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quarta-feira, janeiro 01, 2025

ENFIM, A RESPOSTA!

 THE DAY OF TURNING POINT

 

Alvíssaras! Este primeiro dia de janeiro, para mim e depois de mais de 70 anos, ficará marcado como o primeiro dia em que começo e comemoro o Ano Novo com, finalmente, minhas esperanças no mais alto grau de expectativa!

Os últimos 7 anos, para todos nós que partilhamos e exaltamos valores humanos – família, moralidade, liberdade, integridade intelectual e respeito irrestrito à individualidade e autodeterminação -, foram pautados por indignação, revolta e incompreensão, fatores que nos levaram, consciente ou inconscientemente, a nos fazer uma só pergunta: “o que move e sustenta um homem a agir diuturnamente contra uma Nação”?[1]

A pergunta buscou resposta durante todos estes anos, mas neste final de 2024, nos Estados Unidos, precisamente no dia 27/12/24, um homem, Mike Benz, em entrevista ao podcast de Joe Rogan, trouxe a público as razões e as respostas para a angústia de todos nós.  Desde que percebi a “sina”  implacável e insana do sistema – conhecido como “o establishment”[2] –, primeiro contra a possibilidade de eleição de Bolsonaro e, depois dele eleito, a favor de derrubá-lo do poder ou pelo menos não permitir sua reeleição, só encontrei duas fontes de justificativa: 1) chantagem a partir de retaliação moral pública e/ou 2) a partir de ameaça à vida do chantageado ou de entes queridos[3]. A primeira se justificaria se alguma “entidade” acima da soberania nacional (de origem interna ou externa) com o pagamento pecuniário direto, imediato, pelo comprometimento e comprovação do agir segundo “as ordens”, ou, então, pela promessa de poder e fortuna quando do atingimento da meta fundamental. Estas duas únicas alternativas justificavam (e ainda justificam) que um homem – agindo com poder delegado - representando os interesses imediatos de um grande aglomerado de instituições e cidadãos, permanecessem (e ainda permaneçam) unidos no silêncio aprovativo do estupro de uma Nação. Refletindo sobre as ações e razões de todas as pessoas com quem convivi por estes mais de 70 anos, não fui capaz de encontrar nada além destas duas alternativas que façam alguns cidadãos se submeterem de maneira tão servil, tão publicamente humilhante, como temos assistido nestes últimos anos. Pergunte-se: o que o faria se transformar em um verme?

Neste ponto, vou me interromper. Para entender o que ainda tenho a dizer você precisa assistir pelo menos a estas duas postagens: 1) à introdução/apresentação feita pelo jornalista Fernão Lara Mesquita (o conteúdo do link que ele fornece é muito longo e só vai ser relevante se você, ao final deste artigo, quiser se aprofundar em mais detalhes); 2) depois, e mais importante, assista ao post da juíza auto exilada nos Estados Unidos, Ludmila Lins Grillo[4], ressaltando trechos que mais interessam a nós, brasileiros, da entrevista do Mike Benz.

Fernão Lara Mesquita, no canal Vespeiro: https://www.youtube.com/watch?v=XPGF8lepB4I

Ludmila Lins Grillo, no canal TV Florida: https://www.youtube.com/watch?v=wu1hzJXRhOw                                

Em fim, a resposta! Agora você, meu Leitor, já a tem. Impressionante como o que Benz diz explica tudo aquilo com que temos nos indignado dia sim, outro também. A alternativa “1” é a inimaginada, inconcebível (quanto à intensidade e abrangência) e insana resposta que coloca tudo às claras, sob a luz das informações de quem esteve "dentro" do sistema. O “capo di tutti capi”, despido de seus trapos feitos de fios de hipocrisia, tramas de mentiras e cores borradas de intenções suspeitas, está nu em todas as "ágoras" públicas, digitais ou presenciais.

Considerando que o exposto publicamente, é, realmente, uma “bomba” no seio do “sistema”, que despedaça e expõe o núcleo de um projeto de psicopatas em conluio pela busca do phoder absoluto sobre o mundo ocidental (no mínimo); considerando que o entrevistado fez parte do primeiro governo Trump, e voltará a fazer parte agora; e considerando que Trump já deu declarações sinalizando que pretende agir para o total desmonte dessa maluquice política internacional, resta-nos imaginar e esperar pelas consequências a partir da posse do presidente eleito.

E o ciclo se renova. Voltamos a ter perguntas sem respostas, ainda:

1 – Que Nações se unirão – ou já estão se unindo - em uma reação a partir da indignação das elites não-agraciadas e deixadas de fora pelos “líderes” atuantes?

2 - Trump tomará posse?

3 – Trump será assassinado em algum momento de seu mandato?

4 – Trump será “legitimamente” afastado do governo?

5 – Quem vencerá esta queda de braços pelo phoder?

6 – E última e mais determinante: 20 de janeiro de 2025 ficará na história futura da humanidade como “the day of turning point”? Um verdadeiro “cavalo-de-pau” de 180º mudando a “nova ordem mundial” para a direção inversa?

Paulo Vogel

Neste meio, eu sou mensagem.

Jan/25 


 


P.S.: Fernão Lara Mesquita teve a pachorra de traduzir toda a entrevista. Leia aqui (role a tela até achar e é longo): https://vespeiro.com/2024/12/24/entrevista-mais-importante-da-decada/

 



[1] Uso “um homem” apenas como símbolo. Todos sabemos que “este homem” foi e é tão-somente um escolhido e nomeado representante de uma ideia a ser praticada por um enorme contingente de instituições e pessoas. Isto vai ficar claro mais à frente.

[2] No dicionário “Oxford Languages” temos os seguintes significados:” 1) a ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui uma sociedade ou um Estado; 2) a elite social, econômica e política de um país”.

[3] Chantagem é um crime que envolve uma ameaça com a intenção de compelir uma pessoa a fazer um ato contra sua vontade ou tomar o dinheiro ou propriedade de uma pessoa. Na chantagem, uma ameaça pode ou não consistir em lesão física a uma pessoa ameaçada ou a alguém amado por essa pessoa.

[4] Punida com aposentadoria compulsória "por ter feito manifestações de cunho político nas redes sociais".






quarta-feira, fevereiro 07, 2024

PHODERCOPATIA

 

“Toda unanimidade não é burra, mas fruto de alguma esperteza,

de algum ardil, de alguma combinação de interesses poderosos.”

Mario Rosa, jornalista, ao opinar sobre o livro “Consenso Inc.”

 

O tema “conspiração” é a bola da vez sobre o veludo vermelho da mesa de sinuca onde phoderosos se revezam em tacadas que vão desde o espirro de taco a magistrais encaçapadas na disputa da partida final para definir quem vai levar o bolo arrecadado em apostas, perdão, impostos.

Como espectadores ignorantes das regras do jogo ou apenas estupefatos pelas habilidades demonstradas pelos jogadores, nos dividimos entre momentos de “Oooohhh!!!” – para jogadas que resultam em desastre – e “Gritinhos de bravo!!!” – para tacadas de inimaginável precisão. Mas como Ronnie O’Sullivan é tanto capaz de acertar a bola considerada impossível quanto errar a bola dada como morta, só nos resta atribuir os resultados das partidas a uma real conspiração dos astros. Dos astros da política por trás dos torneios.

Paula Schimitt é uma jornalista forjada no campo de batalha e não no ar-condicionado das redações militantes - é a única jornalista brasileira a entrevistar dois extremos da longa guerra no Oriente Médio: o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e o ex-diretor do Mossad Shabtai Shavit.

Ela é, atualmente, a bola da vez no jogo da informação que tem um de dois objetivos dependendo do jogador jornalista: informar para abrir nossos olhos e captar as intenções ou criar narrativas para embaralhar neuroticamente nossas mentes. Ganha quem chegar primeiro e bater na mesa política gritando: “Game over!!!”.

Acabei de ler, de sua autoria, “Consenso Inc. - O Monopólio da Verdade e a Indústria da Obediência”. É uma coletânea de artigos seus publicados em jornais como “Folha” e “Estadão” e em canais digitais como o “Poder 360”. Sua escrita é fluída, discorrendo sobre fatos[1] e pontuada por confissões de suas fraquezas e tiradas de humor sarcástico. Absolutamente imperdível para  quem tem um mínimo de interesse em se aprimorar na defesa de sua sanidade e na busca por alicerces de conhecimento que o coloquem em uma outra direção que não a da manipulada manada.

Considero tão fundamental a leitura de “Consenso Inc.” que não vou publicar o “extrato” como sempre faço. Você tem que ler o livro todo! E vai ser de um vezada só. Aposto.

Vou só deixar alguns “spoilers” para dar uma ideia do tanto que é exposto de safadeza e hipocrisia criminosa, tudo, evidentemente, fruto azedo da phodercopatia[2] – o poder quando exercido por mentes psicopatas. São frases pinçadas e agrupadas em temas.

JORNALISMO e IMPRENSA

Com o tempo, fomos todos muito bem informados do tipo de notícias que deveríamos cobrir. (...) vídeos com testemunhas “oculares” de ovnis e com pessoas que tinham críticas a Angela Merkel. (...) tínhamos que voltar à redação com críticas suficientemente negativas à chanceler alemã. O assunto da matéria era irrelevante, todos nós fomos orientados a guiar o entrevistado e obter a resposta que desejávamos como o chefe sênior, explicou.

Upon Sinclair, escritor norte-americano: “É difícil fazer um homem entender algo quando o seu salário exige que ele não entenda”.

FARMACÊUTICAS e VACINA

Madeleine Laszko: “se Donald Trump disser que eu deveria tomar a vacina, eu não vou tomar”.

Existem pessoas que preferem fazer mal a si mesmas do que concordar com o oponente.

A pandemia revelou algo mais pavoroso do que qualquer governo tirânico: um povo que obedece mais do que o tirano exige.

Em vídeo publicado pelo Project Veritas funcionários da Pfizer admitem privadamente que são contra a vacinação de adolescentes porque a imunidade natural funciona melhor do que a da vacina.

Hoje, imunidade das vacinas significa que os fabricantes estão imunes a processos legais por danos, doenças e mortes.

Tem um pedido oficial para revelação dos documentos da Pfizer sobre os estudos de segurança da sua vacina em poder do FDA. O órgão alegou que precisaria de 75 anos para cumprir esse pedido.

[No mercado das fármacos] “a cura faz mal para os negócios”, como cunhou Tae Kim, autor de uma reportagem sobre elas.

Documentos mostram que funcionários da Bayer optaram por vender o plasma contaminado [pelo HIV] a fim de se livrar “de grandes estoques de um produto que se tornava cada vez menos vendável nos Estados Unidos e na Europa”.

Um recorde da vergonha no Guinness é da Pfizer, que pagou a bagatela de 2,3 bilhões de dólares em 2009 por “marketing fraudulento”, segundo o site do departamento de justiça dos Estados Unidos.

Depois de fazer muito dinheiro com o analgésico MS contin, estava chegando a hora de a Pordue Pharma perder a patente do seu campeão de vendas. A empresa então fez o que muitos laboratórios fazem (...) inventa uma suposta “melhora” no produto.

CENSURA

A história nos mostra que a censura nunca foi implementada para coibir mentiras. Ao contrário, o alvo da censura foi sempre a verdade.

Para os donos do mundo (...) toda mentira a favor do rei é bem-vinda, e toda a verdade contra ele deve ser banida.

Que tipo de vácuo mental acomete uma pessoa que defende a ausência de debate?

OBSOLESCÊNCIA

Existe uma lâmpada que está acesa há mais de 115 anos, raramente desligada. (...) Uma das principais decisões do cartel de energia foi impor um limite para a durabilidade da lâmpada incandescente. [Este é] um dos primeiros exemplos do que hoje se conhece como obsolescência programada.

EUGENIA

Para Edwin Black, o conceito de uma raça nórdica branca loira de olhos azuis não se originou com Hitler, mas na Califórnia, o epicentro do movimento eugenista norte-americano. 

IDEOLOGIA e AFINS

A ideologia é uma desculpa mais nobre do que o mero interesse financeiro.

As contradições da ideologia identitária são tantas e tão absurdas que elas seriam risíveis - se não fossem tão nefastas.

É fácil controlar populações inteiras com apenas uns poucos soldados, bem como acontece num formigueiro. Vejamos estes itens:

·        1% das pessoas controlam o mundo.

·        4% das pessoas se vendem para os controladores.

·        5% das pessoas estão despertas e sabem o que está acontecendo.

·        90% das pessoas estão dormindo.

·        1% paga os 4% para não deixar que os 5% despertem os 90%.

SCIÊNSIA

Os cientistas devem escolher estudos e experimentos que validem o que querem validar e ignorar aqueles que os contradizem. Com essa seletividade pré-determinada, qualquer resultado é possível, inclusive o resultado falso.

[Desfazendo crenças:]

  • A de que revistas científicas só tem a ciência e o bem da humanidade como motivação. Que jamais trabalham para favorecer governos, empresas, financiadores e amigos.
  • A de que governos são formados por pessoas superiores de impecável retitude moral e que esses humanos quando em agências reguladoras ou com poder decisório e legislativo jamais trabalhariam em favor de financiadores de campanha, parceiros de mercados.
  • A de que cientistas, médicos e jornalistas são imunes ao poder financeiro e trabalham desinteressadamente pela verdade.

CONTROLE SOCIAL

O Holocausto foi possível porque seres humanos optaram por renunciar à sua consciência e terceirizar suas decisões morais.

Karl Rove, assessor de George W. Bush: nós somos um Império agora, e quando nós agimos, nós criamos a nossa própria realidade e enquanto você estuda essa realidade criteriosamente, nós vamos agir novamente, criando outras novas realidades.

Se houve manipulação no passado, não há razão para duvidar que ela esteja acontecendo no presente.

George Orwel em seu "1984": 


Quem controla o passado controla o futuro. 

Quem controla o presente, controla o passado.

 




[1] TODAS as notas de rodapé, um total de 284!!!!, são compostas exclusivamente de links para conteúdos das fontes que ela cita.

[2] A proposição do termo e seu significado é minha.


domingo, dezembro 10, 2023

7 - EXTIRPANDO A DEMOCRACIA: Do “Laissez-faire” à Tirania

A ERA DIGITRÔNICA E A TIRANIA

 (Se preferir, ouça o áudio.)


 "Deixe-me dizer em que acredito:

no direito do homem de trabalhar como quiser,

de gastar o que ganha, de ser dono de suas propriedades

e de ter o Estado para lhe servir e não como seu dono.

Essa é a essência de um país livre,

 e dessas liberdades dependem todas as outras."

Margaret Thatcher[1]

 

Recordemos em síntese. Vimos que existem modelos diferentes e cada um adaptável ao gosto do opressor da ocasião. De todo modo, todos são variações sobre a relação entre opressores e oprimidos, poder e servidão, todos sistemas que fizeram parte da história da civilização humana. Por milênios, o tempo de transmissão da informação entre emissores e receptores,  foi longo o bastante para ser um escudo protetor das barbaridades cometidas pelos dominadores. Nos séculos recentes, este tempo veio sendo gradativamente reduzido, mas os governantes, mantendo o controle dos produtores e distribuidores de conteúdo, e podendo regular as empresas fornecedoras de acesso às tecnologias de transmissão, continuou protegido da massa desprezível, mas... necessária.


Eis que chegamos ao nosso mundo contemporâneo de posse de uma ferramenta que nos dá o poder de conhecer e questionar instantaneamente as intenções e ações dos ocupantes do poder.


Cito Yuval Noah Harari[2]: “O sistema democrático ainda está se esforçando por entender o que o atingiu, e está mal equipado para lidar com os choques seguintes, como o advento da inteligência artificial e a revolução da tecnologia de blockchain"[3].

O poder de ruptura da digitrônica é tão dramático para o status quo político, que o poder, sem saber como se defender, recorre à novilíngua[4], uma maneira para convencê-lo de que o que é, não é, e o que não é, é. Exemplos: censurar é ser democrático; cancelar e lacrar é ruim, mas é do bem se a boca que o faz é vermelha; opinião é “fake news” se não for do gosto dos governantes e dos “supremos”; liberdade de expressão, só para os militantes socinistas; passeata é tentativa de golpe; não comunista é neofascista, ponto, e deve ser “extirpado”; o pleito eletronicamente fraudado, é, para os “supremos”, o mais inviolável do mundo, totalmente imune a fraudes; cidadão que faz perguntas incômodas, é um “mané, não amola”; conluio entre militares, parlamentares, instituições civis, todos liderados por Supremos Ministros do STF, podem descondenar um ladrão e transformá-lo em Presidente, e isto ser proclamado como um ato em defesa do “Estado Democrático de Direito”, um eufemismo hipócrita para “Estado Autocrático de Opressão”.

Este é o “estado” em que nos encontramos. Se é exorcizante a capacidade de todos os cidadãos, independente de suas circunstâncias econômicas e culturais, ter sua voz, seu grito, sua revolta, sua opinião digitalmente ecoadas pelo mundo, isso também faz com que os que ouvem, os ocupantes do poder, se sintam ameaçados por tais manifestações, o que os estimula ainda mais a produzir instrumentos silenciadores, cerceadores da liberdade de expressão e de trabalho.

Por uma outra perspectiva, quando podemos nos manifestar contra intenções do Estado, imediatamente após serem reveladas, antes mesmo de serem debatidas e testadas, geramos uma consequência desastrosa: uma dificuldade em agir que tende a imobilizar o governo colocando o sistema democrático em constante situação de crise. Isto acontece porque para toda e qualquer ideia há sempre uma parcela da sociedade que será atingida negativamente se ela for implantada e, então, reage imediatamente em aguerrida oposição.

Tais realidades exacerbam a reação dos poderosos que não aceitam ter seus interesses contrariados, muito menos tão rapidamente, sem que nem mesmo tenham tempo de fazer as manipulações necessárias para “convencer” a sociedade.

Há mais a ser considerado. Se o pensamento socinista dominou a formação da geração que hoje tem entre 20 e 30 anos, também é fato que esta é a mesma geração que nasceu na Era Digitrônica. Enquanto nas salas de aula estes jovens foram submetidos a uma lavagem cerebral e convencidos a adotar dogmas ideológicos gramscianos[5], simultaneamente conviveu e convive tendo a possibilidade de acessar e conhecer outras formas de interpretar o mundo e a vida em sociedade. Mas quantos deles estão buscando um contraponto?

A toda ação corresponde uma reação6], só que em política, contrariando a física, esta é sempre de intensidade desproporcionalmente maior[, o que leva a uma sequência de reações a reações em crescente intensidade até que tudo colapsa, sempre deixando um rio de sangue e milhões de mortos que, no fim, não adicionarão nada à evolução civilizatória, ao contrário, fazendo-a retroceder alguns passos.

Sempre fui descrente quanto à democracia ser uma solução de sistema político. Como empreendedor que fui, o processo democrático de tomada de decisão vai até antes da tomada da decisão. Não conheço história longa de sucesso empresarial baseado em decisões colegiadas e pelo voto[7]. No âmbito da realização, do fazer acontecer, a responsabilidade da decisão é sempre de um só, exercida sob as experiências vividas, o sexto sentido, a intuição, a coragem, e sempre solitariamente no recanto de seus medos, convicções, angústias e esperanças. O que pude constatar no exercício de mais de 40 anos como dirigente empresarial, quem melhor decide é quem melhor está preparado para tal. Como o erro é inevitavelmente a posteriori, ao ser constatado, o mais qualificado para corrigi-lo é quem foi o responsável pela decisão original.

De certo modo, graças ao mecanismo da alternância de poder, a democracia como sistema político é a melhor maneira de desagradar muitos sem que se possa atribuir a quem quer que seja, a responsabilidade pelos desastres. E com a humanidade chegando aos 9 bilhões de indivíduos, caoticamente informados[8], torna-se impraticável obter-se um conjunto suficiente de indivíduos que estejam de acordo com uma dada solução para qualquer problema.

É neste contexto que vemos iniciativas que se aproveitam das novas tecnologias para estabelecer controle das massas através da padronização. As câmeras por todos os lugares, menos que nos dar “segurança”, nos obrigam a nos comportar de uma maneira padrão para não perdermos pontos[9] e/ou não sermos punidos com perda de direitos[10]. A Inteligência Artificial das Alexas, Siris, ChatGPT etc., não nos informa nada, elas impõem respostas dadas por um “algoritmo”, humano ou robótico, trazendo como fatos verdadeiros, deslavadas mentiras virtuais.

Nietzsche[11], o filósofo duro, como já o qualifiquei aqui, observou: É preciso pensar bem profundamente e defender-se de toda fraqueza sentimentalista. Eis que a própria vida é essencialmente apropriação, ofensa, sujeição daquilo que é estranho e mais fraco, opressão, dureza, imposição de formas próprias, incorporação e pelo menos, na melhor das hipóteses, exploração.

Tendo sido a fórmula que nos trouxe das cavernas para a civilização moderna, é razoável imaginar que a relação Poder e Servidão continuará para todo o sempre, composta, em minha particular visão, de 4 tipos fundamentais de humanas personalidades políticas: os Dominadores, que não se importam com o outro em nenhuma instância (financeira, moral, familiar, existencial...) e assumem o phoder; os Corruptos[12], que se associam a estes, não importa o que eles pensem ou façam, desde que possam usufruir de parte do butim; os Oprimidos, que se submetem voluntariamente porque não têm índole, ou interesse,  ou coragem em colocar em risco sua existência; e os Amortecedores, que servem de amenizadores da opressão exercida pelos Dominadores e Corruptos sobre os Oprimidos, conseguindo, como recompensa, manter suas conquistas, mas sempre se sentindo culpados em relação às circunstâncias dos Oprimidos e críticos às privilegiadas circunstâncias dos Dominadores e Corruptos. Hoje, Opressores, com a ajuda dos Corruptos, estão, xandrinamente, tentando extirpar a democracia da lista de opções de sistemas políticos. Enquanto isso, os Amortecedores se esforçam para se manterem vivos e, os Oprimidos..., bem, estes... “entregam pra Deus”.

Algumas conclusões de tudo que vimos nestas 7 postagens podem ser as que seguem.

1. O Universo é constituído de uma tal diversidade que não há dois elementos idênticos.

2. Não há solução para o Caos, pois isto seria substituí-lo pelo vazio.

3. Neste caos de circunstâncias diversas, toda pretensa maioria é frágil e suscetível de se desfazer ao longo do tempo.

4. Todo poder é concedido, portanto, é frágil, e para se manter é imperioso usar uma força opressiva.

5. A toda força se opõe uma força contrária - é a física que prova.

6. Toda oposição, inevitavelmente, vencerá em algum momento.

7. Todo sistema político está fadado, portanto, a ser substituído no decorrer da trajetória de desenvolvimento da civilização humana.

Nosso pêndulo das forças políticas está subindo em direção ao seu auge, a tirania. Só depois de conhecê-la em sua forma mais terrível, forma que já se apresenta no horizonte do oriente médio, ele inevitavelmente iniciará uma trajetória em sentido inverso. Mas será que a civilização sobreviverá a uma nova Era de terror e trevas? Quantos milhões, quiçá, bilhões, pagarão com a vida o desejo de poder de alguns milhares? Quão próximo estamos deste momento? Nossos filhos poderão integrar os mortos? Nossos netos? Bisnetos?

Mas a síntese da síntese, estou convencido, é a de que qualquer sistema político visa uma coisa só: uma minoria autoproclamada como a “elite”, a “crème de la crème” do saber, os ungidos, todos associados com e beneficiários de uma grande plutocracia[13], submetem a maioria de milhões de cidadãos a seus desejos e psicopatias[14]. A democracia é apenas um “me engana que eu gosto”. Quando criança, minha mãe, autocrática como todas, ignorando nossos inúteis pirracentos protestos, com a mão direita nos fazia engolir, “para o nosso bem”, uma colher de óleo de fígado de bacalhau[15] com um gosto que nos causava vômito. Mas como nos amava, na mão esquerda já tinha um copo de soda limonada para amenizar aquela horrível sensação.

É isso: a democracia é como uma soda limonada, ela ameniza a sensação de vômito que a tirania causa.

 

Com esta postagem, encerro a série “Extirpando a Democracia: do Laissez-faire à Tirania” e, como bônus, deixo algumas reflexões de três videntes pensadores.





Obrigado por sua atenção e não se avexe em comentar.

 

Até uma próxima postagem.

 

 


FRIEDRICH NIETZSCHE (1844-1900)

1 - Considerava a existência de duas morais: a dos nobres ou senhores e a dos escravos.

2 - Em “Vontade de Poder” [o que chamo de “processo revolucionário]:

·         Fato: os oprimidos, os rebaixados, toda a enorme massa de escravos e meio-escravos querem o poder.

·         Primeiro estágio: libertam-se, - soltam-se, de início imaginariamente, reconhecem-se entre, defendem-se.

·         Segundo estágio: entram em guerra, querem reconhecimento, direitos iguais, “justiça”.

·         Terceiro estágio: querem os privilégios (...).

·         Quarto estágio: querem sozinhos o poder e o obtêm.

3 - Nenhum filósofo duvidará de qual é o tipo de perfeição na política: o maquiavelismo.

4 - No fundo, todos juntos somos um gado e uma plebe que só têm olhos para si.

5 - O “tiranizar” diz respeito aos grandes homens: eles embrutecem os menores.

6 - O que é medíocre no homem típico? O fato (...) de combater as situações adversas como se fosse possível passar sem elas.

 

ALAIN TURAINE[16] (1925-2023) em “O que é a democracia”?

 

1 - (...) nos limitamos a definir a democracia como um conjunto de garantias para evitar a tomada ou manutenção no poder de uma minoria contra a vontade da maioria.

2 - Para ser democrática, a igualdade deve significar o direito de cada um escolher e governar sua própria existência.

3 -Toda tentativa para opor a política universalista aos atores sociais particularistas culmina na reivindicação de privilégios e direito de governar feita por uma elite de sábios desligados das preocupações dos trabalhadores comuns, ou na redução do cenário político ao choque de interesses particulares.

4 - Um governo nacional ou local que estivesse a serviço direto da opinião pública teria efeitos deploráveis.

5 - Quase por toda a parte, os grandes partidos populares de massa constituíram ameaças para a democracia, em vez de serem seus defensores.

6 - O preço da liberdade não pode ser a renuncia à identidade.

7 - Só é possível conhecer o interesse coletivo (ou da maioria) depois de se conhecer os interesses individuais (ou da minoria).

8 - As revoluções transformam movimentos democráticos em regimes antidemocráticos.

 

GEORGE ORWELL (1903-1950) em “1984”

 

1 - [No mundo do Grande Irmão] Nada pertencia ao indivíduo, com 2 - exceção de alguns centímetros cúbicos dentro do crânio.

2 - “Quem controla o passado” dizia o lema do Partido, “controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado”.

3 - As duas metas do Partido são conquistar toda a superfície da terra e extinguir de uma vez para sempre qualquer possibilidade de pensamento independente. Um deles é descobrir o que pensa outro ser humano, e o outro é matar várias centenas de milhões de pessoas em alguns segundos sem dar aviso prévio.

4 - Só há quatro modos de um grupo governante abandonar o poder. Ou é vencido de fora, ou governa tão ineficientemente que as massas são levadas à revolta, ou permite o aparecimento de um grupo médio forte e descontente, ou perde a confiança em si e a disposição de governar.

5 - O poder está em se despedaçar os cérebros humanos e tornar a juntá-los da forma que se bem entender.

6 - Se queres uma imagem do futuro, pensa numa bota pisando um rosto humano – para sempre.

7 - Nós [o Partido] criamos a natureza humana. Os homens são infinitamente maleáveis.

8 - [Diz a personagem Julia:] A gente quer que a coisa aconteça ao outro. Não se importa que sofra. Só nós temos importância [o militante, o ideologicamente abduzido].




[1] Margareth Hilda Thatcher, foi uma política britânica que exerceu o cargo de primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990 e líder da Oposição entre 1975 e 1979. Foi a primeira-ministra com o maior período no cargo durante o século XX e a primeira mulher a ocupá-lo.

[2] Yuval Noah Harari (1976-...), professor israelense de História e autor do best-seller internacional Sapiens: Uma breve história da humanidade.

[3] Blockchain: tecnologia que possibilita a existência de moedas criptografadas.

[4] Novilíngua, conceito enunciada por George Orwell em 1948.

[5] Antonio Sebastiano Francesco Gramsci (1891-1937), foi um filósofo marxista, escritor, teórico político e co-fundador e secretário geral do Partido Comunista Italiano. Na prisão onde ficou por cerca de 8 anos, escreveu Cartas do Cárcere, obra hoje fundamental para o pensamento e ações da extrema esquerda.

[6] O enunciado da Terceira Lei de Newton (Princípio da Ação e Reação) é descrito da seguinte forma: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos.”

[7] Sobre Democracia Participativa: Conheço casos de tentativa de democracia como base de decisão empresarial, e que não deu em nada ou deu em empresa falida, Eu mesmo me envolvi pessoalmente em uma experiência sobre Participação nos Lucros, no início dos anos 1990.

[8] O supremacista Alexandre de Moraes, defende, em proveito próprio, que suas ações censoras visam combater a “desinformação”, conceito que só encontra sentido na mente de um tirano, pois “desinformado” é o indivíduo que “não tem informação”.

[9] A China tem um sistema de crédito social. Para saber mais, acesse: https://www.poder360.com.br/internacional/entenda-o-sistema-de-credito-social-planejado-pela-china/

[10] Punição: O STF no Brasil parece estar na liderança deste tipo de método corretivo.

[11] Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo prussiano, autor de “Vontade de Poder”, “Assim falou Zaratustra”, “Além do bem e do mal”, e “Humano, demasiado humano”.

[12] Incluo entre os Corruptos, grande parte do funcionalismo público, sempre bajulador e braço executivo do poder da ocasião, independente de sua ideologia. São verdadeiros camaleões políticos e, neste sentido, tal como os Amortecedores, mas em sentido inverso, buscam a manutenção de seus privilégios.

[13] Plutocracia (ploutos: riqueza; kratos: poder) seria, em tese, um sistema político governado por um grupo de pessoas que detém o poder econômico.

[14] Para saber sobre controle das massas, acesse este link: https://villadobem.com.br/manipulacao_massa/

[15] Os mais velhos sabem o que era o tal do óleo de fígado de bacalhau. Os mais novos, não devem procurar saber.

[16]Alain Touraine (1925-2023), sociólogo francês, conhecido por sua obra dedicada à sociologia do trabalho e dos movimentos sociais.