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quinta-feira, junho 15, 2023

NÃO É POR VOCÊ, MANÉ, É PELO PHODER!

 

Há em cada Estado uma margem de obediência que se ganha apenas

através do uso da força ou através da ameaça do uso da força.”

 Bertran de Jouvenel,  filósofo, politólogo, economista e diplomata francês

 

A história da sociedade humana é a história da relação entre os que buscaram o poder e os que a eles se submeteram por proteção à vida. A evolução desde nossos ancestrais primatas até o homo sapiens moderno pelas graças do mecanismo da seleção natural, resultou em uma espécie frágil e dependente de proteção. Humanos levam mais de 12 meses para se firmaram sobre duas pernas e levam vários anos para serem capazes de se autossustentarem.

Sou crítico dos que agitam a bandeira da liberdade como o maior valor do ser humano. Não, não é. Liberdade é um valor necessário para relações sadias e produtivas entre os membros das “tribos” e entre as tribos. O maior valor para um ser, particularmente o humano, mas não só, é o da preservação da vida. A quase totalidade dos humanos [1]  abre mão de sua liberdade num piscar de olhos se tal renúncia garantir, ou pelo menos, prometer lhe preservar a vida. A maioria de nós, certa e rapidamente, abrirá mão da liberdade – qualquer que seja ela – para manter a vida, seja a própria, seja a de alguém que ama, seja até mesmo a título de uma suposta defesa de uma pátria que só existe no papel e na imaginação.

Com o advento do trabalho e das interrelações a ele inerentes, a prioridade quanto a “preservar a vida” passou a abranger, para cada indivíduo, a manutenção das circunstâncias que lhe são benéficas, de eventuais privilégios, enfim, de seu “status quo”. É esta premissa de preservação da vida que justifica uma pessoa não se arriscar a se demitir de um emprego que lhe faz mal física ou mentalmente; de funcionários públicos se rebelarem quando da ameaça de perda de “direitos adquiridos”; é a razão de profissionais, especialmente jornalistas, adequarem suas opiniões públicas – e mesmo privadas -, à opinião de seu empregador; e, sob o mesmo mote, políticos que, depois de eleitos, abandonam suas “convicções” e seus eleitores em prol de um padrão de vida que jamais terão em outra condição.

Antes de continuar preciso explicar a diferença de significado entre “poder” e “phoder”, grafia que venho também usando há algum tempo. O Poder, como entidade, é legítimo e absolutamente necessário em todas as atividades da vida em sociedade. Poder, em sua essência, é a capacidade de fazer, de liderar, de comandar, de ensinar. Um cirurgião tem a capacidade de realizar uma intervenção de cura; um administrador tem a de liderar diferentes profissionais para o atingimento de metas; o general a de comandar um exército em uma batalha em obediência a uma estratégia de defesa previamente definida; e pais e professores têm, em conjunto, a nobilíssima tarefa de formar crianças para uma vida adulta sadia. Quando uso, portanto, poder, estou me referindo a uma instituição necessária à continuidade do funcionamento da humanidade como é hoje. Entretanto, o poder, em todas as circunstâncias, não só nas acima citadas, é exercido por diferentes humanos, providos de diferentes genéticas que regulam suas ações e reações, seus desejos e instintos, seus corpos e suas mentes. A psicopatia, um distúrbio da mente que se define pela insensibilidade e falta total de empatia com o outro, todos os outros, permite a um cirurgião ser um assassino frio, um administrador ser um corruptor em busca de objetivos escusos; um general sacrificar milhares – até milhões – de jovens por puro desejo de conquista de território; pais a impingirem castigos cruéis, e professores a substituírem formação de jovens para a vida por lavagem cerebral a partir de seus desejos de imposição de uma verdade ideológica. É sempre a este exercício doentio, patológico, que denomino de “phoder”, pois sua única intenção é realizar o que preciso for exclusivamente em benefício próprio, independente de quanto prejuízo e sofrimento provoque em outros.

Afirmei que a história da humanidade pode ser contada pela história do poder, mas, muito mais pelo “phoder” do que pelo poder. Na realidade, a história da humanidade foi conduzida sob uma relação sadomasoquista. No lado “sado” uma minoria tirânica disposta a tudo para se manter no topo da pirâmide. No lado “maso” um rebanho de crentes e medrosos, ambos submissos em função da preservação de suas vidas.

Todo este blá-blá-blá até aqui é só para tentar mostrar aos inocentes úteis que não é direita ou esquerda, não é democracia ou ditadura, não é exército ou salvador da pátria, não é pobre ou rico, não é Estado ou mercado. É só “phoder”, mané!

Ok, quem sou eu para fazer tal afirmação!?

Pois bem. Leia o livro “Democracia, o Deus que falhou”, de Hans-Hermann Hope. Não tem paciência, tem preguiça, não tem dinheiro? Ok. Então acesse o extrato  que fiz  [2] . De qualquer forma, mesmo que você não venha a concordar comigo, sua visão de como a banda toca o mundo, vai, no mínimo, mudar muito (depois me conta!).

Aceitando ou não essa minha indicação de leitura, você precisa assistir o documentário “O Grande Despertar”, de Mikki Willis  [3] . Por si só é arrasador e desmantelador das narrativas políticas atuais, mas combinado com “o Deus que falhou”, vai detonar sua visão idealista do mundo, esteja você identificado com ideias à direita ou à esquerda.

Espero ter oferecido algo para seu crescimento intelectual. Para quando você ouvir a expressão “para o bem da sociedade”, e outras similares, você saia correndo.

Vou chegando ao final citando duas falas do documentário:

“A verdadeira mudança lá fora, começa com a verdadeira mudança interior”.

Esta outra se refere aos americanos, mas cabe a nós: “Hoje, somos verdadeiramente um povo privilegiado, numa terra privilegiada. Mas com as bênçãos vêm as responsabilidades, e com as responsabilidades vêm os riscos. O desafio do nosso tempo é que devemos aceitar ambas as atribuições, das nossas bênçãos e os riscos envolvidos em defendê-las, por nós mesmos e pelas gerações futuras, e devemos fazê-lo sem hesitação se quisermos ser beneficiários dignos daquela preciosa herança de liberdade que nos foi transmitida através dos sacrifícios épicos daqueles que partiram antes.”

Encerro com George Orwell, o mais referenciado futurólogo e premonitório:

“A forma mais eficaz para destruir as pessoas, é negar e obliterar a sua própria compreensão da sua história.”

 

1  – Há, evidentemente, uma certa cota de heróis, aqueles que se arriscam a perder a vida em benefício de outro ou de uma causa, mas estes são uma parcela muito pequena.

2 – A leitura do extrato não substitui a leitura integral da obra. Quaisquer conclusões e inferências feitas pelo leitor é de sua exclusiva e inteira responsabilidade. 

3 – Acesse o filme neste link (duração de 1h41m): https://rumble.com/v2sw69g-filme-the-great-awakening-2023.html


Esta crônica de Ernesto Lacombe é uma cereja para este bolo de "phoder".






quinta-feira, outubro 28, 2021

MEUS QUERERES NESTE FINAL DE 2021


 “É fácil compreender o que se passa... depois que se passou”

Olavo de Carvalho

É com a intenção de ajudar a entender o que se passa antes que seja tarde que, neste texto, apresento minhas angústias, faço alertas e clamo por ajuda. 

Começo expressando o desejo desta mensagem chegar a pelo menos um ou dois dos valentes guerreiros que se expõe nas plataformas digitais, jornalistas ou não [1], fazendo oposição/reação ao processo de causar um black-out intelectual nas mentes dos cidadãos brasileiros, independente em que parte do espectro político-filosófico se coloquem. E é por esta abrangência das consequências que começo.

Jovem (ou idoso) socinista! Alerta! Hoje és flecha, no amanhã serás alvo! O critério para restringir seus direitos, suas liberdades de ação e expressão, não é a sua opinião, sua visão de mundo, sua cultura, seus valores, suas crenças, é tão somente a que classe de humanos o “mecanismo”[2] enquadre você: se na classe da minoria dos dominadores, detentores do poder pelas armas e “canais” opressores; se na classe dos inocentes úteis, lesados ideológicos, hoje bucha de canhão, mas que amanhã serão descartados por falta de uso; ou se na classe dos manobrados, manipulados,  desarmados, submissos, escravos voluntários ou involuntários a serviço de subsidiar os privilégios da primeira classe citada (lagostas, vinhos premiados etc.), benesses (auxílios justificados e injustificados etc.) e direitos auto-atribuídos (férias de 2 meses, jatinhos da FAB etc.) pelos primeiros. Neste final de outubro/21, paralelamente à ação canceladora das plataformas digitais contra o fato de Bolsonaro ter lido uma reportagem da revista “Infame”[3], alguns vitimistas já estão sendo atingidos[4].



Não estou preocupado com eles, nem comigo, pois me vou antes que possa saber em que vai dar isso tudo. Já disse: minha preocupação é com nossos netos, pois a evoluirmos neste processo insano de aumento gradativo de um regime tirânico, serão eles os escravizados (ou escravizadores), mas, de qualquer forma, serão os que pagarão a conta, talvez até com a própria vida. Se me disponho a expressar meus medos e angústias, é porque não quero, com silêncio e omissão[5], contribuir para um projeto que tem como fim usurpar da raça humana a própria natureza humana. Ok, hão de perguntar, fazer o quê? 

Não aceitar o duplipensar[6] expresso na novilíngua. Coisas como ter na mesma mente chamar a “ensacadora de vento” de “Presidenta” e defender o fim da identificação de gênero com coisas como sermos “seres humanes” e “pessoa com vagina”!

Ignorar totalmente a existência de vitimistas neuróticos como a “artista” da “performance” neste vídeo (pode ir direto ao minuto 2:18). Não vomite. 

E a mais importante é não cair na armadilha de perder neurônios elaborando uma indignação mental para se convencer de que você não é maluco. Não é, mas estão querendo que você acredite que é. E é aqui que chego a meu ponto principal, à minha crítica bem intencionada. 

Estamos em uma guerra (já falei disto antes, falo de novo porque é preciso). Não se diz ao inimigo que o raciocínio dele não está correto, ou que as razões que ele tem para te matar não são válidas, ou são mentirosas, ou são “fake news”. Se você quer sair vivo, entricheire-se antes de qualquer coisa, pegue sua melhor arma, faça uma boa pontaria e atire, diabos! Ou simplesmente proteja-se, fuja. Qualquer outra atitude será inócua, ou o levará a se render, ou será seu fim. 

No primeiro dia da TV JP News, um jornalista ao comentar sobre a “Fake News” Covid/HIV, termina com a seguinte afirmação: “É preciso criar um meio de coibir isso”! Criar quem? Coibir o que, cara pálida? Coibir alguém de ler uma reportagem? Coibir a revista de reproduzir uma notícia que é quase certo foi obtida e divulgada por uma big agência de notícias internacional? Coibir “alguém” de falar, escrever, divulgar uma pretensa “mentira”? Ou mesmo uma evidente, flagrante mentira? Ou coibir tudo que é “inconveniente” ao “mecanismo”. Diga lá, meu caro! Quando eu tive hepatite, várias pessoas (minha mãe a primeira) me aconselharam a tomar chá de boldo. E aí, ô cara de pau? Vai mandar prender mães, tias, avós, vizinhas que recomendam chás de toda ordem para toda ordem de males? E o padre que recomenda ave-marias e padre-nossos para nos livrar/perdoar de todos os pecados? É “Fake News”? Questionar tais manifestações de quem quer que seja é obrigação de um imprensa em busca de desmonte de narrativas com propósito definido. Há que trazer para a frente das câmeras de programas como “Direto ao Ponto”, “4por4”, “Opinião no Ar” e até mesmo convidados para aa live semanal do Presidente, personagens como Renan, Randolfe, Pacheco, Barroso, Moraes, Salomão, esquerdoartistas, Felipe Santa Cruz, Luiza Trajano, Maria Alice Setúbal, Hélio Schwartsman (e companheiros de mesma má índole), e todos os que se escondem no desejo de retorno a um sistema oligárquico de a$$alto ao país, de modo a  terem seus posicionamentos confrontados frente às câmeras. Mais do que isso, serem confrontados com o futuro previsível do avanço de uma tirania cultural imposta de cima para baixo a partir de políticas como ideologia de gênero, socinismo, passaporte de vacina, censura direcionada, governo mundial, nova ordem mundial e outras sandices. Não há porque temer tal confronto. Se temermos, então não estamos suficientemente conscientes de nossos valores. E não adianta bater em "saco vazio" como faz, por exemplo, Constantino com Amanda, pois ela é apenas uma pobre coitada que acredita em "democracia socinista" e em desejos honestos de políticos corruptos ou ansiosos por uma oportunidade.

Mas não é isto que nossos estóicos guerreiros estão fazendo. Boa parte dos que indico na primeira nota de rodapé, por decisão própria ou por injunção das regras de seus contratos de trabalho, nem podem fazer o que reivindico.  Mas que pelo menos, quando intimados a analisar uma “atuação” típica dos “perdedores de 2018”, não percam tempo precioso da tolerância de suas audiências falando para a bolha, nos explicando a falta de lógica e as razões “aparentes” que justificam o que apoiam ou o que fazem, até mesmo com total desprezo pela Constituição. Isto é atitude de avestruz. É ignorar a guerra. É não me ajudar a entender o que está por trás.

Quero saber as razões que sustentaram a birra de Barroso em relação ao voto impresso, auditável, que visa trazer mais um mecanismo de segurança para garantia de processo eleitoral honesto. Quero saber as razões de Alexandre de Moraes para ir contra si mesmo, pois está em todas as plataformas o vídeo de seu discurso onde diz: “quem não quer ser criticado, quem não quer ser ridicularizado, fique em casa” (assista o vídeo) tendo sido acompanhado em seu voto por todos os demais 10 ministros  de então. Que poderosas forças ocultas fazem este jurista, ministro da suprema Corte do País, passar a perseguir e prender quem diz o que ele não gosta de ouvir?[7] Quero saber quem exigiu que Fachin soltasse "o maior ladrão do país" em mar/21 com uso de uma “firula” jurídica - e se os argumento$$$ foram fortes ou se bastou o ministro ser militante do PTdoG - e enviasse os processos e provas para as catacumbas do judiciário do Distrito Federal para serem reanalisados (sic), reanálise esta que não aconteceu até hoje (out/21) e que, não acontecendo a confirmação da condenação até janeiro/22, do “homem mais honesto do Brasil” estará inocentado de ter comandado, por mais de uma década, um assalto na “mão grande” aos impostos pagos e oriundos do trabalho e inocência de mais de 200 milhões de brasileiros. Quero saber o que faz Renan e seus parceiros desejarem tanto retirar Bolsonaro da disputa em 2022? Que tanto eles perderam de propinas em obras públicas? O que sustenta as inações institucionais da OAB frente aos abusos da justiça que, iniciados pelo STF, já começam a ser copiados por instâncias inferiores (vide TSE)? Quero ver exposta a hipocrisia de artistas consagrados que foram agraciados com recursos da lei Rouanet tomando o lugar de jovens valores que seriam, em princípio, os destinatários dos recursos. Quero saber com o que eles se comprometeram para assumir tal cinismo (ouvi dizer que um certo ator ex-global deixou escapar que só investia em imóveis em... Paris). Quero saber o que move Dória na insistência de uma vacina pra lá de Xing-ling feita pelo país de onde surgiu o coronavírus (de onde provirá o financiamento de sua próxima campanha seja lá para que cargo for?). Quero saber com o que está relacionada a exigência de uma vacinação que não imuniza nem impede o contágio, como já observado. Quero saber como Renan e Aziz, possuidores de má ficha corrida, foram colocados no comando de uma CPI com o único propósito de tirar o Presidente do cargo. Que acordos foram feitos para os governadores terem sido blindados de investigação pela CPI, mesmo com casos suspeitos de corrupção apontados pela própria imprensa? 

Estes são alguns poucos dos meus quereres que, creio, sejam NOSSOS quereres. Eles são muitos e as respostas que encontramos não nos satisfazem, porque nós já sabemos que eles nos acusam do que são; sabemos que nos acusam de fazer o que fazem; sabemos que querem implantar um Estado opressor, desconstruir a família, e a integridade psicológica de nossas crianças (é de pequeno que se torce o pepino); sabemos que querem inserir o país em uma “nova ordem mundial”; que querem aumentar o poder de censura, mas só das manifestações de opinião contrárias às suas “verdades”; que querem tomar o lugar um presidente eleito em um pleito que não conseguiram fraudar; sabemos que são contra todo e qualquer ato ou intenção de um governo que não o deles; enfim, longe do phoder, sabemos o que conseguimos enxergar, o que nos é dado o direito de ver, mas e as intenções e objetivos que o “mecanismo” esconde?

Eu e todos os brasileiros distantes do phoder, mas alvos primários deste mesmo phoder, precisamos de fontes – informantes, na novilíngua – que, na possibilidade de enxergarem além do que podemos enxergar – exponham as reais intenções do que dizem e fazem em público esses “perdedores de 2018”. 


Acho que já disse o que precisava. Encerro recorrendo e me inspirando em um alerta do professor Olavo para ressaltar o erro de se argumentar logicamente, legalmente, juridicamente, moralmente, contra os ataques dos “perdedores de 2018”, pois aze-lo “é tão descabido quanto tentar deter um assaltante à força de citações do Código Penal” e/ou, acrescento eu, de com a Bíblia na mão citar os mandamentos “Não roubarás” e “Não matarás”!!!
 


Estóicos guerreiros da comunicação digital, tragam-nos a luz!

 

P.S.: Como fica evidente, estou relendo “1984”. Nos momentos de descanso da leitura me pergunto: onde eu estive vivendo por décadas que não me dei conta do que acontecia e que hoje tenho como realidade a ficção que Orwell imaginou em 1948.



[1] Talvez algum leitor tenha um meio de acesso a algum deles onde possa postar uma mensagem longa. Eles estão entre os listados aqui ao lado, abaixo do índice das postagens.

[2] “Mecanismo” é minha preferência (em substituição ao pedante “establishment”) para rotular a ação de todas as instituições do Estado e as da sociedade civil que preferem a ele se agarrar. São elas, entre outras: servidores públicos dos 3 poderes para os quais “redução do Estado” é palavrão; empresas de comunicação que perderam as gordas verbas que balizavam seus editorias; partidos e políticos que assaltavam empresas públicas; entidades “não-governamentais” que promoviam todo tipo de arruaça com verbas “governamentais”; entidades e profissionais do direito para quem quanto pior melhor; empresas e indivíduos “amigos do Rei” premiados com empréstimos super-subsidiados do BNDES; e alguns outros de pequena expressão, mas frustrados com perdas financeiras ou de privilégios causados por decisões de Bolsonaro desde seu primeiro dia de governo.

[3] Veja neste vídeo que a revista já correu para alterar a publicação, num ato que comprova a previsão feita em “1984” por George Orwell, onde o personagem Winston trabalha em um departamento de “atualização” da verdade. É o personagem Wilson que exime seu trabalho de “qualquer ato de falsificação: a referência era sempre a erros, enganos, equívocos, más interpretações que precisavam ser corrigidos, no interesse da exatidão. (...) Era apenas a substituição de uma sandice por outra.”

[4] Desde a postagem “Reflexões Mimimístas” passei a dividir os dois opostos político-filosóficos como vitimistas (ex-esquerdistas) e estóicos (ex-conservadores). E neste vídeo, entre outros fatos, veja o que postou nas redes sociais o Monark, integrante do canal Flow, um vitimista ativista de primeira.

[5] Cito novamente o personagem Winston: “Não é fazendo ouvir a nossa foz, mas permanecendo são de mente que preservamos a herança humana.”

[6] Como Orwell define: Duplipensar é “saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião  da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo.”

[7] Estará Moraes inspirado em 1984 e caminhando para implantação do método de “vaporizar” cidadãos “inconvenientes”? Escrevo isto e imediatamente me vem à lembrança o “sumiço” de Caio Coppolla. Quem sabe o que lhe aconteceu?


quarta-feira, agosto 18, 2021

INCONVENIENT NEWS

Me inspiro em Al Gore[1] para vir propor uma correção na atribuição de uma expressão usada para notícias que, publicadas nas redes sociais[2], são denominadas de “fake news” (na tradução literal “notícias falsas”).

Em primeiro lugar, o que é uma notícia falsa? Se alguém reproduz para outro uma informação (sentido amplo) qualquer e omite, intencional ou não intencionalmente, alguma parte que possa provocar alguma alteração na conclusão final que dela se tire, é algo que se possa considerar crime?

Em segundo lugar, quem é esta suprema autoridade capaz de determinar se uma informação é falsa ou não a partir unicamente de sua individual percepção[3]. Onde está a falsidade de um médico que, por exemplo, aconselha o uso do tratamento precoce de qualquer doença, indicando qualquer medicamento sobre o qual ele coloca sua confiança e esperança, fruto de seus conhecimentos e experiências empíricas?[4]

Em terceiro lugar, não vou analisar as razões dos dois pesos e duas medidas dependendo de que lado você está, independente do que você diga, ou melhor, as razões do “duplipensar” como enunciou George Orwell[5]. A razão, é simples, eu não gosto do que você diz, então eu o ataco em tudo o que você disser. Simples assim.

Em quarto lugar, e é o que mais me assusta, é o crescimento geométrico do arbítrio do STF a partir de uma postura ativa de descarte da Constituição, sem que haja qualquer instituição ou ação de indivíduo ou organização no sentido de interromper e/ou anular tais absurdos. Ok, sabemos que no andar de cima todos estão comprometidos com todos. Você finge não sentir o cheiro das minhas merdas que eu finjo não sentir o cheiro das suas. Ok, também sabemos que existem organizações de vários teores que estão raivosos por terem perdido aquilo que os sustentava, sejam privilegiados/benesses de toda a espécie e níveis de valor, quanto de recebimento de receitas/verbas gordas, impróprias, e comprometidas com uma determinada aparência pública. Não fui claro? Tente entender nas entrelinhas

Dito isto, vou aos “finalmentes”. Os socinistas encontraram na expressão “fake news” uma arma para acusar os adversários políticos de tudo o que eles consideram não lhes ser favorável. Neste sentido, a expressão que precisa ser proclamada é “Inconvenient News”.

Senhores e senhoras das redes sociais libertárias e conservadoras, por favor, passem a utilizar somente a expressão “Inconvenient News”, como proposto pelo vice citado , ou, até mais adequadamente, “Inconvenient truths”.

Para encerrar, relato essas coincidências que insistem em acontecer comigo, ou para mim. Resolvi eu nesta semana, ler um livro que carrego comigo desde que sai da casa de meu pai. Na verdade o tomo II de uma coleção publicada pela Abril Cultural em 1972, titulada ”Os Pensadores”. Nela, há a reprodução de um texto de Xenofonte, escrito há dois mil e quinhentos anos atrás, onde reproduz um diálogo entre o jovem Alcibíades e seu tutor Péricles sobre o que é uma lei. Eis:

“- Diz-me, Péricles, podes ensinar-me o que é uma lei?

- Ensina-me então, em nome dos deuses – tornou Alcibíades. – Pois ouço elogiarem certos homens por seu respeito às leis e me parece que sem saber o que seja uma lei jamais se poderia merecer tal encômio[6].

- Se é isso o que desejas saber, fácil é satisfazer-te, Alcibíades – disse Péricles. Chama-se lei toda deliberação em virtude da qual o povo reunido decreta o que se deve fazer ou não.

- E que ordena ele que se faça, o bem ou o mal?

- O bem, rapaz, por Júpiter! E nunca o mal.

- E qiando em lugar do povo, é, como numa oligarquia, uma reunião de algumas pessoas que decreta o que se deva fazer, como se chama isso?

- Tudo o que após deliberação ordena o poder que dirige um Estado se chama lei.

- Mas se um tirano que governa um Estado ordena aos cidadãos fazer tal ou qual coisa, trata-se ainda de lei?

- Sim, tudo o que ordem um tirano que detém o poder se chama lei.

- Que é então, Péricles, a violência e a ilegalidade? Não é o ato pelo qual o mais forte, em vez de persuadir o mais fraco, constrange-o a fazer o que lhe apraz?

- Essa a minha opinião – conveio Péricles.

- Portanto, toda vez que, em lugar de usar da persuasão, um tirano força os cidadãos por um decreto, será ilegalidade?

- Assim o creio. Errei, pois, dizendo sejam leis as ordens de um tirano que não emprega a persuasão.

- E quando a minoria não usa da persuasão junto à multidão, mas agusa de seu poder para forjar decretos, chamaremos a isso violência ou não?

- Tudo o que se exige de alguém sem empregar a persuasão, trate-se ou não de um decreto, parece-me antes violência que lei.”

E aí, você acha que chegaremos a um final feliz?

Como dizem os blogueiros: deixe seu comentário aqui.



[1] Al Gore, o vice-pilantra de Clinton, cheio de intere$$e$ financeiros em explorar a temática do aquecimento global, produziu um vídeo cujo título foi “Inconvenient Truth” (Verdade inconveniente).

[2] Só nas redes sociais, pois nos veículos de mídia impressa e eletrônica (majoritariamente dominados por esquerdopatas) podem publicar o que bem entenderem sem serem incomodados.

[3] Veja este parágrafo do artigo do PGR Augusto Aras publicado na “falha” de São Paulo em 17/8/21: “É preciso sobriedade e sabedoria para retomarmos, superando o luto vivido por milhões de famílias e o drama do desemprego sem abrir mão da democracia, que foi por décadas ansiada e buscada. Temos de nos apegar ao combate de problemas reais e ao cuidado para não apagar fogo com gasolina. O Brasil vive um momento onde todas as cordas estão esticadas. E cabe a nós, do Ministério Público, guiar-nos sempre contra o excesso de ativismo para evitar injustiças irreversíveis.”

[4] Mas a hipocrisia política dos que querem o poder pelo phoder, não pede comprovação “científica” e provas de duplo cego da homeopatia, ou dos medicamentos e chás caseiros.

[5] Duplipensar, para Orwell, é o ato de aceitar simultaneamente duas crenças mutuamente contraditórias como corretas

[6] Encômio: fala ou discurso em louvor de alguém; elogio.







sexta-feira, setembro 11, 2020

MUNDO NOVO, ADMIRÁVEL OU ABOMINÁVEL? - INTRODUÇÃO


Aldous Huxley

Neste 2020, recordar, reler, citar ou referenciar George Orwell (1984) ou Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), tornou-se corriqueiro, quase obrigatório, argumento de apoio para a previsão de um futuro admirável ou abominável, a depender da utopia individual mais conveniente.


George Orwell

No cerne de nossas preocupações estão duas ficções que se completam para formar a realidade atual, ou quase. Uma delas é a previsão de Huxley, feita em 1932, que imagina um futuro - ainda hoje longínquo, pois o situa por volta de 2500 -, onde a sociedade, ou mais acuradamente, um poder tirânico estabelecido, desconstroi a família e seus valores morais em proveito da exaltação da luxúria e do prazer hedonista em primeira e última instância. Orwell, em 1947, já projetando o que os avanços tecnológicos produzidos pelas demandas da guerra iriam trazer para a humanidade, de um lado aprimora a visão de Huxley adicionando a existência de um "grande irmão" que tudo vê e, por ver, julga nossos atos e intenções, e nos pune a seu único critério, e de outro lado reduz em 500 anos o momento em que o futuro se torna presente.

Huxley, provavelmente ancorado nas consequências da crise de 1929, tece sua história, na minha interpretação, a partir de um forte sentimento de receio, de apreensão, e um pessimismo sarcástico (o "admirável" nada tem de admirável) para dar um toque de alento e não assustar seus possíveis leitores (não se preocupe, vai ser só daqui a 500 anos!). Já Orwell elabora sua tese a partir de uma visão prática, baseada no raciocínio de que, se ao 1 sempre segue o 2, então, inexoravelmente, se existe uma tecnologia que pode vigiar, seremos vigiados

Ficções não precisam ter fidelidade à história, à ciência, à experiência, a fatos, a nada. Ficção é... ficção, imaginação, desejo, sonho, por mais estapafúrdia possa ser. Se Orwell errou na forma - não existe hoje um grande controlador, mas gadgets eletrônicos aos quais entregamos, prazerosa e gratuitamente, desde  nossos cliques mais inocentes até nossos mais recônditos segredos e questionáveis preferências -, e se Huxley errou na data, ambos acertaram no conteúdo: o discurso de destruição dos valores conservadores e demonização dos princípios liberais. 


Em todo o mundo ocidental os movimentos de pressão são por criar mais e mais cerceamento às nossas liberdades, tendência que sofreu um gigantesco empurrão dado pela pandemia da COVID-19, liderada pela China e através das ações da OMS, sua agente comunista infiltrada na ONU. No Brasil ainda temos a particular ação do STF com seu "inquérito das fake news", ou do "fim do mundo", e do Congresso com sua CPI das  "fake news" que ninguém tem a menor ideia de como combater pois não se combate aquilo que não se vê, ou não se define. Tornou-se, consequentemente, a CPI "do nada", para efeito de "coisa nenhuma".

Se estamos mergulhados neste lado insano da realidade digitrônica e nos aproximando da sociedade do Grande Irmão onipresente, onipotente e onisciente graças aos algoritmos rodando em imensos bancos de dados que avaliam e projetam nosso comportamento e desejos, e se isto é fato, estamos, também, sendo agraciados com uma tecnologia que facilita a nossa vida em muitos e múltiplos aspectos: avalie sua comunicação interpessoal e veja como ela mudou, como ela nos aproximou ao longo desta absurda e interminável quarentena; como ela nos empoderou no enfrentamento do domínio cultural exercido pela tradicional e grande mídia, em especial pelas mídias dos grupos Globo e Folha; considere o poder de obtenção de informação que passamos a ter antes de termos que tomar qualquer decisão; e as tantas e tantas viagens que podemos fazer pelo mundo sentados em nosso sofá acessando o conteúdo gratuito do Youtube, ou assistindo filmes, documentários  e séries da Netflix a 24,90.

Quando, por alguns reais e 99, centavos temos acesso à rede mundial, ao mesmo tempo permitimos que anônimas pessoas, físicas e jurídicas, bisbilhotem absolutamente tudo sobre o que pensamos, sentimos, escrevemos, compramos, de quem, quando, onde e por quê, sem que nos informem quando o fazem e com quais finalidades.

Desde os primórdios a estrutura do que conhecemos como "a civilização" teve como alicerce e centro os que detinham o poder, ou seja, aqueles que assumiam o custo de oprimir, amedrontar, controlar (governar e democracia são os termos mais hipocritamente palatáveis), enquanto os demais sempre  adequadamente instados à submissão, ao medo, à covardia, sem voz, sem vontades, sem desejos, optantes involuntários a darem-se por satisfeitos em estar e permanecer vivos. Isto já não é mais tão assim.


A história da civilização, portanto, é a trajetória de dois grupos de humanos antagônicos, mas interdependentes, que vem desde um primeiro estágio onde ambos desconheciam o que se passava dentro da cabeça do outro, até os nossos dias quando contínuos recursos de comunicação encurtam este distanciamento ao oferecerem, cada dia mais, e mais rápido, acesso ao conhecimento das intenções e estratégias de cada um. Parte deles foram: o cavalo, a roda, a navegação, a prensa de Gutemberg , a máquina a vapor, a mídia impressa, a eletricidade e a consequente luz elétrica, a telefonia fixa, o rádio, o motor a combustão, o gravador de áudio,  a eletrônicacomputaçãoa televisão, o vídeo tape,  a internet, a telefonia celular, e, last but not least, as redes sociais. Neste percurso, o poder foi suavemente passando de algoz a vítima. Até recentemente, enquanto aumentavam os recursos do cidadão para questionar os detentores de todos os poderes, estatais ou privados, pois eram eles que ditavam (produziam e distribuiam) o conteúdo de acordo com suas necessidades de manter o controle, o fluxo de informação que, por séculos, só corria em uma direção, ganhou uma via em sentido inverso graças a uma tecnologia que a cada nova descoberta incrementa o fluxo e a velocidade do tráfego e graças a Tim Berners Lee, criador da World Wide Web, a grande teia mundial, empoderando a população - antes passiva e subjugada - com uma ferramenta capaz de confrontar as oligarquias e por em dúvida a capacidade de o modelo atual de democracia dar conta (que, por 2 séculos, serviu de biombo, ou verniz de legalidade, para as arbitrariedades, e até mesmo atrocidades, para garantir a perpetuação delas no poder), pois até onde se percebe ele se mostra impotente e paralisado, incapaz de gerir o caos provocado por bilhões de vozes dissonantes cujo resultado é a união no radicalismo superficial na tese, onde podem concordar minimamente, e raivoso na ação, onde podem divergir, agredir e se destruírem mutuamente.

Refletir sobre o mundo de hoje e projetar um amanhã possível e que já se avizinha, é o que pretendo fazer no intuito de me entender neles e dar alguma contribuição para você fazer o mesmo.

Para complementar:

Fonte: XP Investimentos: "Hoje, para cada criança jogando futebol, basquete, baseball e futebol americano no mundo, há 6 outras jogando videogames."  


"O mimo crescente nas universidades", uma crônica de Rodrigo Constantino em . Vídeo de 1h:45. Quem tem filhos nas universidades deve assistir desde o começo, e quem tem filhos menores pode pular para 1h:00.

RESENHAS DE 1984 

Feita por Ayone Simões, em 2016:.

- Feita por Paulo H. S. Pirasol, em 2020.   

RESENHAS DE ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

- Longa, feita por Ignácio Ramonet, atualizada em 2019. 

- Mais simples, feita por Layara Baltokoski,  de 2015.