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terça-feira, setembro 10, 2024

PROTEGER A REPUTAÇÃO É PRECISO

Meu último texto aqui publicado foi no dia 24 de abril deste ano. Deste então minhas desilusões dizem que tudo já foi tratado e as narrativas apenas se repetem. Mas os acontecimentos desta última semana me obrigam a escrever sobre o que não é falado nos canais digitais.

Há dois dias atrás assisti “Versões de um Crime” com Keano Reeves interpretando um advogado. Conversando com sua assistente ele diz mais ou menos o seguinte: “as pessoas fazem de tudo para proteger sua reputação”. Isto posto...

Quando – entre 2019 e 2020 - percebi que as ações de Alexandre de Moraes, fragrantemente inconstitucionais e/ou juridicamente absurdas, disse em conversa com meus amigos que só haveria uma razão motivadora: uma arma apontada para sua cabeça. Alguém, tendo provas de coisas inconfessáveis sobre um outro, o ameaça de expor publicamente os fatos caso tal pessoa não faça o que este alguém deseja.  Naquele momento, atribuí a mão no gatilho ao PCC, entidade criminosa para a qual consta ter Alexandre, como advogado, prestado serviços. Sabemos que uma vez entrado no crime, sair dele é praticamente impossível. O quadro, portanto, para mim era claro. Um ministro do supremo, ou seja, com supremo poder na justiça, começa a tomar atitudes que extrapolam as competências da instituição da qual faz parte (para dizer o mínimo), em evidente serviço a vontades alheias para manter sua vida ou no mínimo, sua reputação protegida.

Já naquele período chamava a atenção a inação – uma total apatia – das instituições, Câmara, Senado, PGR, CNJ, OAB, Associações Empresariais, enfim, todas - e são muitas – silenciosas num efetivo “quem cala consente” sem publicamente consentir porque sem coragem para o enfrentamento.

Decorridos mais de 5 anos desta insanidade institucional, já não atribuo mais a facções do crime organizado o porte da arma. O “buraco” parece estar bem abaixo ou muito mais acima. Então passei a incluir na minha tese questões pecuniária$. Considerando os projetos globalistas[1] de uma dúzia de bilionários – em dólar – a compra de integridade moral passou a ser uma hipótese bastante razoável. Notícias de que fulano deu X milhões para uma ONG aqui, outra ali, sicrano idem, passaram a constar do noticiário com frequência. E, sabemos, políticos têm uma certa tendência a fundar sua ONG própria para funcionar como receptáculo de doações de origem identificada ou não. Mas se isto existe, não me parece suficiente para justificar o que acontece neste meado do ano da graça de 2024. A munição na arma não é, ou não é só, de pólvora ou papel pintado de verde do Tio SAM. Tem que ser mais do que isso.

No início deste ano rolou nas redes que em Cuba existe um “esquema” ligado a orgias sexuais devidamente vídeo-gravadas sem conhecimento dos participantes e, especificamente, envolvendo os nomes de Barroso e José Dirceu. Não importa aqui se o “esquema” existe ou não, nem se é verdade quanto aos citados. O que quero levantar é: tente pensar em alguma razão para você fazer  o que Moraes está fazendo se no lugar dele estivesse.

Não é pouco o que  Xandão está fazendo neste início de setembro. Um pouco antes de começar a escrever este texto, me chega a informação de que o Ministro mandou bloquear TODOS os bens da Starlink no Brasil, o que inclui contas bancárias, imóveis, veículos e aviões. Não tenho formação no direito, portanto não vou citar as ilegalidades jurídicas deste ato. O que quero mostrar é que o pavor de Moraes é tão imenso que suas ações acabam de extrapolar a vingança pessoal de seus atos – o que ficou patente em muitos casos anteriores -, e chegam ao ápice de prejudicar o país, como nação integrante de relações internacionais, empresas brasileiras, a própria estrutura de governança, e diretamente o cidadão brasileiro, não só em seu acesso à informação, mas em seu direito de livre exercício profissional, o que significa simplesmente sua capacidade de sustentar a si e aos seus.

A entrada de Elon Musk no processo traz à tona o caráter psicótico de um indivíduo mentalmente doente. E o continuado silêncio dos não-inocentes nos indica que tem muita gente sendo esmagada por um rolo compressor ainda não identificado. E o que me chama a atenção é que jornalistas de reputação ilibada e competência e honestidade intelectual provada, continuem a dar explicações politicamente lógicas em lugar de expor que o país está sendo levado para um abismo ético e moral por um bando de covardes protegendo suas reputações, fazendo de tudo – ou melhor não fazendo nada – para que suas ações moralmente condenáveis não sejam expostas à opinião pública.

Ser íntegro não é preciso, proteger a reputação é preciso.

Você tem alguma dúvida de que algo nesse sentido é que está por trás do que acontece? Ou acha que é só esquerda contra direita?

Encerro fazendo um pedido que nunca fiz: distribua tanto quanto puder mesmo não concordando comigo no todo ou em parte, só para ajudar a tirar mais pessoas da visão crédula de que as motivações são só políticas, para seu bem e para o bem do país.

                                                                                        


[1] Soros, Gates, Black Rock, Vanguard, Morgan Stanley, State Street Corp etc.








segunda-feira, novembro 28, 2016

COMENTÁRIOS DA SEMANA - DE 27/11 A 3/12/2016

29 - "O DIA D DOS LADRÕES"

Indico a leitura da coluna de Jabor, de hoje, em O Globo.


28 - FIDEL, O PAI DELES DOS ÚLTIMOS ANOS

A "revolução cubana" de 1959, teve como mote tomar o poder em nome do restabelecimento da "democracia" (o entre aspas é explicado mais adiante).

Confesso que conheço pouco da história política mundial, mas tenho a sensação (ou conclusão do que observei ao longo da vida) que toda revolução de extrema esquerda se vale deste argumento, as variações são apenas de discurso, na prática o fundamento é o mesmo. Tomado o poder, todas elas se tornaram ditaduras de fato e/ou de direito. Tal como as revoluções de extrema direita. As diferenças estão na base. A direita se revolta, não em defesa da democracia, mas para salvar o país do totalitarismo de um comunismo radical. Ambas se sustentarão no poder promovendo uma "limpa" geral e restrita exterminando todo e qualquer dissidente, discordante ou não simpatizante.





 

Fidel, como Stalin, como Mussoline, como Hitler, como os militares no Brasil, na Argentina, enfim, como tantos outros, só sustentam suas "grandes verdades utópicas" porque reconhecem, mas não admitem, que elas são utópicas e grandes mentiras. Aboletados no poder, só lhes resta a saída de eliminar os que têm "grandes outras verdades utópicas" que possam atrapalhar suas trajetórias psicopatas em direção à perpeturação do poder. A democracia vai pro saco, ou melhor, a democracia boa é quando quem manda sou eu, seja à direita ou à esquerda do espectro de alternativas, quando todos obedecem aos meus ditâmes, sem oposição.

Mas a opressão não se perpetua sem que se estabeleça uma justificativa institucional. Assim, tal como o homem criou Deus, no plano espiritual, para estabelecer uma negociação com a força opressora - a natureza indomável, inexplicável e temida -, o cidadão cria o "Pai", o "Comandante", o protetor a quem reverenciam enquanto alguém está olhando, mas que abominam no escuro do quarto com a cabeça no travesseiro.

Quem será capaz de trazer outras explicações razoáveis para os discursos de horas de Fidel e seu "paredón" - jeito prático de se livrar de incômodos -, das manifestações de raiva de Hitler nos discursos e nas práticas contra os judeus, ou das ameças nucleares de King Jong-Un?



"A Ilha", um Estado de pequenas dimensões que, como ilha, protegido da interferência de vizinhos, foi facilmente controlado durante alguns anos. Na virada das décadas de 80 para 90, quando perdeu o escamoteador da "verdade verdadeira" por trás do discurso, a Sierra Maestra começou a desmoronar. Quem acredita na excelência do ensino cubano onde a promessa para estudantes universitários é ser motorista de táxi ou balconista de bar? Quem, no domínio de sua sanidade, acredita na excelência da medicina num país que controla o alimento da população através da distribuição de vales semanais ou mensais para troca no empório do Estado?

Todos esses líderes são psicopatas alimentando seus egos doentios. O chamado "povo" é apenas a grande massa de manobra. O que teremos no futuro? Sendo a política fundamental para a existência minimamente estável da vida em sociedade, será que conseguiremos construir mecanismos que nos livrem dessas mentes geneticamente concebidas para causar o mal? Será que os razoavelmente sãos poderão um dia servir aos seus semelhantes apenas pelo servir?

E restringindo ao tema do dia: qual a sua aposta para o futuro de Cuba no médio e longo prazos?



27 - SE NÃO QUER PARTICIPAR, NÃO ENTRE.

Marcelo Calero é um ponto fora da curva. Ele saiu do seu quadrado. Pisou na bola e chutou o balde.

Sempre tive a convicção de que as regras do meio se impõem sobre o indivíduo. Sou sempre tímido quando entro em um ambiente novo, não me exponho, me mantenho atento, observador a tudo o que vejo e acontece à minha volta. Quando percebo que já sei o suficiente, convicto de já saber os princípios e normas que ali prevalecem, então decido se permaneço - significa que concordo - ou pego meu boné e me retiro, pois sei que não terei forças, ou interesse, para mudar o meio.

Enfrentar o meio é possível, mas não é aconselhável pela alta taxa observada de insucessos. Sozinho, o reagente será nocauteado com golpes duros na boca do estômago e ganchos fulminantes na ponta do queixo que serão dolorosos por longos anos, quiçá pelo resto da vida. O espírito de corpo age raivosamente em defesa do grupo, não mede ações, tudo vale desde que corte a ameça pela raiz, independente do mal que cause. Calero está sentindo o peso da reação do poder afrontado, questionado. Foi corajoso, aparentemente cuidadoso. Se salvará ileso? Duvido muito. Com sequelas? Muito provavelmente. 

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Sérgio Moro não é um solitário Calero. Moro é síntese, é a face midiática de uma super-força tarefa que começou composta por dezenas de profissionais de uma geração de jovens que propuseram à nação um novo caminho e, em consequência, ganhou a aprovação e o apoio de milhões e milhões de cidadãos brasileiros. Mesmo assim, todos estamos assistindo diariamente às tentativas do poder (todos os 3 poderes) em arranjar uma saída para o desmonte da oligarquia atualmente no comando do país.

Dito isto, e aproveitando o dito, defendo a tese de que não há saída para o Brasil exceto esta:

1 - renúncia de todos os políticos hoje no Congresso;
  
2 - convocação, pelo executivo, de eleições para uma nova Constituinte exclusiva que tenha como alicerce, em todo o seu teor, o novo mundo emergido pós globalização e novas tecnologias de comunicação/manifestação, e que tenha prazo de 120 dias para encerrar o trabalho;

3 - convocação de eleições gerais para o legislativo e o executivo conforme as regras da nova Constituição. 

Isto não é muito, é pouco para o que temos pela frente. Mas é o essencial para um começo minimamente promissor. É mais ou menos por isto que hoje existe uma convocação geral para irmos às ruas no dia 4 de dezembro próximo.