basta-nos ver a quantidade de impeachments solicitados ao longo destes anos: FHC (27), Lula (37), Dilma (68), Temer (33) e Bolsonaro já passando dos 30. 


Para encerrar, inspiro-me no poeta Petrarca (**):

impichar 
é preciso, 
governar 
não é preciso.  




(*) Criei o termo caocracia - o governo do caos - para identificar uma democracia que precisa ser reinventada antes que o caos que se observa atualmente justifique a chegada de uma autocracia de direita ou simplesmente uma ditadura de esquerda, ambas desejada por duas minorias opostas de brasileiros. O termo provém do grego Χάος, (Cháos ou "caos"), e de κράτος (kratos ou "poder").

(**) Francisco Petrarca nasceu em 20 de julho de 1304, Arezzo, Itália. Foi um intelectual, poeta e humanista italiano, famoso, principalmente, devido ao seu romanceiro. É considerado o inventor do soneto, tipo de poema composto de 14 versos. "Fonte: Wikipédia

LEITURA COMPLEMENTAR






quarta-feira, abril 01, 2020

A HIPOCRISIA DOS CANALHAS

Neste dia da mentira, cuja verdade em alguns países é a verdade da proibição de contar uma mentira, nunca os canalhas se mostraram tanto quanto até aqui. Desde o pedido de impeachment protocolado na Câmara pela deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) - uma peça rara de hipocrisia a ser catalogada nos anais das idiossincrasias da República -, até os noticiários do grupo Globo embalando com carinho o "quanto pior, melhor", passando pelas decisões oportunistas e politiqueiras de governadores derramando sangue e fel pelo canto de suas bocas, todos manipulando o caos em proveito descaradamente próprio (nem mesmo se importam com o ridículo a que se expõem).

A democracia da deputada não cobre o direito de o Presidente ter opinião diferente dela e do grupo de "aloprados" que a convenceram a fazer o papel de boi de piranha, sem a mínima vergonha na cara de não irem junto, sabedores da piada de 1º de abril em dia errado. Os editores dos jornais do grupo Globo e os jornalistas sem-caráter, que por sincera adesão ou falta de coragem se recusam a "pedir pra sair", manipulam as notícias como aquela do Prefeito de Milão que se "arrependeu" de ter se manifestado inicialmente "contra o isolamento total", esquecendo-se, todos, intencionalmente, de informar o intenso intercâmbio desta cidade, centro ocidental de criação de moda, com Wuhan, centro Chinês de moda. Não informaram que o ano novo chinês, celebrado no dia 12 de fevereiro, levou os chineses residentes em Milão a viajarem para o feriado e da China voltarem devidamente infectados. Não bastando, não lembraram aos telespectadores o fato da estrutura de atendimento de saúde ser absolutamente insuficiente para tal volume de infectados. Já a performance midiática de Doria e Witzel atingiu os mais altos níveis que o ridículo pode alcançar. Creio que nas próximas eleições a que se candidatarem, as mídias sociais farão todos lembrarem do que fizeram neste 2020 de Covid-19.

Os canalhas oportunistas tentam transformar a visão de Bolsonaro a favor de uma quarentena menos restritiva, em mais uma ameaça dele à democracia, quando graças ao Presidente, graças à sua tenacidade, graças à sua tendência ao confronto de ideias, todo cidadão brasileiro está podendo, além de refletir sobre as melhores atitudes a tomar nesta crise monumental de saúde - tanto no âmbito pessoal quanto governamental -, expor o dano à sua situação particular frente à determinação radical de uma quarentena horizontal. A hipocrisia é tão grande, que fingem não enxergar que há muito estamos praticando um modelo vertical que vem se ampliando semana a semana. Categorias inteiras de atividade estão trabalhando até mesmo em ritmo muito mais intenso. Entre elas estão todos os profissionais da saúde, da segurança, da limpeza pública, do saneamento básico, caminhoneiros, restaurantes, todas as atividades da pecuária e agro-indústria, a cadeia responsável pela logística de levar o alimento do campo à mesa de cada lar brasileiro, supermercados, lotéricas, os moto-boys, os taxistas e uberistas, as farmácias, a indústria farmacêutica e química, a de equipamentos médicos e outros necessários à continuidade de atividades que simplesmente não podem parar, as empresas de tele/comunicação,  etc. etc. etc. Mas os derrotados por Bolsonaro ignoram os fatos que não lhes são convenientes, pois nada mais interessa além de atacá-lo.

O Presidente, com seu alerta sobre o momento imediato pós controle da pandemia - ele virá inevitavelmente - fez toda uma cúpula de governo pensar mais, buscar alternativa, se conscientizar mais, e descobrir o que realmente é prioritário fazer. Este é o caminho que estamos vendo o país seguir. É adquirindo novos hábitos de higiene pessoal e de proteção individual no interrelacionamento, insistindo na quarentena dos idosos e daqueles com comorbidades que interagem negativamente com este vírus, e os governos envidando todos os esforços e investimentos no aumento da capacidade da infra-estrutura de saúde, que poderemos ter os menores índices de mortalidade e as maiores chances de rápida recuperação econômica. Mas isto será péssimo para todos aqueles que tiveram seus interesses profundamente afetados pela perda do poder e pela honestidade intransigente e rude de Bolsonaro.

De certa forma estou fazendo chover no chão molhado, pois, apesar de nada ainda sabermos sobre esse "vírus do capeta",  creio que estamos aprendendo dia-a-dia a nos defendermos dele e, com certeza, dos eventuais (ou quase certo) próximos de mesma cepa. Prova disto, é o interesse que nesta semana as redes têm mostrado sobre o que Michael Sandel nos fustiga com suas palestras na Harvard University. Para mim é quase surreal ver um mundo de gente se dando conta de que tomar decisões em situações que envolvem um ou mais de um outro, não é uma tarefa fácil. Tudo graças a uma quarentena forçada que nos obriga a pensar filosoficamente, a discutir questões éticas que nosso cotidiano não nos permite fazer.




Augusto Nunes: https://noticias.r7.com/jr-na-tv/videos/augusto-nunes-nenhuma-outra-doenca-tem-destaque-no-noticiario-monopolizado-pelo-coronavirus-30032020

24 palestras de Michael Sandel: Qual a coisa certa a fazer?
https://www.napratica.org.br/5-palestras-sobre-etica-leis-e-justica-pelo-mundo/

quinta-feira, setembro 27, 2018

REFLEXÕES CAÓTICAS: Façam suas Apostas!



A 10 dias do primeiro turno destas eleições de 2018, vivenciamos o que "nunca antes na história" do mundo e, em particular, do Brasil, aconteceu. Novas variáveis, ou variáveis significativamente modificadas, tornam imprevisível o resultado final.

Se em 2014 a internet em muito pouco contribuiu para o debate político-eleitoral, em apenas 4 anos a disseminação/distribuição de informações, verdadeiras e falsas, pelas redes sociais, se tornou o fundamental meio para os candidatos chegarem ao cidadão, eleitor ou não, bastando-nos ver o exército de internautas, pagos e/ou voluntários, que os principais postulantes à presidência montaram. Nesta dimensão, isto é novo.

As leis eleitorais mudaram. Mudou a fonte de financiamento. Reduziu-se o prazo de campanha e consequentemente o tempo de televisão e rádio. O poder judiciário, em especial o STF, é instado a dar respostas aos mais inconcebíveis (a esta altura) questionamentos. Ontem o Supremo reuniu-se em plenário  para decidir sobre o óbvio: se o prazo de cadastramento biométrico venceu, então, venceu! Hoje, terá que se pronunciar sobre quanto os partidos devem - ou podem, ainda não se sabe este detalhe - gastar com propaganda de candidatas!!! Isto num país em que nem as próprias candidatas a vereadora votaram nelas próprias na eleição municipal de 2016 que teve quase 14.417 candidatas sem receber nenhum voto!!! Ver no site do TSE.)

Se em 2014, um candidato não concorreu por ter sido fatalmente vitimado em um acidente de avião, neste 2018 temos, como líderes da corrida até aqui, um presidiário a quem a justiça eleitoral vem permitindo que se apresente como candidato fantasma e alter-ego de sua representação física, e outro que há 3 semanas conduz sua campanha da UTI de um hospital, após ser esfaqueado em uma tentativa de assassinato.

Enquanto a eleição presidencial passada foi pautada pelo confronto entre esquerda radical e esquerda moderada, PT/PSDB, e os nomes envolvidos tinham alguma relevância, a deste ano os nomes não têm qualquer importância, pois está radicalizada entre extrema esquerda, PT, (com todos os partidos do espectro unidos após o primeiro turno, se houver) e uma pretensa extrema direita solitária, PSL (poucas adesões são previstas). Numa formulação mais simplificada: ou somos p-tilulistas, ou somos anti-p-tilulistas.

Adicionemos a isto, o viés politicamente correto que norteia os embates entre as facções. De um lado, ataca-se o outro por homofobia, racismo e machismo. Já o outro ataca o um por corrupção, aparelhamento ideológico das instituições do Estado e implantação da ideologia de gênero nas escolas públicas.  De uma lado, deseja-se incrementar o processo estatizante dos últimos anos, enquanto o outro quer esvaziar o Estado transferindo praticamente tudo para a iniciativa privada. Não há acordo possível em tamanho grau de oposição.

Levando em consideração tais variáveis, quais são suas apotas, se é que você tem coragem ou falta de juízo suficientes para fazê-las?

As pesquisas de hoje indicam alguma coisa pra você?

As pesquisas da próxima semana serão mais indicativas?

O que influenciará mais a decisão de voto nesta eleição: o horário eleitoral, as mídias sociais ou os resultados de pesquisas?

Que peso efetivo terão as mídias sociais de hoje até dia 7 de outubro para a definição (manutenção ou mudança) do voto de cada cidadão?

As fake news se intensificarão daqui por diante ou já estamos cansados disso?
A radicalização se manifestará de algum modo na boca-de-urna?

Haverá segundo turno para presidente? 

Ou um dos candidatos fará maioria de 50% mais 1, já no primeiro turno?

Na hipótese de segundo turno, o que será "matador" como técnica de embate entre os dois candidatos: se construir ou desconstruir o adversário?

Considerando que as primeiras pesquisas pós resultado do primeiro turno mostrarão como as forças opostas se aglutinarão, o horário eleitoral e os debates poderão causar alguma mudança no quadro inicial observado?

Quem ganhar, conseguirá minimamente conduzir o governo por 4 anos ou continuaremos a nos aprimorar em contestação de toda sorte, até mesmo, e provavelmente, pedidos de impeachment?

Dado o caráter plebiscitário da eleição para presidente, é muito provável que o eleito o será por pequena diferença e o será por uma minoria se comparada com a soma dos votos do perdedor mais os votos não computados (branco, nulo e abstenção). Nesta hipótese, o vencedor conseguirá implantar suas propostas em curto e médio prazos tendo tanta oposição?

Se a esquerda ganhar, Lula será solto? Se solto, governará da Casa Civil? 

Se a direita ganhar, o exército terá algum papel nos rumos do governo e na estabilidade política?



FAÇAM SUAS APOSTAS! OU NÃO!








terça-feira, junho 14, 2016

IMPEACHMENT, UMA ARMA A SERVIÇO DE GOLPES

Deixemos a hipocrisia de lado. O processo de  impeachment, como está estruturado no Brasil, é um dispositivo legal para a realização de golpes de Estado por quem estiver na oposição. E quem lá está, são aqueles que não se conformaram com o fato de terem sido preteridos por, pelo menos, 50% mais 1 dos votos. Isto é a base, o resto, são circunstâncias favoráveis.

Lula, inconformado com a derrota de 1989, golpeou Collor com base em um presentinho de 4 rodas. As circunstâncias: um Presidente sem partido, tentando governar sem uma base de apoio parlamentar, com uma estratégia egoísta, centralizadora, conduzida pelo tesoureiro Paulo César Farias.

Lula não se conformou com a derrota de 1994 e levantou a bandeira do  impeachment. Não colou, Fernando Henrique era, e é, de outra estirpe, tem mais princípios éticos que os de Lula, se é que este os tem. Circunstâncias favoráveis, portanto, não existiram.

Lula, em sua gestão, só escapou do  impeachment por erro de avaliação do PSDB que, não querendo botar azeitona na empada do Roberto Jefferson, mesmo tendo o mensalão como razão mais que suficiente para retirá-lo do poder, as tais circunstâncias, optou por deixá-lo "sangrar". Deu no que deu.

Dilma está sendo posta no olho da rua pela soma de desejos de um derrotado Aécio e de um político em fim de carreira que vislumbrou um coroamento para seu currículo na história. As circunstâncias são frágeis para garantir o afastamento a se considerar as alíneas do artigo 85, mas profusas se considerados o arcabouço de asneiras e incompetências cometidas por um governo que fez o país saltar 10 ou mais anos... para trás.

Mas o que este impeachment de Dilma está nos mostrando é a absoluta insanidade de como estão construídas as fases processuais. Em sã consciência, me diga o leitor, você consegue imaginar que seja minimamente razoável para a Nação, um governante afastado, voltar ao poder quando tudo já ganhou outro rumo por 6 meses? Tem sentido passarmos meses assistindo a shows diários de hipocrisia, pois todos sabem que a decisão já está tomada, simplesmente porque revertê-la seria um ato de irresponsabilidade política? Vejam que a pergunta é genérica, válida para qualquer governante submetido a um  impeachment como ele está construído, e não especificamente a Dilma.

Se o processo de  impeachment não for revisto tão logo advenha uma mínima normalidade política, é certo que todo novo governante eleito será objeto de uma tentativa de golpe com enormes chances de sucesso. No atual regime de presidencialismo de coalizão, só há uma maneira de evitar o  impeachment: cooptar a maioria de dois terços do Congresso usando os artifícios conhecidos de nomeações e mensalões.

No caso de Dilma, todos sabemos que ela será cassada. Ela sabe disso. Lula sabe. Mas vamos continuar sangrando porque, como disse um integrante atual do Alvorada respondendo a um jornalista, ela "só pensa nela, nela e nela". O país que se exploda.

Obviamente sempre há a possibilidade de reversão do que já foi decidido em fase anterior, mas, neste caso, ela é remota porque a consciência do Brasil como prioridade irá pesar sobre os senadores na hora do voto decisivo independente de qualquer outra coisa, mais alto inclusive que um improvável julgamento de injustiça que estaria sendo cometido, como é entendimento dela.

Deixo minha proposta à luz dos ensinamentos que este traumático processo está a nos deixar:
  
1 - Revisão das razões que possam ensejar um pedido de início de processo de  impeachment, adicionando ou excluindo.

2 - Definição clara do papel e das responsabilidades do vice no governo, de modo a determinar quando ele é cúmplice e quando é partícipe.

3 - Análise e votação do pedido por uma comissão mista, câmara e senado, com amplos direitos de acusação e defesa.

4 - Imediata votação do parecer no Congresso, sem possibilidade de acusação ou defesa, exigindo-se maioria de dois terços.

5 - No caso do Congresso decidir pelo impedimento, e considerando que o governante foi eleito pelo voto popular, é absolutamente necessário, fundamental e coerente que se realize um referendo popular, com voto facultativo, exigindo-se, para confirmar a decisão, a maioria de dois terços dos votantes.

Portanto, deixa de existir o afastamento provisório - agora peremptoriamente comprovado não ter sentido -, passando a haver tão-somente o impedimento definitivo ou a manutenção no poder, alternativas sem qualquer consequência para a normalidade do funcionamento do Estado em todas as suas instâncias.

Se algo neste sentido não for feito proximamente, o  impeachment continuará a ser a arma letal a serviço de golpes de Estado por quem desejar desestabilizar a normalidade democrática.
  
Tem algum político por aí que concorde minimamente com estes argumentos e tenha interesse em levá-los para um campo de discussão mais relevante?

segunda-feira, maio 09, 2016

O QUE SOMOS PARA ELES?


Para Dilma.

A sua atuação predatória na condição de presidente da República lhe tirou, indiscutivelmente, o direito à sua continuidade no governo. Houvesse hoje o mecanismo de consulta popular para revalidação, ou não, de mandato, e os 54 milhões de votos estariam reduzidos a pouco mais que nada. 

Dilma, portanto, não tem qualquer base de apoio da população. 

Mais do que isso, ela há muito perdeu o apoio do próprio PT que se posicionou contra os princípios que nortearam e norteiam suas decisões.

Pior ainda e como cereja do bolo, Lula, seu mentor, declarou em frases diversas nos último 45 dias, seu profundo arrependimento em te-la escolhido para lhe suceder.

Entretanto, apesar de Dilma não ter mais o mínimo apoio político para governar, ela além de se recusar a renunciar, promete, nos 180 dias após à decisão do Senado de afastá-la, fazer uso de todos os recursos que achar úteis para manter o país em suspendo, ameaçando com um improvável, por ilógico e insano, retorno ao poder. 

Então, vem a pergunta: o que somos para Dilma que se acha mais importante que todos os cidadãos que hoje estão pagando o preço de suas incompetências?

Para o PT.

O partido puxou o tapete de Dilma e, com isto, na minha visão, deu uma grande contribuição para a viabilização do impeachment, mas quando o processo se mostrou viável e provável, o PT se dá conta de que vai ser posto porta afora de todas as tantas mil salas que ocupa nas várias instâncias do Estado assim que Dilma for afastada. Passa, então, o PT, a colocar todos os seus, membros do governo e parlamentares, na Câmara e no Senado, a trabalhar com um só propósito, qual seja o de arrastar tanto quanto possível, ad eternum, de preferência, o processo de impeachment.

Neste projeto de tentar arrumar um jeito de desfazer o que está sendo desfeito, chegamos ao cúmulo de, por ideia de José Eduardo Cardozo, e execução de Waldir Maranhão, tentar, no presente, mudar o passado.


"No Brasil, até o passado é incerto."

Atribuída a Pedro Malan e Gustavo Loyola, nos idos de 2002

Que partido é esse que, irresponsavelmente gera déficits orçamentários com o argumento de distribuir renda, joga o país em uma inflação da qual já tínhamos nos livrado, e a uma recessão sem igual na história brasileira? E ainda continua com o discurso insensato de que foi o partido que mais fez pelos trabalhadores!!!??? 

Então, vem a pergunta: o que somos para o PT que tem como projeto democrático se manter no poder por 30 ou mais anos, às custas de sangrar empresas e cidadãos brasileiros sem qualquer limite ético?

Para Lula.

O "grande líder" que se auto-proclama inculto como qualidade, se diz "o mais honesto dos brasileiros" mas se encontra indiciado em processos que o acusam de aceitar propina na forma de imóveis vários, quanto aos quais diz ser "de amigos".

Apesar de 8 anos no poder, nunca soube de nada que acontecia bem abaixo de seu nariz. Nunca soube das roubalheiras nas empresas públicas, nos fundos de pensão, nos gastos com publicidade. Um inocente que ficou a serviço das grandes empreiteiras dentro e fora do país. Parênteses: só de uma construtora, o Estado vai receber de volta R$ 1 bilhão de reais definidos num acordo de leniência.

Apeado do poder, não deixou de exercê-lo, ou de tentar exercê-lo avocando sua superioridade política sobre Dilma. Por meios estranhos, tentou voltar ao poder, mas Dilma dá um tiro no pé, dele, quando é flagrada armando "a jogada" de nomeação de Lula para ministro, o que ele aceita sem constrangimento.

Então, vem a pergunta: o que somos para Lula que tem na divisão do país entre "nós e eles" sua principal estratégia de obtenção de apoio popular, detentor da grande verdade filosófica de solução sócio-econômica, e o político pragmático que coopta "os 300 picaretas" ignorando as consequências de seu pragmatismo pois lhe interessa apenas se perpetuar no poder?

O que somos para os psicopatas? Apenas massa de manobra. É ruim aceitar, mas hoje é o que somos. Será que nos livraremos disso? Deles? Ou conviveremos com isto? Com eles? Num grande acordão hipócrita.

quarta-feira, abril 06, 2016

A SAÍDA, QUAL SERÁ A SAÍDA?

"Nunca antes na história deste país" um único indivíduo conseguiu fazer uma nação inteira sangrar por tanto tempo, mesmo sendo investigado pela justiça, mesmo depois de perder toda a sua legitimidade e aprovação popular, e, até mesmo, depois de ameaçar colocar brasileiros contra brasileiros em uma guerra civil,  justificada unicamente pela recusa em deixar o poder. Sim, estou falando dele. 

Onde estão as razões que alicerçam os fatos a seguir:

A eleição de 2014 não é impugnada, mesmo depois de comprovado pela realidade que Dilma se elegeu sobre um conjunto de mentiras ditas à nação.


terça-feira, agosto 04, 2015

FORA PT!

Estamos sendo convocados para, no domingo, 16 de agosto de 2015, irmos às ruas expor nossa indignação com a revelação de um inescrupuloso Sistema Padrão de Assalto às Empresas Estatais idealizado pelo senhor Luiz Inácio e a alta cúpula do PT, e implantado pelo senhor José Dirceu, hoje mais uma vez levado à prisão.

Sou a favor, estarei lá, mas como publicitário e redator, chamo a atenção para um erro de convocação que se constitui em erro grave de comunicação. A chamada utilizando o mote do "impeachment" já mostrou no evento passado que não funciona. Primeiro porque é uma palavra da língua inglesa de difícil pronúncia e, pior ainda, de difícil entendimento. 

Segundo, e o que mais importante, tirar a Dilma não resolve absolutamente nada, até porque ela já não é nada neste governo. O que queremos, e isto já ficou claro para todas as camadas da população, é tirar de todos os níveis de poder esse grupo que assaltou o país de modo escancarado.