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quarta-feira, maio 19, 2021

FUI MAL!

Ontem, 18/5/21, repassei, para vários de meus contatos, uma mensagem, recebida no WhatsApp, relativa a uma pesquisa sobre a marca Toyota. Pouco depois de repassar para alguns, desconfiando de que poderia ser falsa, parei de repassar mas, evidentemente, já era tarde. O que digo a seguir é muito mais que um "mea culpa", é o reconhecimento de uma realidade da atual Era Digitrônica para a qual ainda temos muito a aprender e muito a interiorizar como atitudes padrão, principalmente, no uso de celular.

Desconfiar, por princípio, de toda mensagem cujo remetente não se conheça, ou que tenha sido repassada (ou seja, mensagem que não tenha sido criada por quem a enviou) mesmo o remetente sendo de suas relações. Não respeitar esta regra, foi meu primeiro erro. Quem me enviou foi um amigo que, além de só ter veículos Toyota há mais de 15 anos, faz trocas em média a cada 2 anos numa mesma concessionária, fato que me fez ignorar todo e qualquer cuidado. Por esta razão, simplesmente assumi a mensagem como "inocente" e verdadeira. Consequentemente, relaxei e... cliquei.

Quaisquer que sejam os apelos, evitar participar de pesquisas via internet (celular ou computador). No caso de ter interesse pelo que está sendo proposto (p. ex., pesquisa sobre projetos de lei da Câmara dos Deputados), primeiro se questionar se realmente é relevante responder e, se o fizer, fazê-lo diretamente no site da entidade produtora/organizadora e, preferencialmente, não pelo celular, mas pelo computador, onde, provavelmente você tem um antivírus para acionar. Meu segundo erro foi, portanto, ignorar tudo isso. Relaxei e... cliquei.

Levar em conta, antes de "encaminhar" qualquer mensagem, que seus contatos (amigos, familiares, prestadores de serviço, etc.) mais provavelmente não têm os mesmos interesses que os seus. Sacou? Saquei, mas... ignorei!

Não bastassem as artimanhas dos fraudadores para nos pegar, por conta de uma pandemia associada a uma política de implantação do medo, estamos enfiados, entediados, dentro de casa, jogando paciência no celular (neste meu caso), e, não tendo o que fazer, "procurando sarna para me coçar", fiz... merda. Então,... cliquei e... fodeu!

Fodeu porque depois de achar ter feito merda, liguei para meu amigo para me certificar. Pedi que ele entrasse em contato com a concessionária e a resposta foi... "É falso e, provavelmente, é vírus!". Fodeu!

Me desculpar com aqueles que foram destinatários e abriram a mensagem como eu, é minha obrigação, mas não resolve p**** nenhuma. Espero sinceramente que você não tenha sido tão imbecil quanto eu fui. Mas caso você tenha cometido o mesmo erro, respire, penitencie-se perante os deuses, prometa a si mesmo internalizar a desconfiança como padrão de comportamento básico na lida com esses diabólicos dispositivos, e obrigue-se a alertar e instruir os seus para os perigos e armadilhas que a "rede" nos traz.

Para terminar, pesquisei no Google "mensagem toyota é vírus" e o que vem como resposta é uma enxurrada de denúncias de golpe deste tipo (faça você também a pesquisa). De qualquer forma, adianto Neste link a descrição do que interesse ao caso aqui relatado. Importante observar que só quem chegou até o final e instalou o aplicativo é que parece estar sujeito a ter dados "roubados" (não foi o meu caso).

Fui! Mal.

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quinta-feira, novembro 12, 2020

MUNDO NOVO, ADMIRÁVEL OU ABOMINÁVEL? – A FASE PANTRÔNICA


A pandemia da COVID-19 introduziu, no processo de desenvolvimento da digitrônica, uma variável nova, não esperada, de amplitude global, e com um poder de transformação social e econômico ainda não dimensionado corretamente. Desconsideremos a origem do vírus, as razões que o levaram a se expandir e todas as teorias de conspiração. Vamos partir de um olhar sobre a inter-relação entre a digitrônica e esta pandemia, para chegar à projeção de um futuro próximo onde se imagina virmos a adotar novos padrões de comportamento na condução de nossas vidas.

Alguém estimou recentemente que a pandemia acelerou o processo de expansão dos padrões digitrônicos em pelo menos 5 anos. É provável. A aceleração provocada pela velocidade de propagação do vírus, associada ao total desconhecimento sobre seus efeitos e inexistência de tratamento, trouxe para o debate em rede gente de todos os lados, nível de formação/conhecimento, matizes de pensamento, posicionamento político, correntes de pesquisa etc.

O surgimento de “youtubers” nestes últimos 8 meses foi explosivo. Em muitas áreas. O confinamento nos tirou dos espaços - praças, ruas, trabalho, bares, futebol etc. - onde nos reuníamos para nos informar, opinar e protestar, e nos limitou a uma tela – de celular, notebook, computador e/ou televisão –, apresentando um rosto, muitas vezes desconhecido até então, com o qual passamos a dialogar, discutir, e tomar como fonte primária de informação.

A pantrônica é a fase da digitrônica em que nos foi proposto/imposto um mundo confinado entre nossas próprias 4 paredes, condenados a um não-viver, sentenciados sem sentença, sem recurso, e sem um “Supremo” que nos salve. A pantrônica nos colocou em quarentena indeterminada e trabalhando em nossas instalações caseiras (e precárias para a maioria dos brasileiros), junto com nossos filhos apartados do acesso à formação e ao conhecimento, num convívio novo e difícil para pais e filhos. Ela nos tirou beijos, abraços, carícias, cumprimentos, inter-relações e proximidade. Se aumentou o convívio matrimonial, expôs rusgas, diferenças, desavenças, aumentou o número de divórcios, de suicídios e de agressões físicas. 

Por conta e ordem de governadores e prefeitos, boa parte da classe média formada pelos comerciantes de pequeno e médio porte ruiu, faliu, e, tendo dilapidado um patrimônio amealhado por anos, migrou para um ou mais degraus abaixo na escala socioeconômica. Destruiu quase que totalmente um setor inteiro, o de viagens (a trabalho e turismo). Consequentemente, os gigantes da indústria da aviação devem estar às voltas tentando descobrir para onde ir. Você já parou para imaginar quando vai ser preciso construir novos aviões tendo milhares parados em solo e demandando manutenção? Para não acusá-los de não serem equânimes, e já que não faziam mesmo parte da "força de trabalho" formal, jogaram a quase totalidade dos trabalhos informais nos programas assistenciais do governo federal. Nem catador de latinha ficou de fora.

A pantrônica expôs de um modo chocante a hipocrisia dos políticos, seus interesses escusos, a crueldade da corrupção que não arrefece nem quando se trata da saúde dos cidadãos, evidenciou a “guerra” entre nações e a intolerância religiosa perigosa e assustadoramente crescente.

A pantrônica nos oprimiu. Aos reagentes à detenção involuntária, por desobediência civil ou por necessidade de sobrevivência, nos impingiu o uso de uma máscara ineficaz quanto à proteção de nos infectarmos, mas que cumpre o papel de nos lembrar segundo a segundo que somos manipulados por um poder disseminado, distribuído por cidadãos cooptados pelo medo. Pelo medo, me sinto no direito de apontar o dedo, ou a voz, para aquele que não a está usando. Pelo medo de ser acusado como responsável por alguém ser contaminado, dirigentes de empresas contratam “fiscais da moral do comportamento social” para se postarem nas portas de suas instalações armados de spray com álcool e medidor de temperatura (ai de você se se negar a ser submetido!).

A pantrônica colocou nos “trading topics” das discussões políticas o que há décadas é discutido sem que se tenha um consenso: a renda mínima para a população dos excluídos da vida econômica moderna. Não só. As pessoas não tendo coisa melhor para fazer no enclausuramento forçado, voltaram debater sobre escola sem partido, ideologia de gênero fora e dentro das escolas, cotas raciais para tudo etc.

A pantrônica não vai terminar tão cedo por mais cedo que se tenha uma vacina amplamente testada, eficaz e segura. É só você fazer um exercício básico. Comece imaginando quando se iniciará um processo de retrocesso nas medidas autoritárias a que estamos submetidos. Depois, tende desenhar um plano para tal desarticulação (lembre-se das idas e vindas que já estamos assistindo em muitas cidades) e acrescente aquela variavelzinha sempre incômoda: o tempo. Não pare por aí. Vá juntando um fato científico aqui outro ali, para descobrir que imunizar 7,5 bilhões de indivíduos vai levar certo tempinho. E acrescente a cerejinha do “cupcake”: os debates acirrados sobre a aplicação voluntária ou compulsória da “vachina” ou que outro rótulo ela venha ganhar.

Finalizando. A “combo” promocional China-vírus-disseminação-políticos-pseudocientistas-medo-de-morrer, vai levar muitos anos para sair de oferta. Façam suas apostas.

Na próxima semana (acho que finalizo esta série) trato, finalmente, de como poderá vir a ser um mundo possível próximo: admirável ou abominável?

Este texto contribuiu para aprimorar sua visão sobre o tema? Se você tem um comentário, uma sugestão ou uma crítica a fazer, você pode usar meu whatsapp particular.  Por importante, serei grato pelo seu feedback.

sábado, abril 04, 2020

NO DIA DEPOIS...

Tive que sair para comprar álcool em gel. Coloquei a máscara que eu mesmo fiz e fui de carro à rua principal do comércio. Passei por mais de duzentas pessoas e apenas 3 usavam máscara.

Fui à farmácia e nenhum dos atendentes, inclusive as caixas, não usavam nem máscara, nem luvas (M&L). Passei pelo posto e nenhum frentista usava máscara, pelo menos.

Enquanto isso Bolsonaro e Mandetta se bicam sobre o imediato e ambos não se dão conta de que há uma realidade que irá se impor independente do que pensam, do que acreditam, do que fazem, do que discordam. Enquanto o Ministro se concentra em evitar o caos na estrutura hospitalar, o Presidente se preocupa com a paralisação da economia. Se bicam quando se complementam, pois se qualquer delas se efetivar, milhões e milhões de brasileiros serão drasticamente afetados.

Presidente e ministros, principalmente os da Saúde, da Economia, da Infra-estrutura e da Educação, ainda não perceberam, ou, se perceberam ainda não estão agindo para nos antecipar à nova realidade que se estabelecerá no dia depois desta pandemia. Uma prova desta miopia é a campanha que acaba de ser lançada pelo governo para ensinar à população a fazer máscara caseira. Chegaram atrasados. Nas redes sociais há dias circulam vídeos mostrando as mais variadas formas delas serem feitas. Isto todos nós podemos fazer. O que a cegueira não deixa ver é que nós não temos força para obrigar o uso de M&L a todos os que desejam ou precisam ir às ruas, e os que trabalham atendendo o público. Só as instituições que detêm legalmente o poder de polícia é que o podem. Os chineses já sabem o valor do uso de máscara há muito tempo, basta ver o vídeo ao final deste post.

E a razão para a ação dos governos de todos os níveis em fazer cumprir tal obrigação é muito simples: no dia depois da pandemia uma nova vida se imporá, com novos padrões de higiene pessoal, com uma estrutura hospitalar muito mais bem preparada e, queiramos nós ou não, o uso de M&L será o melhor instrumento que teremos para enfrentar os próximos COVIDs, porque isto é o mais eficaz para a redução da transmissão do vírus.

As consequências que esta pandemia irá causar na humanidade serão tão devastadoras para a continuidade da vida dos sobreviventes que a discussão sobre quarentena, vertical ou horizontal, será considerada como um delírio de um passado a ser esquecido. 

Simplesmente o mundo levará alguns anos para recuperar o nível médio de qualidade de vida que existia até dezembro de 2019, independente de qual ele era. Ou somos instados pelo Estado a obedecer a determinados padrões de conduta em ambientes públicos, ou iremos assistir os miseráveis e desassistidos sendo enterrados em valas comuns; a ver regiões pobres ficando mais pobres; ricos vendo parcela de seus patrimônios virando pó; taxas de desemprego atingindo patamares jamais alcançados; falência de negócios (micro, pequenos, médios e grandes) varrendo o mundo; países que até aqui tinham no turismo internacional um importante gerador de renda nacional, tendo suas atrações antes repletas de gente, transformadas em locais desertos. Isto e outras consequências provocarão a mais profunda depressão econômica. A paralisação provocada pela quarentena como está posta, está afetando o mais básico fundamento da economia de mercado: a quantidade de transações monetárias em um dado sistema, ou seja, quanto menor o total de transações, mais pobre é uma sociedade. Onde não há uma dinâmica de troca de serviços e mercadorias todos perdem mesmo aqueles que no período de crise são enganosamente beneficiados, pois terão o patrimônio desvalorizado, seja em ações em bolsa de valores, em imóveis etc., tal como todos nós.

Esta é uma constatação, não uma crítica a qualquer estratégia. A tomada de decisão em situações críticas e, pior, quando envolve vida ou morte de cidadãos, é dificílima (assistir as aulas de Michael Sandel no YouTube). Chamo a atenção para a necessidade do reconhecimento de que outros vírus nos acometerão no futuro e que não poderemos estar tão despreparados, tão sem táticas de prevenção e proteção, como estivemos até aqui, pois não podemos ter uma outra crise econômica como a que enfrentaremos nos próximos meses. Uma resultante paralisação das atividades em todos os setores da economia simplesmente não poderá se repetir. 

A atual alternativa de quarentena só se justifica, grosso modo, porque: 1) a infra-estrutura de saúde não tinha (e ainda não tem) capacidade para lidar com o volume de casos que demandam assistência hospitalar; 2) a indústria de insumos para produção de equipamentos está nas mãos de pouquíssimos fornecedores; 3) a população não tem hábitos de higiene pessoal e de práticas de interrelacionamento e convívio social capazes de reduzir as chances individuais de infecção; e 4) a falta, no nosso caso, de saneamento básico para mais de 50% dos brasileiros.


O que esperar de todos nós, cidadãos e Estado, no futuro imediato? Como indivíduos teremos que incorporar como padrão novos hábitos de higiene: frequência em lavar as mãos com sabão, uso de M&L sempre que formos às ruas ou receber alguém em casa, lavar legumes e frutas ao chegar com as compras, colocar a roupa para lavar imediatamente, usar luvas de látex sempre que for manusear qualquer coisa quando fora de casa, evitar aglomerações tanto quanto possível, aumento da distância entre pessoas nas instalações das empresa, aumento do trabalho e da educação à distância, etc. etc. etc. E isto independente da existência de uma medicação eficaz e da descoberta de uma vacina. Assista ao vídeo feito pelos japoneses mostrando o que acontece quando não se usa máscara,

Se a minha descrição sobre nosso futuro cotidiano tem algum sentido, muito mais lógico e necessário que ficar em casa (relativamente poucos podem), é nos obrigarmos já ao uso de M&L, na rua, no trabalho, no convívio social. Errados estão todos que insistem em circular e trabalhar sem máscara como constatei hoje. Errados estão todos os empregadores que não disponibilizam M&L para seus funcionários conforme a característica de cada atividade. Errados estão os governantes que, como o Prefeito daqui, acaba de bloquear todos os acessos à cidade, sem ter, obviamente, a menor noção do dano que está causando a mais de 300 mil pessoas.

Em algum dia depois do COVID-19 virá o COVID-20 ou qualquer novo vírus com novo mnemônico. Nos dias depois, portanto, teremos que estar preparados e habituados às novas regras deste que será um mundo novo, cabendo a nós decidir se será maravilhoso ou ...


COMO AGEM OS CHINESES DE HONG KONG

OS TESTES QUE OS JAPONESES FIZERAM

DEBATE NA CNN EM 7/4/20

quarta-feira, abril 01, 2020

A HIPOCRISIA DOS CANALHAS

Neste dia da mentira, cuja verdade em alguns países é a verdade da proibição de contar uma mentira, nunca os canalhas se mostraram tanto quanto até aqui. Desde o pedido de impeachment protocolado na Câmara pela deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) - uma peça rara de hipocrisia a ser catalogada nos anais das idiossincrasias da República -, até os noticiários do grupo Globo embalando com carinho o "quanto pior, melhor", passando pelas decisões oportunistas e politiqueiras de governadores derramando sangue e fel pelo canto de suas bocas, todos manipulando o caos em proveito descaradamente próprio (nem mesmo se importam com o ridículo a que se expõem).

A democracia da deputada não cobre o direito de o Presidente ter opinião diferente dela e do grupo de "aloprados" que a convenceram a fazer o papel de boi de piranha, sem a mínima vergonha na cara de não irem junto, sabedores da piada de 1º de abril em dia errado. Os editores dos jornais do grupo Globo e os jornalistas sem-caráter, que por sincera adesão ou falta de coragem se recusam a "pedir pra sair", manipulam as notícias como aquela do Prefeito de Milão que se "arrependeu" de ter se manifestado inicialmente "contra o isolamento total", esquecendo-se, todos, intencionalmente, de informar o intenso intercâmbio desta cidade, centro ocidental de criação de moda, com Wuhan, centro Chinês de moda. Não informaram que o ano novo chinês, celebrado no dia 12 de fevereiro, levou os chineses residentes em Milão a viajarem para o feriado e da China voltarem devidamente infectados. Não bastando, não lembraram aos telespectadores o fato da estrutura de atendimento de saúde ser absolutamente insuficiente para tal volume de infectados. Já a performance midiática de Doria e Witzel atingiu os mais altos níveis que o ridículo pode alcançar. Creio que nas próximas eleições a que se candidatarem, as mídias sociais farão todos lembrarem do que fizeram neste 2020 de Covid-19.

Os canalhas oportunistas tentam transformar a visão de Bolsonaro a favor de uma quarentena menos restritiva, em mais uma ameaça dele à democracia, quando graças ao Presidente, graças à sua tenacidade, graças à sua tendência ao confronto de ideias, todo cidadão brasileiro está podendo, além de refletir sobre as melhores atitudes a tomar nesta crise monumental de saúde - tanto no âmbito pessoal quanto governamental -, expor o dano à sua situação particular frente à determinação radical de uma quarentena horizontal. A hipocrisia é tão grande, que fingem não enxergar que há muito estamos praticando um modelo vertical que vem se ampliando semana a semana. Categorias inteiras de atividade estão trabalhando até mesmo em ritmo muito mais intenso. Entre elas estão todos os profissionais da saúde, da segurança, da limpeza pública, do saneamento básico, caminhoneiros, restaurantes, todas as atividades da pecuária e agro-indústria, a cadeia responsável pela logística de levar o alimento do campo à mesa de cada lar brasileiro, supermercados, lotéricas, os moto-boys, os taxistas e uberistas, as farmácias, a indústria farmacêutica e química, a de equipamentos médicos e outros necessários à continuidade de atividades que simplesmente não podem parar, as empresas de tele/comunicação,  etc. etc. etc. Mas os derrotados por Bolsonaro ignoram os fatos que não lhes são convenientes, pois nada mais interessa além de atacá-lo.

O Presidente, com seu alerta sobre o momento imediato pós controle da pandemia - ele virá inevitavelmente - fez toda uma cúpula de governo pensar mais, buscar alternativa, se conscientizar mais, e descobrir o que realmente é prioritário fazer. Este é o caminho que estamos vendo o país seguir. É adquirindo novos hábitos de higiene pessoal e de proteção individual no interrelacionamento, insistindo na quarentena dos idosos e daqueles com comorbidades que interagem negativamente com este vírus, e os governos envidando todos os esforços e investimentos no aumento da capacidade da infra-estrutura de saúde, que poderemos ter os menores índices de mortalidade e as maiores chances de rápida recuperação econômica. Mas isto será péssimo para todos aqueles que tiveram seus interesses profundamente afetados pela perda do poder e pela honestidade intransigente e rude de Bolsonaro.

De certa forma estou fazendo chover no chão molhado, pois, apesar de nada ainda sabermos sobre esse "vírus do capeta",  creio que estamos aprendendo dia-a-dia a nos defendermos dele e, com certeza, dos eventuais (ou quase certo) próximos de mesma cepa. Prova disto, é o interesse que nesta semana as redes têm mostrado sobre o que Michael Sandel nos fustiga com suas palestras na Harvard University. Para mim é quase surreal ver um mundo de gente se dando conta de que tomar decisões em situações que envolvem um ou mais de um outro, não é uma tarefa fácil. Tudo graças a uma quarentena forçada que nos obriga a pensar filosoficamente, a discutir questões éticas que nosso cotidiano não nos permite fazer.




Augusto Nunes: https://noticias.r7.com/jr-na-tv/videos/augusto-nunes-nenhuma-outra-doenca-tem-destaque-no-noticiario-monopolizado-pelo-coronavirus-30032020

24 palestras de Michael Sandel: Qual a coisa certa a fazer?
https://www.napratica.org.br/5-palestras-sobre-etica-leis-e-justica-pelo-mundo/

quarta-feira, março 25, 2020

O ÓBVIO ULULANTE E O CAPITÃO MALUQUINHO


O processo cognitivo humano é lento. O caminhar do entendimento dos fatos até sua real compreensão é em etapas. Segue não linear e saltitante até que... eureka!, então era isso!? Só isso!?

Aposto que você que me lê tem percebido que desde a primeira vez que ouviu sobre esse tal Covid-19, tem passado de uma certeza a outra a cada novo dia, a cada novo zap que lhe chega, a cada entrevista do ministro da saúde ou de um governador mais midiático, a cada má intenção interpretativa de algum órgão da imprensa televisiva, principalmente, ou jornalista em particular.

Depois de, podemos considerar, duas semanas de enxurrada de informações isentas, outras especializadas, outras falsas, outras mal intencionadas, estamos chegando à compreensão de que não temos pandemia virótica, pelo menos não diferente de tantas outras que nos rondam. A realidade que emerge é a total pandemia da falta de infraestrutura na rede de saúde capaz de dar conta ao atendimento adequado e eficaz àqueles de nós, infectados, que estiver mais propenso a desenvolver uma enfermidade mais grave do que uma simples "gripezinha", essa que não vai afetar a absurda maioria de nós.

A continuarmos nesta insana trilha de indiscriminadamente todos nos mantermos em quarentena domiciliar por um tempo que ninguém sabe qual, teremos como resultado um volume de mortes muito maior causado pela fome, violência, depressão e outros males consequentes. Isto parece que agora pulula como um outro óbvio.

Não estamos, como país, sozinhos na escalada da expansão do vírus. O que o noticiário nos evidencia é que há uma diferença básica entre aqueles onde existiam leitos e equipamentos suficientes (Alemanha e outros), e aqueles que apresentam sérias deficiências na infraestrutura de atendimento hospitalar (Itália, Estados Unidos, Brasil...).  Os primeiros não precisaram radicalizar nas medidas de restrição à livre circulação, enquanto os demais estão caminhando para o caos econômico e social.

Eis o óbvio ululante: a única ação que nos livrará no menor tempo e no menor custo dos danos desta virose é a imediata e intensa criação de leitos e equipamentos em uma quantidade acima da mais pessimista previsão de volume de casos críticos, num verdadeiro "esforço de guerra". Quem não entendeu ainda essa parte da solução problema?

Nosso "capitão maluquinho" já entendeu isso, me parece. O problema dele é sua monumental incapacidade de se comunicar, seja como um líder, seja como um estadista, seja como Presidente da República em sua mais simples atribuição: falar à nação. A pergunta que me faço é que, já sendo vários os fatos que evidenciam tal incapacidade, por que diabos ele ainda abre a boca já que este é o óbvio mais ululante entre todos?

Quando, portanto, senhor Mandetta, sendo eu um idoso com 1 ou 2 cormobidades, vou poder sair de casa com a tranquilidade de que, caso venha a ser infectado, serei pronta e eficazmente atendido? 

P.S.: Mensagem que enviei pelo Whasapp dia 26/3/20:

Povo governante de todas as esferas! Parem de bater cabeça pois o óbvio é ululante, gritaria a plenos pulmões Nelson Rodrigues se vivo fosse. A única estratétigia que resolve é usar todas as táticas imagináveis para disponibilizar leitos, equipamentos e profissionais de saúde em quantidade maior que a mais pessimista previsão, pois, é certo, a contaminação só acabará quando TODOS estivermos infectados. Chama-se isso de "esforço de guerra" concentrado. O resto é discussão hipócrita, política e inócua.