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sexta-feira, maio 03, 2019

A CONSCIÊNCIA DOS EXCLUÍDOS - CQD

Jeremy Harding
Depois de ter publicado quatro postagens sobre a consciência dos excluídos, onde apresento minhas conclusões sobre a atualidade das revoltas no mundo ocidental, recebo a revista Piauí de abril/19, e encontro o artigo "Os manifestantes estão em pânico - O que querem os coletes amarelos?", de Jeremy Harding, jornalista inglês, que analisa o movimento francês "coletes amarelos" iniciado em novembro de 2018 (*).

Sou apenas um sujeito com uma antena ligada nos acontecimentos à minha volta, seja no espaço real, midiático ou virtual, procurando encontrar as motivações por trás do que acontece. Minhas quatro postagens procuraram apresentar a tese de que na base das revoltas atuais em andamento estão: 1) a frustração dos cidadãos  com o rumo de suas vidas; e 2) a nova era digitrônica, que os faz ter a consciência, zap-a-zap, de que tal realidade é uma condição inevitável do mundo atual. "Abaixo os privilégios", bradaram os manifestantes como slogan antirriqueza. Nada mais que a consciência dos privilégios "dos outros" como argumento.

Que satisfação, portanto, foi encontrar na excelente matéria de Jeremy Harding, os relatos de fatos coincidentes com minha linha de raciocínio. Ressalto nesta postagem o que considerei mais relevante neste caso.

Temos a tendência de achar que o que está acontecendo nas cidades brasileiras, só está acontecendo... no Brasil. Mas veja o que Jeremy conta: "Bordeaux é um modelo típico das impecáveis 'metrópoles' francesas, absolutamente limpas e organizadas, cercadas por uma periferia empobrecida". Fala de Bordeaux, mas podia ser São Paulo, Rio de Janeiro, Recife... Mais adiante ele vai acrescentar que "a cidade de Bordeaux é o bastião que eles estão cercando, sitiando simbolicamente, na esperança de serem reconhecidos". Como é mesmo que você anda se sentindo em sua cidade?

Como observamos entre nós, tais movimentos de revolta não têm liderança, são organizadamente desorganizados, e entre os seus participantes existem muito mais divergências do que convergências, apenas há um implícito e frágil elo que os une por um tempo cujo fim é incerto. Deixo a seguir alguns trechos que se referem a este aspecto do movimento. 

"Os coletes amarelos são cidadãos plenamente inseridos no século XXI, negligenciados e deixados de lado pela globalização. (...) Eles se mobilizam e tomam decisões de última hora, sobretudo pelo Facebook."

"As manifestações são produzidas e concebidas à medida que se desenrolam."

"Em poucos dias, um movimento sem liderança, mas com um punhado de figuras com projeção nas mídias sociais, tornou-se uma revolta sem líder contra o presidente, o governo, os altos impostos e os baixos salários."

"A ausência de liderança e a horizontalidade eram inegociáveis: um colete amarelo carismático como Éric Drouet poderia vir a público e arrebanhar as tropas, mas nem ele nem ninguém podia falar diretamente com o governo em nome de qualquer outro manifestante."

Jeremy também busca entender os integrantes e pergunta: "Quem eram os coletes amarelos?".

"A resposta é que eram residentes de pequenas e médias cidades degradadas na zona rural, onde o trabalho, as habilidades, as tradições, o comércio pujante e o financiamento público haviam evaporado.(...) Poucos deles estão desempregados. Foram na verdade pessoas em empregos mal remunerados, com contratos precários, pensionistas exasperados e pequenos empreendedores (...)."

Christophe Guilluy
Ele adiciona o que Christophe Guilluy, geográfo, salienta como extrato de suas pesquisas: "o crescente fosso entre as grandes metrópoles e a 'periferia', 'a terra esquecida das pequenas e médias cidades e áreas rurais, lar da maioria da classe trabalhadora'. E mais. "Guilluy tinha visto a raiva se acumulando e previu o choque que traria para o sistema político, mesmo que a rigor ela estivesse muito longe de ser capaz de 'derrubá-lo'."

A matéria também aborda a reação do governo francês. Um grande debate nacional, conhecido como "Cahiers de doléances" [cadernos de queixas] foi proposto por Macron. "O governo abriu uma plataforma online por meio da qual era possível propor reuniões públicas."

Macron
"As reuniões parecem ter sido um estrondoso sucesso. (...) No início de março, 10 mil haviam ocorrido ou estavam agendados. Alguns [encontros] são menores do que se imagina, outros são grandes atos políticos, com a presença de celebridades locais e de parlamentares do partido de Macron."

Jeremy participou de uma dessas reuniões. Ele conta que "cada um de nós recebeu dois cartões coloridos, um vermelho e um verde". "Assim que os cidadãos começavam a falar, devíamos levantar o cartão verde se fôssemos a favor do que estava sendo dito, e o vermelho caso contrário (...)."

[Um cidadão] se referiu ao presidente simplesmente como 'Macron' sem tratá-lo com a devida cortesia e polidez (...) e era favorável à energia nuclear. (...) Cartões vermelhos se agitaram, com desalento. 

Como "governo" é algo imaterial, intocável, não-palpável, para descontar a raiva pelo "fosso" entre os andares do prédio socio-econômico, parte-se para o ataque aos diferentes, e é aqui que surgem as agressões contra os outros, outros que estão entre os próprios.

"O antissemitismo se tornou o principal tipo de manifestação racista, mas não é o único: uma mulher muçulmana foi obrigada a tirar seu hijab num bloqueio de estrada, uma deputada negra foi descrita nas mídias sociais como 'uma crioula gorda macronista, recém-chegada da África'; sentimentos arabofóbicos´ou anti-islâmicos afloram nas mídias sociais."

"(...) o movimento continua sendo uma reunião espontânea de cidadãos enraivecidos que vivem na pobreza e em precárias condições de trabalho."

"(...) muitos coletes amarelos condenaram, eles próprios, de maneira feroz, as manifestações racistas em suas fileiras."

Etienne Balibar
O autor do artigo, cita Etienne Balibar, filósofo francês: "aqueles no topo já não podem mais governar como antes, e aqueles na ponta de baixo não querem mais ser governados como antes".

Próximo ao fim de seu relato, Jeremy lembra que na Europa não há código de conduta que proteja as minorias "contra os intermináveis insultos a que são submetidos por notícias de salários lunáticos e bonificações de banqueiros". "Eles se sentem párias marginalizados e, embora sejam uma imensa multidão, se veem como um novo tipo de minoria, desprovida de instrumentos para se defender da discriminação econômica."

E finaliza: "(...) a raiva e a frustração que hoje se constatam na França muitas vezes dão a impressão de serem uma espécie de pânico do futuro sublimado - sejam lá quais forem os incômodos do presente".

Nos meus tempos de ginásio, nas aulas de matemática, o professor encerrava a demonstração de suas fórmulas escrevendo na "lousa": 
Como Queríamos Demonstrar

Bom final de semana que hoje é sexta!

(*) Para melhor entendimento, leia a íntegra do artigo.

terça-feira, janeiro 15, 2019

MIOPIA & HIPOCRISIA

Tem chegado a meus ouvidos e olhos análises de "especialistas" sobre o que está acontecendo no mundo no âmbito dos sistemas políticos e das manifestações populares. Sem exceção, um misto de miopia e hipocrisia. As interpretações passam por culpar o neoliberalismo, o radicalismo de direita, a decadência do ocidente, o trumpismo e, em nosso quintal, o bolsonarismo, a ditadura da justiça (leia-se Moro), a democracia fake do petismo e por aí em diante.

Todos ignoram que as regras de convivência/relacionamento já foram viradas de ponta cabeça. Para não elocubrar demais, podemos considerar como início desta virada a queda do muro de Berlim e na consequente globalização da produção industrial, e como marco do final da cambalhota, o advento das novas ferramentas de comunicação que iniciaram, no meu entender, a era digitrônica.

Os modelos de sistemas políticos, qualquer um deles, foram concebidos para uma era em que o poder político detinha os meios e as ferramentas para manter a plebe, o povo, os súditos de todas as estirpes dentro dos limites de atuação desejáveis, qual seja, de baixíssima chance de manifestação de vontade, de dizer não, e de rebelião. Ao longo dos séculos isto foi mantido tanto por ditaduras mais ou menos sanguinárias, ou pela hipocrisia do voto nas democracias (ou arremedos de democracias) pós feudalismo. 

Uma das novas características é o abismo colossal entre os sistemas de comunicação existentes na República de Platão e o mundo digitrônico contemporâneo, abismo que continua e continuará se aprofundando dia-a-dia. O poder não tem mais o tempo e a distância a seu favor, elementos fundamentais para transformar em "favas contadas" as ações carregadas, principalmente, de intenções inconfessáveis. No segundo seguinte de uma ação a reação se espalha na Rede e um movimento de repulsa, ou ao contrário, de aprovação a ações confessáveis, se estabelece e agiliza o desfecho. Para exemplo, reporte-se às manifestações sabatinas na França forçando Macron a rever suas decisões e "pedir penico", dizem os amigos no bar e à pressa com que ingleses se colocaram numa sinuca de bico decidindo, por parca margem, sair da UE.

Uma segunda característica é que as nações não são governadas por um poder politico centralizado ou federativa e moderadamente descentralizado. O poder político agora está a serviço dos grandes conglomerados empresariais em todas as áreas de atividade, quer industriais, quer comerciais, quer de serviços. As empresas familiares de todos os portes acabaram e eventuais heroicas resistentes estão ladeira abaixo em direção a um fim melancólico. Neste contexto, estamos na era dos acionistas pulverizados e dos executivos super-remunerados.

Não bastasse, como terceira característica, organismos multinacionais como ONU, OEA, OTAN, Banco Mundial, União Européia, estão perdendo relevância e tendo seus objetivos de existência questionados por nações ao redor do globo. No caso da UE, outras nações só estão à espreita do desfecho do Brexit para decidir que caminho tomar. O que quero salientar com isto é: tudo passou a ser questionável, ou por ser velho e inadequado, ou, pior, por ser novo e na dúvida quanto à eficácia, rejeitado.

A quarta, e principal característica, é a incontrolável explosão da informação e a consequente fragmentação do conhecimento. Não sabemos de nada por inteiro, mas nos achamos capazes de opinar sobre tudo. E enquanto não é mais possível manter uma verdade em pauta por períodos longos o suficiente, a verdade oposta nos chega num bip sonoro na palma da mão.

Vou encerrar por  aqui deixando dois vídeos que exemplificam o que acabo de afirmar. Antes de assistí-los, responda estas duas perguntas:

1 - O Brasil está desmatando as florestas em ritmo acelerado e não está dando aos índios as terras que lhes são de direito?

2 - O planeta está superaquecendo e os objetivos do acordo de Paris precisam ser urgentemente alcançados?











Até um par de anos atrás, as informações apresentadas por Evaristo de Miranda, chefe da Embrapa Territorial em sua palestra no evento O Grande Desafio do Século XXI, teriam sido do conhecimento apenas da plateia presente. Do mesmo modo, a entrevista do professor Luiz Carlos Molion no programa Canal Livre teria ficado restrita aos telespectadores da Band. Hoje, ambos os vídeos estão no Youtube e sendo distribuídos para uma massa gigantesca de pessoas por whatsapp e blogs como este. Enganar a todos ainda é possível, mas por um tempo muito curto.

quarta-feira, outubro 18, 2017

SERES EM PEDAÇOS.

"Consequências da fragmentação: precipita a extinção e o declínio da população; a fragmentação causa mudanças no balanço competitivo entre as espécies, exacerbando as ameaças à sua diversidade." 
Coletado na web, sem autoria.

Estamos nos tornando seres despedaçados pós fragmentação das coisas no mundo da modernidade líquida. Nem todos já se sentem assim. Uns percebem que não são mais sólidos em suas certezas como até em um passado recente e buscam âncoras de resistência; outros já se vêem em pedaços que não se juntam e se perguntam "até quando?". Outros, simplesmente negam tal possibilidade de desmanche existencial.

Mas a fragmentação é ubíqua. Onipresente e onipotente. Só não é onisciente pois a informação é superficial, incompleta e desconexa. "La pièce de résistance" é negar o contraditório. Só queremos ouvir o que nos conforta em nossas angústias. O trabalho é temporário por tempo indeterminado. O amor é fluido como as águas do rio que rumam a outros leitos. Tudo o que era sólido derreteu sob o calor das tecnologias disruptivas. Onde foram parar nossas certezas? Não sabemos mais e não temos tempo para lidar com nossos filhos. Educá-los foi transferido para a exclusividade de escolas e professores presos aos métodos do século XIX porque não dão conta de entender seus papéis no século XXI. Os eventos passam como ventos em nossas vidas, rápidos, fortes e caóticos, enquanto nossa capacidade de adaptação/adequação/assimilação é desesperadoramente lenta. Nossas escolhas são fluídas, frágeis, pois nem mesmo temos tempo e discernimento para enxergar e avaliar as opções?

A verdade não tem qualquer relevância. Vale a versão midiática. A que atende aos interesses super-imediatos. O fato é ignorado, apenas a interpretação oficial deve ser considerada. E vale enquanto um novo fato, um novo interesse sem mesmo ter conexão com o anterior, não há continuidade, apenas sobreposição. A enxurrada de tuítes, zaps, posts, curtidas e notícias do último minuto, anexadas a charges, fotos ou vídeos, se fundem numa massa grotesca, confusa e disforme, transferida para a lixeira no tempo de uma viagem de metrô, de uma espera na ante-sala do dentista, porque o espaço de armazenamento se esgotou.

Estamos em pedaços. Não somos mais inteiros. Como maridos, devemos ser mães. Como mães, devemos ser provedoras. Como profissionais nos dizem que temos que ser multifuncionais. Esqueça a competência. A autoridade do conhecimento não é mais necessária pois o Google é nosso Papai-Sabe-Tudo deste nosso século. Tudo o que querem de nossos jovens é a energia de fazer que neles parece infinita. O trabalho é pontual. Somos parte de uma pequena parte. O resultado final quase nunca nos é dado saber. Pois não importa a qualidade do resultado. $$ó o re$ultado.   


A privacidade protegida nas constituições das nações mundo afora, é um conceito perdido em discursos vazios. Somos bisbilhotados em nossos comportamentos cotidianos mais comezinhos. A nuvem agora armazena tudo sobre mim. Tem as fotos que tirei com meu celular; tem imagens minhas captadas e gravadas por câmeras espalhadas por ruas, salas de espera, halls de bancos; tem toda a história de meus relacionamentos contada pelas milhares e milhares de mensagens trocadas pelos tantos aplicativos que tenho instalado; tem o rastreamento de todos os links que visitei em todas as minhas navegações, desde simples consultas na wikipédia até meus sites pornográficos preferidos, passando, obviamente, por todos os meus desejos de consumo satisfeitos ou apenas manifestos. Não existo mais como ser-humano. Meu ser, eu como indivíduo, sou construído a partir de uma pergunta (query) construída com parâmetros para atender um objetivo específico, aplicada sobre um banco de dados ao qual não tenho acesso e muito menos controle sobre o conteúdo. Neste contexto, deixei de ser uno, me tornaram um infinito de seres virtuais.

Nossa fragmentação nos deixou com um vazio. Nosso sentimento de pertencimento, a cola de nossa solidez perdida, estragou, perdeu a validade e a eficácia. Já vivemos o vazio pós sermos empurrados no precipício do mundo globalizado. Estranhamos o outro, nos defendemos do outro, agredimos o outro, porque  não temos nada que nos sobreponha como valor comum. Estamos tão fragmentados que não nos reconhecemos mais nem mesmo em nossos núcleos familiares. A intolerância se instalou nas casas onde cada um é solitário com seu computador ou smartphone pessoal. Nossa comunicação deixou até mesmo de ser restrita a 140 caracteres. Agora ela se resume a 👍,👎,😉 ou 😖.

Não nos vemos mais como uma só humanidade. Só a minha humanidade é real. A minha opinião é a única e universal verdade. Só a minha existência importa. A solidariedade deixa de ser uma atitude moral para virar um conceito utópico, distante, inalcançável, irreal. Desnecessário. A moral deixa de ser um impositivo para o sentimento de felicidade e para a qualidade das relações humanas.

Se toda tendência provoca uma tendência contrária, quanto ainda falta para que esta ganhe tal vulto que nos confronte e nos induza a refletir, questionar, reavaliar e optar? O que haverá num futuro momento de equilíbrio de tendências contrárias?  Abandonamos a era da modernidade sólida substituindo-a por uma pós-modernidade líquida que nos receita Rivotril ou Lexotan seguido de sessões em um divã no consultório do psiquiatra (não mais que Viagras para levantar o ânimo e provocar um gozo em nossa existência, agora, virtualmente vã). 

Se vamos reagir a esse destino, que destino teremos por opção? Um futuro de sólidas convicções flexíveis?





quarta-feira, julho 12, 2017

BAUMAN, BORDONI E AS ORIGENS DA CRISE BRASILEIRA

Carlo Bordoni e Zygmunt Bauman (1925-2017)
Quem recentemente passou por aqui, sabe que estou em uma fase de ler o que Zygmunt Bauman nos deixou de herança (quem chegou só agora, veja postagens anteriores). Hoje acabei de ler "Estado de Crise" (2014/2016), um trabalho dele com seu amigo Carlo Bordoni, sociólogo e jornalista italiano, em forma de diálogo.

A seleção que fiz teve um só foco: frases, análises, avaliações que nos remetem à comparação/reflexão com o momento Brasil. E, em especial, a acontecimentos ocorridos e a ocorrer neste julho de 2017.

No livro, uma referência ao Brasil é feita apenas ao final do livro quando listado junto a outros países em que ocorreram movimentos de massa nas ruas.

Como sempre, entre colchetes "[]", interferências minhas.


CARLO BORDONI

Agora, (...) todo e qualquer prognóstico de solução [das crises] é continuamente atualizado e, em seguida, adiado para outra data. Parece que nunca vai acabar.

Nós temos de aprender a viver em crise, (...) pois a crise está aqui para ficar.

ZYGMUNT BAUMAN

Na percepção da população, o Estado foi rebaixado da posição de motor mais poderoso do bem-estar universal àquele de obstáculo mais odioso, pérfido e prejudicial.

Em sua condição presente, o Estado não dispõe dos meios e recursos para realizar as tarefas que exigem a supervisão e o controle efetivos dos mercados, para não falar de sua regulação e administração.

A presente crise difere das suas precedentes históricas à medida que é vivida numa situação de divórcio entre poder e política.

CARLO BORDONI

"O problema vem de fora, mas o problema tem de ser resolvido, para o melhor ou para o pior, no local."

A antipolítica resulta em populismo e nacionalismo, ambos perigosos e sujeitos aos mais devastadores desvios. Com frequência ela se mostra o prelúdio de regimes tirânicos e autoritários, como demonstra a história recente.

Como certos tipos de populismo, o nacionalismo hoje não vai além do drama de uma opereta tragicômica, exagerada pela mídia para entretenimento das massas que com justeza estão muito aflitas.

ZYGMUNT BAUMAN

Os governos (...) não são convincentes nem destinados a durar; na melhor das hipóteses, espera-se/reza-se para que sobrevivam até (...) a próxima abertura do pregão da bolsa de valores.

Todos os governos democráticos estão expostos a duas pressões contraditórias:

1 - a pressão dos eleitores que sejam capazes tanto de por governos em exercício quanto de tirá-los;


2 - a pressão de forças globalizadas, livres para flutuar com pouca ou nenhuma restrição no "espaço de fluxos" extraterritorial sem política.


Os cidadãos acreditam cada vez menos que os governos sejam capazes de cumprir suas promessas.

Que força há de poder preencher o posto/papel de agente da mudança social?  (...) Há uma abundancia de tentativas de encontrar novos instrumentos de ação coletiva (...) instrumentos que tenham mais chances de satisfazer a vontade popular (...). 

De uma maneira ou de outra, a indignação aí está, e nos indicaram uma maneira de descarregá-la, ainda que temporariamente: ir para as ruas e ocupá-las. 

[Não faltarão aventureiros ansiosos por propor]: "Confiem em mim, sigam-me, e eu os salvarei da miséria em que vocês afundarão ainda mais do que hoje."

Nós sabemos do que estamos fugindo, mas não temos a menor ideia de onde vamos. (...) A história é um cemitério de esperanças não realizadas e de expectativas frustradas.

De uma maneira ou de outra, a indignação está presente, e estabeleceu-se um precedente para descarregá-la: sair às ruas e ocupá-las.

O fenômeno "povo nas ruas" mostrou até o presente a sua capacidade de afastar alguns dos mais odiados objetos da indignação das pessoas, figuras culpadas por seus sofrimentos (...) Entretanto, ele ainda tem de provar, (...) que também pode ser útil no trabalho de construção que vem em seguida. (...) os lideres de países democráticos e as instituições que eles criaram para guardar a perpétua "reprodução do mesmo" parecem até aqui não ter percebido e não se preocupam; (..).

As pessoas que ora tomam as ruas (...) sabem com certeza o que elas não gostariam que continuasse a ser feito. O que elas não sabem, contudo, é o que precisa ser feito em vez de...

Líderes políticos potenciais não pararam de nascer. São as estruturas políticas em deterioração, decadentes e impotentes que os impedem de amadurecer

Por que se dar ao trabalho de quebrar a cabeça tentando responder à pergunta: "O que fazer?" se não há resposta para a pergunta "Quem irá fazê-lo?"

CARLO BORDONI

O evento mais recente, o atual, o novo, representa a face da verdade e derrota o evento anterior. 

O Estado [atual],  (...) está tão somente preocupado com sua própria estabilidade.

A democracia chegou a ser usada [como] um biombo para cobrir os piores tipos de opressão do homem pelo homem.

Há na democracia um caráter de ditadura da maioria sobre a minoria. [Não nos dias de hoje pelo que se observa nos mais importantes e recentes eventos eleitorais ocorridos no mundo. Em quase todos, se não todos, uma minoria impôs sua vontade à maioria, principalmente pelo alto nível de abstenção.]

O fato de que todos possam votar não garante, em si, uma vitória popular, nem que a forma de governo produzida por eleições seja realmente do interesse do povo.

O marxismo entendia democracia como "ditadura do proletariado", mas depois delegou a gerência do poder político a uma pequena minoria, a uma elite privilegiada.

Indiferentemente de quanto a fórmula "democracia representativa" possa ser boa, (...) é evidente que a crise da modernidade trouxe com ela a crise da democracia representativa.

A alta taxa de sindicalização nos países ocidentais é responsável por incitar a alta do preço da mão-de-obra e introduzir um conjunto de regulamentações de proteção e defesa do emprego, a ponto de forçar o capital a mudar de lugar.

ZYGMUNT BAUMAN

Alexandra de Felice, famosa comentarista do mercado de trabalho Frances, prevê que, se prosseguirem as atuais tendências, um membro regular da geração Y será obrigado a mudar de chefe e de empregador 29 vezes ao longo de sua vida de trabalho. 

CARLO BORDONI

A sociedade desmassificada atingiu um nível perfeito de igualdade: uma sociedade de indivíduos empobrecidos, gratificados pela indústria de alta tecnologia e pelo grande conforto da comunicação interpessoal, mas que são incapazes de exercer política autorregulada, porque ela foi tirada de seu controle.

O cidadão comum só pode ter responsabilidade no âmbito da política local (...).

Que necessidade há de representação no nível mais alto (considerando que o cidadão comum não entende as complexas questões econômicas de âmbito global e não tem competência para tomar decisões) quando a democracia - isto é, a real democracia, aquela que realmente interessa ao povo - é realizada plenamente nas questões do dia a dia?

Não podemos falar da existência de um cidadão global, mas apenas de um cidadão local afetado pela globalização.


Volto eu. Em resumo, estamos em um novo mundo, onde:

1 - A globalização tirou dos políticos a tarefa de definir prioridades do que fazer. Isto agora é resultado dos interesses dos mercadores produtores de bens.

2 - A facilidade de fluxo de capitais, completou o serviço tirando do Estado-nação o controle e o poder de fazer. Transferências de grandes volume de capital têm o poder de desequilibrar governos e quebrar Nações.

3 - As tecnologias de comunicação reduziram o tempo ao imediato, o que, praticamente, acabou com a reflexão sobre as coisas e o amadurecimento de opiniões/posições.

4 - Na modernidade líquida de Bauman, as certezas, a solidez das convicções, não existem mais. Agora tudo é passageiro, fluido, fugaz, passam como as águas no leito do rio.

5 - Dado o volume de informação injetada em nossos cérebros por minuto, o cidadão comum se tornou incapaz de sintetizar/entender as razões para seus infortúnios e o incapacita para o voto em uma democracia do passado (vontade da maioria) hoje dominada pela minoria que tenha mais sede de poder. 

6 - Na auto-estrada da história das Nações não há placa de retorno porque a pista é única em uma só direção. Todos os povos estão forçados a descobrir um novo sistema (veículo) capaz de  nos levar com segurança na travessia da vida tendo que lidar com as novas variáveis que aí já estão e as que nem imaginamos que virão, mas certamente virão.

A leitura completa é essencial para quem quiser entender o que está acontecendo no mundo de hoje. Se você não quiser comprar o livro, eu achei aqui todo o conteúdo de "Estado de Crise".



Descubra, por exemplo, que:

"A gestão partidária não pode ser feita por candidato ou por ocupante de cargo eletivo."


terça-feira, maio 09, 2017

A PROPÓSITO DE MORALIDADE (2)

Terminei a leitura de "Ética Pós-Moderna" de Zygmunt Bauman (veja postagem anterior). Como prometido, abaixo mais algumas passagens úteis às reflexões sobre o momento atual do Brasil, do mundo, da vida.

Como sempre, o que está em itálico é do original. Em negrito e entre colchetes, acréscimos meus.

"
Ter um propósito divide as ações entre ações úteis e ações inúteis. O propósito fornece a medida e o critério de escolha.

Ajudar-se mutuamente pode requerer sacrifício, e fazer sacrifício é assunto de moralidade.  (...) O que importa é que dei minha contribuição para a continuação daquele grupo por cujo sucesso se medem o bem e o certo.

Serão as ações sugeridas pelo cálculo de sobrevivência necessariamente morais? E será que a ação não é moral precisamente pelo fato de não ter nenhum valor de sobrevivência?

Não somos morais graças à sociedade (somos apenas éticos ou obedientes à lei graças a ela); vivemos em sociedade, somos sociedade, graças a sermos morais.

Jeremy Bentham acreditava que os seres humanos têm deficiência de altruísmo e por isso precisam da ameaça de coerção para encorajá-los a buscar os interesses da maioria antes que os próprios. 

Como advertiu C. H. Waddington por volta de 1950, "as guerras, torturas, migrações forçadas e outras brutalidades calculadas que constituem muito da história recente foram na maior parte efetuadas por homens que acreditavam sinceramente que suas ações eram justificadas, e, na verdade, exigidas pela aplicação de certos princípios básicos em que acreditavam..."

A proximidade é o campo da intimidade e moralidade; a distância é o campo da estranheza e da Lei.

A curiosidade é a esperança de conhecimento - e, esvanecida a esperança, a curiosidade abre vias à indiferença. Um mistério demasiado hermético que rejeita quaisquer lisonjas e molestações para se permitir abrir, perde seu poder de sedução. Mas também o perde um mistério demais ansioso por se escancarar, de deixar de ser mistério, de exaurir-se em rotina sem surpresa alguma.

FrancescoAlberoni e Salvatore Veca sobre o altruísmo moral: "Se falta a espontaneidade do sentimento do amor, a moralidade seria não obstante possível graças à existência do dever. O dever preenche o vazio deixado pelo amor. (...) A moralidade força-nos a agir como se estivéssemos no amor. O dever "parece" com o amor." 

Como Paul Ricouer sugere: "A lei é um pedagogo que ajuda o penitente a constatar que é pecador".

A multidão é quebradiça e de pouca duração: seus gloriosos momentos são momentos fugazes. Suspendeu-se a estrutura, mas não se desmantelou. A multidão é uma licença de ausência da estrutura, mas em nenhum lugar não há senão estrutura para voltar depois de terminar a licença.

Na multidão, somos todos iguais. Andamos juntos, dançamos juntos, nos acotovelamos juntos, ardemos juntos, matamos juntos - "sendo a única coisa importante que todos possam se banhar  no ambiente emotivo".

Michel Maffesoli: "A sucessão de presentes" (sem nenhum futuro) é a melhor caracterização da atmosfera do momento.

Quanto mais "estranho" for o estranho, tanto menos confiança tenho de, por minha decisão, atribuir-lhe um tipo. (...) O estranho porta uma ameaça de classificação errônea, mas ele é uma ameaça à classificação como tal, à ordem do universo, ao valor de orientação do espaço social - ao meu mundo de vida como tal.

Para viver com estranhos, é preciso dominar a arte do mau-encontro. A aplicação dessa arte é necessária se os estranhos, meramente por seu número senão por qualquer outra razão, não se podem domesticar para se tornarem próximos.

Com toda probabilidade continuaremos a praticar atos tanto irracionais como imorais - assim como atos que são irracionais sendo morais, e atos que são racionais e todavia imorais. 

poder de minha fantasia é o único limite que tem a realidade que eu imagino, é o único de que se precisa. A vida é um monte de episódios dos quais nenhum é definido, inequívoco, irreversível; a vida é como um jogo.

Robert Dreyfus: "Você quer legislar qualidade de vida e você se vê perante esse estranho problema de que os aspectos receptivos e espontâneos da qualidade de vida se perderiam se você legislasse sobre ela."

O dilema tecnológico (...) refere-se à ideia (...) de que se você se deparar com uma dificuldade tecnológica, sempre poderá esperar resolvê-la inventando outro dispositivo tecnológico.

Só a tecnologia pode "melhorar" a tecnologia, curando doenças de ontem com drogas maravilhosas de hoje, antes que seus próprios efeitos colaterais se interponham amanhã e exijam drogas novas e melhoradas.

[A explicação para os avanços tecnológicos é simples] Foi feito porque podia ser feito. E isso é tudo.

O dilema tecnológico é, em penúltima análise, a declaração de independência dos meios dos fins; em última análise, o anúncio da soberania dos meios sobre os fins. "Tens carro, podes viajar". A destinação não é nada, é o ter carro que importa. É estar em posição para tratar todos os lugares como destinos que conta - e a única coisa que conta.

Se alguma coisa pode ser feita, não existe nenhuma autoridade na terra ou no céu que tenha o direito de proibir seu acontecimento (a não ser que a autoridade disponha de capacidade ainda maior de fazer as coisas acontecerem a seu arbítrio).

Para manter bem lubrificadas as rodas do mercado consumidor, é preciso constante suprimento de novos perigos bem propalados. E os perigos, de que se precisa, devem ter capacidade de se traduzir em demanda do consumidor: esses perigos são "feitos na medida" para o combate privatizado de riscos. 

A declaração de guerra contra o colesterol manda os produtores de laticínios às ruas em defesa dos mercados do leite e da manteiga.

Preocupamo-nos profundamente com o que chamamos de explosão demográfica, mas todos nós - naturalmente -, aplaudimos como progresso os avanços feitos para prolongar vidas individuais - e, obviamente, cada um de nós deseja participar pessoalmente de suas façanhas.

(...) o que se precisa para as pessoas se juntarem na luta é só o conhecimento dos riscos e, particularmente, da universalidade dos perigos que implicam.

A moralidade superior é sempre a moralidade do superior.

A globalização da economia e da informação e a fragmentação da soberania política não são tendências opostas e em consequência mutuamente conflitivas e incompatíveis; são antes fatores coevos no contínuo rearranjo de vários aspectos de integração sistemática.

A pós-modernidade tem duas faces (...): De um lado a fúria sectária da auto-afirmação neotribal, o ressurgimento da violência como o principal instrumento de construção da ordem, a busca febril das verdades caseiras de que se espera preencher o vazio da ágora desertada. De outro lado, a recusa dos retores [retóricos] de ontem da ágora a julgar, discriminar, escolher entre escolhas: toda escolha vale, contanto que seja escolha, e toda ordem é boa, contanto que seja uma das muitas e não exclua outras ordens.

A tolerância dos retores nutre-se da intolerância das tribos. A intolerância das tribos haure [extrai] confiança da tolerância dos retores.

[Sobre o Estado do Bem-estar]: o que costumava ser uma segurança coletiva contra desastres individuais converteu-se numa nação dividida entre os pagadores de seguro e os recebedores do beneficio. (...) o desmantelamento do Estado de Bem-estar desenvolve interesses econômicos como meio de libertar o calculo político de constrições morais. A responsabilidade moral é uma vez mais algo "pelo qual é preciso pagar" e, consequentemente, que alguém pode bem ser "incapaz de aguentar pagar".

As pessoas investidas de confiança pública precisam ser confiáveis e provar que o são.

A política não é mais o que os políticos fazem; pode-se aventurar a dizer que a política que verdadeiramente importa é feita em lugares muito distantes dos escritórios dos políticos. 
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domingo, novembro 13, 2016

COMENTÁRIOS DA SEMANA - 13 A 19/11/16


17 - CÂMARA E SENADO

Estão arquitetando uma anistia geral para os mal-feitos em caixa dois e propinas. Está na hora de irmos para as ruas dar o recado de que, se tentarem, o risco é grande de o caldo entornar.


SEM PERDÃO PARA OS CORRUPTOS. 

E FORO PRIVILEGIADO APENAS PARA ATOS DO EXERCÍCIO DO MANDATO.


15 - DILMA, FARC, BREXIT, TRUMP

Na ressaca pós vitória de Trump, me fixo em dois fatos que se conectam nos 4 eventos citados no título: a afirmação, pela mídia, de que os institutos de pesquisas erraram e a margem de vitória.

Quanto às pesquisas, sinto muito, mas não erraram. A margem de erro é que pendeu para o "lado errado" ou lado não desejado pela mídia e especialistas de todas as vertentes.

Quanto à margem de vitória, apertada em todos os casos, esta sim me incomoda. Nos 4 casos, uma minoria de cidadãos foi responsável por uma decisão de grave importância para o futuro de curto e médio prazos de suas nações, o que, em última instância, significa afetar seus próprios destinos individuais. Se levarmos em conta os altos índices de abstenção, temos um fato que incomoda bastante a democracia (em tese, o regime da maioria): a responsabilidade da decisão foi da minoria!!!

O que pode estar por trás dessas rupturas? Lembrando que Dilma foi eleita e deposta (uma ruptura com as ideias petistas). Esta democracia conduzida pela visão de curtíssimo prazo do homem-eleitor comum tende a nos levar para onde?

A inovação tecnológica e a rapidez em que estas nos são impostas está aumentando o fosso entre as populações das metrópoles e as demais?  Em que medida a globalização está sendo questionada e ameaçada? A perda dos empregos, em alguns países, a queda dos salários dos não-formados em outros, justificam esta tendência ao protecionismo e, consequentemente, ao agravamento de manifestações nacionalistas e xenófobas? O desenvolvimentismo, visto até aqui pelos economistas como única saída para a humanidade, se sustenta?

De volta às cavernas, ou à barbárie da sobrevivência do mais forte, ou há uma alternativa ainda não formulada?


Resultados do voto popular:

BRASIL: ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE (out/2014) - 51,64% x 48,46% (Aécio) - Diferença: 3,5 milhões de votos - Abstenção: 19%


GRÃ BRETANHA: BREXIT (jun/2016) - 51,9% (sim para saída da UE) x 48,1% (permanência) - Diferença: 1,8 milhão de votos - Abstenção: 28%

COLÔMBIA: FARC (out/2016) - 50,2% (não ao acordo) x 49,8% (sim) - Diferença: 60 mil votos - Abstenção: 62,6%

ESTADOS UNIDOS: ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE (nov/2016) (*) - 47,2% (Trump) x 47,9% (Hillary) - Diferença: 900 mil votos - Abstenção: Não encontrei dado correto, mas historicamente é perto de 50%

(*) Fonte: CNN - A vitória de Trump se deu no colégio eleitoral com 306 delegados a seu favor.

13 - RADICAIS

O problema dos radicais é que eles estão, por definição, sempre errados. Radicalismos só têm utilidade como tentativa de ruptura, de colapso, de morte do conhecido e nascimento do incógnito. O radical não tem proposta de solução. Seu horizonte de percepção não existe porque sua cegueira é congênita.

Isto me vem quando ouço sobre invasões de escolas (incentivadas, alimentadas e coordenadas por psicopatas desalojados de posições nas instâncias de poder estatal) a pretexto dos alunos serem contra a proposta - superficial, diga-se - de flexibilização do ensino médio.

Todos os alunos de uma escolha são contra? E só de algumas escolas que o grupelho, no caso, de esquerdistas, conseguiu se infiltrar? Quer dizer que os alunos, pretensamente contra, preferem ser obrigados a adquirir conhecimentos que jamais irão fazer uso, ao invés de terem a liberdade de investir mais no que suas genéticas e escolhas desejam? Eles são contra a flexibilização no exato momento em que as formas de transmissão do saber estão sendo avassaladoramente questionadas pelas novas tecnologias de acesso à informação? Ou apenas estão tão famintos de debate de ideias e de alimento que estão aceitando receber sanduíche de mortadela como recompensa pela servidão a que se sujeitam de serem massa de manobra para quem não quer ver vingar ideias alheias?


segunda-feira, maio 18, 2015

CRIANÇAS, EU LI!


Li, O CAPITAL NO SÉCULO XXI, de ThomasPiketty. Seiscentas páginas. Leitura para treinados.

Antes de me decidir pela leitura, assisti a uma entrevista do autor, a outras com críticas diversas, e na imprensa escrita li alguém atribuindo à obra um rótulo de "ideias comunistas". Nada mais hipócrita, ou melhor, nada mais... Vou deixar o complemento para você mesmo fazer, como conclusão óbvia.

O título, obviamente, faz uma ligação direta com a obra de Marx, mas não vai além. É só marketing. Por outro lado, que título dar a um trabalho sobre o capital... no século XXI?

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

CHAMADA PARA RECALL

Aparelhos de raios-X de aeroportos conseguem identificar tanto canivetes quanto papel moeda. Poucas semanas atrás, Guinga, músico e compositor brasileiro, de passagem pelo aeroporto de Barajas, em Madri, teve seu casaco (no bolso passagem e dinheiro) "sugado" pela esteira do equipamento e, ao reclamar, foi "sugado" pela policia espanhola para uma sala de onde saiu com 2 dentes quebrados. Depois de 3 horas perambulando pelo terminal, encontrou o sumido numa lixeira, com os bilhetes, mas sem os euros. Eu mesmo, em 2006, no mesmo aeroporto, tive uma pequena mala "extraviada". Um mês depois a recebi de volta, violada e sem o dinheiro que lá estava.