Em
1957, ou seja, há quase 65 anos, Ayn Rand escreveu Atlas Strugged (A Revolta de Atlas), um
romance ficcional que pode ser considerado como um libelo, uma ode ao
liberalismo como o melhor e mais eficaz sistema econômico, ao empreendedorismo
como principal ferramenta impulsionadora do desenvolvimento, e à liberdade de
pensamento e ação do cidadão como seu direito mais fundamental.
Por
ser uma obra de 1.200 páginas e consequentemente ter reduzidas chances de ser
lida amplamente, vou partir dela para iniciar uma série de postagens que trarão
o que filósofos e pensadores em geral – desde séculos a.C. - nos deixaram em reflexões
sobre os mais diversos aspectos da vida, do mundo, das sociedades, da história
etc., mas, em particular, sobre os temas que mais estão presentes em nossa contemporaneidade.
As postagens poderão ter duas estruturas: ou trazendo as reflexões de vários
autores sobre um ou mais temas específicos (mas que se relacionam) ou, quando
se justificar, como no caso de hoje, reflexões de um só pensador, quando o
volume suas manifestações se justificar. Em todas as postagens haverá uma
introdução minha seguida, então, por uma lista de citações. Vou procurar
colocar o maior número possível de links onde o leitor poderá encontrar mais
informações, tanto sobre o autor quanto sobre sua obra. Ressalto que, de
qualquer forma, parte do que você vai encontrar aqui foi extraído da Wikipédia, e outra parte dos “extratos”
das leituras que faço.
As
citações selecionadas nesta postagem
não são declarações de Ayn, mas sim extraídas de falas de diversos de seus
personagens em A Revolta de Atlas.
Agrupei-as de acordo com a similaridade ou correlação dos assuntos. Como introdução,
destaco o pequeno diálogo que justifica o título (a única vez em que identifico
os personagens), e o que aparecer entre colchetes é uma anotação minha.
Franciso
D’Anconia:
Sr.
Rearden, se o senhor visse Atlas, o gigante que sustenta o mundo todo em seus
ombros, se o senhor visse o sangue escorrendo pelo peito dele, os joelhos
tremendo, os braços estremecendo, porém ainda tentando sustentar o mundo com
suas últimas forças, e se quanto mais ele se esforçasse, mais o mundo lhe
pesasse nos ombros, o que o senhor lhe diria que fizesse?
Rearden:
Eu não sei.
D’Anconia:
Eu diria: sacuda os ombros.
Bom proveito!
HOMEM, VIDA
Quando um homem pensa, há uma
luz acesa em sua mente.
O que orienta as ações
humanas? As conveniências do momento.
O homem existe para realizar
seus desejos.
O homem cujos atos contradizem
as suas convicções, não passa de um hipócrita barato.
Todo homem constrói seu mundo
à sua imagem e semelhança. Ele tem o poder de escolher, mas não tem o poder de
fugir à necessidade de escolher.
Nenhum homem representa uma
ameaça aos objetivos dos outros, se os homens compreendem que a realidade é um
absoluto que não pode ser falseado, que a mentira não funciona, que o gratuito
não pode ser possuído, que o imerecido não pode ser dado, que a destruição de
um valor que existe não confere valor ao que não existe.
Só há duas alternativas
fundamentais no universo – existência ou não existência.
Juro, por minha vida e por meu
amor a ela, que jamais viverei por outro homem, nem pedirei a outro homem que
viva por mim.
Vi que chega um ponto, na
derrota de todo o virtuoso, em que o mal necessita do consentimento desse homem
para vencer – e que nenhum mal que os outros lhe possam fazer terá sucesso se
ele lhes negar seu consentimento. Vi que eu podia dar fim aos absurdos
cometidos por vocês, pronunciando mentalmente uma única palavra. Pronunciei-a:
“não”.
MORAL, VALORES
Moralidade é o julgamento que
permite distinguir o certo do errado, é a visão que enxerga a verdade, é a
coragem que age com base no que vê, é a dedicação ao que é bom, é a integridade
de quem permanece no lado do bem a qualquer preço. Mas onde se encontra isso?
Um código aceito por escolha é
um código moral.
O homem precisa de três coisas
como valores supremos e dominadores de sua vida: razão, determinação e
amor-próprio.
FATOS, VERDADE
Não existem fatos objetivos.
Toda reportagem não passa da opinião de alguém. Portanto, é inútil escrever
sobre fatos.
Como é que você sabe o que é
certo? Como alguém pode saber não passa de uma ilusão para lisonjear seu
próprio ego e magoar as outras pessoas, exibindo sua superioridade.
A verdade é o reconhecimento
da realidade (...).
POLÍTICA, SOCINISTAS, MENTIRAS, VITIMISMO, INIMIGO
Sabe o que caracteriza o medíocre?
É o ressentimento dirigido às realizações dos outros.
Os saqueadores acham que não
há perigo em roubar homens indefesos, depois que aprovam uma lei que os
desarme.
Atualmente acredita-se que meu
próximo pode me sacrificar de qualquer modo que ele bem entender para atingir
qualquer objetivo que considere bom para si, desde que ache que pode se apossar
da minha propriedade simplesmente porque precisa dela.
Recuso-me a pedir desculpa por
ser mais capaz – não aceito pedir desculpa por ter tido sucesso -, me recuso a
pedir desculpas por ter dinheiro. (...) quando se violam os direitos de um
homem, violam-se os direitos de todos, e que um público constituído de seres desprovidos
de direitos está fadado à destruição.
Não há como fugir da justiça.
Nada no universo pode ser imerecido e gratuito, tanto no âmbito da matéria
quanto no do espírito – e e os culpados não pagam, então são os inocentes que
têm que pagar.
O único poder do inimigo é a
consciência da vítima.
[Argumenta
o defensor do governo arbitrário] A
liberdade é impossível. O homem jamais pode estar livre da fome, do frio, da
doença, dos acidentes. Ele jamais pode estar livre da tirania da natureza.
Então por que reclamar da tirania de uma ditadura política?
[A
respeito da tentativa de tirania] É só
aguentar os momentos seguintes. Depois é só aguentar mais uns momentos, uns
poucos de cada vez, que então fica mais fácil. Depois você se acostuma.
Não é preciso se preocupar com
os intelectuais. Basta botar alguns deles na folha de pagamento do governo e
mandá-los pregar exatamente a idéia de que a culpa é das vítimas.
Bastou a primeira assembleia
pra gente descobrir que todo mudo tinha virado mendigo. (...) O jeito era
chorar miséria, porque era a sua miséria, e não o seu trabalho, que agora era a
moeda corrente de lá. (...) Não há maneira melhor de destruir um homem do que
obriga-lo (...) a se esforçar por fazer o pior possível dia após dia. (...)
O homem agora se elevará por
obra dos esforços que não fez, será honrado pelas virtudes que não demonstrou
ter, será pago pelos bens que não produziu.
Não existem mentiras
benévolas, só existe destruição, e as mentirinhas benévolas são as mais
destruidoras de todas.
[O
pensamento socinista quer...] Culpar a
vitima de um assalto de corromper a integridade do marginal
Quem é você para pensar? (...)
Quem é você para saber? Os burocratas é que sabem. Quem é você para protestar?
Todos os valores são relativos!
[Para
os ditos progressistas a regra de conduta moral é...] Se vocês desejam algo, isso é mau; se os outros desejam alto, isso é
bom; se a motivação de seu ato é seu bem-estar, não o realizem; se a motivação
é o bem–estar dos outros, então vale tudo. (...) é para a própria felicidade
que vocês têm que servir à felicidade dos outros. (...) Não, os que recebem não
são maus, desde que não mereçam o valor que lhes deram. (...) É imoral viver do
próprio trabalho, mas é direito viver do trabalho dos outros. (...) É mau criar
a própria felicidade, mas é bom gozá-la quando o preço dela é o sangue dos
outros. (...) É a infelicidade que lhes dá o direito de ter recompensas.
Todo ditador é um místico, e
todo místico, um ditador em potencial. O místico quer que os homens lhe
obedeçam, não que concordem com ele. (...) A razão é o inimigo que ele teme.
(...) e quando lhe obedecem, ele passa a dar ordens contrárias, pois o que quer
é a obediência pela obediência, a destruição pela destruição.
Eles não querem possuir a sua
fortuna: querem que vocês a percam.
Elogiam qualquer
empreendimento que se pretenda não lucrativo e maldizem os homens que ganharam
os lucros que tornaram viável o empreendimento.
LIBERALISMO, LUCRO
Se, no passado, um único empresário
tivesse tido a coragem de afirmar que trabalha apenas para lucrar e o dissesse
com orgulho, ele teria salvado o mundo.
[No
ambiente da política...] Todo mundo sabe
alguma coisa que compromete todos os outros, e ninguém ousa fazer nada porque
não sabem quem vai ser o primeiro a abrir o jogo, nem como nem quando.
Os gatos ensinam seus filhos a
caçar, as aves se esforçam tanto para fazer com que seus filhotes aprendam a
voar – e, no entanto o homem, cuja sobrevivência depende de sua mente, não
apenas não ensina seus filhos a pensar como também dá a eles uma educação que
visa destruir seus cérebros, convencê-los de que o pensamento é fútil e
malévolo, antes mesmo que eles comecem a pensar.
A mente do homem é o instrumento
básico de sua sobrevivência. A vida lhe é concedida, mas não a sobrevivência.
Seu corpo lhe é concedido, mas não o seu sustento. Sua mente lhe é concedida,
mas não o seu conteúdo.
“Valor” é aquilo que se age
para ganhar ou conservar; “virtude” é o ato por meio do qual se ganha ou se
conserva o valor.
O homem que deixa que um líder
determine seu percurso é um veículo amassado sendo rebocado para o ferro-velho.
Não entro em discussão com
aqueles que acham que podem me proibir de pensar.
O mal é impotente e só dispõe
do poder que lhe permitimos arrancar de nós.
Qual é o monumento ao triunfo
do espírito humano sobre a matéria: os barracos imundos à margem do Ganges ou
os arranha-céus de Nova York?
Somente um escravo pode
trabalhar sem o direito de guardar para si o produto de seu esforço.
Quando a lealdade a um
objetivo inarredável é abandonada pelos virtuosos, ela é assumida pelos
canalhas (...)
Todo ato na vida do homem
depende da vontade.
A força, a fraude e o saque, é
só o que eles conhecem!