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quinta-feira, dezembro 12, 2024

A CIVILIZAÇÃO DO FUTURO - E está tudo bem!

 

O Leitor poderá pensar, com razão, que o título deveria ser “O Futuro da Civilização”, mas tal formulação levaria a uma percepção errada sobre as reflexões que vou apresentar. Quando me refiro à civilização do futuro estou considerando que o ocidente, neste primeiro quarto do século XXI, está em um processo de “involução civilizatória” que conduz ao fim dos parâmetros que a determinaram, portanto, ao fim desta civilização milenar. Evoluímos da barbárie às sociedades democráticas para, pelo que parece, iniciarmos um retorno à barbárie. O que a oligarquia quer nos impor é a substituição dos valores construídos ao longo de mais de 10 mil anos de guerras e muito sangue por outros que obedecem exclusivamente à “vontade de poder”[1] - melhor seria dizer “sana de poder” - sobre as massas serviçais, subjugando-as e manipulando-as com uso de todas as ferramentas à disposição para tanto: cerceamento da liberdade, ameaças de encarceramento, acusações sem provas e sem direito a defesa.

Repito algumas reflexões que, de um modo ou outro, já fiz aqui: 1) o tempo de tudo encurtou; 2) tem sempre “pato novo”; 3) a quantidade de patos, cujo crescimento é impossível de ser estancado, já atingiu um nível impossível de ser razoavelmente administrado; 4) a república democrática é uma criança, um sistema recente na nossa história - não tem mais que 250 anos –, mas adquiriu um câncer terminal que corrói as entranhas da burocracia estatal. Sua  deterioração galopante é estimulada pelas novas gerações – os tais patos novos - que chegam inventando a roda, pois não se servem do arcabouço dos ensinamentos extraídos das experiências históricas. Isto por um lado. De outro, está o desenvolvimento da tecnologia, especialmente as que justificam eu rotular nosso tempo como a era da “digitrônica”[2], cuja característica maior é o pacote volume/velocidade das informações que não nos deixa um mínimo prazo de “degustação”. O resultado sempre é uma péssima digestão, levando a uma incontrolável diarreia mental monumental de dejetos, expressa e explícita de percepções, opiniões e “verdades” absolutas, “todes mau cheiroses”.

A civilização ocidental está perfilada frente a um paredão branco de medo à espera do tiro de misericórdia. É razoável imaginarmos que nosso planeta tenha uma capacidade limitada quanto ao volume populacional administrável e que não há solução para o controle do seu crescimento. Nem todas as pandemias, guerras e catástrofes ambientais já registradas fizeram cócegas na taxa de crescimento.

Hipócritas, de todas as cores, gêneros e ideologias, discutem aquecimento global e destino de lixos tóxicos viajando mundo afora para fóruns “rega bofes” inúteis, mas confortavelmente acomodados  em jatinhos particulares, falando em celulares que serão descartados e substituídos na próxima versão a ser lançada.

Se haverá ou não um retrocesso por razões que não imaginamos, é uma aposta pessoal.

Até aqui só uma introdução para esquentar neurônios, pois o que estou trazendo só vai ficar mais preocupante.

Tenho a maior curiosidade em conhecer o que Tim Berners-Lee[3] está pensando quando assiste sua WWW sendo utilizada para fins inimagináveis  em março de 1989 quando propôs seu fantástico e inocente protocolo[4] para comunicação entre computadores de todo o mundo.

O Banco Central do Brasil criou um sistema de registro da maioria das transações financeiros chamado REGISTRATO (registrato.blog.br)[5].  Como ainda nem TODAS são alcançáveis, o BC está em final de desenvolvimento de uma moeda digital, o DREX[6], que fará o serviço que falta. A partir de  2025, o governo brasileiro dará início à jornada de convencimento[7] de todos nós para passarmos a transacionar apenas através de tal sistema, quando, então, da compra do pãozinho na padaria à venda de um bem qualquer, passando por todas as transferências de valor, ou seja, toda transação que você fizer no mercado financeiro estará registrada num grande banco de dados permitindo que o Estado tenha controle absoluto sobre sua vida[8]. O governo chinês, desde 2018, faz um controle da vida particular dos seus cidadãos através de um sistema que pontua o comportamento social[9] de modo a poder cercear seus direitos porque sua pontuação está abaixo do esperado. No nosso Brasil, pelo que parece, com o DREX estaremos bem à frente da China neste quesito.

Agora percebemos que a digitrônica foi a maior das “fake news”. O tão sonhado poder de nos expressarmos livremente para o mundo, se mostrou a grande ameaça às elites no phoder. A reação veio “a STF”. Questionar a oligarquia não pode nunca ser permitido. Ela tem sempre razão, mesmo quando não tem razão alguma. É só uma questão de manda quem pode, obedecem todos, independente de terem juízo ou não, ou a “espada da lei” cairá sobre sua cabeça. Nunca valeu tanto a regra “para os amigos tudo, para os inimigos a lei”! E a distorcem, manipulam e reinterpretam sem qualquer rubor e pudor.

Na história da humanidade não há registros de retrocesso. Quando utilizamos o termo “evolução” queremos apontar somente para uma tecnologia que tornou fazer algo mais fácil, mais cômodo, mais útil comparativamente. Dado este paço, não há mais como retroceder sem que pareçamos bárbaros. O homem que aprende a comer com garfo e faca não volta mais a comer com os dedos sob pena de ser ridicularizado ou merecer a desaprovação social com expressões de nojo. Assim foi e assim é a digitrônica. Uma era que não voltará jamais. As sociedades serão a cada dia mais e mais dependentes uns e zeros. Os cidadãos de todo o planeta serão a cada ano, a cada década, a cada século, mais e mais monitorados, robotizados, e digitalmente lobotizados.

A primeira pergunta, considerado o dito até aqui, é: no futuro próximo teremos uma nova civilização? Eu acredito que sim por uma razão: se nos milênios que nos antecederam a humanidade foi controlada pela força física, o phoder agora tem uma poderosa ferramenta para controlar a mente dos cidadãos-súditos[10]. Se no passado a servidão era voluntária, como identificou Étienne de Lá Boétie[11], nesta nova civilização a servidão é involuntária, obrigatória, a constar do registro de nascimento. Sim, portanto, é uma nova civilização que se anuncia.

A segunda pergunta, consequente, é: os cidadãos-súditos aceitarão passivamente tal condição de vida? Mais uma vez, acredito que sim. A essência do ser humano ao longo dos milênios desde que desceu das árvores, passou a andar ereto e a fazer o fogo, tem um só valor a guiar suas decisões: a sobrevivência. É ela que explica a Alemanha Nazista, a Coreia do Norte barbaramente comunista, e todas as massas seguidoras de tiranos. Tudo é pela sobrevivência. O mote é “deixe-me viver”, de resto faça o que bem entender.

Tudo bem que, Você Estado, vá me impedir de viajar para onde eu quiser, pois você controlará o fluxo migratório de acordo com os interesses de sua economia planejada. Tudo bem se eu “pecar” ao não respeitar seus 99 mandamentos e Você venha a me punir me cancelando e me tirando o potencial de sustentar a mim e a minha família com minhas postagens. Tudo bem que eu tenha perdido pontos no sistema social porque me denunciaram por não ter gritado “Hi! Fuhrer!” no desfile militar. Tudo bem que meus pontos tenham sido tão baixos que Você foi “obrigado” a ser mais rigoroso comigo e me jogado em uma cela fria! Tudo bem! Só não me tire a vida. De resto, estará tudo bem.

Sim, estará tudo bem porque os humanos se provaram benditamente resilientes, malditamente subservientes. Queremos ser felizes, sim! Mas se ser feliz for incomodar o phoder, minha felicidade não tem importância.

Navegar não é preciso, viver é preciso.[12]

 



[1] Esta expressão foi formulada por Nietzsche indicando uma característica presente no ser humano. Como consta na Wikipedia: “é a principal força motriz em seres humanos — realização, ambição e esforço para alcançar a posição mais alta possível na vida”.

[2] “A microeletrônica define o mundo em que vivemos, orienta o foco da política internacional, a estrutura da economia global e o equilíbrio do poder militar.“ Fonte: Daily Digest.

[3] Timothy John Berners-Lee KBE, OM, FRS é um físico britânico, cientista da computação e professor do MIT.

[4] Protocolo: conjunto de regras para que dois interlocutores possam se entender. A língua nada mais é que um conjunto de regras de comunicação entre dois seres humanos.

[5] Para ter acesso você precisa estar cadastrado no GOV.BR.

[6] DREX: D de Digital; R de Real; E de Eletrônica; X de nada, é só uma moda.

[7] Assim como fez com o PIX.

[8] Junte isso com o sistema chinês e você poderá começar a imaginar o que significará “controle de sua vida”: o que você come, com que tipo de pessoa você gosta de se relacionar, qual sua cor preferida, quais seus ideais políticos etc. etc. etc.

[9] Sistema de Crédito Pessoal: “A partir de dados coletados na internet, em registros governamentais e por meio de reconhecimento facial, cada cidadão recebe uma pontuação. Se a pontuação for boa, a pessoa recebe algumas recompensas sociais. Já 1 crédito social ruim pode proibir que uma pessoa se matricule em uma boa escola ou seja contratada para uma boa vaga de emprego, por exemplo. Em 2018, segundo relatório divulgado pelo Centro de Informação do Crédito Público Nacional da China, 23 milhões de pessoas foram impedidas de viajar devido à pontuação baixa.” Fonte: www.poder360.com.br

[10] Aplico este termo para separar os cidadãos que se venderão, por diversas razões, a servir como braço executor das ações regulatórias, portanto, sustentadores e avalizadores do phoder, por isto “premiados” com benesses do Estado. Entre eles: servidores públicos de todas as instâncias e autarquias, elite financeira, elite intelectual, elite cultural e elite jurídica.

[11] Pensador Francês do século XVI em seu, hoje, clássico “Discurso da Servidão Voluntária”.

[12] Evidentemente estou me referindo à poesia de Fernando Pessoa, não só invertendo sua proposição como alterando totalmente seu significado. Se Pessoa utilizou “preciso” no sentido de “exatidão”, eu a uso no sentido de “necessidade”. Saiba mais aqui: 

https://www.pensador.com/navegar_e_preciso_viver_nao_e_preciso/ .

quinta-feira, outubro 03, 2024

O FIM DA INOCÊNCIA


A cultura popular, quando trata temas políticos complexos, idealiza uma conspiração para dar bases para a compreensão do incompreensível. Todos já vimos isso. Uma dessas vezes, que é recente e ainda não esfriou, é a de que por trás da vida política nonsense que estamos assistindo desde 2018 é resultado de uma conspiração capitaneada por meia dúzia de bilionários e/ou pela ONU e/ou por algumas entidades ligadas ao governo norte-americano.

Pois bem, acaba de chegar às redes sociais um denso trabalho do jornalista americano Michael Shellenberger, um raríssimo profissional que honra as calças e os valores de sua profissão. Isto me chegou hoje pela manhã através de uma postagem do jornalista Fernão Lara Mesquita em seu canal do Youtube em que ele resume para seu interlocutor, o escritor e historiador Laudelino de Oliveira Lima, o que Shellenberger “garimpou” em documentos e relatórios oficiais de diversas instituições. E aqui faço uma observação absolutamente relevante para o exato entendimento das consequências do que é revelado: o jornalista americano não faz ilações, ou reflexões, ou análises pessoais, tudo o que é dito é seguido do link da fonte em que colheu a informação.

É de tal monta o que é apresentado que Mesquita titulou assim a sua fala: “Todas as provas do jogo internacional que empurra a ditadura no Brasil”.

O show de hipocrisia atinge os píncaros da insanidade. Alguns exemplos:  

  • Cursos para funcionários do TSE (ministrados por entidades estrangeiras) de como controlar mensagens criptografadas postadas nas redes sociais.
  • Criação de histórias de super-heróis para doutrinar a juventude.
  • Destinação, pela universidade George Washington, de 200 mil dólares para um “Trabalho de combate à desinformação no Brasil”.
  • 40 milhões em cessão de contratos de censura nas redes sociais.
  • Ações de combate à desinformação nas eleições municipais no Brasil.
  • Entidade americana investe em treinamento de funcionários da justiça eleitoral para combater a desinformação e preparação para as eleições locais de 2020.
  • Recursos financeiros para o fundo “Diálogos impensáveis no Brasil” que envolve influenciadores das redes sociais objetivando o fim da troca de informações entre apoiadores de Bolsonaro.
  • E por aí em diante.                                                                        

Na história do desenvolvimento civilizacional, os alicerces da relação de poder entre a oligarquia e o “povo” estiveram fincados na opressão pelo uso da força e no abismo de conhecimento entre as duas partes. Tanto pelo desenvolvimento da ciência/tecnologia quanto pelo aumento populacional que impulsionou a criação de meios de redução do tempo e da distância da informação (conhecimento cada vez mais rápido de fatos e razões), tais alicerces vieram sendo paulatinamente  corroídos até que chegamos à era digitrônica, quando tecnologias digitais e eletrônicas tornaram a comunicação entre quaisquer 2 cidadãos em partes diferentes do mundo, por mais remotos que sejam, se comunicarem INSTANTANEAMENTE! O que estamos assistindo é o desespero das oligarquias pelo mundo afora - sejam elas democracias, monarquias, ditaduras, tiranias, não importa – tentando desesperadamente manterem-se agarradas a um verdadeiro  “pau de sebo” untado com o exercício da manifestação do pensamento e das vontades individuais e coletivas, coisa que nunca existira até então. Este absurdo do "povo" ter meios de questionar, criticar e abalar as estruturas do phoder é inadmissível!!!

São 1h26m, mas se você quer, de uma forma definitiva, perder o muito ou o resquício de inocência que ainda habita a sua alma pura, assista pelo menos os 20 primeiros minutos. Aposto que você vai até o fim. 

Eis o link: https://www.youtube.com/live/5VApaD0iqaQ?si=0l1fAqySIkX65xSK

sábado, julho 29, 2023

TAXADD COM A MÃO NA CUMBUCA DOS OUTROS

“Entre uma geração e outra, o socialista acha que tem que ter uma correção, e essa correção é tributar herança. Você acumula tua grana, o Jeff Bezos não vai deixar 40 bilhões de dólares para cada filho. O Estado tem o direito e até o dever de fazer com que o filho do Jeff Bezos tenha algum trabalho na vida, não seja um parasita da sociedade. Então a ideia é que você mitigue as desigualdades sociais de uma geração para outra a partir de uma lógica redistributiva em função disso, entendeu?”

Xandaquistão é um país que escolheu o melhor da monarquia – aquele sistema pra inglês ver – e o pior da ditadura – o da tirania da justiça, aquele onde não se tem a quem recorrer.

O atual reizinho no trono, distante dos súditos, vivendo do bom vinho e do melhor caviar, passeia pelo mundo afora a título de representar “o povo”, desfrutando de pompa e circunstância, em meio a salamaleques de toda espécie. Enquanto isso, Taxadd [1] fica como seu preposto para dizer o que o monarca não tem coragem de dizer de cara barbada em público. Nem se preocupa com sua ausência, pois enquanto Xandão estiver por aí, não há com que se preocupar, qualquer reação ele manda prender, cancelar, desmonetizar, bloquear etceteras inimagináveis. Os capachos do primeiro cuidam do poder, enquanto os servis do segundo, exercem, executam, sob ordens, o phoder.

Taxadd é o “melhor” exemplo de integrante da corte de bajuladores. O que “pensa e faz” é o que seu “mestre” manda. Recebeu a incumbência de dizer à população que vive economicamente na faixa intermediária que um custo maior será “imposto” sobre a herança que vier a deixar quando for “desta para melhor”. Me permitam decompor esta “brilhante” explicação e analisar cada uma das partes. Sigo a ordem proferida, sem julgamento de relevância de umas em relação a outras.


“Entre uma geração e outra”.

Na verdade ele está se referindo não ao conceito de geração como normalmente o usamos, tipo, “a minha geração”, ou seja, aqueles que com mais ou menos a minha idade viveram as mesmas coisas. A minha geração viveu Beatles e Rolling Stones, e por aí. Não é a isto que ele se refere e vai ficar claro mais à frente.


“O socialista acha que tem que ter uma correção”.

Taxadd se trai. Por que ele não disse “eu, como ministro da economia, acho que”? Ao colocar socialista na terceira pessoa (na realidade só existe o socinista[2]), ele está tirando o dele da reta de antemão, algo como “olha, se der errado, foi ele, o chefe socialista, que quis fazer isto”. Deixando essa confissão de lado, é irresistível a convicção desses tais “socialistas” de que detêm a exclusividade da sapiência de “achar” que tudo está errado e tem que ser “corrigido” à imagem e semelhança de suas mentes doentias.


“E essa correção é tributar a herança.”

Tão meigo! Tão rápida e direta conclusão! Vejam que ele não esclareceu até aqui – nem depois – o que há para ser corrigido. Sequer mostrou que alternativas não fariam a correção. É razoável quando não se sabe o que é para ser corrigido.


“Você acumula tua grana, o Jeff Bezos não vai deixar 40 bilhões de dólares para cada filho.”

Taxadd aqui foi demais! Ele ia explicar algo a partir de “você acumula tua grana”, mas percebendo que seu público é seu potencial eleitor, percebeu o risco de uma gafe, mudou de caminho e iniciou um outro criado um inimigo, os super-ricos, a partir de uma fake news, pois, com certeza, ele não sabe se Bezos vai (e se pode) ou não deixar 40, ou menos, ou mais bilhões para os filhos – aliás, pelo visto, ele nem mesmo sabe como é a legislação americana sobre herança. Mas a pergunta que martela minha cabeça é: e o que você tem a ver com o destino que pretendo dar ao meu patrimônio?


O Estado tem o direito e até o dever de fazer com que o filho do Jeff Bezos tenha algum trabalho na vida, não seja um parasita da sociedade.”

Me perdoe, seu Taxadd, mas se você vier aqui para me dizer o que fazer com meus filhos, eu lhe boto pra correr! Com relação ao filho de Bezos – você não identifica qual deles – o que sabe sobre a vida deles. Você apenas manipula a linguagem para criar uma animosidade contra aqueles que você escolheu como alvo de suas (e dele) diatribes. E quanto a direitos e deveres, não é o Estado que tem que dizer a Bezos ou a mim, se acho melhor que meu filho vá viver do jeito que bem entender. Seja trabalhando, ou surfando, ou bebendo caipirinha (ou suco de açaí, vá saber!) em Itapoã. É muita arrogância e pretensão!!! E, cá pra nós, evitar que alguém “seja um parasita da sociedade” deva ser um “direito e um dever” do Estado é um delírio, um desejo, ou um projeto?

Há ainda uma outra observação a fazer. Sabendo-se que a “fortuna” dos bilionários está expressa em patrimônio imobilizado, essencialmente alocado em empreendimentos geradores de negócios, renda e empregos, tal propositura de "extrair" 40% do patrimônio sempre irá causar um significativo estrago nos 3 itens citados.

E especificamente sobre sujeito "parasita" só "digo uma coisa: não digo nada, e digo mais, só digo isso"[3].


Então a ideia é que você mitigue as desigualdades sociais de uma geração para outra (...)”.

A notar[4] na postura de Taxadd é sua convicção de estar falando algo que só um prócer pensador socinista sacou! “Precisamos mitigar as desigualdades sociais”!!'! É um gênio! Como eu nunca percebi tal necessidade? Eu sou um liberal conservador malvado e insensível, deve ser isto. Ah! E é só de uma geração para outra, esta que aí está fica assim mesmo. Hipocrisia pouca é bobagem!


“(...)a partir de uma lógica redistributiva em função disso, entendeu?”.

Entendeu você? Se entendeu explica pra mim qual é esta “lógica redistributiva” que vai acabar com as desigualdades, a fome, a miséria, a pobreza, sabe-se lá o que mais.


Dissecado, então, o “pensamento”(!!!) econômico-taxaddiano do momento, vamos a fatos.


O FUNDAMENTO DO COMUNICADO

O que não aparece na fala – pelo menos não no trecho de vídeo que me chegou pelas redes sociais – é que ele estava justificando a pretensão de tributar em até 40% a herança deixada por quem partir para um ”novo mundo”.

O que também não aparece é que estas insanidades – sim, isto é insano e inócuo – é graças à fome de recursos que este atual desgoverno está à procura de saciar. O único pretenso objetivo é ter mais dinheiro para lhes garantir ficar no poder por algumas décadas se for possível. Não vai bastar a “deforma tributária”, é preciso mais, o Leviatã é um monstro que não só precisa crescer, mas aumentar seus tentáculos sobre todos nós.

Uma questão fundamental manipulada pelo Ministro, é que a fortuna de Bezos e seus semelhantes no campo do sucesso empresarial capitalista, é que ela não é expressa em moeda circulante depositada em conta bancária, mas, sim, em patrimônio alocado em bens, sejam eles móveis (como ações e outros) e imóveis (instalações residenciais, comerciais e industriais). Tais recursos, portanto, não são parasitários, muito pelo contrário, eles estão alocados em operações de risco em empreendimentos que podem tanto resultar em sucesso, quanto em fracasso, este, aliás, o que, historicamente, tem maior probabilidade de ocorrer.


AS CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS

Tudo tem consequência e, em economia, as consequências não são as que os autores das ideias implantadas ou a implantar esperam, mas sim aquelas que os agentes econômicos atuando livre ou coercitivamente, causarem.

Para aqueles que têm conhecimento em economia no degrau 2, sabem que existe um estudo que demonstra que a partir de um determinado nível de taxação da renda, o volume arrecadado cai em proporção ao aumento praticado[5].

O que Taxadd vai conseguir é exatamente isto. Explico.

Em primeiro lugar, entendamos que isto vai afetar primordialmente a classe média com renda total mensal entre 15 e 50 mil reais. As camadas abaixo serão isentas, certamente, e as acima, têm farto arsenal de medidas para não serem afetadas. Esclareço.

De milionário para cima, até Bezos, Gates, Zukerberg, seus pares e além, se houver, todos têm recursos de inteligência própria ou contratada para resolver qualquer tentativa vinda de fernandos de expropriar parte de suas conquistas.

O modelo não é novo. Nos Estados Unidos[6] isto é coisa velha. A solução mais conhecida por lá é a criação de uma fundação com algum objetivo efetivo, mas que, fundamentalmente, serve para abrigar todas as pessoas que o detentor majoritário do capital envolvido quer beneficiar. Ele as coloca em diversas funções (de diretoria a faxineiro) recebendo salários normalmente altos.

Um outro aspecto é que o mercado acionário americano é pujante. A maioria das empresas está na Bolsa, o que facilita a partilha do patrimônio antes do falecimento do titular.

E isso é apenas parte das alternativas, apenas para ressaltar que não há idiotas entre bilionários, como imagina este nosso ministro da economia que não entende de economia. Imagina se entendesse!!!???

A conclusão é que a consequência prática de tais ideias é pífia e circunscrita a atender o discurso populista do governo da ocasião. 


A CLASSE MÉDIA

Como sempre, a classe média é o motor da economia. É ela que faz o dinheiro girar, e, em particular, a classe média alta, através dos impostos sobre renda e consumo. É ela a grande financiadora do Leviatã governamental. Ela não tem acesso aos mecanismos que a classe alta tem, mas não aceitará sem reação ter os esforços de uma vida usurpados pelas medidas impostas por uma elite ideológica pro-regressista. E, se lá na frente, se perceber ser inevitável o extupro, simplesmente se deixará de acumular patrimônio, optando pelo simples consumo imediato. Adeus herança a tributar!!!

Portanto, Leitor, por enquanto fique esperto, atento, e focado em conhecer as alternativas para proteger seu patrimônio desta sanha por tomá-lo de você. Desde já. Não deixe para depois, pois, como contou Camões, você poderá se ver em uma realidade onde “Inês é morta!”[7].

Em “Democracia, o Deus que falhou”, Hans-Hermann Hope alicerça sua tese praticamente sobre um só conceito, qual seja o de que todas as decisões econômicas são tomadas por indivíduos e governos a partir de considerações de temporalidade. Diz ele que, dependendo das circunstâncias, uma decisão obedece ou a um interesse imediato ou a um de longo prazo. Quando avaliamos tal tese em relação às classes econômicas esta proposição é bastante óbvia. Para os menos privilegiados economicamente, as decisões são tomadas em relação ao retorno imediato que elas podem proporcionar. Já aqueles cuja renda é maior que seus gastos, irão decidir em função da perspectiva de um retorno em um futuro distante, até mesmo que incerto. Mas quando levamos a questão para o âmbito dos sistemas de governo, o busílis da questão tem mais um componente.

A obra de Hope está voltada para mostrar a diferença básica entre um sistema democrático e um sistema de sucessão hereditária, portanto de longo prazo, onde há uma tendência para retornos futuros, pois tanto o rei quanto os integrantes de sua corte, que são os que exercem a administração do reino, continuarão no poder, tanto independente do resultado de suas decisões, quanto do resultado de um processo eleitoral. Em segundo lugar, e este é, talvez, o fator ainda mais determinante, a propriedade do reino é do Soberano (l'état c'est moi, proclamava Luis XIV). Tal condição faz com que ele e sua corte não tenham interesse em destruir o que os sustenta, muito ao contrário.

Na democracia, com sua premissa, melhor dizendo, dogma da alternância, estar no poder é presumivelmente transitório e há que extrair dele – assim como arrancar um siso – o máximo que for possível no curto tempo que as regras lhes concede – políticos eleitos, entourage e os integrantes do tal do establishment que os sustenta, sejam eles quem for. E, repare, o "reino" aqui não é dos atuais ocupantes, é do "povo". Os recursos, portanto, estão à mercê da pilhagem e a mais rápida que possa ser realizada.


CONCLUINDO PORQUE JÁ SE FAZ HORA

Quando Taxadd apresenta proposituras como as inclusas na “deforma tributária”, no “arcabouço” (ou calabouço?) fiscal, e esta de “extrair” patrimônio dos mais ricos, nada mais está fazendo do que otimizar ganhos imediatos em detrimento de ganhos futuros incertos. Só isso. Captou a mensagem “mané” [8]?


[1] O codinome não é uma criação minha. Eu penso ter ouvido no canal Hipócritas, cujos integrantes estão autoexilados, como outros, nos Estados Unidos. Mas não tenho certeza da fonte.


[2] Socinista é o termo que uso para deixar bem claro que essa turma quer mesmo é um comunismo no final das contas.


[3] Obrigado a meu amigo Luiz Antônio Almeida que me mandou esta pérola de sabedoria oportuna, principalmente, em tempos de Brasil 2023.


[4] Para isso você precisa assistir ao vídeo.


[5] Este efeito é demonstrado pela Curva de Laffer. "Seu conceito foi desenvolvido pelo economista Arthur Laffer, que defendia a diminuição dos impostos cobrados em uma sociedade como uma forma de estimular a economia. Com essa medida, uma menor tributação resultaria indiretamente em um aumento na arrecadação do Estado." Fonte: https://www.suno.com.br/artigos/curva-de-laffer.


[6] Nos Estados Unidos, o governo federal concede uma isenção fiscal para heranças até 13 milhões de dólares (limite em 2023). Se a herança for maior do qe esta isenção, o imposto sucessório pode variar de 18% a 40%.


7] A triste história de Inês de Castro ficou mais conhecida ao ser imortalizada por Luís de Camões no Canto III d' Os Lusíadas, uma das melhores e mais conhecidas obras literárias da língua portuguesa. Nesta passagem, Camões faz referência a Inês de Castro: "...Aconteceu da mísera e mesquinha, que depois de ser morta foi rainha...".Fonte: https://www.significados.com.br/.


[8] Estou sendo cínico, sarcástico, obviamente, ao lembrar uma expressão com que nos honrou um ministro do STF. Não veja na expressão nem uma ofensa ao Leitor.


















quinta-feira, abril 21, 2022

O MUNDO EM QUE VIVEMOS

[1]

“A impressão que se tem, pelos fatos ocorridos em público até agora, é que o STF dará, sim, um golpe de Estado para impedir um segundo mandato de Bolsonaro — caso chegue à conclusão que pode dar esse golpe, ou seja, se tiver certeza de que todo mundo vai baixar a cabeça se os ministros virarem a mesa.”

 J. R. Guzzo, em “Estão Querendo Virar a Mesa”, revista Oeste de 15/4/22


Há quase um ano, as pessoas mais próximas a mim, me ouvem dizer que não chegaremos às eleições deste ano percorrendo um caminho normal. Guzzo, no artigo citado, fazendo um paralelo entre os desejos dos perdedores de 2018 quanto a Bolsonaro e o que se propagava quanto à candidatura de Getúlio a Presidente em 1950, lembra a fala de Carlos Lacerda: “Não pode ser candidato. Se for candidato, não pode ser eleito. Se for eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”. Este é o retrato de nossa fragilíssima “democracia”.

De minha parte, em relação a Bolsonaro nestes pouco mais de 3 anos, dá para fazer uma inversão, pois impedido de governar ele já o foi desde o primeiro dia. Se alguém imagina impedi-lo de tomar posse se eleito, não está em juízo perfeito, não tem o menor compromisso com as consequências para o país, é o mínimo a se dizer. Candidato ele o será se nada lhe obstar. Portanto, só restam a seus oponentes duas alternativas: não deixar que seja candidato ou fraudar a contagem dos votos se as pesquisas prognosticarem sua vitória.

Qual o nível de certeza que tenho sobre esta “previsão”? Cem por cento! Justifico.

Desde a primeira atitude de Alexandre de Moraes[2] contra a Constituição Brasileira, eu me pergunto: o que motiva um juiz da Suprema Corte a agir contra a Nação sem qualquer receio de ter suas decisões revidadas, invalidadas, ou minimamente questionadas por instituições que se proclamam defensores da Lei? Uma primeira resposta é atribuir a alguma pressão externa não revelada. Através de ameaças à sua vida e/ou de seus familiares[3] (algo do tipo faça o que estamos lhe mandando ou...!), tal ação teria sequestrado a capacidade de agir e de julgar do referido Ministro. Para quem desconsiderar tal hipótese faço uma proposição. Tente se imaginar estando em uma posição de poder qualquer (não precisa ser no âmbito de funções da justiça) e se pergunte: que razões o fariam agir contra suas convicções morais e contra seus mais caros valores? Que forte razão seria esta que lhe faria capaz de enfrentar o desprezo provável de sua esposa/marido, seus filhos, seus amigos sem entrar em profunda vergonha? Se não viu, veja os vídeos que mostram as opiniões de Moraes no passado e no presente sobre liberdade de expressão. Tem alguma coisa muito estranha na transição de um momento para outro! Será só desvio de caráter? Oportunismo? É só uma pergunta.


Ok, vamos ignorar isso e buscar outra fonte de razões e para tanto vou recorrer a Geraldo Alckmin, o “Picolé de Chuchu” transmutado em “Pimentão Murcho Vermelho de Vergonha”. O que você acha que sustenta o novo “Geraldo Alquimista Amoral”? Você consegue imaginar o que o faz se tornar um “Lambe-9Fingers”, jogar no esgoto suas relações mais preciosas, sua carreira política, mesmo que ela tenha sido pautada por atos escusos, não republicanos, corrupção etc.? Eu não consigo. Tem algo muito, muito forte, eu diria até dramático, por trás do que ele optou por se tornar. Veja os dois vídeos de ex-Alckmim, o "antes" e o "depois", caso precise refrescar a memória. 

 

Prosseguindo. Vamos dar uma olhada na parcela silenciosa dos perdedores. O que estará fundamentando o silêncio em relação às arbitrariedades do STF, instituições  como OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ABI (Associação Brasileira de Imprensa, a própria imprensa em sua quase totalidade, a silenciosa covardia subserviente da câmara dos deputados e do Senado, e muitas outras instituições? O que respalda rotular como fascista e antidemocrático um Presidente que fala e age vigorosamente em defesa das liberdades individuais e do total respeito à Constituição sem que tenha tomado qualquer atitude autoritária, mas tendo adversários que agem diuturnamente para o cerceamento das liberdades e aplaudem as arbitrariedades do STF, em público ataque aos princípios mais básicos da democracia? Quem são os que nos acusam do que eles fazem?[4]

Hoje tenho a convicção de que a tecnologia digitrônica capacitou cada cidadão do planeta Terra - independente de classe social, de nacionalidade e de nível de instrução - a expressar suas opiniões e formar imensos grupos em defesa de desejos e necessidades comuns, corrompendo de forma inesperada, rápida e drástica, a estrutura do modelo democrático e hipócrita sob o qual vivemos a partir da revolução industrial. O modelo “elite e povo” até então era explícito, claro: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. A formulação “todo poder emana do povo e por ele será exercido” é a primeira e máxima hipócrita das constituições. Não só da nossa. Ninguém há de imaginar que lá constasse algo como “todo poder emana das elites e em seu nome será exercido para exploração e submissão do povo”. Mas esta é a incômoda realidade. O problema é quando o tal “povo” pode se manifestar com razoável força e, portanto, pode mandar. Mas quem deverá obedecer? Obviamente deveriam ser os mandatários do povo eleitos pelo voto. Eis a incômoda questão fundamental. Estamos, portanto, inseridos em um movimento de corrupção dos valores da civilização ocidental com uma força de destruição que nunca foi possível em nossa história.

A mão do leviatã estatal está queimando e o cheiro de carne tostada impregna os cérebros dos detentores do phoder. A dissonância cognitiva[5] nas mentes oligarcas, provocou uma ruptura de tal magnitude que os conceitos mais elementares têm seus significados invertidos. Quem fala em garantir a liberdade, manda prender quem o critica. Quem defende a democracia, ataca-a com decisões antidemocráticas. Quem fala em direitos individuais, agride, até fisicamente, quem dele discorda. Quem deveria se limitar a falar nos autos, discursa publicamente e no até no exterior, se proclamando do bem e agindo contra os do mal, você. Quem defende o respeito às Leis e à Constituição, é acusado de autoritário e fascista. Comunistas são do bem, holodomor[6] e holocausto são fake news da extrema direita, e prometem, se eleitos, um mundo como Pasárgada, onde Manuel Bandeira imaginou ser “um refúgio de delícias”. Como nada é sem significado e intenção, tudo é em nome do desespero pela perda do monopólio da informação e da boa e fácil agora antiga forma de manipulação das massas através dos convenientes serviços dos veículos servis de imprensa tradicionais.

Não nos iludamos, nem sejamos esperançosos quanto aos acontecimentos políticos dos próximos 6 a 9 meses. Será uma escalada tal qual a erupção de um vulcão: ela só terminará quando a energia que a sustenta tiver sido totalmente consumida. Há como impedi-la sem trauma? Não. Resta-nos resistir, pois toda escalada tem seu ápice seguido do inevitável declínio quando tudo se desgasta e quando a realidade faz caírem as máscaras das narrativas falaciosas. Então terá chegado o momento para forças contrárias ganharem suas batalhas. Por falar em batalhas, podemos ver tal processo como uma guerra. Elas não terminam com a aniquilação total dos inimigos, elas terminam quando um dos lados levanta a bandeira branca em reconhecimento, não da força do inimigo, mas da fraqueza e desgaste de suas próprias forças frente à capacidade de resistência encontrada.

Assumindo a similaridade metafórica com uma guerra entre exércitos, um deles é formado pelos “vitimistas”, os vitimados pela perda das eleições de 2018. São todos os defenestrados do poder em consequência das decisões do Presidente tomadas em total observância às suas promessas de campanha. Identificá-los, portanto, é fácil. Para saber o que torna um “vitimista” raivoso que diz odiar Bolsonaro, basta identificar qual foi a teta que ele mamava e secou. De outro lado estão os “estoicos”, aqueles que em lugar de aceitar uma cota de “quentinhas” do socinista de plantão, preferem ir à luta, enfrentar as vicissitudes e ir atingir seus objetivos com seu próprio esforço e mérito.  Para identificá-los, basta descobrir sua fonte de renda, se é de um encosto em algum mecanismo (benesse) estatal ou se é da determinação e do trabalho.

Persistir em nossas convicções, ter a consciência de que respeitar e lutar pela admissão de que cada um de nós é único, que nossas diferenças têm que ser protegidas e garantidas, e que qualquer que seja a melhor solução política para o equilíbrio da vida em sociedade, a natureza humana tem que ser o sustentáculo para uma vida digna. Esta simples, mas decisiva postura é o passaporte para o ingresso neste exército de estoicos.

Abaixo, uma edição (o vídeo completo está aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Pq-Hk32T7lE) feita por mim com recortes do vídeo, gravado no mesmo dia 20/abr/22, de Rodrigo Constantino tratando das mesmas questões deste artigo.

Eu não partilho da possibilidade que o jornalista J. R. Guzzo aventa de “que todo mundo vai baixar a cabeça” e dar salvo-conduto para um golpe dos perdedores. Mas isso só se eu e você nos mantivermos nas fileiras da resistência estoica. Só se ninguém reagir à condenação de Daniel Silveira feita hoje pelos 10[7] (Ameaçados? Raptados?) ministros do STF neste dia em que escrevo.

Fique esperto. Fique determinado. Erga sua voz. A servidão voluntária não é uma boa saída.

Encerrando deixo o depoimento do pastor luterano Martin Niemöller (1892–1984), na Alemanha nazista:

"Quando os nazistas vieram buscar os comunistas, eu fiquei em silêncio; eu não era comunista. Quando eles prenderam os socialdemocratas, eu fiquei em silêncio; eu não era um socialdemocrata. Quando eles vieram buscar os sindicalistas, eu não disse nada; eu não era um sindicalista. Quando eles buscaram os judeus, eu fiquei em silêncio; eu não era um judeu. Quando eles me vieram buscar, já não havia ninguém que pudesse protestar."

 



[1] Quando estava no 2º ginasial, um professor que me deixou boas lembranças,  nos indicou para ler “O Mundo em que Vivemos”. Devia ter umas mil páginas, nunca o li, mas, na esperança de um dia o ler, o mantive comigo por uns 20 anos. Informação inútil, apenas dando vazão a uma saudade.

[2] Não só ele, Barroso, Fachin e Lewandovski são seus melhores seguidores.

[3] Lembro que rolou nas redes uma ligação de Moraes com o PCC. Ok, as agências de checagem dizem que é falso. De qualquer forma esse artigo aqui acrescenta algumas informações importantes sobre Moraes.

[4] Reportemo-nos aos recentes casos da agressora de Jundiaí a uma funcionária da HAVAN e à procuradora  do Maranhão esfaqueando um boneco representando Bolsonaro.

[5] Um pequeno exemplo desta “dissonância cognitiva” você pode ver aqui.

[6] Holodomor é como ficou conhecido o genocídio pela imposição da fome comandado por Stalin nos anos 1932 e 1933. Por coincidência vi há dois dias um bom filme (não lembro o título) na Netflix sobre a Rússia de Stalin, com Robert Duval no papel principal.

[7] Até André Mendonça, indicado por Bolsonaro, votou pela prisão de Daniel Silveira!!!