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terça-feira, outubro 22, 2019

CHI-CHI-CHI, LE-LE LEVANTE DOS EXCLUÍDOS!!!

Indicação de leitura prévia (pela ordem): A CONSCIÊNCIA DOS EXCLUÍDOS 


A surpresa foi inevitável? Quê? Manifestações (18/10/19) desta ordem de violência no Chile? País com  renda média o dobro da brasileira? Espero, busco mais informação e...


Por trás, na base, o aumento da desigualdade entre o andar de cima e os demais. Frustração. Como o tema é difícil de ser sintetizado para a massa, vamos ao popular e levantemos bandeira contra o aumento das... passagens.  Como a frustração é em escala mundial, no Líbano a reação (17/10/19) foi com base na intenção do governo de taxar em cerca de R$ 0,83 as ligações pelo Whatsapp!!! 


A instantaneidade da comunicação e seu alcance em termos de volume de cidadãos, é uma realidade inevitável e, para o Poder, um problema de governabilidade e passível de só ser controlável depois de muitas mortes (neste instante já são mais de 10 no Chile). O fosso, portanto, é o mote, mas a ação reativa é proporcionada pela era digitrônica, era com caminho sem volta. E aí vêem muitas perguntas sem resposta neste momento.

Como já demonstrado, caminhoneiros podem parar um país prejudicando todos os demais milhões de cidadãos com o único argumento de estarem defendendo seus interesses particulares que têm a seguinte lógica: se o preço do combustível cai, eles querem a manutenção da tabela de preços do frete, mas se o preço subir querem liberdade para cobrar o que acharem devido! Ah! Mas sempre foi assim! Exatamente, a diferença é que "nunca antes na história deste país" jamais houvera uma greve como a de maio de 2018! Antes não havia mecanismo de arregimentação para formar uma força capaz de contrabalançar os interesses do capital (no caso). A partir de agora é possível em poucos minutos convocar um contingente de excluídos para, em turba descontrolada, depredar, saquear, incendiar o que estiver pela frente, tudo em nome "do interesse imediato dos excluídos". Políticos querem que "o povo se exploda", diria o personagem Justo Veríssimo criado pelo gênio Chico Anysio. Caminhoneiros idem. Desempregados idem. Precariados idem. Excluídos idem.

O sistema democrático, como concebido até aqui, terá tempo e condições de se re-inventar? Ou seja, a democracia por meios exclusivamente da representação indireta tem como fazer uma autocrítica rápida e profunda para encontrar um novo modelo capaz de comportar a era digitrônica? E, no Brasil, com a agravante de o dinheiro, portanto, o poder, estar centralizado na esfera federal, ou seja, a distância entre as demandas/necessidades dos cidadãos está a uma distância intransponível daqueles que têm a in/capacidade de legislar/decretar.

Em 8 de agosto a reforma da previdência foi aprovada em segundo turno na câmara e enviada ao Senado. Hoje, 22 de outubro, espera-se pela aprovação em segundo turno. Detalhe: governo e Senado fecharam acordo para não alterar o projeto da Câmara de modo a que este não tivesse que voltar a ser reavaliado e votado pelos deputados e, mesmo assim, são mais de 60 dias decorridos e estamos onde estamos! Isso por que, finalmente, chegou-se a um consenso de que o país estava (ainda está) a caminho da falência provocada pela Constituição de 88, aquela que dá todos os direitos aos cidadão e todos os deveres ao Estado, sem qualquer noção de ou menção à responsabilidade por quem paga a conta!

Sem necessidade de legenda.
Os interesses individuais, particulares, familiares, escusos ou republicanos, continuarão a embotar a visão dos integrantes do parlamento? O encastelamento no Poder levará à construção de um muro virtual em torno da praça dos 3 poderes para manterem-se protegidos da turba ensandecida? Ou, dado que tá difícil andar na ruas e voar em aviões de carreira, mesmo que de primeira ou executiva, vão ter que incluir no orçamento da União uns jatinhos para levar nossa oligarquia pelos céus do Brasil e além?

E se a democracia representativa, independente da vontade dos políticos, vier a ser implodida de fato por uma democracia direta manifesta por redes sociais e movimentos de rua através delas convocados? E agora José, Jair, Luis, Rodrigo, David e outros pretendentes a Rei: o que decidem? Uma coisa é certa, não importa o que os detentores do poder farão ou não farão, um novo sistema será criado mesmo que na marra, pelo simples fato de que algum sistema é preciso ter por base para a vida econômica pode girar. Simples assim.

Ex-Ministro Delfim Netto ao lado de provável General.
Nos primeiros anos da ditadura militar - sim, foi ditadura, foi golpe, foi governo de exceção, foi defesa dos interesses da classe média, foi afastamento de pretensões socialistas, foi combate à guerrilha de dilmas e dirceus, e foi o que abriu as portas para o que está aí, tudo junto e misturado - eu ouvia pela boca de Delfim, que era preciso crescer para dividir o bolo. Hoje constata-se que ele estava corretíssimo: dividiu-se o bolo para os que tinham mais, tirando dos que tinham menos, e aí está o resultado. Dia desses vi o seguinte número: a renda média/mensal em 2018, PRESTA ATENÇÃO, dos 1% brasileiros mais ricos é de cerca de 27,7 mil reais! Enquanto o rendimento dos mais ricos cresceu no ano 8,4%, a queda do rendimento dos 5% mais pobres foi de 3,2%. Entendeu a lógica suicida? Hoje, olhando à distância, tal estratégia - aumentar para distribuir - me soa ilógica. Considerando que a riqueza é medida pelo PIB e que este é resultado da fórmula quantidade de transações multiplicada pelo preço, consequentemente se você aumentar a quantidade de transações estará aumentando o PIB e, consequentemente, a renda per capita! Ora, fica simples entender que se há mais renda para quem tem menos, quem tem menos gasta mais, ou seja, aumenta o giro de transações, mais transações, mais produção, mais renda... Não é difícil de entender, concorda?

O gráfico não em referência a ano, mas é daí para pior.
A primeira mudança para diminuir o abismo é investir junto aos mais ricos para que entendam que quanto maior for a classe média, maior será o mercado (vide mercado americano, alemão, escandinavo e outros), maiores serão as vendas e o ciclo tenderá a ser virtuoso. Para isso, o rendimento de uma aplicação financeira pura(*) no mercado de capitais, na renda fixa ou em fundos de qualquer natureza, não pode ter uma tributação de 15% (algumas até mesmo isentas do IR) enquanto o rendimento do capital a serviço da produção e prestação de serviços paga 34% ou mais! As propostas para uma Reforma Tributária já foi catapultada para 2020 e não tenho informação se uma proposição como esta minha estará contemplada pois ricos têm a infeliz ideia de acharem que vão levar para o Paraíso suas fortunas, mesmo sabendo que no caso dos Faraós isso parece não ter dado muito certo.

Gráfico não datado, mas é daí pra pior.
Uma segunda mudança, também inserida numa futura Reforma Tributária, é a distribuição dos recursos arrecadados. No período da governança militar e depois, foi crescente a transferência dos recursos dos municípios e estados para os cofres do Tesouro Federal. As razões para tal movimento, se foram justificáveis à época, não o são mais. É fundamental uma intensa descentralização da arrecadação de modo a deixar municípios e estados com a maior fatia. Há que se estabelecer uma dinâmica ágil de comunicação e ação entre os anseios da população e as fontes de solução (vereadores e prefeitos, principalmente). Não é em Brasília, mas nas cidades que o cidadão demanda solução nas áreas de educação, saúde, transporte e mobilidade. Contrariamente a este fato inquestionável, indiscutível, a quase totalidade dos municípios e estados está quebrada, com sua arrecadação comprometida com a folha do funcionalismo e de seus pensionistas! Este princípio está no conteúdo das propostas do atual governo federal, mas, como já sabemos, de tão importante a Câmara deixou para 2020.

Gráfico não datado, mas é daí pra pior.
A terceira, visceralmente ligada à segunda, é a estrutura das bases de cálculo dos impostos. Rentistas pagam 15% de IR enquanto consumidores pagam, na maioria dos produtos, impostos entre 30% e 70%!!! Como considero esta inversão uma completa maluquice, e como inverter isto é fundamental para o desenvolvimento do país, tal proposta ficou para ser analisada... em 2020.



Tudo isso só pra cutucar neurônios em descanso. Fui.


(*) Denomino "pura" a aplicação que tem rendimento 100% do rendimento independente da ação do investidor. Ter ações de uma companhia listada em bolsa, em nada pode se equiparar a uma participação societária em uma empresa de responsabilidade limitada.



As imagens aqui inclusas foram obtidas na internet e sem identificação de autor. Caso você seja autor de alguma, por favor me informe para que possa incluir o crédito.

terça-feira, janeiro 15, 2019

MIOPIA & HIPOCRISIA

Tem chegado a meus ouvidos e olhos análises de "especialistas" sobre o que está acontecendo no mundo no âmbito dos sistemas políticos e das manifestações populares. Sem exceção, um misto de miopia e hipocrisia. As interpretações passam por culpar o neoliberalismo, o radicalismo de direita, a decadência do ocidente, o trumpismo e, em nosso quintal, o bolsonarismo, a ditadura da justiça (leia-se Moro), a democracia fake do petismo e por aí em diante.

Todos ignoram que as regras de convivência/relacionamento já foram viradas de ponta cabeça. Para não elocubrar demais, podemos considerar como início desta virada a queda do muro de Berlim e na consequente globalização da produção industrial, e como marco do final da cambalhota, o advento das novas ferramentas de comunicação que iniciaram, no meu entender, a era digitrônica.

Os modelos de sistemas políticos, qualquer um deles, foram concebidos para uma era em que o poder político detinha os meios e as ferramentas para manter a plebe, o povo, os súditos de todas as estirpes dentro dos limites de atuação desejáveis, qual seja, de baixíssima chance de manifestação de vontade, de dizer não, e de rebelião. Ao longo dos séculos isto foi mantido tanto por ditaduras mais ou menos sanguinárias, ou pela hipocrisia do voto nas democracias (ou arremedos de democracias) pós feudalismo. 

Uma das novas características é o abismo colossal entre os sistemas de comunicação existentes na República de Platão e o mundo digitrônico contemporâneo, abismo que continua e continuará se aprofundando dia-a-dia. O poder não tem mais o tempo e a distância a seu favor, elementos fundamentais para transformar em "favas contadas" as ações carregadas, principalmente, de intenções inconfessáveis. No segundo seguinte de uma ação a reação se espalha na Rede e um movimento de repulsa, ou ao contrário, de aprovação a ações confessáveis, se estabelece e agiliza o desfecho. Para exemplo, reporte-se às manifestações sabatinas na França forçando Macron a rever suas decisões e "pedir penico", dizem os amigos no bar e à pressa com que ingleses se colocaram numa sinuca de bico decidindo, por parca margem, sair da UE.

Uma segunda característica é que as nações não são governadas por um poder politico centralizado ou federativa e moderadamente descentralizado. O poder político agora está a serviço dos grandes conglomerados empresariais em todas as áreas de atividade, quer industriais, quer comerciais, quer de serviços. As empresas familiares de todos os portes acabaram e eventuais heroicas resistentes estão ladeira abaixo em direção a um fim melancólico. Neste contexto, estamos na era dos acionistas pulverizados e dos executivos super-remunerados.

Não bastasse, como terceira característica, organismos multinacionais como ONU, OEA, OTAN, Banco Mundial, União Européia, estão perdendo relevância e tendo seus objetivos de existência questionados por nações ao redor do globo. No caso da UE, outras nações só estão à espreita do desfecho do Brexit para decidir que caminho tomar. O que quero salientar com isto é: tudo passou a ser questionável, ou por ser velho e inadequado, ou, pior, por ser novo e na dúvida quanto à eficácia, rejeitado.

A quarta, e principal característica, é a incontrolável explosão da informação e a consequente fragmentação do conhecimento. Não sabemos de nada por inteiro, mas nos achamos capazes de opinar sobre tudo. E enquanto não é mais possível manter uma verdade em pauta por períodos longos o suficiente, a verdade oposta nos chega num bip sonoro na palma da mão.

Vou encerrar por  aqui deixando dois vídeos que exemplificam o que acabo de afirmar. Antes de assistí-los, responda estas duas perguntas:

1 - O Brasil está desmatando as florestas em ritmo acelerado e não está dando aos índios as terras que lhes são de direito?

2 - O planeta está superaquecendo e os objetivos do acordo de Paris precisam ser urgentemente alcançados?











Até um par de anos atrás, as informações apresentadas por Evaristo de Miranda, chefe da Embrapa Territorial em sua palestra no evento O Grande Desafio do Século XXI, teriam sido do conhecimento apenas da plateia presente. Do mesmo modo, a entrevista do professor Luiz Carlos Molion no programa Canal Livre teria ficado restrita aos telespectadores da Band. Hoje, ambos os vídeos estão no Youtube e sendo distribuídos para uma massa gigantesca de pessoas por whatsapp e blogs como este. Enganar a todos ainda é possível, mas por um tempo muito curto.