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terça-feira, abril 05, 2022

A INACEITÁVEL PERDA DE PODER ou A REAÇÃO DE UMA OLIGARQUIA DERROTADA

Oligarquia: regime onde o poder é exercido por um pequeno grupo de pessoas pertencentes a um mesmo partido, classe ou grupo.  

Cleptocracia: regime onde o poder é exercido por ladrões.

  

Todo grupo que se apodera do poder político é oligárquico e cleptocrático – em menor ou maior intensidade -, mas raramente podemos chamá-lo de "pequeno". As razões são muitas e não tenho capacidade/conhecimento para explorá-los e sintetizá-las todas, nem mesmo acho que interessaria ao Leitor tal digressão. Mas é básico perceber a realidade histórica de que todo poder governamental visa se perpetuar e se valer da apropriação indébita dos impostos para proveito dos oligarcas de primeira classe e de um contingente de privilegiados de segunda classe que recebem benesses para mantê-los na defesa e sustentação dos primeiros – são os conhecidos “inocentes úteis”. As oligarquias, portanto, se constituem obrigatoriamente de dois grupos oligárquicos  complementares, simbióticos, que vou rotular de "ativo" e "passivo", respectivamente. O grupo ativo é o que exerce o poder político conquistado através de discursos demagógico-utópicos de promessas para não serem cumpridas. O grupo passivo é o que sustenta o ativo, composto pelos integrantes do “establishment” – servidores públicos em todas as instâncias – que se beneficiam de privilégios a que a população não tem direito –, e por todas as pessoas físicas e jurídicas capacitadas a prestarem serviços ao governo, qualquer governo, e que não se importam com qual seja o pensamento político desde que elas se mantenham beneficiárias do destino dos recursos do Tesouro Nacional. A principal característica dos agentes passivos é sua flexibilidade e resiliência às circunstâncias, se adaptando ao modus operandi de quem detém o poder político. Mesmo servidores militantes mudam de lado rapidinho desde que tudo “permaneça como antes...” em seus holerites e “direitos adquiridos”.,  É do jogo! É um fato. Portanto, sem crítica.

Uma vez no poder, os oligarcas passam a reger tanto os destinos da nação, quanto os nossos destinos particulares, pois praticamente todos os governos republicanos do Brasil tiveram um pendor irresistível para o estatismo e a preservação dos privilégios com o chapéu dos contribuintes. Entre estes temos subsídios a setores da economia, contratos superfaturados, salários dobrados em relação à média de mercado acrescidos de penduricalhos a título de  "ajuda de custo", aposentadoria integral, direitos vitalícios etc.

E aqui chego ao busílis desta postagem: Bolsonaro que, uma vez eleito cumpriu e cumpre com promessas de campanha – as que não cumpriu é porque não deixaram – como a de mandar para a rua a oligarquia aboletada por mais de 20 anos no phoder, foi além e simplesmente ignorou as regras de até então, quebrou paradigmas, e rompeu com os oligarcas ativos, e parte dos passivos, de modo radical, mas não com todos os passivos, pois a maioria destes está no serviço público e serão necessários alguns anos para que o processo de substituição se concretize. Não sem razão, portanto, Bolsonaro vem apanhando, nestes mais de 39 meses de governo, de todos os atingidos: dos "Supremacistas Ungidos do Talibã Federal"; dos Sinoadores, comparsas protetores dos Iluministros e depostos de seus currais financeiros; da esquerda corrupta (caviar ou mortadela) sonhadora com uma boquinha no “sistema”; daqueles que se servem do público em lugar de servir o público; da mídia saudosa do gordo leite das tetas federais e minguando em audiência e relevância por conta da digitrônica;  de outros sanguessugas do Estado espalhados por todas os setores e regiões do país; et caterva. Que ninguém subestime, portanto, a quantidade de gente e instituições que “odeiam Bolsonaro”[1]!!!


Os princípios praticados pelo Presidente para acabar com a putaria generalizada, desencadeou reação e união inevitáveis dos defenestrados que “precisam destruir"[2] Bolsonaro. São muitos, cito apenas uns tantos para dar a dimensão do exército de vitimados perdedores: Marinhos, Frias, Moreira Sales, Marisas, Anittas, artistas carentes de Rouanet, integrantes da intelligentsia nacional infiltrados em todos os espaços da cultura, empresários assumidos corruptores processados pela Lava-Jato, políticos populistas que perderam o controle de verbas, "capitalistas" de meia tigela, na verdade rentistas de olho em inflação e juros altos, e, lamentavelmente, uma juventude submetida à lavagem cerebral com escovão feito de Marx e sabão Gramsciano, sem ter um bit de conhecimento do estrago feito ao país desde a hipócrita Constituição de 88 e muito menos do extermínio em massa que psicopatas como Lênin, Stalin, Mao e outros perpetraram em nome da imposição da "verdade" deles sobre a verdade de cada cidadão, corrompendo a integridade do indivíduo, principalmente, sobre os mais humildes e incultos. Enfim, todos os esquerdistas, pretensos esquerdistas, esquerdistas de oportunidade, de ocasião, todos bajuladores do maior corrupto do Brasil, condenado, descondenado e tornado elegível por um artifício jurídico aplicado pelo "Iluministro" militante petista.

 

É claro que a natureza tosca das falas de Bolsonaro não condiz com o que se espera de um estadista, mas quem disse que tal status intelectual é necessário para se eleger Presidente? Deixemos isso para os diplomatas do Instituto Rio Branco. A Constituição brasileira não faz qualquer exigência neste sentido. A prova é o próprio 9Fingers que sempre se gabou de não ter paciência para ler!!! Alguns atribuem inabilidade de comunicação de Bolsonaro com a elite (será? Ou é só despeito dos “perdedores"?). Se seu vocabulário é o do povo, é porque do povo veio, ao povo se dirige. Isto os falsos puristas e moralistas não suportam, a ponto de se avocarem o direito democrático de tirar Bolsonaro da presidência, sob o perigo “dele ficar mais 4 anos”[3]. E jornalistas ainda se sentem “incomodados” por seu pavio curtíssimo para aqueles que fazem perguntas capciosas e tentam aplicar armadilhas retóricas. Sim, se fosse outro seria mais polido, mais tolerante, mais cortês. Mas aí não seria Bolsonaro. Aí não seria alguém que fez o que fez. Aí teríamos continuado afundados na lama da roubalheira. A prova de que há um movimento coordenado para desestabilizar a governança e, por objetivo maior, derrubá-lo da presidência, é o fato gritante de que hábitos e falas grosseiras, rudimentares, do ex-sindicalista que ficou na presidência por 8 anos, não ensejarem a menor reação da grande comunidade de perdedores das benesses do poder.

 

"Perdeu mano!" Essa recusa em aceitar a derrota - típico de quem odeia democracia -, esta intenção de rebelião antidemocrática, neuroticamente apoiada na repetição paranoica, cognitivamente disfuncional de que Bolsonaro ameaça a democracia, é acusado de autoritário quando é quem pede respeito à Constituição, que é um genocida, mas que socorreu milhões de brasileiros distribuindo auxílio emergencial durante a pandemia, mostra que, realmente nossa democracia está realmente em perigo porque está sob ataque de ex-integrantes de uma oligarquia  cleptocrática, derrotada, contrariada e, agora, amotinada pela inaceitável perspectiva de continuar longe do phoder.  

 

2022! 2 passos à frente, nem 1 passo atrás!



[1] Dia desses alguém me disse que odeia Bolsonaro porque ele é autoritário. Quando retruquei perguntando para listar duas ou três atitudes autoritárias dele, recebi a seguinte resposta: “Não vou lhe responder” e repetiu “Não vou lhe responder”.

[2] Nas “belas” sincericídias palavras de Ciro Gomes.

[3] Idem.

domingo, dezembro 19, 2021

OS ARTIGOS FEDERALISTAS – E o Brasil de 2021

 

É uma verdade atestada pela experiência de todas as eras que o povo está em geral mais ameaçado quando os meios de violar seus direitos estão na posse daqueles de quem ele menos suspeita.

Alexander Hamilton, um dos “pais fundadores”.


Enquanto os americanos têm 234 anos de estabilidade constitucional, os brasileiros têm 130[1] de golpes e retrocessos institucionais. Faz algum tempo andei me perguntando que circunstâncias tornaram os Estados Unidos da América “a” mais bem sucedida democracia capitalista do mundo, enquanto, em idêntico período, o Brasil cavou um pib-abismo de distância? Hoje posso me responder com um certo grau de convicção que a estabilidade institucional fez toda a diferença e, digo mais, faz toda a diferença para qualquer nação que pretenda atender o objetivo que os “pais fundadores” estabeleceram para sua República: zelar “pela felicidade do povo”[2].

Para Leitores possíveis defensores de utopias distópicas - é a única rotulagem para esse tanto de desavisados & sabichões[3] - desligados do estudo da história das nações e da própria história da civilização ocidental, pois estão “muito ligados”, ou chapados, ou cheirados, ou injetados, ou, no mínimo, mentalmente lobotizados pelo vitimismo PSOL-PTdoG aprendido em patéticas aulas práticas em nossas escolas e universidades controladas por integrantes da chamada intelligentzia, digo apenas que a destruição de valores institucionais e culturais de uma sociedade são desejos de déspotas psicopatas que, quando no phoder, tomam como primeira providência degolar/fuzilar os inocentes úteis que, obrigatória e automaticamente, se tornam inúteis.


AS AMBIÇÕES HUMANAS

Volto aos “pais fundadores”. Falas frequentes nos artigos se referem à natureza humana, basicamente para chamar a atenção para a necessidade de as Leis preverem os desvios e as contradições naturais entre os homens no phoder, garantindo mecanismos de regulação das legítimas disputas.

Hamilton lembra que “os homens são ambiciosos, vingativos e gananciosos”. Mostra ser um homem experiente ao acrescentar que “homens (...) muitas vezes abusaram da confiança de que desfrutavam; e, tomando por pretexto alguma razão pública, não tiveram escrúpulos em sacrificar a tranquilidade nacional por benefícios ou recompensas pessoais”.

Ao tratar das diferenças, ele entende que, para os homens, enquanto existe “o vínculo entre sua razão e seu amor-próprio, suas opiniões e paixões influirão umas sobre as outras”Mas Madison faz um alerta: “É inútil opor barreiras constitucionais ao impulso de auto-preservação”. Portanto, o jogo é pesado, parece admitir ao dizer que “o poder é abusivo por natureza e que deve ser efetivamente impedido de transpor os limites a ele atribuídos”. Conclui que a solução de tudo passará pelo fato de que “a justiça é a finalidade do governo. (...) Ela sempre será perseguida até ser alcançada, ou até que a liberdade seja perdida nessa busca”.

 

PARALELOS COM O BRASIL

Foi entendimento de Montesquieu que “dos três poderes, o judiciário é quase nada”, com o que, além de concordar, pois o considero tão-somente guardião e aplicador das leis e, portanto, sem qualquer poder, pois este é o da Lei que visa a equidade e a justiça em sua aplicação. Entretanto, no caso do Brasil de 2021, há que se trocar o advérbio: aqui, atualmente, dos três poderes, o judiciário é quase tudo. Hamilton nos lembra outra obviedade: “Se os indivíduos formam uma sociedade, as leis dessa sociedade devem ser o regulador supremo de sua conduta”. Ele encerra deixando claro que “o judiciário não tem (...) nenhum controle sobre a força nem sobre a riqueza da sociedade, e não pode tomar nenhuma resolução ativa. Pode-se dizer que não tem, estritamente, força nem vontade”. No momento brasileiro não é o caso.

A justificativa para o que vem acontecendo quanto às instituições brasileiras[4], tem muitas razões importadas. Deixadas essas de lado, relaciono alguns princípios defendidos pelos “pais fundadores” com os eventos e movimentos originados por nosso momento específico político. Já é reconhecido pela parte da população que se mantém minimamente informada, que estamos sob uma ditadura do supremo poder judiciário. O STF como um todo, mas fatiado em decisões monocráticas de “iluministros”, rouba “na mão grande” atribuições do legislativo e do executivo com absoluta desenvoltura, com a certeza da impunidade acobertada por forças “ocultas” que, não identificadas, não sofrem resistência. Diz Madison: “O acúmulo de todos os poderes, legislativo, executivo e judiciário, nas mesmas mãos, (...) pode ser justamente considerado a própria definição de tirania”. Creio que para não ser acusado de estar exagerando, recorreu a Montesquieu acrescentando: “Quando o poder de julgar se une ao de legislar, a vida e a liberdade do súdito ficam expostas a controle arbitrário, pois o juiz poderia agir com toda a violência de um opressor”.

Considerando os inquéritos inconstitucionais de Alexandre de Moraes (não descartando decisões dos demais) parece que ao fazer tais referências estivesse Madison nos vendo através de um potente telescópio reverso, que em vez de apontar para os acontecimentos passados do universo, apontava para dois séculos e meio no futuro ao sul do Equador.

Já Hamilton repete o que se observou na História da humanidade até aqui: “dos homens que destruíram as liberdades de repúblicas, a maioria iniciou suas carreiras cortejando de maneira servil o povo: eles começaram como demagogos e terminaram como tiranos”.

Hamilton, usando o mesmo telescópio, preveniu sobre uma obviedade “ululante”: “Nenhum homem deve ser juiz em causa própria, ou em nenhuma causa em relação à qual tenha o mínimo interesse ou predisposição”, porque “seu interesse certamente distorceria o julgamento e, provavelmente, corromperia sua integridade”. Este é um fato que não admite interpretações dúbias, e que é hipocritamente ignorado pelas mais altas e importantes instituições brasileiras – tendo no topo o Senado Federal[5] -, mas contra o qual deveriam estar se insurgindo veementemente[6]. Hamilton é peremptório ao constatar que “uma vez sacada a espada, as paixões dos homens não respeitam limites de moderação”.

Hamilton aponta a máxima arbitrariedade contra os direitos de um cidadão ao dizer que “o poder sobre o sustento de um homem é um poder sobre sua vontade”. Sua veemência na defesa deste princípio o leva a citar William Blakstone (jurista britânico): “Despojar um homem da vida ou confiscar seus bens pela violência, em acusação ou julgamento, seria um ato tão brutal e notório de despotismos que deve de imediato fazer soar o alarme da tirania por toda a nação; mas confinar a pessoa, arrastando-a secretamente para a prisão, onde seus sofrimentos são ignorados ou esquecidos, é um expediente menos público, menos chocante e, portanto mais perigoso do governo arbitrário”. Mas nada impediu e continua impedindo Moraes de prender sem acusação e sem processo, e de obrigar plataformas digitais a impedir a monetização de cidadãos que escolheram exercer a lícita atividade de manifestar suas opiniões através de participação em redes sociais.

Alexandre de Moraes e seus “parceiros” têm absoluta consciência disso tudo e, frequentemente, agem contra aqueles que discordam de suas “verdades” se assumindo como um desses “homens que, o mais das vezes, (...) deixam-se levar (...) e acabam (...) se deixando confundir por astúcias”, como Hamilton observou.

Fico por aqui. Espero que o contato com algumas das ideias dos “pais fundadores” dos Estados Unidos da América esteja ajudando o Leitor a enxergar com ainda mais clareza onde está o famoso “busílis” da questão ”porque somos o que somos e porque eles são o que são”.

Volto já já, com minha última postagem deste meio que insano 2021 com “Os Artigos Federalistas – Os Homens e o Phoder”

 


[1] Desconsiderei a Constituição de 1824 por ter vigorado por 67 anos.

[2] Tenho lá minhas divergências com o tema “busca da felicidade”, mas apoio a definição de Hamilton que visa reforçar o compromisso dos governos com o povo.

[3] Desavisado & Sabichão é o título do único livro que escrevi até hoje.

[4] Abordei sobre a crise de papel das instituições brasileiras na postagem “NOSSAS INSTITUIÇÕES E A CONSPIRAÇÃO PÚBLICA”.

[5] É o Senado Federal a instituição à qual cabe, pela Constituição, julgar ações que em princípio possam ser consideradas “anti-constitucionais”.

[6] Entendo que o excepcional aumento de decisões monocráticas em detrimento de decisões colegiadas em audiências no plenário do STF se destinam a proteger seus integrantes de virem a ser expostos e julgados interesses conflitantes.

segunda-feira, novembro 22, 2021

NOSSAS INSTITUIÇÕES E A CONSPIRAÇÃO PÚBLICA

Conspiração : Ação de construir secretamente um plano que prejudica alguém, geralmente um governante; conluio; maquinação; trama.


Há tempos coço meus parcos neurônios sobre em que ponto do ciclo resultante das ideias políticas o Brasil, especialmente, se encontra. Esclareço. A minha visão de funcionamento do Universo, parte da premissa de que tudo nele é jogo de forças, um eterno empurra-empurra de elementos que se chocam, se opõem, se aproximam e se afastam, o que resulta em ciclos de dominância, ora de um, ora de outro dos envolvidos.

Isto, para mim, vale desde átomos e moléculas até galáxias e, quiçá, além. Vale tanto para humanos quanto para quaisquer outra espécie vivente, seja da fauna ou da flora. Vale até mesmo para elementos inanimados, do grão de areia à montanha de granito. Vale para todas as inter-relações entre dois ou mais elementos mesmo que de mesma constituição. E talvez a razão principal seja uma das descobertas da física, qual seja a de que tudo está em movimento. E se em movimento, se encontram a esmo, ao acaso, se chocam, se repelem, se agridem e por aí vai. As ondas do mar, com seu incessante ir e vir, fluir e refluir, são um bom exemplo. Mostram tanto o movimento contínuo quanto o jogo de forças entre o vento que empurra as águas, quanto a resistência da inclinação da praia que enfraquece as faz retornar.

Introdução conceitual feita vamos à questão política. A partir da eleição de 2018, estão os estóicos, como entidade, ganhando terreno sobre os vitimistas, ou, tendo chegado à presidência da República geraram tamanha reação dos perdedores (inocentes úteis e os de intere$$e$ contrariados) que, através de ações esdrúxulas, imorais, ilegais, inconstitucionais, corporativistas, serão capazes de retornar ao phoder restabelecendo seus perdidos privilégios? 

Ainda não tenho resposta razoável. Trago apenas algumas observações. Por exemplo, não se pode mais afirmar que as  instituições estão funcionando dentro dos ditames para o que foram criadas. Sejam instituições do Estado, sejam da sociedade civil. Mas “instituições” não pensam e não falam, quem o faz são homens e mulheres que as integram, e que, portanto, as sustentam em seus objetivos e a eles se limitando. Não é o que vemos.

Vejamos a OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, que entrou em estado de total negação quanto a se manifestar sobre qualquer das graves agressões que vêm sendo praticadas pelo STF contra a democracia e, consequentemente, contra a sociedade brasileira. Esta minha afirmação se respalda no que consta no próprio site da Ordem 9https://www.oabrn.org.br/arquivos/ESTATUTO-DA-ADVOCACIA-E-DA-OAB.pdf), em documento assinado pelo seu próprio presidente, Felipe Santa Cruz: “A busca pela segurança jurídica e criação de regras inteligíveis e diretas é prioridade da nossa Gestão”. Santa Cruz, vitimista confesso e adepto do iluminismo[1] contemporâneo liderado pelo ungido Iluministro Barroso, o empurrador da história, entende que suas crenças utópicas lhe dão não só o direito (e o dever!!!) de ficar acima da instituição que preside, como o direito de desprezar a ( e mesmo cuspir na) história de lutas junto com a maioria de brasileiros pela volta à normalidade democrática.

Nesta mesma toada da OAB, vamos encontrar uma outra instituição  até então considerada como uma das defensoras intransigentes das liberdades de opinião e expressão. Falo da ABI, Associação Brasileira de Imprensa. Seu silêncio é sepulcral. Indecente e imoral. Nenhuma manifestação sobre os tantos e diversos ingredientes da receita de conduta das empresas de comunicação que já foram independentes, divergentes e bravos, e que hoje, independente dos efeitos oriundos da concorrência dos novos meios, se organizaram em um “consórcio” para divulgação de opiniões unificadas a serviço de um único objetivo, e que, em adição, cada um por si, criaram suas versões de “agências censoras” dos fatos e opiniões (publicadas em meios não consorciados, evidente) que são inconvenientes aos claros, mas inconfessos desejos de voltar a um passado glorioso de benesses públicas. É esta ABI que “ainda” tem em seu estatuto o Art.74 onde consta: “Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho é para a ABI símbolo maior de cidadania e de liberdade de expressão”. Não a menor dúvida de que seu espírito vaga pelo vazio do universo de sua decepção com aqueles que ficaram incumbidos de zelar pelo seu legado. Enfim, mais uma instituição cujos integrantes abandonaram os princípios que justificaram sua criação, em nome de suas crenças utópicas que os fazem acima de tudo.

Apenas para seguir no embalo deste tipo de entidades, lembro a ABL, Associação Brasileira de Letras, que acaba de nivelar Machado de Assis a dois de nossos “grandes pseudoescritores”, Fernanda Montenegro e Gilberto Gil. Triste Academia. Triste lado do Brasil.

E as instituições empresariais, tanto organizadas em associações de classe quanto individualmente? No primeiro caso no topo estão CNI, Confederação Nacional da Indústria, FEBRABAN, Federação Brasileira de Bancos, e FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e as tantas FECOMÉRCIO, Federação do Comércio, existentes em cada estado. O que fazem? Ao que reagem? A nada. Reformas e Decretos do governo Federal são solapados ou anulados por “iluministros progressistas” em decisões monocráticas “sacadas” com a rapidez de um Clint Eastwood em “Os Imperdoáveis”. Quanto às entidades membros, lembro a banqueira que não vê a hora dar seu voto e recurs$o$ para trazer de volta aquele “ambiente” profícuo de proteção ao setor financeiro. As associadas à CNI precisam ser lembradas do que diz o inciso II, do Art. 3º do estatuto da entidade: “defender a livre iniciativa, a livre concorrência, a propriedade privada e o estado democrático de direito, tendo em conta a valorização do trabalho, a justiça social e o meio ambiente”. E por último o lembrete da ação “racista do bem” contra candidatos não-negros promovida por dona Luiza em suas demandas por novos funcionários. Aqui também a “verdade utópica” da presidente da instituição privada de comércio ultrapassa os limites da atuação de sua empresa.

E chegamos ao Congresso Nacional. Tratemos primeiro da Câmara dos Deputados, esta instituição composta por uma transitória mixórdia de “representantes do povo” que, em mínima parte[2], foram eleitos por ação direta do voto, sendo a maioria “alçada” por convenientes escadas de uma legislação eleitoral feita para manter no phoder quem lá já está. Esta instituição essencial à manutenção do tal “Estado Democrático de Direito”, expressão que virou chacota na República do Togaquistão[3], recebeu carimbo de sua inutilidade e desmanche em diversas ocasiões, mas cito duas. A primeira quando, quase literalmente, “arriaram” as calças para iluministros que foram pessoalmente à Câmara exigir de partidos a troca de membros na CJJ de modo a garantir a não aprovação da PEC do voto impresso. A segunda, também uma demonstração de covardia explícita, foi a subserviência ao STF (que, aliás, continua até hoje).  Na prisão de Daniel Silveira. Nesta instituição não se trata de usurpação de phoder como nos anteriores, mas, ao contrário, de abandono do seu papel institucional, transferindo ao poder judiciário grande parte daquilo que deveriam ser suas exclusivas atribuições.

Espero que não esteja lhe cansando a paciência. Estamos próximos ao fechamento desta prosopopeia.

A penúltima instituição que avalio é o Senado Federal. Este é um caso de, digamos, duas personalidades. Uma é covarde, a outra arbitrária, mas em ambas se sente o cheiro da corrupção, do rabo preso, do olha-cuidado-eu-também-sei-dos-seus-podres. Como covardia podemos citar, tal como na Câmara, a subserviência ao STF, aqui junto com o componente de um pretenso acordo “eu não te julgo, você não me julga”. Nestas circunstâncias, portanto, não há espaço para atos que ultrapassem os limites do seu papel institucional, pois estes teriam que, obrigatoriamente, estar em acordo com o desejo dos “iluministros”. De outro lado, o Senado como um todo encontra-se hoje “estado de choque”, paralisado, sem ação quanto à arbitrariedade espúria daquele que tem a obrigação de agendar a sabatina de um indicado à Supremo Corte e não o faz por razões que todos nós desconhecemos, mas cujos objetivos desconfiamos.

Até aqui meu objetivo foi o de sugerir ao Leitor um olhar além dos fatos e das falas em si, um olhar para onde estão ocorrendo e a que estão subordinados. Mostrar, principalmente, que a maioria das instituições do país se enquadram em 4 classes: as que usurpam de seus poderes e limites; as que se investem inadequadamente de papéis para os quais não foram criadas; as hipocritamente silenciosas que aguardam condições para dar algum bote; e as demais que simplesmente se silenciam, principalmente, por medo de serem alvo de ataques das primeiras. Como salientei que instituições não falam, não pensam, não agem, as 4 classes são, na verdade, classes que identificam o caráter de indivíduos.

Ufa! Chegamos ao nosso Supremo Tribunal Federal, a instituição à qual os formuladores das bases democráticos atribuíram a condição de “poder” sem ter poder de fato, pois seu único poder não é poder, é tão somente o direito e obrigação de julgar causas dando seu veredito exclusivamente sob o manto do que estabelece a Constituição. Poderes são dois, o Legislativo e o Executivo. É o que deveria ser. Até já foi. Deixou de ser.

A maioria dos “iluministros” do STF, acreditando cada um em sua “sapiência suprema”, colocam-se acima da Constituição. Melhor dizendo, não estão nem aí para ela. Entrará para a história como um momento ridículo e de completo nonsense aquele em que Carmem Lúcia[4], então presidente do Supremo, entrega a Bolsonaro um exemplar da Constituição[5]. Super e iluminados Ministros, fazem o que bem entendem a quilômetros de distância de nossa lei máxima. Prendem arbitrária e ilegalmente qualquer um que diga “verdades inconvenientes” a eles ou a seus patrões (Ninefingers, guerrilheiro mor, Soros, “who knows”?) e quando não, simplesmente impedem o cidadão de exercer seu trabalho e tirando-lhe o direito ao sustento de si e dos seus. Não bastassem as loucuras de Alexandre de Moraes (sem maiores comentários), vem Fachin, que além de interferir no direito de ação de um Prefeito, quer, simples e ditatorialmente, viabilizar o assassinato da língua portuguesa - em uma ação de total desprezo pelo direito inalienável do cidadão ser livre para falar e escrever do jeito que sabe - deseja subordinar os valores de uma cultura construídos ao longo de dezenas de séculos a seus próprios valores[6]. É caso para colocar o autor em camisa de força ou então “que nos locupletemos todos!”.

Enfim, desde a posse de Bolsonaro até a primeira quinzena de novembro/21, tudo girava em torno do que expus acima com alguns poucos exemplos. E este “acima” foi apresentado para se chegar ao quase clímax[7] deste louco processo de tomada de phoder a que estamos assistindo.

O Super Ministro Gilmar Mendes, promoveu um seminário em Lisboa[8] onde reuniu esquerdopatas de carteirinha e muralistas de ocasião com a tarefa de discutir a implantação de outro regime de governança no Brasil!!! Fora do Congresso, mas com a presença de presidentes das duas casas, comunistas como Aldo Rebelo e Raul Jungmann, centenas de desembargadores e “algumas das figuras mais influentes da nata do poder em Brasília”[9].

Deste encontro de “autoridades” à revelia das instituições brasileiras e sediado “além mar”, eis que surgem descaradamente revelados seus objetivos. De Gilmar Mendes, depois de, desconfio eu, claramente ter sorvido algumas taças de um bom e caro vinho português, ficamos cientes de que “a questão central” foi a discussão do semipresidencialismo. Atenção: a proposição não é para o Togaquistão, é para o Brasil mesmo.

Já Toffolli nos confidenciou que o Brasil já tem “um semipresidencialismo com um controle de poder moderador que hoje é exercido pelo STF”, disse Toffoli. “Basta verificar todo esse período da pandemia.” Além de confessar estar participando de um paralelo governo semipresidencialista, despreza a vontade dos cidadãos-eleitores que optaram em 1993 pelo presidencialismo em um específico plebiscito. E quanto a se arvorar participar de uma entidade a que atribui unilateralmente o papel de “poder morador”,  com a palavra sua colega Ministra Carmem Lúcia que em 17/8/21(há recentes 3 meses) em entrevista dada, vaticinou, com convicção, que “Não há poder moderador no estado brasileiro”[10], pode procurar na Constituição.

Chegamos ao finalmente!!! Eis aí uma nova forma de conspiração, aquela que não se dá, como sempre imaginamos, em recintos fechados, em completa discrição, longe de todos os olhos não cooptados, sem provas de sua existência a não ser nossa fértil imaginação. Temos agora a maneira pública de conspirar: passeando em Lisboa, bebendo vinhos caros e lagostas do Mar do Norte, com direito a música, e entrevistas à velha mídia com um leve toque de embriaguez.

Reações? Nenhuma pois, como vimos nos exemplos, no interior de nossas instituições públicas e privadas de duas uma: ou "tá tudo dominado" ou estão todos se "borrando de medo". 

Sobram as FFAA de que não tratei. Estão caladas? Cochilando? Ruminando que rumo tomar? Não estão nem aí? Será que divididas? Ou... conspirando no velho estilo?

Cansado? Fui longo? Não gostou? Como dizem alguns Youtubers: “conta aí nos comentários e dá uma forcinha pra mim”.


Abraço e boa semana!

 



[1] Não sei se foi ela que primeiro usou esta denominação, mas Ana Paula Henkel a usa com frequência.

[2] Apenas 37 deputados dos 513 de hoje estão lá hoje por voto direto. Os demais foram alçados pelo instituto do voto proporcional, que faz com que “celebridades” do momento que se elegem exclusivamente por sua presença na mídia carreie votos para gente medíocre. Para saber mais e corretamente, acesse https://www.camara.leg.br/noticias/544742-deputados-sao-eleitos-pelo-sistema-proporcional-veja-como-funciona/.

[3] Tiro esta denominação de uma live do Rodrigo Constantino. Parece ter sido ele o primeiro a propor, mas não tenho certeza.

[4] Carmem Lúcia, quando presidente do STF, assinou um decreto “progressista politicamente correto” que obriga empresas a contratar presos e egressos do sistema prisional.

[5] Eu defendo que Bolsonaro aproveite esta realidade de termos um STF que não respeita a Constituição para devolver à Ministra o exemplar dela recebido, já que ele já decorou todos os artigos e os respeita na integridade, o que não é o caso “deles”.

[6] Não podemos esquecer de sua atuação na libertação do “molusco”.

[7] Uso “quase clímax” por que obviamente vem muito mais e além pela frente.

[8] Por que diabos, o Instituto Brasiliense de Direito Público, depois de mantido hibernado por quase 2 anos, faz este seminário em Portugal? As intenções explicam? Para mais informações acesse https://revistaoeste.com/politica/politicos-e-juizes-se-reunem-em-portugal-para-seminario-de-gilmar-mendes/

[9] Fonte: Revista Oeste https://revistaoeste.com/politica/politicos-e-juizes-se-reunem-em-portugal-para-seminario-de-gilmar-mendes/. Mas a proposta não é novo. Assim que Bolsonaro foi eleito Gilmar Mendes já enviava a proposta para o Congresso.


[10] Para mais informações acesse: https://veja.abril.com.br/blog/matheus-leitao/frase-do-dia-1284/