Esmiuçar a notícia, ler as entrelinhas, iluminar o obscuro. Revelar as intenções da mídia, de políticos e de outros de vida pública, para iludir incautos em proveito próprio. Expor a hipocrisia que nos cerca e envolve, nos cega e conduz, e nos ajuda a tocar a vida de um jeito "me engana que eu gosto".
Existe
uma parcela da população que, por razões diversas, forma o contingente de
não-eleitores. Eles preferem se isentar da responsabilidade de fazer uma
escolha, então votam em branco, ou anulam o voto, ou simplesmente ficam no sofá
acompanhando a cobertura da TV com suas previsões distorcidas, digo, de
torcida.
Neste
pleito de 2022, temos como pano de fundo o mesmo de 2018, qual seja o de uma
polarização entre o que se convencionou rotular de esquerda e direita, mas que,
hoje no Brasil, quer dizer apenas lulismo e bolsonarismo, dado que a maioria
dos cidadãos não tem a mínima ideia das diferenças entre os dois lados dessa
moeda que vende ilusões e compra votos.
Ouço
dizer de gente que se diz indecisa. Percebo que entre estes há os que o são por
amnésia opcional, pois assistiram durante anos o que a Lava-Jato lhes esfregou
na cara, mas, por alguma razão que não sou capaz de entender, optam por uma
hipocrisia espiritualmente conveniente.
Há
também os que o são por um entendimento rasteiro, superficial, do que deve ser
a razão do voto. Apegam-se à aparência do candidato como se estivéssemos num
concurso de misses, ou de quem fala mais bonito. Esquecem que as pessoas
passam, mas não as consequências de suas ações, principalmente em se tratando
das que afetam um país inteiro, no caso do Brasil, a mais de 212 milhões de
seres humanos.
Há
os que ficam em casa por covardia. Não têm opinião de nada, mas, não fazendo
uma escolha, se sentirão livres para serem contrários a tudo que o eleito vier
a defender, propor ou fazer, não importando quem ele seja. Jogar pedra é seu
esporte favorito até o dia em que uma outra pedra, atirada por um seu
“semelhante”, lhe atinja.
Existem
motivações ainda piores, como a do infantil, imaturo, irresponsável, voto de
protesto. Se seu voto é secreto, você pode me dizer quem saberá de seu
protesto? E mais, qual a relevância dele para o resultado do pleito? Ainda pior
talvez seja o quem brada não votar porque “não gosta de política” e então fica
em casa esperando as consequências do voto dos que foram às urnas. Não percebe
que não há como se eximir, pois as consequências recairão sobre todos os que
delegarem seu voto. Isto é inexorável.
Lembro
que TODAS as eleições recentes vencidas por representantes do socinismo[i] o foram graças aos 30% ou mais de “isentões” que
ou não foram votar, ou votaram em branco, ou anularam o voto.
Mas
ainda há os que se isentam optando por votar em que não tem a mínima chance de
vencer neste momento. Este não será um pleito em que vários candidatos estão em
um mesmo patamar de chances. Há um abismo de intenção de votos entre os que
aparecem em 1º e 2º lugar e os que aparecem a partir do 3º. E não importa
quanto tendenciosas sejam as pesquisas, pois os fatos diários são
incontestáveis. É um direito inalienável o eleitor votar em quem ele bem
entenda. Ele apenas deve estar consciente de que esta é uma eleição de caráter
plebiscitário e seu voto em uma “fracassada 3ª via” é tão nulo quanto o efetivo
voto nulo. Há que se acrescentar o efetivo risco de fraude que paira como nuvem
negra no processo eleitoral deste ano e, cada voto não avaliado sob a ótica do
que apresento aqui, poderá significar uma contribuição para um resultado que
não espelhe a “verdade” das urnas.
Esta
não é uma eleição para presidente onde se avalia se gosto ou se não gosto de A
ou de B, mas sim para qual futuro vamos dar nossa contribuição. As ideias e
propostas dos dois candidatos são diametralmente opostas. Suas personalidades
não têm a mínima relevância. Eles são representantes – e agentes – de um
contingente de interesses nobres ou não que assumirão todas as instâncias do
Estado brasileiro. Nossa ação ou inação será a opção entre, de um lado,
princípios de liberdade de opinião, democráticos, liberais e capitalistas, e de
outro, o desejo de censurar o direito de opinião, de nos colocar mordaças de
todo tipo, de implantação de uma ditadura do proletariado, de tirania, de
controle do Estado, do fim da propriedade privada, do comunismo enfim. Tanto nós
quanto o eleito e seus asseclas e discípulos, passarão, mas nossas decisões integrarão
os registros da história que será contada. Que herança política queremos tentar
deixar para nossos descendentes? É disso que se trata. Precisamos desviar o
olhar da ponta de nossos pés e o direcionarmos para o horizonte. Nesta manhã de 2
de outubro de 2022 qual será a cor do céu que estaremos vendo?
[i]
Socinismo é o termo que criei para sintetizar os preceitos políticos do
socialismo e os preceitos econômicos do comunismo.
“A impressão que se tem, pelos fatos ocorridos em público até agora, é que o STF dará, sim, um golpe de Estado para impedir um segundo mandato de Bolsonaro — caso chegue à conclusão que pode dar esse golpe, ou seja, se tiver certeza de que todo mundo vai baixar a cabeça se os ministros virarem a mesa.”
J. R. Guzzo, em “Estão Querendo Virar a Mesa”, revista Oeste de 15/4/22
Há quase um ano, as pessoas mais próximas a mim, me ouvem dizer que não chegaremos às eleições deste ano percorrendo um caminho normal. Guzzo, no artigo citado, fazendo um paralelo entre os desejos dos perdedores de 2018 quanto a Bolsonaro e o que se propagava quanto à candidatura de Getúlio a Presidente em 1950, lembra a fala de Carlos Lacerda: “Não pode ser candidato. Se for candidato, não pode ser eleito. Se for eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”. Este é o retrato de nossa fragilíssima “democracia”.
De
minha parte, em relação a Bolsonaro nestes pouco mais de 3 anos, dá para fazer
uma inversão, pois impedido de governar ele já o foi desde o primeiro dia. Se
alguém imagina impedi-lo de tomar posse se eleito, não está em juízo perfeito, não
tem o menor compromisso com as consequências para o país, é o mínimo a se dizer.
Candidato ele o será se nada lhe obstar. Portanto, só restam a seus oponentes
duas alternativas: não deixar que seja candidato ou fraudar a contagem dos
votos se as pesquisas prognosticarem sua vitória.
Qual
o nível de certeza que tenho sobre esta “previsão”? Cem por cento! Justifico.
Desde a primeira atitude de Alexandre de Moraes[2] contra a Constituição Brasileira, eu me pergunto: o que motiva um juiz da Suprema Corte a agir contra a Nação sem qualquer receio de ter suas decisões revidadas, invalidadas, ou minimamente questionadas por instituições que se proclamam defensores da Lei? Uma primeira resposta é atribuir a alguma pressão externa não revelada. Através de ameaças à sua vida e/ou de seus familiares[3] (algo do tipo faça o que estamos lhe mandando ou...!), tal ação teria sequestrado a capacidade de agir e de julgar do referido Ministro. Para quem desconsiderar tal hipótese faço uma proposição. Tente se imaginar estando em uma posição de poder qualquer (não precisa ser no âmbito de funções da justiça) e se pergunte: que razões o fariam agir contra suas convicções morais e contra seus mais caros valores? Que forte razão seria esta que lhe faria capaz de enfrentar o desprezo provável de sua esposa/marido, seus filhos, seus amigos sem entrar em profunda vergonha? Se não viu, veja os vídeos que mostram as opiniões de Moraes no passado e no presente sobre liberdade de expressão. Tem alguma coisa muito estranha na transição de um momento para outro! Será só desvio de caráter? Oportunismo? É só uma pergunta.
Ok,
vamos ignorar isso e buscar outra fonte de razões e para tanto vou recorrer a Geraldo
Alckmin, o “Picolé de Chuchu” transmutado em “Pimentão Murcho Vermelho de Vergonha”.
O que você acha que sustenta o novo “Geraldo Alquimista Amoral”? Você consegue
imaginar o que o faz se tornar um “Lambe-9Fingers”, jogar no esgoto suas
relações mais preciosas, sua carreira política, mesmo que ela tenha sido
pautada por atos escusos, não republicanos, corrupção etc.? Eu não consigo. Tem
algo muito, muito forte, eu diria até dramático, por trás do que ele optou por se
tornar. Veja os dois vídeos de ex-Alckmim, o "antes" e o "depois", caso precise refrescar a memória.
Prosseguindo. Vamos dar uma olhada na parcela silenciosa dos perdedores. O que estará fundamentando o silêncio em relação às arbitrariedades do STF, instituições como OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ABI (Associação Brasileira de Imprensa, a própria imprensa em sua quase totalidade, a silenciosa covardia subserviente da câmara dos deputados e do Senado, e muitas outras instituições? O que respalda rotular como fascista e antidemocrático um Presidente que fala e age vigorosamente em defesa das liberdades individuais e do total respeito à Constituição sem que tenha tomado qualquer atitude autoritária, mas tendo adversários que agem diuturnamente para o cerceamento das liberdades e aplaudem as arbitrariedades do STF, em público ataque aos princípios mais básicos da democracia? Quem são os que nos acusam do que eles fazem?[4]
Hoje
tenho a convicção de que a tecnologia digitrônica capacitou cada cidadão do
planeta Terra - independente de classe social, de nacionalidade e de nível de
instrução - a expressar suas opiniões e formar imensos grupos em defesa de
desejos e necessidades comuns, corrompendo de forma inesperada, rápida e drástica,
a estrutura do modelo democrático e hipócrita sob o qual vivemos a partir da
revolução industrial. O modelo “elite e
povo” até então era explícito, claro: “manda
quem pode, obedece quem tem juízo”. A formulação “todo poder emana do povo e por ele será exercido” é a primeira e máxima
hipócrita das constituições. Não só da nossa. Ninguém há de imaginar que lá
constasse algo como “todo poder emana
das elites e em seu nome será exercido para exploração e submissão do povo”.
Mas esta é a incômoda realidade. O problema é quando o tal “povo” pode se manifestar com razoável força e, portanto, pode mandar.
Mas quem deverá obedecer? Obviamente deveriam ser os mandatários do povo
eleitos pelo voto. Eis a incômoda questão fundamental. Estamos, portanto,
inseridos em um movimento de corrupção dos valores da civilização ocidental com
uma força de destruição que nunca foi possível em nossa história.
A mão do leviatã estatal está queimando e o cheiro de carne tostada impregna os cérebros dos detentores do phoder. A dissonância cognitiva[5] nas mentes oligarcas, provocou uma ruptura de tal magnitude que os conceitos mais elementares têm seus significados invertidos. Quem fala em garantir a liberdade, manda prender quem o critica. Quem defende a democracia, ataca-a com decisões antidemocráticas. Quem fala em direitos individuais, agride, até fisicamente, quem dele discorda. Quem deveria se limitar a falar nos autos, discursa publicamente e no até no exterior, se proclamando do bem e agindo contra os do mal, você. Quem defende o respeito às Leis e à Constituição, é acusado de autoritário e fascista. Comunistas são do bem, holodomor[6] e holocausto são fake news da extrema direita, e prometem, se eleitos, um mundo como Pasárgada, onde Manuel Bandeira imaginou ser “um refúgio de delícias”. Como nada é sem significado e intenção, tudo é em nome do desespero pela perda do monopólio da informação e da boa e fácil agora antiga forma de manipulação das massas através dos convenientes serviços dos veículos servis de imprensa tradicionais.
Não
nos iludamos, nem sejamos esperançosos quanto aos acontecimentos políticos dos
próximos 6 a 9 meses. Será uma escalada tal qual a erupção de um vulcão: ela só
terminará quando a energia que a sustenta tiver sido totalmente consumida. Há como
impedi-la sem trauma? Não. Resta-nos resistir, pois toda escalada tem seu ápice
seguido do inevitável declínio quando tudo se desgasta e quando a realidade faz
caírem as máscaras das narrativas falaciosas. Então terá chegado o momento para
forças contrárias ganharem suas batalhas. Por falar em batalhas, podemos ver tal
processo como uma guerra. Elas não terminam com a aniquilação total dos
inimigos, elas terminam quando um dos lados levanta a bandeira branca em
reconhecimento, não da força do inimigo, mas da fraqueza e desgaste de suas
próprias forças frente à capacidade de resistência encontrada.
Assumindo
a similaridade metafórica com uma guerra entre exércitos, um deles é formado
pelos “vitimistas”, os vitimados
pela perda das eleições de 2018. São todos os defenestrados do poder em
consequência das decisões do Presidente tomadas em total observância às suas
promessas de campanha. Identificá-los, portanto, é fácil. Para saber o que
torna um “vitimista” raivoso que diz odiar Bolsonaro, basta identificar qual
foi a teta que ele mamava e secou. De outro lado estão os “estoicos”, aqueles que em lugar de aceitar uma cota de
“quentinhas” do socinista de plantão, preferem ir à luta, enfrentar as
vicissitudes e ir atingir seus objetivos com seu próprio esforço e mérito. Para identificá-los, basta descobrir sua
fonte de renda, se é de um encosto em algum mecanismo (benesse) estatal ou se é
da determinação e do trabalho.
Persistir
em nossas convicções, ter a consciência de que respeitar e lutar pela admissão de
que cada um de nós é único, que nossas diferenças têm que ser protegidas e
garantidas, e que qualquer que seja a melhor solução política para o equilíbrio
da vida em sociedade, a natureza humana tem que ser o sustentáculo para uma
vida digna. Esta simples, mas decisiva postura é o passaporte para o ingresso
neste exército de estoicos.
Abaixo, uma edição (o vídeo completo está aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Pq-Hk32T7lE) feita por mim com recortes do vídeo, gravado no mesmo dia 20/abr/22, de Rodrigo Constantino tratando das mesmas questões deste artigo.
Eu
não partilho da possibilidade que o jornalista J. R. Guzzo aventa de “que todo mundo vai baixar a cabeça” e
dar salvo-conduto para um golpe dos perdedores. Mas isso só se eu e você nos mantivermos
nas fileiras da resistência estoica. Só se ninguém reagir à condenação de
Daniel Silveira feita hoje pelos 10[7] (Ameaçados? Raptados?) ministros do STF
neste dia em que escrevo.
Fique
esperto. Fique determinado. Erga sua voz. A servidão voluntária não é uma boa saída.
Encerrando
deixo o depoimento do pastor luterano Martin Niemöller (1892–1984), na Alemanha
nazista:
"Quando os nazistas vieram buscar os comunistas, eu fiquei em
silêncio; eu não era comunista.
Quando eles prenderam os socialdemocratas, eu fiquei em silêncio; eu não era um socialdemocrata. Quando
eles vieram buscar os sindicalistas, eu não disse nada; eu não era um sindicalista. Quando eles buscaram os judeus, eu
fiquei em silêncio; eu não era um judeu.
Quando eles me vieram buscar, já não
havia ninguém que pudesse protestar."
[1] Quando estava no 2º ginasial, um professor que me deixou boas lembranças, nos indicou para ler “O Mundo em que Vivemos”. Devia ter umas mil páginas, nunca o li, mas, na esperança de um dia o ler, o mantive comigo por uns 20 anos. Informação inútil, apenas dando vazão a uma saudade.
[2] Não só ele, Barroso, Fachin e Lewandovski são seus melhores seguidores.
[3] Lembro que rolou nas redes uma ligação de Moraes com o PCC. Ok, as agências de checagem dizem que é falso. De qualquer forma esse artigo aqui acrescenta algumas informações importantes sobre Moraes.
[6]Holodomor é como ficou conhecido o genocídio pela imposição da fome comandado por Stalin nos anos 1932 e 1933. Por coincidência vi há dois dias um bom filme (não lembro o título) na Netflix sobre a Rússia de Stalin, com Robert Duval no papel principal.
[7] Até André Mendonça, indicado por Bolsonaro, votou pela prisão de Daniel Silveira!!!
Motivado
por opiniões postadas num grupo de Whatsapp que evidenciaram algum entendimento
errôneo de alguns conceitos, o que é normal, vou procurar dar alguma
contribuição sobre eles.
CAPITALISMO E
LIBERALISMO
A
maioria das pessoas (minha avaliação) faz uso destes dois termos como se fossem
sinônimos. Não são. O conceito de capitalismo diz respeito à formação de
capital para aplicação com o objetivo de obter retorno financeiro, preferencialmente,
acima da inflação. Tal aplicação pode ser na criação de empresa para a produção de bens, ou para o comércio de bens, ou para a prestação de serviços específicos,
ou como investimento em outras empresas. Quando falamos sobre capitalismo,
estamos envolvidos, basicamente, com temas como propriedade, risco, produtividade,
rentabilidade, crescimento, competição de mercado, identificação de tendências
de demanda, lucro ou prejuízo.
Outro
erro normalmente observado é quando as pessoas colocam em oposição capitalismo e
comunismo, o que não é correto. Um dos melhores exemplos da atualidade é a
China, um país de regime totalitário, partido único, um Estado no qual impera uma
ordem social estruturada sobre as ideias de igualitarismo, propriedade comum e na
ausência hipócrita de classes (ou alguém é inocente útil que acredita nisso?), quadro
que define o que seja comunismo, onde o Estado é o planejador da economia, mas
onde o capitalismo, ou seja, o direito de empreender através da acumulação de
capital pelo lucro obtido em uma atividade qualquer, é o mecanismo realizador
do que o governo deseja ver implantado. No Brasil atual, o melhor exemplo do
capitalismo chinês são empresas que estão comprando propriedades (terras, imóveis e vencendo leilões de privatização) e
não o Estado Chinês.
Quando
contrapomos capitalismo e comunismo, estamos colocando de um lado a liberdade
do cidadão de fazer/empreender aquilo que “lhe der na telha”, e de outro a
submissão/servidão ao Estado que é o responsável pode dizer o que ele “deve”
fazer. Em um próximo texto vou tratar de estatismo, uma consequência deste sistema
político, comparado ao liberalismo econômico.
Feita
esta distinção, podemos tratar agora de liberalismo. O capitalismo é um sistema[1]
econômico com princípios, regras, leis, penalizações (tanto do Estado quanto do
próprio mercado) etc. que visa regular as interações dos inúmeros agentes de
modo, principalmente, a (1) evitar ou amenizar os efeitos de monopólio e
cartéis, e (2) deixar a estes agentes a busca do equilíbrio entre fartura e
escassez. Já o liberalismo é uma doutrina baseada na defesa da liberdade individual,
ou seja, o direito dado ao cidadão, normalmente pela própria Constituição, para
conduzir sua vida pessoal e profissional de acordo com sua vontade, seus
desejos e interesses. As normas, quando existem, são morais, dinâmicas (estão
em constante ajuste às realidades vividas) e diferentes em cada sociedade, pois dependem dos valores culturais
nela praticados. Pode-se, portanto, inferir que liberalismo não é
um sistema, nem mesmo diz respeito a capital, ele é o conceito que define o
nível de liberdade que um cidadão tem dentro de uma sociedade. Politicamente, o
liberalismo é tão somente o direito de se manifestar, opinar, escrever,
publicar, votar sem coação, e o dever de respeitar este mesmo direito naqueles
que não partilham das mesmas opiniões.
MERITOCRACIA E PRECONCEITO
Um
método é uma maneira de se fazer alguma coisa. Uma expressão muito ouvida é
“ele não tem método”, isto ou aquilo “não tem metodologia”. A meritocracia é um
método para avaliar comparativamente o desempenho entre duas ou mais pessoas. A
Olimpíada, assim como toda e qualquer competição entre humanos para atingir
alguma meta, só existe porque o método para estabelecer quem vence, é a
meritocracia: vence aquele que teve mais mérito, vence aquele cujo esforço e
determinação empreendidas lhe permitiram fazer melhor que os demais[2].
Sei que acabo de dizer o óbvio, mas é que a coisa não para por aí, pois
precisamos analisar o que ou quem define o vencedor.
Num
jogo de futebol recente, o equipamento do VAR[3]
deu problema exatamente na hora de um lance polêmico. Tanto o juiz em campo,
quanto o próprio equipamento, quanto os juízes auxiliares que avaliam as
imagens, foram agentes para a formulação da decisão final dada. Ok, não é um
caso típico de meritocracia, uso apenas para mostrar que toda metodologia (juiz
e VAR são aplicadores de um método) está sujeita a interpretações e
subjetivismos. E é aí onde a coisa pega.
Tomando
o exemplo acima, há quem é de opinião que se deveria acabar com o VAR. Outros,
talvez, prefiram acabar com o juiz de campo. E talvez, os não aficcionados por
futebol, queiram apenas que não se jogue mais futebol dadas as tantas
“injustiças” que acontecem durante um jogo. Mas parece que a maioria gosta tanto
dos momentos e sentimentos que o esporte lhes proporciona, que não se importam
com erros eventuais na aplicação do método.
Uma
situação frequente que sempre nos deparamos quando em nossas relações humanas é a de julgamento do outro,
por qualquer motivação que seja. É destas situações que surge o preconceito.
Desde o homo sapiens habitante das cavernas, vivendo em pequenos grupos
nômades, a necessidade de ter uma percepção rápida das suas circunstâncias se
instaurou na gênese de nossos ancestrais como habilidade para a sobrevivência e
perpetuação da espécie. Estamos aqui graças a isto.
O
preconceito (conceito formado antes do conhecimento dos fatos) é como a libido; é instintivo. Não se acaba com
uma como não se acaba com o outro por vontade utópica de terceiro, por decreto,
pela ameaça de cadeia, pela força física ou pelo “paredão” – neste caso não
sobraria ninguém para ter proveito do resultado[4].
Tal como
a hipocrisia, é um dos recursos para os seres humanos explicarem o mundo à sua
volta e tocaram o seu dia-a-dia. Mas
ele está em todos nós, em todos os lugares e, principalmente, quando o método
em pauta não é seguido com absoluta honestidade e obediência aos critérios do
método na avaliação de quem vence e quem perde.
Mesmo
quando o método foi corretamente aplicado, a interpretação do resultado feita
pelo prejudicado, ou perdedor, ou preterido, ou vaiado, ou desconsiderado, frequentemente
é impregnada pela frustração própria ou dos sonhos e desejos de familiares,
amigos, mestres, treinadores, educadores etc.
Até
aí, creio que todos podem estar razoavelmente em acordo de que tais situações são
da vida, aquela que não é justa, nem injusta. Apenas é. O problema é quando
pessoas normalmente impregnadas de utopia – aquilo que imaginamos como mundo
ideal a partir do que nós achamos ser o ideal e que a psicologia coloca como “modelos para suportar
a realidade” – passam a querer curar
a humanidade das dores das tantas injustiças que enfrentamos desde a nossa
concepção[5].
Quando tal frustração não leva para a formulação de teorias de controle da
heterogeneidade da espécie humana, leva para uma atitude de vitimização, onde a
pessoa passa a se considerar perseguida por outro, seja com base em suas
características individuais, seja pelo resultado frustrante de suas tentativas
em alcançar um ou outro objetivo. É de Michel de Montaigne a observação de que "condenamos tudo o que nos parece estranho e também o que não compreendemos". Analisar tudo sobre preconceito não é cabível aqui, apenas chamo a atenção sobre o papel que tem na sociedade.
Eu
procuro tirar minhas “verdades” da observação das minhas circunstâncias, da
vida ao meu entorno, das conclusões que tiro sobre como se deu tal ou qual
evento, que princípios estavam em jogo, que valores estavam sendo preservados
ou atacados. E se aprendi algumas coisas que trago como realidades para uma boa
civilização, são estas: cada ser humano é uno, indivisível e inigualável; a
liberdade é o que nos permite realizar nossos sonhos; se eu por mim não fizer,
quem o fará?; a pior das agressões à integridade do ser, é aopressão que poucos fazem exigindo a servidão de
muitos para ter como proveito tudo que seja em proveito próprio.
Até
mais!
[1]
Sistema, para o que nos interessa neste texto, é o conjunto de métodos
interligados para solução de problemas/demandas a partir de um certo grau de
complexidade.
[2] De Roger
Scruton, destaco este texto: [Algumas pessoas insistem em que seja um método
melhor] julgar o sucesso humano pelo fracasso de alguns. Isso sempre lhes
fornece uma vítima a ser resgatada. No século XIX, eram os proletários. Nos
anos 60, a juventude. Depois, as mulheres e animais. Agora, o planeta.”
[3] A
Federação Internacional de Futebol (Fifa) implantou um sistema eletrônico de
apoio à arbitragem conhecido pela sigla em inglês VAR (Video
Assistant Referee).
[4] Cabe
aqui lembrar a afirmação da Ministra Damares Alves: "Erotização não
combate preconceito".
[5] Este
conceito é o que respalda uma parcela da população ser contra o regime de
cotas, por exemplo. Cito o jornalista Ali Kamel, em artigo de abril de 2004:
“Cotas, facilitando artificialmente o acesso à universidade, criarão mais
desigualdade e frustração. O cotista, por definição menos preparado, passará
mais tempo na universidade ou dela sairá antes da formatura. E porá a culpa no
“racismo” dos brancos. O perigo é transformar a nossa sociedade multicor e
tolerante numa sociedade bicolor, com ressentimentos mútuos”. Só não sei se
ele, agora comprometido com a emissora amiga dos progressistas, mantém a mesma
opinião. Afinal até Ministro do STF que pensava uma coisa antes, agora pensa e
pratica o oposto...!!!!
Para Adam Smith as diferenças entre um filósofo e um porteiro
Entre
os mais de seus 30 livros, Roger Scruton[1],
inglês, filósofo contemporâneo, está “Tolos, Fraudes e Militantes” que acabo de
ler. Nele Scruton procura desmascarar as proposta de alguns pensadores que
integraram a “Nova Esquerda”[2] no século XX que pretendia, e ainda pretende, consertar o homem e a
civilização. Uma das conclusões a que se chega após a leitura é que a
intelectualidade ungida é composta de loucos, neuróticos, psicopatas, e quando
não, no mínimo dos mínimos, hipócritas cínicos.
De
todos os capítulos – quase todos de leitura árida - dois vou referenciar aqui. O primeiro é o que trata de “Guerras culturais no mundo
todo: a Nova Esquerda de Gramsci a Said”. Nele Scruton começa lembrando o
objetivo síntese de suas ideias – elaboradas no cárcere, é bom lembrar – era o
de substituir a cultura burguesa por “uma nova e objetiva hegemonia cultural”. O
que passa na cabeça de alguém com essa pretensão? O que ele imaginava ser
“objetiva”? Como se pode obter, em qualquer tempo e lugar, “hegemonia cultural”
quando em cada canto do mundo o desenvolvimento da cultura se deu sobre a
heterogeneidade dos seres humanos e em função de circunstâncias absolutamente
particulares e únicas? O nível de arrogância, de pretensão sobre deter a
verdade, e de um absolutismo intelectual que chega ao cume além do qual ninguém
conseguirá ir além.
Para
qualquer mente sana in corpore sano,
tal proposição bastaria para deixar tal indivíduo no limbo da história, mas não
foi o que aconteceu. Gramsci se tornou o guru, o “grande mestre”, o tutor maior
dos perdedores, dos carentes de um guia intelectual, mesmo que não compreendam
razoavelmente o que ele diz. Basta gritar “abaixo a burguesia!!!” e seguir
marchando de iPhone na mão. Mas este
não descarte, ou, resgate extemporâneo, se deu, com especial intensidade, no
Brasil. Gramsci está nos fundamentos das ideias e ações de PSOL e, em
particular, do PT. Tendo isto como fato, passo a não me interessar mais em
analisar Gramsci, mas apenas as ideias deste “intelectual” que estão no âmago
da conduta daqueles dois partidos que hoje diariamente e intensamente tentam
nos empurrar para o precipício da escuridão utópica que eles defendem.
Passo,
então, a me referenciar apenas ao PT do G (Partido dos Trabalhadores de Antonio
Gramsci) sempre que citar, daqui em diante, alguma das ideias e sugestões
daquele prisioneiro italiano que se tornarem práticas de seus membros. Passagens
extraídas do texto de Scruton estarão entre aspas duplas, e se contiverem
citações de Gramsci, estas estarão entre aspas simples e itálico.
Entre
as maluquices do PTdoG, está a de que seus dirigentes acham que da união entre
intelectuais comunistas e as massas (...) ‘emergirá
uma nova forma de governo por consenso’.” Para o sujeito minimamente realista
que pergunta “como os conflitos serão acomodados ou resolvidos”, eles não têm
resposta. Mas é uma enganosa constatação de ignorância. Todos sabemos que o
cidadão pode ser maluco, mas não tão burro. Não à toa, portanto, o PTdoG devota
parte considerável de sua utopia “ao papel dos intelectuais, afirmando
diretamente não apenas que são os verdadeiros agentes da revolução, mas também
que devem sua legitimidade à ‘correção’ de suas opiniões”.
Para
os “petistas do G”, não há necessidade nenhuma de integrar o “proletariado”. Você
pode continuar a ser um bajulador do seu intelectual de estimação, ou cumprir
sua “desobrigação” em alguma repartição pública, ou, melhor ainda, “continuar
em qualquer cargo confortável que lhe tenha sido oferecido e trabalhar pela
derrota da hegemonia burguesa”, mas todos, ressalto, enquanto, hipocritamente,
“aproveitam seus frutos”.
Os
“petistas do G” desejam um governo que lhes proteja das injustiças da vida. Eles
querem saúde, alimento, moradia, segurança e lazer, tudo oferecido por um
Estado centralizador. Para tal satisfação estão dispostos a abrir mão da
propriedade, as esquecem que quanto mais dependentes, mais limitados serão seus
direitos e sua liberdade. E por uma razão simples que eles fingirão não
enxergar até alguns milhões de “dissidentes” serem assassinados como sempre o
foram na história: “os objetivos, libertação e justiça social, não são
compatíveis”.
O
planejamento central reivindicado pelos próceres do PTdoG, é o melhor caminho
para a criação de escassez, privilégios de classes, mercado negro,
sobrevivência do mais forte (literalmente) e injustiça – para dúvidas quanto a
esta afirmação, consultar a história da economia e da vida soviética depois de
1917.
O
capítulo encerra com Scruton diagnosticando que “entramos em um período de
suicídio cultural, comparável ao sofrido pelo Islã após a ossificação do
Império Otomano”.
O
último capítulo, “O que é a direita?”, é o segundo do qual trago aqui algumas
reflexões. Pouco o texto se dedica a dar uma resposta. A única que Scruton
apresenta é que uma vez que um indivíduo é “identificado como de direita (...)
seu caráter é desacreditado e sua presença no mundo é um erro”. Independente
desta “falha”, no meu entender, ele coloca algumas cerejas neste indigesto bolo
que estão pretendendo nos servir em futuro próximo.
De
minha parte, o que me chamou a atenção ao longo de toda a obra é falta gritante
de uma explanação sobre as bases de um sistema socinista (socialista-comunista).
Scruton confessa que buscou, “em vão, nas obras” de diversos autores “uma
descrição de como a “igualdade dos seres” defendida em seus atormentados
manifestos” poderia ser alcançada. O máximo a que se chega é à utopia das
utopias, “uma sociedade da qual tudo que a torna possível – leis, propriedade,
costumes, hierarquia, família, negociação, governo, instituições – foi removido”.
A
ideologia socinista ou “a ‘práxis revolucionária’ apenas nos leva a destruir o
que não sabemos substituir” sem nos dar a mínima pista, “em termos concretos, o
fim para o qual trabalha”.
O
que fato incontestável é que “a tentativa de conseguir ordem social sem
dominação inevitavelmente leva a um novo tipo de dominação, muito mais sinistra
que a deposta”.
E
é de Foucault que podemos tirar o lembrete de que “um déspota estúpido pode prender seus escravos com correntes de ferro,
mas um verdadeiro político os amarra ainda mais firmemente com as correntes de
suas próprias ideias [onde] o elo é ainda mais forte porque não sabemos do que
é feito”.
Scruton
vai chegando ao final. “O mundo do comunismo é um mundo de dominação impessoal
no qual todo o poder está nas mãos de um partido” porque “a ideologia é um
conjunto de doutrinas (...) de assombrosa imbecilidade (...) A ideia de
‘ditadura do proletariado’ (...) pretendia pôr fim às indagações, de modo que a
realidade não pudesse ser percebida”.
Claramente,
estamos lidando com uma necessidade religiosa, uma necessidade plantada
profundamente em nosso “ser genérico”. (...) E esse desejo é mais facilmente
recrutado pelo deus abstrato da igualdade do que por qualquer forma concreta de
compromisso social. Defender o que é meramente real se torna impossível quando
a fé surge no horizonte com seus atraentes presentes de absolutos.
Como
você chegou até aqui me resta, apenas, esperar que você tenha tirado algum
proveito.
[1] Na
wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Roger_Scruton
[2] São eles: Eric
Hobsbawn (1917/2012), Edward Thompson (1924/1993), John Kenneth Galbraith
(1908/20060, Ronald Dworkin (1931/2013), Jean-Paul Sartre (1905/1980), Michel
Foucault (1926/1984), Jürgen Habermas (1929/...), Louis Althusser (1918/1980),
Jacques Lacan (1901/1981), Gilles Deleuze (1925/1995), Antonio Gramsci (1891/1937),
Edward Said (1935/2003), Alain Badiou (1937/...), e Slavoj Žižek (1949/...).
A revista PIAUÍ de novembro/18, traz uma matéria muito esclarecedora escrita por Anne Applebaum(1). O título é "O pior está por vir" e aborda temas atuais que vivemos e ainda estamos vivendo. É bastante esclarecedor no sentido de que nos mostra que nossas angústias e dramas são mais comuns do que poderíamos imaginar. A seguir, alguns trechos para dar uma ideia das temáticas, mas não exime de leitura para quem quer aprofundar um pouco mais. --------------------------------------------------------------------------------------------------
Naquele momento (celebração
de ano novo dez/1999), com a Polônia na iminência de se integrar ao Ocidente,
tinha-se a impressão de que torcíamos todos pelo mesmo time. Concordávamos sobre
a democracia, o caminho para a prosperidade, o rumo que as coisas estavam
tomando.
Aquele momento passou.
Decorridas quase duas décadas, cheguei a mudar de calçada para evitar algumas
das pessoas que celebravam o ano 2000. por sua vez, elas não só se recusavam a
entrar na minha casa como tinham vergonha de admitir que um dia a frequentaram.
Na verdade, cerca de metade dos convidados nunca mais falaria com a outra
metade.
Dadas as devidas
circunstâncias, qualquer sociedade pode se voltar contra a democracia. Aliás, a
julgar pela história, todas as sociedades acabarão por fazê-lo.
Duas décadas atrás,
diferentes interpretações de “Polônia” também já deviam estar presentes, à
espera do momento de vir à tona, conforme as circunstâncias e em razão de
ambições pessoais.
A quem cabe definir uma
nação? E a quem, por conseguinte, cabe conduzir uma nação?
Monarquia, tirania,
oligarquia, democracia: tudo isso era familiar a Aristóteles, há mais de 2 mil
anos. Mas o regime antiliberal do partido único, ora encontrado em todo canto
do mundo – considere-se a China, a Venezuela, o Zimbábue -, foi pela primeira
vez desenvolvido por Lênin, na Rússia, a partir de 1917.
[Lênin será lembrado] não
por suas convicções marxistas, mas por ter inventado esta persistente forma de
organização política. Ela é o modelo pelo qual se pautam muitos dos autocratas
hoje em ascensão no mundo.
A diferença do marxismo, o
regime leninista de partido único não é uma filosofia. É um mecanismo para
deter o poder. Ele funciona porque define claramente quem vem a ser a elite – a
elite política, a elite cultural, a elite financeira.
O regime unipartidário
bolchevique não era apenas antidemocrático: era também não competitivo e não
meritocrático. Vagas nas universidades,
empregos no funcionalismo público e postos no governo e na indústria não cabiam
aos mais diligentes ou aos mais capazes: cabiam aos mais leiais.
Como escreveu Hanna Arendt
nos idos da década de 40, o pior tipo de regime unipartidário “invariavelmente
substitui todo talento, quaisquer que sejam suas simpatias, pelos loucos e
insensatos cuja falta de inteligência e criatividade é ainda a melhor garantia
de lealdade”.
Ressentimento, inveja e,
sobretudo, a crença na injustiça do “sistema” são sentimentos importantes entre
os intelectuais da direita polaca.
A experiência fez com que
Jaroslaw se desse conta de que não gostava de política, em especial da política
do ressentimento: “Eu entendi o que era de fato fazer política: promover
intrigas terríveis, vasculhar sujeita, fazer campanhas difamatórias.”
O apelo emocional de uma
teoria conspiratória está em sua simplicidade. Ao explicar fenômenos complexos,
esclarecer acasos e acidentes, ela propicia a sensação gratificante de se ter
acesso privilegiado ou especial à verdade.
O apelo do autoritarismo é
eterno.
O escritor venezuelano
Moisés Naím visitou Varsóvia poucos meses depois que o [partido de direita] Lei
e Justiça chegou ao poder. Pediu-me que descrevesse os novos dirigentes polacos:
Pessoalmente, como eram? Enumerei alguns adjetivos: “raivosos”, “vingativos”,
“rancorosos”. “Parecem”, ele disse, “ser iguaizinhos aos chavistas.”
Mais cedo ou mais tarde os
perdedores contestarão o mérito da competição em si.
O regime autoritário ou
mesmo o semi-autoritário – o regime de partido único, antiliberal - propicia essa esperança: de que a nação será conduzida pelas melhores pessoas, as que
merecem mandar, os quadros do partido, os que acreditam na Mentira de Médio
Porte. para tanto pode ser preciso subjugar a democracia, corromper a atividade
empresarial ou arrasar o sistema judiciário. Mas nada disso é impossível para
quem julga estar entre os que merecem mandar.
-------------------------------------------------------------------------------------- Em conclusão, qualquer extremo do espectro das ideias políticas é composto por farinhas colhidas do mesmo saco. São desejos de autoritarismo de um conjunto de indivíduos dispostos a tudo para oprimirem quanto for necessário para que se mantenham no poder. As técnicas de execução dos propósitos são exatamente as mesmas. A diferença está apenas no modelo de hipocrisia apresentado no discurso.
(1) Americana, jornalista e historiadora, casa com um diplomata polonês.
Já que tem tanta gente dando sua opinião nas redes sociais, então aqui vou eu também.
Gravo esta mensagem apenas como um cidadão brasileiro. Ela é endereçada principalmente aos que, em relação ao cargo de presidente, pensam em não votar; é endereçada também aos que estão propensos a votar em branco ou em anular o voto; e a todos os que ainda não decidiram em quem votar. Como cidadão, em eleições passadas estive em todas estas situações. Mas não nesta eleição. Nesta eleição de 2018, ou eu faço uma escolha e a registro na urna eletrônica, ou estarei cometendo o maior erro da minha vida.
Eu explico. Existem duas razões para esta convicção e que vou apresentar para serem avaliadas por você. A primeira é que nesta eleição não vamos eleger candidatos para os próximos 4 anos. Não vamos eleger candidatos por suas qualidades ou defeitos pessoais na percepção de cada um de nós, seja para nos governar, seja para nos representar no Congresso. Não. Nós vamos escolher aqueles que vão apoiar e implantar um entre dois sistemas políticos. Em especial no caso de Presidente da República, temos nesta reta final do primeiro turno, dois candidatos que não importam em si mesmos como indivíduos: eles apenas representam as duas correntes políticas e econômicas de interesses e valores opostos. De um lado aquela corrente que pretende aumentar o tamanho do Estado e desestabilizar a família (*) como principal instituição da vida social; de outro, a corrente que quer preservar e proteger a família dos ataques da esquerda comunista e diminuir o tamanho do Estado tornando-o mais eficiente e dando liberdade e dinamismo para a sociedade como um todo, e garantindo aos cidadãos a autodeterminação sobre suas escolhas, sobre suas vidas, livrando-nos da tutela de um Estado opressor. Sendo mais claro: não está (e não pode estar) em avaliação as competências e as crenças pessoais dos candidatos, seja Luladdad ou o Mito. Ao votar estaremos manifestando o que desejamos deixar para nossos filhos e netos: a pobreza endêmica dos países totalitários, ou a possibilidade de nos tornarmos um país desenvolvido como as de tantos países democráticos do ocidente. E eu não quero que eles venham me apontar o dedo no futuro porque nosso legado foi uma Venezuela.org.BR!
Resumindo: ou escolhemos um futuro com ditadura-comunista ou um futuro com democracia-capitalista. E a escolha é nossa, quer dizer, sua.
Sim, sua. E aqui chego à segunda razão. Quando você não vota em um candidato, você está deixando que outras pessoas decidam o seu futuro. Eu entendo nossa desilusão com os políticos. Mas, um Estado-Nação como é o Brasil, a política é condição necessária e básica para a definição das prioridades da sociedade. E só sob a democracia é que a política pode funcionar plenamente. Quando você se omite de fazer uma escolha, está consequentemente aceitando qualquer resultado, e qualquer resultado significa o resultado que outros desejaram. E você deixou de manifestar sua vontade. Vote, não se omita. Se omitir é sua pior opção. Eu prefiro deitar minha cabeça no travesseiro sabendo que contribui para o processo democrático. Se o caminho escolhido ao final não for a minha opção, poderei dizer: bem eu fiz minha parte e me orgulho de pertencer ao grupo dos opositores. Do contrário, contarei com a sorte ou então amargarei para sempre a vergonha de ter me acovardado.
E aí, qual será sua escolha?
Descrentes, o seu voto define o futuro do Brasil.
(*) O objetivo da erotização de crianças.
(**) Bolsonaro fala sobre a Cartilha do PT ensinando sexo às crianças.
Esquerda Caviar, que acabo de ler e editar um extrato, é o mais recente livro de Rodrigo Constantino, intelectual brasileiro de pensamento liberal e cujo blog é listado aqui ao lado.
Como já expliquei em "Sobre", não sou um liberal e ponto, mas, sim, talvez, talvez conservador, talvez autocrático, talvez democrático... depende, por isso concordo e não concordo com o que vo Constantino diz. Depende.