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quinta-feira, outubro 26, 2023

EXTIRPANDO A DEMOCRACIA – 4: Do “Laissez-faire” à Tirania

AS AUTOCRACIAS (complemento)

 “O mundo grego era basicamente aristocrático, um universo hierarquizado no qual os melhores por natureza deviam, em princípio, estar “acima”, enquanto se reservavam aos menos bons os níveis inferiores. Não se esqueça de que a polis grega se baseava na escravidão.”

Luc Ferry (1951-...)  filósofo francês, professor de filosofia

  

Na postagem anterior fiz apenas uma leve apresentação da vertente política do modelo autocrático. Ficou faltando o mais importante: a abrangência e a longevidade do sistema.

A autocracia, expressão da concentração de poder político, foi, e ainda está, presente em todas os continentes, não é uma característica ocidental ou oriental. As diferenças são oriundas do desenvolvimento cultural autóctone de cada região dada a dificuldade de comunicação entre elas ao longo dos milênios. Na Ásia, os registros históricos nos mostram que o modelo foi o de dinastias familiares de longuíssima duração. Dê uma olhada nesta lista que encontrei relativa às dinastias chinesas:

1 - dinastia Han (206 a.C.–220 d.C.) – 426 anos

2 - dinastia Jin (266–420) – 154 anos

3 - dinastias do Norte e do Sul (420–589) – 169 anos

4 - dinastia Sui (581–618) – 37 anos

5 - dinastia Tang (618–907) – 289 anos

6 - dinastia Yuan (1271–1368) - 97anos

7 - dinastia Ming (1368–1644) – 276 anos


A metade “ocidental” do planeta não conheceu tal modelo. No lado de cá, para começo de conversa, as Américas não fizeram parte do mundo por 95% de nossa história. Se nos concentrarmos na Europa e África, o que vamos encontrar são os Impérios[1], um modelo de autocracia violenta sustentada tanto pela execução sumária dos cidadãos pretensamente infratores, quanto pelas guerras de conquista, uma constante milenar nestas duas regiões. Nesta região o que mais vamos encontrar são Imperadores por curto espaço de tempo, assassinados que foram por adversários ambiciosos ou mortos em guerra[2]. O oeste europeu e o norte africano formaram o palco de um teatro onde se desenrolou uma peça trágica escrita por psicopatas sanguinários sustentados por estruturas religiosas[3] que justificavam as atrocidades em nome de algum ente metafísico, sobrenatural.

A consequência das percepções que colecionei ao longo da vida sobre o desenvolvimento cognitivo e tecnológico da humanidade, é a de ser oriunda do “casamento” entre o aumento populacional e a redução do tempo de comunicação entre emissor e receptor das mensagens sobre o que quer que fosse. Por muitas razões, que não cabe abordar aqui, o aumento populacional, constante e inexorável, cria problemas e necessidades novas, exigindo novas explicações e novas soluções para lidar com as interrelações humanas de toda natureza cada dia mais complexas.

O que parece se evidenciar no exposto até aqui é a estabilidade política observada no Oriente frente a instabilidade do poder no Ocidente. Até nos dias atuais isto ainda se observa bastando olhar para o poder político na China, na Rússia, na Coreia do Norte e outros países, e comparar com os tantos conflitos políticos que ocorrem mundo ocidental afora, norte ou sul.

Nos milênios passados desde quando os humanos deixaram a vida nômade, o poder político gradativamente instalado se valeu e se protegeu pela distância entre governantes e governados. Nos séculos de dominação do Império Romano, a notícia da proximidade de tropas invasoras, apenas como um exemplo, só chegava quando já era tarde para armar uma resistência. Durante tal tempo, a reação, a rebeldia organizada da sociedade a qualquer exorbitância do poder instalado, ou era impossível ou, quando viável, chegava quando já nada podia ser feito[4].

No final do século XVIII, não só se acentua o desenvolvimento do conhecimento científico, mas também deixa de ser algo exclusivo do campo das teorias e se volta para as aplicações práticas, culminando com o que conhecemos como “Revolução Industrial”, quando as distâncias se encurtam de maneira absurda (estradas de ferro, motor a explosão, automóveis, navios, aviões etc.). Isto não só materialmente aconteceu, mas, principalmente, no âmbito da rapidez de comunicação das notícias, ideias e opiniões (telégrafo, telefone, rádio, televisão, internet e celular).

Deixei propositalmente em separado a imprensa, os meios impressos (livros e jornais) pela razão destes terem sido absorvidos pelo Estado para desempenhar um papel fundamental nos novos tempos: manter o conteúdo das mensagens conforme os ditames e interesses dos integrantes do poder político. O instrumento para tal surgiu com Guttemberg por volta de 1450, mas só em 1608 surge o primeiro jornal impresso. E no Brasil, só em 1808, com a chegada de D. João VI, é que foi permitida a criação da primeira gráfica e o primeiro jornal, a Gazeta do Rio de Janeiro, e, prova do que afirmei, “órgão oficial do governo português”.

Hoje vejo a posição de meu inimigo no celular e, com este mesmo equipamento, posso, imediatamente, tomar atitudes que me protejam ou, instantaneamente, me manifestar a favor ou contra tudo que penso ser relevante dar minha opinião. Hoje, em segundos, posso comunicar a um imenso contingente de outros cidadãos, toda e qualquer ação do poder que eu considere ameaçadora a meus direitos e à minha integridade intelectual, mental e física.

Tal realidade é uma ruptura no processo civilizatório. Uma ruptura pela ruptura, este o problema central a que a humanidade está sendo submetida e desafiada a encontrar uma solução. Uma ruptura não buscada, não construída, não organizada, não liderada, mas uma ruptura consequente da aplicação de uma tecnologia a funções para as quais não foi concebida: a de arma na ação política. Uma ruptura que pegou os phoderosos absolutamente despreparados e, portanto, incapazes para uma reação contundente. No caso do Brasil é só quando a vitória de Bolsonaro expõe um imenso contingente de brasileiros armados até a ponta dos dedos é que “caia a ficha”. Para eles “Inês” não está morta. Alexandres, Barrosos, Dinos e outros menos renomados, testam inúmeras porções mágicas no desejo de que tragam de volta aquele status quo que tanto bem lhes fez por décadas.

Não sei no que vai dar. Uma certeza tenho: poder e servidão continuará a ser a relação fundamental a conduzir os destinos da humanidade. Só resta saber sob que modelo de relacionamento e com quais consequências. Num próximo, ou próximos textos, trarei outras provocações para refletirmos e imaginarmos como será o Novo Mundo para o qual estamos caminhando.

Até lá.

 


[2]  Em quatro séculos de história, o Império Romano do Ocidente teve 69 governantes. Destes, 43 (ou 62%) morreram de forma violenta — por assassinato, suicídio ou em batalha.

[3] “No século XVI, as leis, o direito, enfim, o próprio Estado, tinham seu fundamento na religião.” Michel de Montaigne

[4] Em 2012 Olavo de Carvalho chamou a atenção para o fato de que “nenhum movimento poderia se apossar do Estado se primeiro não se tornasse mais poderoso que ele”.

sexta-feira, outubro 16, 2020

MUNDO NOVO, ADMIRÁVEL OU ABOMINÁVEL? - O EMISSOR

Fui emocional e intelectualmente arrebatado pela internet no 2º semestre de 1995 e imediatamente me tornei um usuário intenso. Já em 96, criei uma lista de distribuição chamada INTERNET MARKETING(1) onde, por cerca de 5 anos, publiquei artigos refletindo sobre os diversos novos conceitos e práticas que a tecnologia trazia para a vida cotidiana. Em 97, como consequência dos artigos ali publicados, fui um dos articulistas da revista INTERNET BUSINESS(2) recém criada.  Meu primeiro artigo, com o título "A grande onda que vai passar"(3), foi publicado no número 1, onde fui sarcástico e provocativo com os empresários que resistiam à "onda passageira": "Não tenho discordado. Apenas os tenho alertado para que não sejam pegos distraídos à beira da praia. Por ser grande, ela vai passar levando tudo que encontrar pela frente". Relendo, constato que fui premonitório nesta e em outras passagens, mas, se fiquei aquém da realidade de hoje, 24 anos depois, fui além e onisciente ao destacar que "Neste meio eu sou a mensagem", um corolário à tese de que "o meio é a mensagem" feita por McLuhan em 1967.

Neste 2020, chegamos, na minha percepção, a uma outra consequente e conclusiva realidade, qual seja a de que se o emissor da mensagem é o detentor do poder (é o que McLuhan apontava), e se neste meio eu sou a mensagem, então "neste meio eu sou o poder". Mas qual a dimensão deste poder? Se eu o tenho, você também o tem? E que outros o têm?

Obviamente não enxerguei a dimensão que tal realidade alcançou a partir da prática do poder de se divulgar opiniões sobre qualquer coisa para um contingente de destinatários sem endereço – simplesmente “postando” - que pode ir de um até milhões deles, sem que o emissor tenha o mínimo de controle sobre tal consequência.  Além disto, cada receptor se transmuta em re-emissor e tem, portanto, um poder de disseminação que potencializa o tamanho da “audiência” final, se é que um final possa existir. A tecnologia que permite tal realidade está instalada em todo aparelho de celular nas mãos dos mais diferentes humanos, com os mais diversos interesses, com os mais esdrúxulos princípios e sentimentos, tudo com a proteção enganosa, frágil, do anonimato da "Grande Rede", sob a batuta orquestral da Inteligência Artificial (IA), entidade metafísica resultante do processamento de algoritmos elaborados com fins mais ou menos conhecidos, ou totalmente desconhecidos, rodando em bancos de dados distribuídos numa grande nebulosa vagando nas forças gravitacionais de um universo digital sem leis, sem controle, sem caráter. 

O emissor autônomo, subordinado exclusivamente aos seus impulsos, saudáveis ou doentios, pode elaborar qualquer coisa. Pode construir, com boas ou más intenções, falsos fatos; pode atribuir a outrem o que outrem não disse ou fez; pode editar/manipular fotos e vídeos falseando-os para contar uma narrativa imaginária, irreal; pode vomitar suas frustrações destruindo reputações; pode induzir crédulos a adotarem opiniões e atos inconsequentes ou mesmo criminosos com a garantia de que os receptores não terão o tempo e/ou as ferramentas para checar/questionar o conteúdo; pode cooptar, atrair, os mais suscetíveis, os mais frágeis (principalmente crianças e jovens adolescentes) para visões de mundo e de vida perigosas - para si mesmo ou para outrem - ou utópicas, sugestões que poderão levar alguns a atos extremos que vão do suicídio ao extermínio aleatório de pessoas como já visto em anos recentes em várias regiões do mundo. Basicamente tudo isso já era feito antes. Principalmente por governos ditatoriais. As diferenças agora são: pode ser feito por qualquer um; pode ser feito instantaneamente; pode atingir um número infinito de indivíduos; a informação falsa não pode ser contestada, nem desconstruída (o direito de resposta até existe, mas como chegar às mesmas pessoas?), e nem mesmo há tempo para evitar suas consequências; e é possível, mas é muito difícil, em grande parte dos casos, identificar e chegar ao autor.

A comunicação interpessoal de registro perene (escrita, impressa), até o final do século XX dependia de um meio físico (papel) e de uma logística de distribuição (correios), uma combinação que além de demandar um tempo longo para chegar ao destinatário, permitia que o emissor refletisse na elaboração da mensagem, a revisasse e, até mesmo, desistisse do seu envio. Este processo foi exterminado por uma comunicação digital imediata. Para nós, avós, em não sendo necessária para a vida profissional, a tecnologia digital é algo que temos que aprender a usar, pois faz parte de nossa vida cotidiana e a cada dia ganha mais relevância em nossos relacionamentos (damos bons dias como nunca antes, invocamos Deus para diversos desejos, fofocamos, distribuímos bobagens e, basicamente, reenviamos piadas às vezes de gosto duvidoso). Para nossos filhos é ferramenta básica não só de inserção nas comunidades profissionais, como para a a distribuição de mostruários, comunicação de feitos, entrega de serviços. E para nossos netos, a Era Digitrônica (ED) é a única forma de vida que conhecem (mal) de interação com o mundo, com o outro, mas que, por ser absolutamente nova e por ter uma estrutura anárquica, incontrolável, eles estão à deslumbrados com os "felipes netos" e outras celebridades da Rede, o que lhes dá uma visão ilusória de uma vida improvável de vir a ser realidade. Neste novo mundo digitrônico as regras principais para o emissor, são: tudo me é permitido, posso expor minha intimidade sob uma pretensa privacidade, sobre tudo posso opinar desde que minha opinião esteja de acordo com a bolha em que o tema está inserido, e, em contrapartida, a todos fora da bolha posso ofender/caluniar sob um duvidoso anonimato.

Nossos jovens adolescentes, entre eles meu neto de mal completados 15 anos, se gabam do número de seguidores de seus ditos e feitos postados em seus canais do Youtube. Minha neta de 10 anos dá dicas de roupa e maquiagem em seu Facebook. Nossos jovens pais expõem fotos de eventos familiares (uma autêntica “autofagia da privacidade”) e contam (e exageram) seus feitos diários sempre com sorrisos de falsa felicidade estampados em seus rostos higienizados e maquiados. Quase tudo é falso, quase tudo é para construir um outro que não somos. Quais os limites? Se tenho o direito de postar, devo postar? Passar de um emissor medíocre e restrito ao círculo familiar, de amizades e profissional para se tornar um emissor universal, este é o processo mais relevante em nossos dias, mas também é o mais fácil de ser aprendido.

Tentar ser um “bom receptor” é a tarefa que se apresenta para nós como sendo a mais difícil e a mais importante para a construção e manutenção de nossa integridade moral, ética, cultural e psicológica. É o que vou tratar na postagem da próxima semana.



(1) "Lista de distribuição" era um recurso dos programas de e-mail que funcionava como uma lista de assinantes que ficava sediada no servidor do provedor de acesso e que me permitia distribuir um artigo para os assinantes bastando fazer um envio para o emeio da lista e todos o receberiam.

(2) Acesse todos os artigos nesta página de meu blog pessoal: 

http://wikiconomia.blogspot.com/p/textos-sobre-marketing-administracao-em.html

A publicação foi descontinuada em 2001.

(3) Acesse o artigo nesta página de meu blog pessoal: 

http://www.sendme.com.br/EXTRATOS/InternetGrandeOndaQueVaiPassar1997-08-15.htm 



















sexta-feira, setembro 11, 2020

MUNDO NOVO, ADMIRÁVEL OU ABOMINÁVEL? - INTRODUÇÃO


Aldous Huxley

Neste 2020, recordar, reler, citar ou referenciar George Orwell (1984) ou Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), tornou-se corriqueiro, quase obrigatório, argumento de apoio para a previsão de um futuro admirável ou abominável, a depender da utopia individual mais conveniente.


George Orwell

No cerne de nossas preocupações estão duas ficções que se completam para formar a realidade atual, ou quase. Uma delas é a previsão de Huxley, feita em 1932, que imagina um futuro - ainda hoje longínquo, pois o situa por volta de 2500 -, onde a sociedade, ou mais acuradamente, um poder tirânico estabelecido, desconstroi a família e seus valores morais em proveito da exaltação da luxúria e do prazer hedonista em primeira e última instância. Orwell, em 1947, já projetando o que os avanços tecnológicos produzidos pelas demandas da guerra iriam trazer para a humanidade, de um lado aprimora a visão de Huxley adicionando a existência de um "grande irmão" que tudo vê e, por ver, julga nossos atos e intenções, e nos pune a seu único critério, e de outro lado reduz em 500 anos o momento em que o futuro se torna presente.

Huxley, provavelmente ancorado nas consequências da crise de 1929, tece sua história, na minha interpretação, a partir de um forte sentimento de receio, de apreensão, e um pessimismo sarcástico (o "admirável" nada tem de admirável) para dar um toque de alento e não assustar seus possíveis leitores (não se preocupe, vai ser só daqui a 500 anos!). Já Orwell elabora sua tese a partir de uma visão prática, baseada no raciocínio de que, se ao 1 sempre segue o 2, então, inexoravelmente, se existe uma tecnologia que pode vigiar, seremos vigiados

Ficções não precisam ter fidelidade à história, à ciência, à experiência, a fatos, a nada. Ficção é... ficção, imaginação, desejo, sonho, por mais estapafúrdia possa ser. Se Orwell errou na forma - não existe hoje um grande controlador, mas gadgets eletrônicos aos quais entregamos, prazerosa e gratuitamente, desde  nossos cliques mais inocentes até nossos mais recônditos segredos e questionáveis preferências -, e se Huxley errou na data, ambos acertaram no conteúdo: o discurso de destruição dos valores conservadores e demonização dos princípios liberais. 


Em todo o mundo ocidental os movimentos de pressão são por criar mais e mais cerceamento às nossas liberdades, tendência que sofreu um gigantesco empurrão dado pela pandemia da COVID-19, liderada pela China e através das ações da OMS, sua agente comunista infiltrada na ONU. No Brasil ainda temos a particular ação do STF com seu "inquérito das fake news", ou do "fim do mundo", e do Congresso com sua CPI das  "fake news" que ninguém tem a menor ideia de como combater pois não se combate aquilo que não se vê, ou não se define. Tornou-se, consequentemente, a CPI "do nada", para efeito de "coisa nenhuma".

Se estamos mergulhados neste lado insano da realidade digitrônica e nos aproximando da sociedade do Grande Irmão onipresente, onipotente e onisciente graças aos algoritmos rodando em imensos bancos de dados que avaliam e projetam nosso comportamento e desejos, e se isto é fato, estamos, também, sendo agraciados com uma tecnologia que facilita a nossa vida em muitos e múltiplos aspectos: avalie sua comunicação interpessoal e veja como ela mudou, como ela nos aproximou ao longo desta absurda e interminável quarentena; como ela nos empoderou no enfrentamento do domínio cultural exercido pela tradicional e grande mídia, em especial pelas mídias dos grupos Globo e Folha; considere o poder de obtenção de informação que passamos a ter antes de termos que tomar qualquer decisão; e as tantas e tantas viagens que podemos fazer pelo mundo sentados em nosso sofá acessando o conteúdo gratuito do Youtube, ou assistindo filmes, documentários  e séries da Netflix a 24,90.

Quando, por alguns reais e 99, centavos temos acesso à rede mundial, ao mesmo tempo permitimos que anônimas pessoas, físicas e jurídicas, bisbilhotem absolutamente tudo sobre o que pensamos, sentimos, escrevemos, compramos, de quem, quando, onde e por quê, sem que nos informem quando o fazem e com quais finalidades.

Desde os primórdios a estrutura do que conhecemos como "a civilização" teve como alicerce e centro os que detinham o poder, ou seja, aqueles que assumiam o custo de oprimir, amedrontar, controlar (governar e democracia são os termos mais hipocritamente palatáveis), enquanto os demais sempre  adequadamente instados à submissão, ao medo, à covardia, sem voz, sem vontades, sem desejos, optantes involuntários a darem-se por satisfeitos em estar e permanecer vivos. Isto já não é mais tão assim.


A história da civilização, portanto, é a trajetória de dois grupos de humanos antagônicos, mas interdependentes, que vem desde um primeiro estágio onde ambos desconheciam o que se passava dentro da cabeça do outro, até os nossos dias quando contínuos recursos de comunicação encurtam este distanciamento ao oferecerem, cada dia mais, e mais rápido, acesso ao conhecimento das intenções e estratégias de cada um. Parte deles foram: o cavalo, a roda, a navegação, a prensa de Gutemberg , a máquina a vapor, a mídia impressa, a eletricidade e a consequente luz elétrica, a telefonia fixa, o rádio, o motor a combustão, o gravador de áudio,  a eletrônicacomputaçãoa televisão, o vídeo tape,  a internet, a telefonia celular, e, last but not least, as redes sociais. Neste percurso, o poder foi suavemente passando de algoz a vítima. Até recentemente, enquanto aumentavam os recursos do cidadão para questionar os detentores de todos os poderes, estatais ou privados, pois eram eles que ditavam (produziam e distribuiam) o conteúdo de acordo com suas necessidades de manter o controle, o fluxo de informação que, por séculos, só corria em uma direção, ganhou uma via em sentido inverso graças a uma tecnologia que a cada nova descoberta incrementa o fluxo e a velocidade do tráfego e graças a Tim Berners Lee, criador da World Wide Web, a grande teia mundial, empoderando a população - antes passiva e subjugada - com uma ferramenta capaz de confrontar as oligarquias e por em dúvida a capacidade de o modelo atual de democracia dar conta (que, por 2 séculos, serviu de biombo, ou verniz de legalidade, para as arbitrariedades, e até mesmo atrocidades, para garantir a perpetuação delas no poder), pois até onde se percebe ele se mostra impotente e paralisado, incapaz de gerir o caos provocado por bilhões de vozes dissonantes cujo resultado é a união no radicalismo superficial na tese, onde podem concordar minimamente, e raivoso na ação, onde podem divergir, agredir e se destruírem mutuamente.

Refletir sobre o mundo de hoje e projetar um amanhã possível e que já se avizinha, é o que pretendo fazer no intuito de me entender neles e dar alguma contribuição para você fazer o mesmo.

Para complementar:

Fonte: XP Investimentos: "Hoje, para cada criança jogando futebol, basquete, baseball e futebol americano no mundo, há 6 outras jogando videogames."  


"O mimo crescente nas universidades", uma crônica de Rodrigo Constantino em . Vídeo de 1h:45. Quem tem filhos nas universidades deve assistir desde o começo, e quem tem filhos menores pode pular para 1h:00.

RESENHAS DE 1984 

Feita por Ayone Simões, em 2016:.

- Feita por Paulo H. S. Pirasol, em 2020.   

RESENHAS DE ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

- Longa, feita por Ignácio Ramonet, atualizada em 2019. 

- Mais simples, feita por Layara Baltokoski,  de 2015.  

 

quarta-feira, março 25, 2020

O ÓBVIO ULULANTE E O CAPITÃO MALUQUINHO


O processo cognitivo humano é lento. O caminhar do entendimento dos fatos até sua real compreensão é em etapas. Segue não linear e saltitante até que... eureka!, então era isso!? Só isso!?

Aposto que você que me lê tem percebido que desde a primeira vez que ouviu sobre esse tal Covid-19, tem passado de uma certeza a outra a cada novo dia, a cada novo zap que lhe chega, a cada entrevista do ministro da saúde ou de um governador mais midiático, a cada má intenção interpretativa de algum órgão da imprensa televisiva, principalmente, ou jornalista em particular.

Depois de, podemos considerar, duas semanas de enxurrada de informações isentas, outras especializadas, outras falsas, outras mal intencionadas, estamos chegando à compreensão de que não temos pandemia virótica, pelo menos não diferente de tantas outras que nos rondam. A realidade que emerge é a total pandemia da falta de infraestrutura na rede de saúde capaz de dar conta ao atendimento adequado e eficaz àqueles de nós, infectados, que estiver mais propenso a desenvolver uma enfermidade mais grave do que uma simples "gripezinha", essa que não vai afetar a absurda maioria de nós.

A continuarmos nesta insana trilha de indiscriminadamente todos nos mantermos em quarentena domiciliar por um tempo que ninguém sabe qual, teremos como resultado um volume de mortes muito maior causado pela fome, violência, depressão e outros males consequentes. Isto parece que agora pulula como um outro óbvio.

Não estamos, como país, sozinhos na escalada da expansão do vírus. O que o noticiário nos evidencia é que há uma diferença básica entre aqueles onde existiam leitos e equipamentos suficientes (Alemanha e outros), e aqueles que apresentam sérias deficiências na infraestrutura de atendimento hospitalar (Itália, Estados Unidos, Brasil...).  Os primeiros não precisaram radicalizar nas medidas de restrição à livre circulação, enquanto os demais estão caminhando para o caos econômico e social.

Eis o óbvio ululante: a única ação que nos livrará no menor tempo e no menor custo dos danos desta virose é a imediata e intensa criação de leitos e equipamentos em uma quantidade acima da mais pessimista previsão de volume de casos críticos, num verdadeiro "esforço de guerra". Quem não entendeu ainda essa parte da solução problema?

Nosso "capitão maluquinho" já entendeu isso, me parece. O problema dele é sua monumental incapacidade de se comunicar, seja como um líder, seja como um estadista, seja como Presidente da República em sua mais simples atribuição: falar à nação. A pergunta que me faço é que, já sendo vários os fatos que evidenciam tal incapacidade, por que diabos ele ainda abre a boca já que este é o óbvio mais ululante entre todos?

Quando, portanto, senhor Mandetta, sendo eu um idoso com 1 ou 2 cormobidades, vou poder sair de casa com a tranquilidade de que, caso venha a ser infectado, serei pronta e eficazmente atendido? 

P.S.: Mensagem que enviei pelo Whasapp dia 26/3/20:

Povo governante de todas as esferas! Parem de bater cabeça pois o óbvio é ululante, gritaria a plenos pulmões Nelson Rodrigues se vivo fosse. A única estratétigia que resolve é usar todas as táticas imagináveis para disponibilizar leitos, equipamentos e profissionais de saúde em quantidade maior que a mais pessimista previsão, pois, é certo, a contaminação só acabará quando TODOS estivermos infectados. Chama-se isso de "esforço de guerra" concentrado. O resto é discussão hipócrita, política e inócua.


terça-feira, outubro 22, 2019

CHI-CHI-CHI, LE-LE LEVANTE DOS EXCLUÍDOS!!!

Indicação de leitura prévia (pela ordem): A CONSCIÊNCIA DOS EXCLUÍDOS 


A surpresa foi inevitável? Quê? Manifestações (18/10/19) desta ordem de violência no Chile? País com  renda média o dobro da brasileira? Espero, busco mais informação e...


Por trás, na base, o aumento da desigualdade entre o andar de cima e os demais. Frustração. Como o tema é difícil de ser sintetizado para a massa, vamos ao popular e levantemos bandeira contra o aumento das... passagens.  Como a frustração é em escala mundial, no Líbano a reação (17/10/19) foi com base na intenção do governo de taxar em cerca de R$ 0,83 as ligações pelo Whatsapp!!! 


A instantaneidade da comunicação e seu alcance em termos de volume de cidadãos, é uma realidade inevitável e, para o Poder, um problema de governabilidade e passível de só ser controlável depois de muitas mortes (neste instante já são mais de 10 no Chile). O fosso, portanto, é o mote, mas a ação reativa é proporcionada pela era digitrônica, era com caminho sem volta. E aí vêem muitas perguntas sem resposta neste momento.

Como já demonstrado, caminhoneiros podem parar um país prejudicando todos os demais milhões de cidadãos com o único argumento de estarem defendendo seus interesses particulares que têm a seguinte lógica: se o preço do combustível cai, eles querem a manutenção da tabela de preços do frete, mas se o preço subir querem liberdade para cobrar o que acharem devido! Ah! Mas sempre foi assim! Exatamente, a diferença é que "nunca antes na história deste país" jamais houvera uma greve como a de maio de 2018! Antes não havia mecanismo de arregimentação para formar uma força capaz de contrabalançar os interesses do capital (no caso). A partir de agora é possível em poucos minutos convocar um contingente de excluídos para, em turba descontrolada, depredar, saquear, incendiar o que estiver pela frente, tudo em nome "do interesse imediato dos excluídos". Políticos querem que "o povo se exploda", diria o personagem Justo Veríssimo criado pelo gênio Chico Anysio. Caminhoneiros idem. Desempregados idem. Precariados idem. Excluídos idem.

O sistema democrático, como concebido até aqui, terá tempo e condições de se re-inventar? Ou seja, a democracia por meios exclusivamente da representação indireta tem como fazer uma autocrítica rápida e profunda para encontrar um novo modelo capaz de comportar a era digitrônica? E, no Brasil, com a agravante de o dinheiro, portanto, o poder, estar centralizado na esfera federal, ou seja, a distância entre as demandas/necessidades dos cidadãos está a uma distância intransponível daqueles que têm a in/capacidade de legislar/decretar.

Em 8 de agosto a reforma da previdência foi aprovada em segundo turno na câmara e enviada ao Senado. Hoje, 22 de outubro, espera-se pela aprovação em segundo turno. Detalhe: governo e Senado fecharam acordo para não alterar o projeto da Câmara de modo a que este não tivesse que voltar a ser reavaliado e votado pelos deputados e, mesmo assim, são mais de 60 dias decorridos e estamos onde estamos! Isso por que, finalmente, chegou-se a um consenso de que o país estava (ainda está) a caminho da falência provocada pela Constituição de 88, aquela que dá todos os direitos aos cidadão e todos os deveres ao Estado, sem qualquer noção de ou menção à responsabilidade por quem paga a conta!

Sem necessidade de legenda.
Os interesses individuais, particulares, familiares, escusos ou republicanos, continuarão a embotar a visão dos integrantes do parlamento? O encastelamento no Poder levará à construção de um muro virtual em torno da praça dos 3 poderes para manterem-se protegidos da turba ensandecida? Ou, dado que tá difícil andar na ruas e voar em aviões de carreira, mesmo que de primeira ou executiva, vão ter que incluir no orçamento da União uns jatinhos para levar nossa oligarquia pelos céus do Brasil e além?

E se a democracia representativa, independente da vontade dos políticos, vier a ser implodida de fato por uma democracia direta manifesta por redes sociais e movimentos de rua através delas convocados? E agora José, Jair, Luis, Rodrigo, David e outros pretendentes a Rei: o que decidem? Uma coisa é certa, não importa o que os detentores do poder farão ou não farão, um novo sistema será criado mesmo que na marra, pelo simples fato de que algum sistema é preciso ter por base para a vida econômica pode girar. Simples assim.

Ex-Ministro Delfim Netto ao lado de provável General.
Nos primeiros anos da ditadura militar - sim, foi ditadura, foi golpe, foi governo de exceção, foi defesa dos interesses da classe média, foi afastamento de pretensões socialistas, foi combate à guerrilha de dilmas e dirceus, e foi o que abriu as portas para o que está aí, tudo junto e misturado - eu ouvia pela boca de Delfim, que era preciso crescer para dividir o bolo. Hoje constata-se que ele estava corretíssimo: dividiu-se o bolo para os que tinham mais, tirando dos que tinham menos, e aí está o resultado. Dia desses vi o seguinte número: a renda média/mensal em 2018, PRESTA ATENÇÃO, dos 1% brasileiros mais ricos é de cerca de 27,7 mil reais! Enquanto o rendimento dos mais ricos cresceu no ano 8,4%, a queda do rendimento dos 5% mais pobres foi de 3,2%. Entendeu a lógica suicida? Hoje, olhando à distância, tal estratégia - aumentar para distribuir - me soa ilógica. Considerando que a riqueza é medida pelo PIB e que este é resultado da fórmula quantidade de transações multiplicada pelo preço, consequentemente se você aumentar a quantidade de transações estará aumentando o PIB e, consequentemente, a renda per capita! Ora, fica simples entender que se há mais renda para quem tem menos, quem tem menos gasta mais, ou seja, aumenta o giro de transações, mais transações, mais produção, mais renda... Não é difícil de entender, concorda?

O gráfico não em referência a ano, mas é daí para pior.
A primeira mudança para diminuir o abismo é investir junto aos mais ricos para que entendam que quanto maior for a classe média, maior será o mercado (vide mercado americano, alemão, escandinavo e outros), maiores serão as vendas e o ciclo tenderá a ser virtuoso. Para isso, o rendimento de uma aplicação financeira pura(*) no mercado de capitais, na renda fixa ou em fundos de qualquer natureza, não pode ter uma tributação de 15% (algumas até mesmo isentas do IR) enquanto o rendimento do capital a serviço da produção e prestação de serviços paga 34% ou mais! As propostas para uma Reforma Tributária já foi catapultada para 2020 e não tenho informação se uma proposição como esta minha estará contemplada pois ricos têm a infeliz ideia de acharem que vão levar para o Paraíso suas fortunas, mesmo sabendo que no caso dos Faraós isso parece não ter dado muito certo.

Gráfico não datado, mas é daí pra pior.
Uma segunda mudança, também inserida numa futura Reforma Tributária, é a distribuição dos recursos arrecadados. No período da governança militar e depois, foi crescente a transferência dos recursos dos municípios e estados para os cofres do Tesouro Federal. As razões para tal movimento, se foram justificáveis à época, não o são mais. É fundamental uma intensa descentralização da arrecadação de modo a deixar municípios e estados com a maior fatia. Há que se estabelecer uma dinâmica ágil de comunicação e ação entre os anseios da população e as fontes de solução (vereadores e prefeitos, principalmente). Não é em Brasília, mas nas cidades que o cidadão demanda solução nas áreas de educação, saúde, transporte e mobilidade. Contrariamente a este fato inquestionável, indiscutível, a quase totalidade dos municípios e estados está quebrada, com sua arrecadação comprometida com a folha do funcionalismo e de seus pensionistas! Este princípio está no conteúdo das propostas do atual governo federal, mas, como já sabemos, de tão importante a Câmara deixou para 2020.

Gráfico não datado, mas é daí pra pior.
A terceira, visceralmente ligada à segunda, é a estrutura das bases de cálculo dos impostos. Rentistas pagam 15% de IR enquanto consumidores pagam, na maioria dos produtos, impostos entre 30% e 70%!!! Como considero esta inversão uma completa maluquice, e como inverter isto é fundamental para o desenvolvimento do país, tal proposta ficou para ser analisada... em 2020.



Tudo isso só pra cutucar neurônios em descanso. Fui.


(*) Denomino "pura" a aplicação que tem rendimento 100% do rendimento independente da ação do investidor. Ter ações de uma companhia listada em bolsa, em nada pode se equiparar a uma participação societária em uma empresa de responsabilidade limitada.



As imagens aqui inclusas foram obtidas na internet e sem identificação de autor. Caso você seja autor de alguma, por favor me informe para que possa incluir o crédito.

terça-feira, janeiro 15, 2019

MIOPIA & HIPOCRISIA

Tem chegado a meus ouvidos e olhos análises de "especialistas" sobre o que está acontecendo no mundo no âmbito dos sistemas políticos e das manifestações populares. Sem exceção, um misto de miopia e hipocrisia. As interpretações passam por culpar o neoliberalismo, o radicalismo de direita, a decadência do ocidente, o trumpismo e, em nosso quintal, o bolsonarismo, a ditadura da justiça (leia-se Moro), a democracia fake do petismo e por aí em diante.

Todos ignoram que as regras de convivência/relacionamento já foram viradas de ponta cabeça. Para não elocubrar demais, podemos considerar como início desta virada a queda do muro de Berlim e na consequente globalização da produção industrial, e como marco do final da cambalhota, o advento das novas ferramentas de comunicação que iniciaram, no meu entender, a era digitrônica.

Os modelos de sistemas políticos, qualquer um deles, foram concebidos para uma era em que o poder político detinha os meios e as ferramentas para manter a plebe, o povo, os súditos de todas as estirpes dentro dos limites de atuação desejáveis, qual seja, de baixíssima chance de manifestação de vontade, de dizer não, e de rebelião. Ao longo dos séculos isto foi mantido tanto por ditaduras mais ou menos sanguinárias, ou pela hipocrisia do voto nas democracias (ou arremedos de democracias) pós feudalismo. 

Uma das novas características é o abismo colossal entre os sistemas de comunicação existentes na República de Platão e o mundo digitrônico contemporâneo, abismo que continua e continuará se aprofundando dia-a-dia. O poder não tem mais o tempo e a distância a seu favor, elementos fundamentais para transformar em "favas contadas" as ações carregadas, principalmente, de intenções inconfessáveis. No segundo seguinte de uma ação a reação se espalha na Rede e um movimento de repulsa, ou ao contrário, de aprovação a ações confessáveis, se estabelece e agiliza o desfecho. Para exemplo, reporte-se às manifestações sabatinas na França forçando Macron a rever suas decisões e "pedir penico", dizem os amigos no bar e à pressa com que ingleses se colocaram numa sinuca de bico decidindo, por parca margem, sair da UE.

Uma segunda característica é que as nações não são governadas por um poder politico centralizado ou federativa e moderadamente descentralizado. O poder político agora está a serviço dos grandes conglomerados empresariais em todas as áreas de atividade, quer industriais, quer comerciais, quer de serviços. As empresas familiares de todos os portes acabaram e eventuais heroicas resistentes estão ladeira abaixo em direção a um fim melancólico. Neste contexto, estamos na era dos acionistas pulverizados e dos executivos super-remunerados.

Não bastasse, como terceira característica, organismos multinacionais como ONU, OEA, OTAN, Banco Mundial, União Européia, estão perdendo relevância e tendo seus objetivos de existência questionados por nações ao redor do globo. No caso da UE, outras nações só estão à espreita do desfecho do Brexit para decidir que caminho tomar. O que quero salientar com isto é: tudo passou a ser questionável, ou por ser velho e inadequado, ou, pior, por ser novo e na dúvida quanto à eficácia, rejeitado.

A quarta, e principal característica, é a incontrolável explosão da informação e a consequente fragmentação do conhecimento. Não sabemos de nada por inteiro, mas nos achamos capazes de opinar sobre tudo. E enquanto não é mais possível manter uma verdade em pauta por períodos longos o suficiente, a verdade oposta nos chega num bip sonoro na palma da mão.

Vou encerrar por  aqui deixando dois vídeos que exemplificam o que acabo de afirmar. Antes de assistí-los, responda estas duas perguntas:

1 - O Brasil está desmatando as florestas em ritmo acelerado e não está dando aos índios as terras que lhes são de direito?

2 - O planeta está superaquecendo e os objetivos do acordo de Paris precisam ser urgentemente alcançados?











Até um par de anos atrás, as informações apresentadas por Evaristo de Miranda, chefe da Embrapa Territorial em sua palestra no evento O Grande Desafio do Século XXI, teriam sido do conhecimento apenas da plateia presente. Do mesmo modo, a entrevista do professor Luiz Carlos Molion no programa Canal Livre teria ficado restrita aos telespectadores da Band. Hoje, ambos os vídeos estão no Youtube e sendo distribuídos para uma massa gigantesca de pessoas por whatsapp e blogs como este. Enganar a todos ainda é possível, mas por um tempo muito curto.