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quarta-feira, janeiro 01, 2025

ENFIM, A RESPOSTA!

 THE DAY OF TURNING POINT

 

Alvíssaras! Este primeiro dia de janeiro, para mim e depois de mais de 70 anos, ficará marcado como o primeiro dia em que começo e comemoro o Ano Novo com, finalmente, minhas esperanças no mais alto grau de expectativa!

Os últimos 7 anos, para todos nós que partilhamos e exaltamos valores humanos – família, moralidade, liberdade, integridade intelectual e respeito irrestrito à individualidade e autodeterminação -, foram pautados por indignação, revolta e incompreensão, fatores que nos levaram, consciente ou inconscientemente, a nos fazer uma só pergunta: “o que move e sustenta um homem a agir diuturnamente contra uma Nação”?[1]

A pergunta buscou resposta durante todos estes anos, mas neste final de 2024, nos Estados Unidos, precisamente no dia 27/12/24, um homem, Mike Benz, em entrevista ao podcast de Joe Rogan, trouxe a público as razões e as respostas para a angústia de todos nós.  Desde que percebi a “sina”  implacável e insana do sistema – conhecido como “o establishment”[2] –, primeiro contra a possibilidade de eleição de Bolsonaro e, depois dele eleito, a favor de derrubá-lo do poder ou pelo menos não permitir sua reeleição, só encontrei duas fontes de justificativa: 1) chantagem a partir de retaliação moral pública e/ou 2) a partir de ameaça à vida do chantageado ou de entes queridos[3]. A primeira se justificaria se alguma “entidade” acima da soberania nacional (de origem interna ou externa) com o pagamento pecuniário direto, imediato, pelo comprometimento e comprovação do agir segundo “as ordens”, ou, então, pela promessa de poder e fortuna quando do atingimento da meta fundamental. Estas duas únicas alternativas justificavam (e ainda justificam) que um homem – agindo com poder delegado - representando os interesses imediatos de um grande aglomerado de instituições e cidadãos, permanecessem (e ainda permaneçam) unidos no silêncio aprovativo do estupro de uma Nação. Refletindo sobre as ações e razões de todas as pessoas com quem convivi por estes mais de 70 anos, não fui capaz de encontrar nada além destas duas alternativas que façam alguns cidadãos se submeterem de maneira tão servil, tão publicamente humilhante, como temos assistido nestes últimos anos. Pergunte-se: o que o faria se transformar em um verme?

Neste ponto, vou me interromper. Para entender o que ainda tenho a dizer você precisa assistir pelo menos a estas duas postagens: 1) à introdução/apresentação feita pelo jornalista Fernão Lara Mesquita (o conteúdo do link que ele fornece é muito longo e só vai ser relevante se você, ao final deste artigo, quiser se aprofundar em mais detalhes); 2) depois, e mais importante, assista ao post da juíza auto exilada nos Estados Unidos, Ludmila Lins Grillo[4], ressaltando trechos que mais interessam a nós, brasileiros, da entrevista do Mike Benz.

Fernão Lara Mesquita, no canal Vespeiro: https://www.youtube.com/watch?v=XPGF8lepB4I

Ludmila Lins Grillo, no canal TV Florida: https://www.youtube.com/watch?v=wu1hzJXRhOw                                

Em fim, a resposta! Agora você, meu Leitor, já a tem. Impressionante como o que Benz diz explica tudo aquilo com que temos nos indignado dia sim, outro também. A alternativa “1” é a inimaginada, inconcebível (quanto à intensidade e abrangência) e insana resposta que coloca tudo às claras, sob a luz das informações de quem esteve "dentro" do sistema. O “capo di tutti capi”, despido de seus trapos feitos de fios de hipocrisia, tramas de mentiras e cores borradas de intenções suspeitas, está nu em todas as "ágoras" públicas, digitais ou presenciais.

Considerando que o exposto publicamente, é, realmente, uma “bomba” no seio do “sistema”, que despedaça e expõe o núcleo de um projeto de psicopatas em conluio pela busca do phoder absoluto sobre o mundo ocidental (no mínimo); considerando que o entrevistado fez parte do primeiro governo Trump, e voltará a fazer parte agora; e considerando que Trump já deu declarações sinalizando que pretende agir para o total desmonte dessa maluquice política internacional, resta-nos imaginar e esperar pelas consequências a partir da posse do presidente eleito.

E o ciclo se renova. Voltamos a ter perguntas sem respostas, ainda:

1 – Que Nações se unirão – ou já estão se unindo - em uma reação a partir da indignação das elites não-agraciadas e deixadas de fora pelos “líderes” atuantes?

2 - Trump tomará posse?

3 – Trump será assassinado em algum momento de seu mandato?

4 – Trump será “legitimamente” afastado do governo?

5 – Quem vencerá esta queda de braços pelo phoder?

6 – E última e mais determinante: 20 de janeiro de 2025 ficará na história futura da humanidade como “the day of turning point”? Um verdadeiro “cavalo-de-pau” de 180º mudando a “nova ordem mundial” para a direção inversa?

Paulo Vogel

Neste meio, eu sou mensagem.

Jan/25 


 


P.S.: Fernão Lara Mesquita teve a pachorra de traduzir toda a entrevista. Leia aqui (role a tela até achar e é longo): https://vespeiro.com/2024/12/24/entrevista-mais-importante-da-decada/

 



[1] Uso “um homem” apenas como símbolo. Todos sabemos que “este homem” foi e é tão-somente um escolhido e nomeado representante de uma ideia a ser praticada por um enorme contingente de instituições e pessoas. Isto vai ficar claro mais à frente.

[2] No dicionário “Oxford Languages” temos os seguintes significados:” 1) a ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui uma sociedade ou um Estado; 2) a elite social, econômica e política de um país”.

[3] Chantagem é um crime que envolve uma ameaça com a intenção de compelir uma pessoa a fazer um ato contra sua vontade ou tomar o dinheiro ou propriedade de uma pessoa. Na chantagem, uma ameaça pode ou não consistir em lesão física a uma pessoa ameaçada ou a alguém amado por essa pessoa.

[4] Punida com aposentadoria compulsória "por ter feito manifestações de cunho político nas redes sociais".






sábado, janeiro 16, 2021

A HIPOCRISIA DAS PLATAFORMAS, DO ESTABLISHMENT E DOS IDEÓLOGOS

"Não há mais sentido em apelar para nada quando a mente se perdeu na coerência de uma boa ideia. O ideólogo torna-se cínico."

Proposição extraída de "Thomas Sowell e a aniquilação de falácias ideológicas".


Tomei contato e me fascinei com a internet em 1996. No ano seguinte já tinha criado uma lista de distribuição chamada INTERNET MARKETING onde publicava textos com o intuito de ajudar outras pessoas a entender a nova tecnologia. Tais textos me levaram a ser um dos primeiros "articulistas" da nova revista INTERNET BUSINESS (1). Conto isto só para ressaltar que vivi com certa intensidade o engatinhar, a infância e a juventude da Web, desde quando, portanto, o buscador principal era o AltaVista e no Brasil o Cadê (2).

Naquela época e até meados da primeira década do novo milênio, os provedores de acesso desempenhavam também o papel de guardadores dos conteúdos gerados pelos seus usuários, basicamente, clientes que usavam aplicativos de envio de mensagens eletrônicas, os tais e-mails, cujo conteúdo ficava armazenado nos "servidores" da empresa. Já ali, o comportamento irascível se manifestava em mensagens postadas em listas de distribuição com temáticas diversas. Esta constatação logo logo me fez cair fora, pois meu estômago não é muito forte. Algumas destas manifestações incomodaram terceiros gerando demandas judiciais e uma discussão sobre a obrigação dos provedores de não só "censurarem" o conteúdo, como também acatar uma ordem judicial que obrigasse a quebra da privacidade de um cliente. Evidentemente houve reação. A estratégia de defesa foi a de se compararem com os correios (sigilo da correspondência) e até mesmo com as companhias telefônicas (naquela época, em tese, ainda não se gravavam as conversas). Não lhes cabia, portanto, a obrigação de fiscalizar o conteúdo que transitasse pelos seus canais digitais, e ainda alegavam que seria um completo absurdo, além de inconstitucional. 

Assim foi até que a evolução da tecnologia e do agigantamento de algumas poucas empresas se transformassem em "plataformas" de redes sociais espalhadas, principalmente, pelo mundo ocidental. Agora o "busílis" da questão passou a ser outro. Os interesses econômicos passaram a ser tratados na casa das dezenas de bilhões de dólares e, neste nível de "interesse" a política se torna o elemento, a variável, o fator mais relevante em qualquer tomada de decisão. A consequência todos nós estamos vendo. A questão se inverteu, ou seja, se antes o negócio era tirar o corpo fora e dizer que "isso não é comigo", agora  é muito mais um "deixa comigo que eu chuto", pois "censurar é a principal tarefa". Reivindicam até mesmo um alegado direito de tocarem seus negócios do jeito que melhor lhes aprouver, apartados de qualquer aparato legal. Hummmm! Será? Vamos analisar o argumento dos apoiadores deste "direito". Alega-se que as plataformas digitais, só as plataformas, por serem empresas privadas em um regime de livre mercado, podem "excluir" qualquer um por terem o direito de escolher quem as pode frequentar com base tão somente em supostas "fake news" ou na constatação do usuário não ter a mesma opinião política que elas têm. Vejam a hipocrisia. Se eu manifestar nas redes sociais criticando o que você andou postando, tudo bem, a plataforma não se importa. Eu só não posso postar opinião com a qual "eles" não concordem (amplie a extensão deste "eles"). A meu ver, se esquecem do fato primeiro que motivou sua criação, qual seja, oferecer uma ferramenta universal de comunicação entre as pessoas, e não uma ferramenta de comunicação exclusiva de uma corrente política. Lembremos que quando nos associamos a elas, não nos foi perguntado para quem torcíamos, o que seria normal se o detentor do negócio fosse um partido político, um clube de futebol etc. Portanto, para evitar a hipocrisia, a justiça poderia concordar com elas desde que declarassem tanto em suas homepages quanto em seus ilegíveis contratos de uso, suas posições políticas para que pudéssemos nos associar àquelas plataformas com as quais nos identificássemos, o que nos permitiria manifestar nossas opiniões sem sermos "cancelados" a cada postagem. Que tal? 

Só pra deixar claro. Eu posso negar a uma pessoa o acesso à minha casa, até mesmo a um policial que não tiver um mandado de busca (desde que não tenha vindo a mando do Alexandre de Moraes). Acontece que a finalidade da minha casa é a de abrigar e proteger a mim e a minha família e não a de ter as portas abertas para quem quiser entrar, pois isto, evidentemente, contrariaria o objetivo básico!!! Sendo ainda mais explícito, os Correios podem se recusar a entregar uma correspondência por que seu endereço, do remetente, vem da "área suspeita" de ser apoiadora da oposição? As companhias telefônicas podem se recusar a completar uma ligação por que você foi "classificado" como um usuário que fala muito palavrão? Você concordaria com isto? 

Por que o Presidente dos Estados Unidos da América foi excluído de diversas plataformas? Por que nada acontece para impedir tais atos de violência explícita? O fato alegado de que Trump incitou a violência da invasão do Capitólio não se sustenta. Simplesmente ele não fez isso. Mesmo que tivesse feito, ainda assim isto não poderia ser motivo de nenhuma reação antes que um processo fosse instaurado para apurar TODOS os fatos, inclusive quem eram os que realizaram a invasão (mandantes e mandados). A opção por um viés político agora, pelo menos, ficou clara. Não por outro motivo cidadãos pelo mundo afora estão, neste meados de janeiro de 2021, cancelando suas contas nas "canceladoras" e procurando abrigo em plataformas comprometidas com a liberdade de expressão, pelo menos, em princípio. Enfim, um show de hipocrisias para satisfazer aos gostos mais exigentes feitas por indivíduos que se apresentam com a cara mais lavada e sem um mínimo de rubor. Fico por aqui, nem vou mencionar a sordidez das táticas usadas para destruir o PARLER.

Livro mais recente de Sowell.

Chegamos então à questão que salta à indignação: por que ninguém faz nada? Ocorre que esse "ninguém" inocentemente proferido é exatamente o "establishment" (3), a máquina pública que nas últimas décadas veio sendo invadida pelo contingente socialista. No caso do Brasil, há um "esprit de corps" estatal que se agarra à defesa de privilégios angariados ao longo de décadas dividindo os brasileiros em duas categorias: os privilegiados funcionários públicos e os demais. Àqueles, tudo, aos outros, o rigor da lei. Os primeiros não estão nem aí para utopias políticas, o que eles querem é tão somente reivindicar a manutenção de "direitos adquiridos". "Nosotros" também não estamos nem aí para as mesmas utopias, apenas a razão é outra: estamos ocupados, dia-a-dia, em "ganhar o pão", "tocar a vida" e pagar os impostos que sustentam aqueles. Hipocrisia, quero uma para sobreviver! É óbvia sua imediata pergunta: a quem interessam as utopias? Só aos ungidos, evidentemente, mas como estão no poder ou são bajuladores do poder, causam um estrago capaz de atingir gerações, sendo que seus autores não estarão mais por aqui para ver o resultado, nem para serem julgados e condenados. Este é o movimento a que estamos assistindo, infelizmente, e qualquer um que intente mudança neste "status quo", enfrenta a reação de uma massa de mais de 10 milhões de protegidos (4). E este comportamento se dá em toda a esfera de poder, legislativo, executivo e, particularmente, judiciário. Como já disse alguém: de onde você espera que saia alguma coisa, é dali que não sai nada mesmo!

E o que está na base, tanto da promoção e exaltação do pensamento único, quanto do Estado como um bondoso e mão-aberta empregador? A utopia ideológica dos ungidos que criaram uma teoria socioeconômica não a partir dos fatos da vida real, mas a partir de uma "visão" que quer impor globalmente um padrão de comportamento cultural e moral que contraria a inquestionável realidade de que a natureza humana é imperfeita e que o desenvolvimento das nações se dá graças ao intercâmbio de visões e experiências que ocorrem nas relações entre os cidadãos. A reboque desta "visão cega", vem o Estado controlador da economia, provedor do conhecimento de um só viés, e a divisão dos cidadãos entre várias "classes" com as consequentes políticas específicas para cada um, o que, evidentemente, acaba por criar dois grandes grupos, o dos "protegidos" e o dos "ressentidos".

Vamos nos preparar espiritual e mentalmente e aguardar para ver no que isso vai dar. Boa coisa, imagino, não vai ser.


(1) Tudo o que escrevi nesta época você encontra neste outro blog meu.

(2) Em 1994, Berners-Lee fundou o World Wide Web Consortium (W3C) no MIT; tanto  o Altavista quanto o Cadê, o buscador brasileiro, nasceram em 1995, sendo que o  cadastramento dos sites, no nosso caso, era feito manualmente (!!!); e o Google só veio se tornar uma empresa a partir de 1998.

(3) Establishment: A elite social, econômica e política de um país. Eu "odeio" o termo, mas fazer o quê depois de Paulo Guedes ter trazido para o nosso cotidiano tal anglicismo!!!???

(4) Segundo estudo do IPEA publicado em 2020, em pouco mais de 30 anos saímos de 5,1 milhões para 11,4 milhões. Quem foram os governantes no referido período?


domingo, janeiro 29, 2017

COMENTÁRIOS DA SEMANA - DE 29/JAN A 4/FEV/17

04/02/17 - IMAGENS PARA A HISTÓRIA


Lula quase Ministro.


Temer leva condolências a Lula.

Moreira Franco nomeado Ministro.



01/02/17 - LÁ & CÁ

Há uma ideia flutuando na mídia e no meio político de que o STF se politizou, indevidamente, dizem os políticos, justificadamente, diz a mídia, além da conta, dizem ambos, acrescentando que a função do supremo seria tão somente de guardião da Constituição. 

Adicionalmente a isto, vimos, às vésperas da Ministra Carmem Lúcia homologar as delações da Odebrecht, e ainda hoje, nestes últimos momentos que antecedem a decisão da escolha do novo relator em substituição ao Ministro Teori Zavascki, uma excessiva (a meu ver) preocupação, ou mesmo um forte temor, quanto ao que poderá acontecer à Lava-Jato, dependendo de quem será o escolhido.

Simultaneamente, ou melhor, ontem, Donald Trump indicou Neil Gorsuch, um político conservador, constitucionalista, para Juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos. Um fato dá a dimensão da função política daquela instituição: o cargo estava vago há quase um ano e não foi ocupado por um indicado de Obama porque, simplesmente, o Senado, com maioria Republicana, impediu.

Lá e cá, as coisas são parecidas, mas diferentes.




31/01 - SEM PARAQUEDAS


Sei que é muito cedo para o que vou registrar aqui. Sei que muita água vai rolar por baixo das "pontes de Madison" e Nova York. Vou me jogar sem paraquedas, pois penso que o risco é calculado. 


Donald Trump não termina este seu mandato.

A conferir.

30/01 - DESEMBARQUE DA ILUSÃO


Aproveitando o desembarque, que acontece neste momento (10:22), de Eike Batista, no aeroporto Tom Jobim, ao som, provavelmente, de Samba do Avião ("Olha a pista chegando..."), com destino ao presídio Ary Franco, passando antes nas dependências da Polícia Federal, reproduzo o trecho mais importante do vídeo da participação do mega-fajuto-empresário no programa Manhattan Connection em 3/jul/2013. 





Diogo Mainardi, o único, pelo que parece, jornalista a não se deixar iludir pela hipocrisia reinante na mídia de ontem, de hoje e, quiçá, do amanhã. 


29/01 - HIPOCRISIA POLÍTICA


Considero fundamental que todos tenham em seus arquivos, mesmo que seja só o da memória, este vídeo:



terça-feira, janeiro 24, 2017

COMENTÁRIOS DA SEMANA - DE 22 A 29/JAN/2017

26/01 - HIPOCRISIA DO PODER

A hipocrisia é um instrumento básico da manutenção do poder. Sem ela, o poder não se sustenta, simples assim. Ontem, 25, Roberto D'Ávila entrevistou Gilmar Mendes, ministro do STF(*). Instado a identificar, nas contribuições não declaradas de empresas a políticos e partidos, o que seria propina e o que seria "caixa dois", Gilmar Mendes deu uma resposta que embute uma visão de ilegalidade apenas na primeira alternativa. A segunda, poderia ou não conter uma ilegalidade. Reproduzo literalmente:

"Essa é uma grande confusão. (...) O caixa dois de que nós falávamos, e era regra até a eleição de Collor, era aquela doação informal. O recurso era regular, saía de uma empresa, ou de um empresário, e ia para um dado candidato, ou um dado partido, sem qualquer propósito ilícito necessariamente, o que não se queria era fazer o registro, por razões até prosaicas.

Ora, ora, ministro! A ilegalidade, o crime, existe sempre. E não existe "confusão", nem grande, nem pequena. O conceito de "doação informal" é hipocrisia pura. Afirmar que é "recurso regular" aquele cujo destino não está declarado à Receita Federal, quer do doador, quer do doado, é absolutamente irregular. E contribuição de empresa a políticos e partidos, jamais será concretizada sem um acordo ilícito de compensação. Quanto a ser "prosaica", bem, eu considero prosaica qualquer razão para uma empresa "contribuir" para a atividade de representação de políticos e partidos.

Vou tentar demonstrar.

1º - Considerando que empresas não votam, votam apenas as pessoas, sócios e funcionários, toda contribuição que sai de recursos da empresa tem, por fundamento e justificativa, uma expectativa de benefício futuro;

2º - Considerando que todo recurso transferido a terceiros não vinculados à empresa tem que, por obediência a normas legais, ter um destino comprovado por documento fiscal emitido pelo destinatário/beneficiário; e isto vale para gastos do destinatário da pretensa doação (**);

3º - Considerando que só se admite transferência sem documento fiscal para sócios, como "retirada de lucros", antecipada ou postecipada;

4º - Considerando, portanto, que retiradas de sócios precisam ser inclusas nas declarações de Renda dos beneficiários, mesmo que em "rendimentos isentos de tributação";

5º - Considerando que o beneficiário final da contribuição tem que, novamente, por obediência a normas legais da Receita Federal, incluir o recebimento em sua Declaração Anual de Renda;

6º - Considerando, por fim, os "considerandos" acima, não resta dúvida de que, contribuições não informadas à Receita Federal (***), seja pela empresa, seja pelo político ou partido, são, sim, contribuições ilegais e sujeitas às penas da Lei. 

É simples assim, o resto é interpretação hipócrita com o único objetivo de preparar o caminho para livrar empresários e políticos da cadeia. 

É de se considerar sob esta perspectiva as críticas à Lava-Jato feitas por Gilmar Mendes no ano passado.




(*) Tendo a respeitar, por princípio, qualquer um que chega à suprema corte. Pode acontecer, mas será raríssimo alguém lá chegar sem um curriculum que justifique. No caso de Gilmar Mendes, eu o admiro adicionalmente pela coragem em se arriscar, não temer a polêmica, independente de minha concordância pontual com seus argumentos.

(**) http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=15830&visao=anotado

(***) http://www.tse.jus.br/legislacao-tse/res/2015/RES234632015.html


23/01 - "FATOS ALTERNATIVOS"


Entre aspas, pois não quero passar por autor de uma expressão criada por Sean Spicer, secretário de imprensa de Trump, mas tornada pública pela assessora presidencial Kellyanne Conway, ambos cidadãos norte-americanos. Creio mesmo que a expressão esteja registrada no INPI de lá, e não quero ser processado por servidores basbaques alegando transgressão a alguma lei de Tio Sam.


A senhora Kellyanne, para negar os fatos e as fotos comparativas da multidão na posse de Obana com a da multidão na posse de Donald, explicou a quem a interrogava que haviam "alternative facts" para explicar as diferenças. 

Ao assistir às declarações da dita, pensei cá com meus dedos e teclado: ora, ora, vejamos alguns "fatos alternativos" no Brasil recente.

FATO 1: Dilma foi defenestrada do poder por excesso de incompetência.

FATO ALTERNATIVO: Os adversários de Dilma utilizaram o recurso do impeachment para dar um golpe na "mãe do PAC" e no PT.

FATO 2: A perícia feita no sítio, não encontrou um só vestígio de que algum dia Jonas Suassuna, proprietário formal, tenha um dia aparecido por lá (vide esta matéria). Os peritos encontraram, sim, desde pedalinhos com nome dos netos de Lula até lençóis com monograma "LM" (Lula e Marisa), passando pelo registro de dezenas de finais de semana que a família frequentou a propriedade sem nunca terem tido a companhia do "proprietário". 


FATO ALTERNATIVO: Lula nega que o sítio de Atibaia seja seu. Não há nenhum documento que o aponte como proprietário. 




FATO 3: José Dirceu, dono da JD Consultoria junto com seu irmão, é um gênio-corrupto que, através da sua empresa de consultoria, recebeu milhões de reais para favorecer grandes construtoras do país, lesando todos os cidadãos que, tento ou não votado no Lula, foram traído$$$$$$ e de$$$$$caradamente roubados.


FATO ALTERNATIVO: A grande empresa JD (inoperante desde 2014), prestou serviços a várias construtoras do país, gerando, relatórios "super-sintéticos", pelos quais recebeu super-honorários (milhões de reais. vide aqui), super-honestamente ganhos.



Paro por aqui. Foi só para ajudar meus parcos leitores (se é que existem) a entender a expressão "alternative facts".

Se você quiser acrescentar algum "fato alternativo", é só postar usando o link "comentários". 

segunda-feira, janeiro 16, 2017

COMENTÁRIOS DA SEMANA - DE 16 A 21/JAN/2017


21/01/17 - TRUMPIZAÇÃO GLOBAL

O discurso de posse de Trump foi uma reafirmação de suas promessas de campanha. Com este fato, portanto, deixam de ser mais que propostas, e se transformam em orientação geral para todos os níveis de comando e decisão dentro e fora do governo, dentro e fora dos Estados Unidos.

Com uma audiência global que, com certeza, se aproximou dos 100% de todos os líderes, políticos e dos grandes empresários, Trump afirmou, sem meias palavras, que sua prioridade será reafirmada, dia-a-dia, pelo mantra: primeiro os americanos, primeiro os americanos e primeiro os americanos...

Alguém a meu lado, questiona: "Mas como ele vai fazer isso com a China produzindo pela metade do preço?". Com elevação de impostos de importação, ou com inflação, ou ambos, pois os caminhos que ele adotará pouco importam. Ele vai estabelecer novos parâmetros para o comércio mundial. Com absoluta certeza. E não está  nem um pouco preocupado com os incomodados.

Seu discurso foi claríssimo, para ninguém dizer no futuro que não entendeu ou que foi surpreendido:

"Tudo muda começando aqui e agora."

"No centro deste movimento há uma convicção crucial, a de que uma nação existe para servir seus cidadãos. Os americanos querem, boas escolas, uma vizinhança segura e bons empregos."

"Há muitas décadas nós enriquecemos a indústria estrangeira ao custo de nossa indústria, subsidiamos as forças armadas de outros países, nós defendemos as fronteiras de outras nações e nos recusamos a defender nossas próprias fronteiras. Gastamos trilhões e trilhões de dólares em países estrangeiros enquanto a infra-estrutura dos Estados Unidos caiu em decadência, até ficar em um estado deplorável. Nós enriquecemos outros países enquanto a força e a riqueza de nosso país se dissipou no horizonte. Uma a uma as fábricas fechadas saíram de nossas fronteiras sem sequer um pensamento a respeito dos milhões e milhões de trabalhadores que foram deixados para trás. (...) Mas isso agora é passado. A partir deste dia para frente, uma nova visão vai governar o nosso país: primeiro os Estados Unidos."

"Vamos trazer de volta os empregos, trazer de volta nossas fronteiras, trazer de volta nossa riqueza, trazer de volta nossos sonhos.

"Vamos seguir duas regras simples: compre produtos americanos, contrate americanos."

[Porque] "É direito de qualquer nação colocar seus interesses em primeiro lugar."

E para deixar as suas futuras ações e decisões inquestionáveis, termina seu discuso afirmando que os Estados Unidos estão sob a proteção de Deus.

Portanto, estão todos avisados.


18/01/17 - BURACO NO SISTEMA

Em conversa sobre crescimento da violência, um detetive de uma delegacia atribuiu ao ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, parte da razão. Contou que naquela gestão, iniciou-se um processo para eliminação da carceragem nas delegacias, como medida para corrigir o erro de manter prisioneiros em locais absolutamente inadequados para tal. Não é preciso muito para se entender e concordar plenamente com tal argumento. Entretanto, o detetive fez o seguinte relato da realidade: "Nós prendemos o sujeito que comete um pequeno delito, como um furto, uma posse de droga, sem ficha criminal, e somos obrigados a imediatamente conduzi-lo para um presídio como Bangu. O que se espera como resultado?".


A resposta para a questão está formulada num trabalho do Grupo de Estudos Carcerários da Universidade de São Paulo (GECAP):


"Sabe-se que a ausência do Estado nas prisões abre espaço para organizações criminosas estabelecerem-se nas unidades prisionais. Assim, um preso “comum” frequentemente terá como seu referencial de segurança o preso ou grupo de presos que é líder de seu pavilhão ou raio. (...) Ao sair da unidade prisional, (...) esse preso “comum” pode ser requisitado para realizar trabalhos criminosos para as organizações ilícitas que o ajudaram durante o tempo em que esteve encarcerado, a fim de pagar por dívidas contraídas durante o tempo em que esteve preso ou mesmo pela proteção que teve dentro da cadeia."

Voltemos ao nosso detetive que é mais explícito. Ele explica que, no texto acima, que se refere ao fato do preso "ser requisitado para realizar trabalhos criminosos para as organizações", no linguajar do sistema é chamado de "pedágio". O preso é instado, desde sua chegada ao presídio até após sua saída, a dar informações sobre sua região de origem: endereços, telefones, nomes de pessoas, sinais de riqueza, dicas de como invadir uma residência etc. 

Em 29/6/2012, o ex-governador e hoje presidiário, Sérgio Cabral, inaugurou a primeira cadeia pública em Magé, prometendo mais 6, e decretando o início do fim da carceragem nas delegacias. Que fim levou tal intenção? Quem souber, acrescente um comentário a este post.


Terminando, acrescento uma informação contida no mesmo trabalho do GECAP sobre "custo imponderável" do sistema prisional:

"Imagine-se, então, que esse preso “comum” tenha que realizar um roubo (assalto) e que durante a ação criminosa, terceiras pessoas, as vítimas ou o próprio egresso venham a sofrer lesões permanentes (por exemplo, uma paraplegia causada por uma bala perdida). Será o Estado aquele que arcará com os custos de saúde decorrentes dessa ação desastrosa e infeliz. Um custo imponderável."

É evidente que os problemas das prisões brasileiras são enormes e complexos, mas é evidente que precisamos parar de alimentar a criminalidade colocando novos alunos nestas universidades do crime. Temos que eliminar o buraco no sistema. É preciso começar re-estruturando a finalidade das unidades prisionais de modo a termos unidades exclusivas para acolher condenados de acordo com a natureza de seus delitos. 

Ou...



17/01/17 - A INTERPRETAÇÃO DA VITÓRIA

Existe um time de jornalistas que fazem uso da hipocrisia para engolir sem mastigar e/ou justificar teses duvidosas. Dois exemplos. 

O primeiro é o "caso Conca". Desde o anúncio da contratação (?) achei o negócio pra lá de esquisito. O sujeito chega bichado no início de janeiro, perspectiva de jogar só em maio, a posição de meia está preenchida, dizem que não vai custar nada ao clube, a torcida do time torceu o nariz para a nuvem de pó-de-arroz adentrando o Ninho do Urubu, e a imprensa acreditou? Não existe jornalismo investigativo na editoria de Esportes?


O segundo caso é a vitória de Trump. O sujeito perdeu a eleição por 3 milhões de votos e um jornalista usa uma indagação que diz estar presente "aqui e lá fora: Como pode? Logo esse cafajeste ganhar da mais bem preparada". Não me alinho nem com "o cafajeste", nem com "a mais bem preparada". O que analistas parecem hipocritamente não enxergar, é que a maioria do eleitorado elegeu Hillary, mas as regras do sistema conduziram ao poder, Trump, o perdedor. Coisa da democracia na terra de Tio Sam.

Tudo, como se vê, se resume à interpretação do fato. O fato, em si? Que importa o fato?


16/01/17 - A JUSTIÇA TARDA E FALHA

Quando nos percebemos envolvidos com valores conflitantes, quando, então, não sabemos o que fazer, por qual valor optar, nos servimos da máscara da hipocrisia, giramos 180º e seguimos em frente, deixando para trás o que não queremos ver. O que não vemos, o que ignoramos, não existe. Até que...

Não enfrentar é usar um detonador de efeito retardado. Sabemos disso, a esperança é que já estejamos longe, abrigados dos infortúnios, e que a bomba estoure sobre a cabeça de outros.

Não sabemos como lidar com os transgressores das regras de convivência pacífica, qualquer que seja o nível da transgressão. Prendemos o "ladrão de galinha" com rapidez de dar inveja ao recordista dos 100 metros e o deixamos jogado em celas apinhadas de traficantes e criminosos perigosos, sem mesmo uma condenação, e para, um dia, de lá retornar à sociedade pós-graduado em violência contra seus semelhantes


Protegemos "os direitos humanos" da família do condenado - assassino cruel, estuprador, pedófilo, e todos os que praticam crimes hediondos -, dando-lhes um "salário reclusão", sob o argumento hipócrita de que a família não pode ser penalizada (!!!???), mas todos os demais cidadãos de bem podem.

O Estado brasileiro gasta muito mais com um preso do que gasta com um estudante. Gasta muito mais com um preso, do que gasta dando uma ajuda do Bolsa Família, sob o argumento de que programas de renda mínima são estimuladores da vagabundagem (!!!???). 



O que está acontecendo nos presídios não vai provocar qualquer mudança de conceito. A hipocrisia será mais conveniente do que mudarmos nossas percepções. As ações imediatistas serão abafadas por novas manchetes tão logo Moro volte de férias e o recesso político acabe. As forças de segurança retornarão às suas bases, as baixas no crime organizado serão avaliadas e absorvidas. O sistema judiciário continuará colocando a culpa de sua morosidade, na montanha de processos a serem julgados, fingindo não ver que nossa legislação beneficia o infrator, pune o lesado e condena, de rebarba, todos os cidadãos contribuintes que sustentam tais sistemas falidos.




E tudo será como antes... 




domingo, novembro 13, 2016

COMENTÁRIOS DA SEMANA - 13 A 19/11/16


17 - CÂMARA E SENADO

Estão arquitetando uma anistia geral para os mal-feitos em caixa dois e propinas. Está na hora de irmos para as ruas dar o recado de que, se tentarem, o risco é grande de o caldo entornar.


SEM PERDÃO PARA OS CORRUPTOS. 

E FORO PRIVILEGIADO APENAS PARA ATOS DO EXERCÍCIO DO MANDATO.


15 - DILMA, FARC, BREXIT, TRUMP

Na ressaca pós vitória de Trump, me fixo em dois fatos que se conectam nos 4 eventos citados no título: a afirmação, pela mídia, de que os institutos de pesquisas erraram e a margem de vitória.

Quanto às pesquisas, sinto muito, mas não erraram. A margem de erro é que pendeu para o "lado errado" ou lado não desejado pela mídia e especialistas de todas as vertentes.

Quanto à margem de vitória, apertada em todos os casos, esta sim me incomoda. Nos 4 casos, uma minoria de cidadãos foi responsável por uma decisão de grave importância para o futuro de curto e médio prazos de suas nações, o que, em última instância, significa afetar seus próprios destinos individuais. Se levarmos em conta os altos índices de abstenção, temos um fato que incomoda bastante a democracia (em tese, o regime da maioria): a responsabilidade da decisão foi da minoria!!!

O que pode estar por trás dessas rupturas? Lembrando que Dilma foi eleita e deposta (uma ruptura com as ideias petistas). Esta democracia conduzida pela visão de curtíssimo prazo do homem-eleitor comum tende a nos levar para onde?

A inovação tecnológica e a rapidez em que estas nos são impostas está aumentando o fosso entre as populações das metrópoles e as demais?  Em que medida a globalização está sendo questionada e ameaçada? A perda dos empregos, em alguns países, a queda dos salários dos não-formados em outros, justificam esta tendência ao protecionismo e, consequentemente, ao agravamento de manifestações nacionalistas e xenófobas? O desenvolvimentismo, visto até aqui pelos economistas como única saída para a humanidade, se sustenta?

De volta às cavernas, ou à barbárie da sobrevivência do mais forte, ou há uma alternativa ainda não formulada?


Resultados do voto popular:

BRASIL: ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE (out/2014) - 51,64% x 48,46% (Aécio) - Diferença: 3,5 milhões de votos - Abstenção: 19%


GRÃ BRETANHA: BREXIT (jun/2016) - 51,9% (sim para saída da UE) x 48,1% (permanência) - Diferença: 1,8 milhão de votos - Abstenção: 28%

COLÔMBIA: FARC (out/2016) - 50,2% (não ao acordo) x 49,8% (sim) - Diferença: 60 mil votos - Abstenção: 62,6%

ESTADOS UNIDOS: ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE (nov/2016) (*) - 47,2% (Trump) x 47,9% (Hillary) - Diferença: 900 mil votos - Abstenção: Não encontrei dado correto, mas historicamente é perto de 50%

(*) Fonte: CNN - A vitória de Trump se deu no colégio eleitoral com 306 delegados a seu favor.

13 - RADICAIS

O problema dos radicais é que eles estão, por definição, sempre errados. Radicalismos só têm utilidade como tentativa de ruptura, de colapso, de morte do conhecido e nascimento do incógnito. O radical não tem proposta de solução. Seu horizonte de percepção não existe porque sua cegueira é congênita.

Isto me vem quando ouço sobre invasões de escolas (incentivadas, alimentadas e coordenadas por psicopatas desalojados de posições nas instâncias de poder estatal) a pretexto dos alunos serem contra a proposta - superficial, diga-se - de flexibilização do ensino médio.

Todos os alunos de uma escolha são contra? E só de algumas escolas que o grupelho, no caso, de esquerdistas, conseguiu se infiltrar? Quer dizer que os alunos, pretensamente contra, preferem ser obrigados a adquirir conhecimentos que jamais irão fazer uso, ao invés de terem a liberdade de investir mais no que suas genéticas e escolhas desejam? Eles são contra a flexibilização no exato momento em que as formas de transmissão do saber estão sendo avassaladoramente questionadas pelas novas tecnologias de acesso à informação? Ou apenas estão tão famintos de debate de ideias e de alimento que estão aceitando receber sanduíche de mortadela como recompensa pela servidão a que se sujeitam de serem massa de manobra para quem não quer ver vingar ideias alheias?