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sábado, maio 16, 2020

A DECEPÇÃO COM BOLSONARO

Tenho encontrado eleitor de Bolsonaro que agora se manifesta decepcionado e dizendo estar retirando o apoio ao Presidente com argumentos, no mínimo, frágeis. Como tal posicionamento me soa muito estranho, muito mal justificado, parei um tempo para encontrar fatos, razões plausíveis, para tal "desvoto". 

Bolsonaro é um dos raros políticos, se não o único, a ocupar o cargo de chefe do executivo, que desde o dia de sua posse vem fazendo exatamente o que prometeu em campanha, promessas estas que foram a razão fundamental do voto daqueles que hoje se dizem, de um modo ou de outro, decepcionados com ele. Vamos recordar uma poucas destas promessas, as decisões e as consequências resultantes.

Ele prometeu acabar, ou pelo menos combater, o que se convencionou chamar de "governo de coalizão", especialmente não usando o "toma lá, dá cá" como tática para obter apoio às propostas do executivo a serem encaminhadas ao legislativo. Para tanto, desde sua campanha, convocou e convoca a classe política a colocar o "Brasil acima de tudo", mensagem que sintetiza um desejo de ver a todos priorizando os interesses da nação ao invés de mesquinhos, quiçá, imorais, interesses particulares e corporativos. Fiel a este princípio, obteve dois grandes sucessos enfrentando forte oposição: aprovando a reforma da previdência e dando um certo grau de flexibilidade às relações trabalhistas. Entretanto, tem sido sistematicamente derrotado na Câmara dos Deputados que não vota os decretos da Presidência no prazo determinado em lei, deixando-os caducarem e perderem eficácia. 

Ele prometeu acabar com as nomeações políticas para cargos de primeiro, segundo e terceiro escalão nas empresas estatais, ministérios e secretarias de governo, fazendo as escolhas com base em curriculo profissional e conduta ilibada. Promessa até aqui vem sendo cumprida com determinação e resultando em um número que bem expressa uma das consequências (outra é o fim do roubo causado pela corrupção): 70% de aumento no lucro das estatais em 2019 comparado com 2018.


Ele prometeu afastar do poder e de toda a estrutura administrativa do Estado o petismo e seus correlatos. Vem cumprindo a promessa editando decretos que extinguem cargos em diversas instâncias e áreas da administração pública. Acrescento aqui uma realidade que a maioria das pessoas não se dão conta. Desaparelhar o Estado depois de mais de 20 anos de governo de esquerda (FHC, Lula e Dilma) não é tarefa para alguns meses, nem mesmo para alguns poucos anos. O vírus comunista, socialista, esquerdista, como queiram, é, hoje, endêmico nos órgãos públicos, tal como será a Covid-19 na sociedade pelas próximas, provavelmente, décadas. Isto significa dizer que, por exemplo, dentro da Policía Federal, é muito provável que existam servidores alinhados à esquerda do espectro político que não têm qualquer interesse em atuar para o sucesso de decisões de Bolsonaro, muito pelo contráripo, haja vista os reclamos do Presidente quanto à investigação da tentativa de assassinato que recebeu e da muito mal explicada história do porteiro do condomínio. E só pra lembrar, reportemo-nos ao que vêem fazendo ministros do STF.

A consequência macro da atuação do Presidente ao longo desses quase 17 meses, foi a quebra das colunas de sustentação de uma oligarquia que estava no poder cujo tapete vermelho sob o qual se apoiavam foi puxado da noite para o dia. E quem é que gosta de perder as benesses e os privilégios que o poder proporciona, os republicanos e os não tanto, sem reagir com todas as forças que ainda se tenha à mão? Bolsonaro vem enfrentando, a seu modo exageradamente franco, uma óbvia resistência e reação daqueles que perderam a eleição e não se conformam com um vencedor que não aceita fazer acordo com os perdedores como sempre foi feito na história do Brasil. Não era esse o combinado!

E, cereja do bolo, um tão eficaz presidente, um tão obstinado presidente, vem recebendo investidas diárias principalmente de governadores e prefeitos que passaram a usar da pandemia - que ameaça 211 milhões de brasileiros -, para, em primeiro lugar, sugarem os recursos do governo federal o máximo que possam, de modo a inviabilizar a governança a tal ponto que possam usar do artifício do impeachment para derrubá-lo. Sem falar nos tantos decretos de calamidade pública com o descarado objetivo de se refastelarem com compras sem licitação.

À vista do exposto, não me parece ter qualquer lógica tirar o apoio a Bolsonaro quando o seu governo é pautado pelo cumprimento de suas promessas que foram aprovadas por 58 milhões de pessoas que nele votaram. Mais do que em qualquer momento passado de seu governo, Bolsonaro precisa hoje não só do apoio de todos os seus eleitores, como de todos aqueles que percebam que não apoiá-lo é fazer o jogo, principalmente dos grandes grupos controladores da imprensa, de que "quanto pior, melhor".

Ah! Ia esquecendo. Por favor, não vale tirar o apoio com o argumento de que ele fala mal, fala demais, é rude etc. etc. É sim, mas isso não é uma razão "politicamente correta". 














terça-feira, junho 21, 2016

FINAL RÁPIDO PARA A LAVA-JATO

A questão prioritária em pauta nos meios políticos e na mídia neste junho de 2016, é quando e como terminar a Lava-Jato. Existem interesses espúrios em seu encerramento? políticos ainda não alcançados estão mexendo seus "pauzinhos"? Existe um cansaço, um desgaste esperado que enfraquece o andamento e os resultados? A operação já cumpriu o seu papel e é hora de nos dedicarmos a outras questões? É justo que fiquem impunes políticos corruptos pelo fato de que seja decretado o seu fim sem que se tenha chegado ao fim? Existe fim possível?

Eliseu Padilha, um ministro que ainda não foi demitido, "reverberou" sua opinião de que a operação "deve saber a hora de parar". Qual será essa hora é a pergunta inevitável que se segue. O que Padilha tem a dizer? Qual o critério a ser utilizado? Quantidade de presos? Tempo de processo? Volume de dinheiro resgatado de contas no exterior? Ou a sensação de que a continuarem a investigações não sobrará ninguém para gerir o país?

Fico com a última dúvida, para mim uma certeza. Simples. Até agora não se admitiu pública e peremptoriamente que:

1) A regra principal que elegeu a todos foi a da permissão de contribuição de empresas a partidos e campanhas políticas. Quando empresas não votam, empresas só têm um motivo para transferir valores significativos de seu caixa para o "sistema" político: investimento para obter rendimentos certos no futuro próximo.

2) Pior, a absurda abrangência de tal permissão a empresas estatais, uma permissão à imoralidade de, por ordem dos governantes, seus patrões, desviarem recursos que deveriam ser aplicados aos objetivos legais, lesando, inclusive, acionistas minoritários.

3) Que, sendo ridículo o volume de arrecado de pessoas físicas, e sendo insuficientes os recursos do Fundo Partidário, a fonte primordial nas últimas eleições se tornou a contribuição empresarial, contribuição esta única capaz de tornar qualquer candidato competitivo.

4) Que, portanto, TODOS os políticos eleitos em qualquer instância o foram dentro deste sistema, pois dele se aproveitaram, uns mais, outros menos. Conscientemente ou hipocritamente, já que há aquela parcela que diz só ter recebido ajuda do partido, sem reconhecer a origem 

A conclusão é uma só: TODOS cairão na Lava-Jato.