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segunda-feira, novembro 22, 2021

NOSSAS INSTITUIÇÕES E A CONSPIRAÇÃO PÚBLICA

Conspiração : Ação de construir secretamente um plano que prejudica alguém, geralmente um governante; conluio; maquinação; trama.


Há tempos coço meus parcos neurônios sobre em que ponto do ciclo resultante das ideias políticas o Brasil, especialmente, se encontra. Esclareço. A minha visão de funcionamento do Universo, parte da premissa de que tudo nele é jogo de forças, um eterno empurra-empurra de elementos que se chocam, se opõem, se aproximam e se afastam, o que resulta em ciclos de dominância, ora de um, ora de outro dos envolvidos.

Isto, para mim, vale desde átomos e moléculas até galáxias e, quiçá, além. Vale tanto para humanos quanto para quaisquer outra espécie vivente, seja da fauna ou da flora. Vale até mesmo para elementos inanimados, do grão de areia à montanha de granito. Vale para todas as inter-relações entre dois ou mais elementos mesmo que de mesma constituição. E talvez a razão principal seja uma das descobertas da física, qual seja a de que tudo está em movimento. E se em movimento, se encontram a esmo, ao acaso, se chocam, se repelem, se agridem e por aí vai. As ondas do mar, com seu incessante ir e vir, fluir e refluir, são um bom exemplo. Mostram tanto o movimento contínuo quanto o jogo de forças entre o vento que empurra as águas, quanto a resistência da inclinação da praia que enfraquece as faz retornar.

Introdução conceitual feita vamos à questão política. A partir da eleição de 2018, estão os estóicos, como entidade, ganhando terreno sobre os vitimistas, ou, tendo chegado à presidência da República geraram tamanha reação dos perdedores (inocentes úteis e os de intere$$e$ contrariados) que, através de ações esdrúxulas, imorais, ilegais, inconstitucionais, corporativistas, serão capazes de retornar ao phoder restabelecendo seus perdidos privilégios? 

Ainda não tenho resposta razoável. Trago apenas algumas observações. Por exemplo, não se pode mais afirmar que as  instituições estão funcionando dentro dos ditames para o que foram criadas. Sejam instituições do Estado, sejam da sociedade civil. Mas “instituições” não pensam e não falam, quem o faz são homens e mulheres que as integram, e que, portanto, as sustentam em seus objetivos e a eles se limitando. Não é o que vemos.

Vejamos a OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, que entrou em estado de total negação quanto a se manifestar sobre qualquer das graves agressões que vêm sendo praticadas pelo STF contra a democracia e, consequentemente, contra a sociedade brasileira. Esta minha afirmação se respalda no que consta no próprio site da Ordem 9https://www.oabrn.org.br/arquivos/ESTATUTO-DA-ADVOCACIA-E-DA-OAB.pdf), em documento assinado pelo seu próprio presidente, Felipe Santa Cruz: “A busca pela segurança jurídica e criação de regras inteligíveis e diretas é prioridade da nossa Gestão”. Santa Cruz, vitimista confesso e adepto do iluminismo[1] contemporâneo liderado pelo ungido Iluministro Barroso, o empurrador da história, entende que suas crenças utópicas lhe dão não só o direito (e o dever!!!) de ficar acima da instituição que preside, como o direito de desprezar a ( e mesmo cuspir na) história de lutas junto com a maioria de brasileiros pela volta à normalidade democrática.

Nesta mesma toada da OAB, vamos encontrar uma outra instituição  até então considerada como uma das defensoras intransigentes das liberdades de opinião e expressão. Falo da ABI, Associação Brasileira de Imprensa. Seu silêncio é sepulcral. Indecente e imoral. Nenhuma manifestação sobre os tantos e diversos ingredientes da receita de conduta das empresas de comunicação que já foram independentes, divergentes e bravos, e que hoje, independente dos efeitos oriundos da concorrência dos novos meios, se organizaram em um “consórcio” para divulgação de opiniões unificadas a serviço de um único objetivo, e que, em adição, cada um por si, criaram suas versões de “agências censoras” dos fatos e opiniões (publicadas em meios não consorciados, evidente) que são inconvenientes aos claros, mas inconfessos desejos de voltar a um passado glorioso de benesses públicas. É esta ABI que “ainda” tem em seu estatuto o Art.74 onde consta: “Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho é para a ABI símbolo maior de cidadania e de liberdade de expressão”. Não a menor dúvida de que seu espírito vaga pelo vazio do universo de sua decepção com aqueles que ficaram incumbidos de zelar pelo seu legado. Enfim, mais uma instituição cujos integrantes abandonaram os princípios que justificaram sua criação, em nome de suas crenças utópicas que os fazem acima de tudo.

Apenas para seguir no embalo deste tipo de entidades, lembro a ABL, Associação Brasileira de Letras, que acaba de nivelar Machado de Assis a dois de nossos “grandes pseudoescritores”, Fernanda Montenegro e Gilberto Gil. Triste Academia. Triste lado do Brasil.

E as instituições empresariais, tanto organizadas em associações de classe quanto individualmente? No primeiro caso no topo estão CNI, Confederação Nacional da Indústria, FEBRABAN, Federação Brasileira de Bancos, e FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e as tantas FECOMÉRCIO, Federação do Comércio, existentes em cada estado. O que fazem? Ao que reagem? A nada. Reformas e Decretos do governo Federal são solapados ou anulados por “iluministros progressistas” em decisões monocráticas “sacadas” com a rapidez de um Clint Eastwood em “Os Imperdoáveis”. Quanto às entidades membros, lembro a banqueira que não vê a hora dar seu voto e recurs$o$ para trazer de volta aquele “ambiente” profícuo de proteção ao setor financeiro. As associadas à CNI precisam ser lembradas do que diz o inciso II, do Art. 3º do estatuto da entidade: “defender a livre iniciativa, a livre concorrência, a propriedade privada e o estado democrático de direito, tendo em conta a valorização do trabalho, a justiça social e o meio ambiente”. E por último o lembrete da ação “racista do bem” contra candidatos não-negros promovida por dona Luiza em suas demandas por novos funcionários. Aqui também a “verdade utópica” da presidente da instituição privada de comércio ultrapassa os limites da atuação de sua empresa.

E chegamos ao Congresso Nacional. Tratemos primeiro da Câmara dos Deputados, esta instituição composta por uma transitória mixórdia de “representantes do povo” que, em mínima parte[2], foram eleitos por ação direta do voto, sendo a maioria “alçada” por convenientes escadas de uma legislação eleitoral feita para manter no phoder quem lá já está. Esta instituição essencial à manutenção do tal “Estado Democrático de Direito”, expressão que virou chacota na República do Togaquistão[3], recebeu carimbo de sua inutilidade e desmanche em diversas ocasiões, mas cito duas. A primeira quando, quase literalmente, “arriaram” as calças para iluministros que foram pessoalmente à Câmara exigir de partidos a troca de membros na CJJ de modo a garantir a não aprovação da PEC do voto impresso. A segunda, também uma demonstração de covardia explícita, foi a subserviência ao STF (que, aliás, continua até hoje).  Na prisão de Daniel Silveira. Nesta instituição não se trata de usurpação de phoder como nos anteriores, mas, ao contrário, de abandono do seu papel institucional, transferindo ao poder judiciário grande parte daquilo que deveriam ser suas exclusivas atribuições.

Espero que não esteja lhe cansando a paciência. Estamos próximos ao fechamento desta prosopopeia.

A penúltima instituição que avalio é o Senado Federal. Este é um caso de, digamos, duas personalidades. Uma é covarde, a outra arbitrária, mas em ambas se sente o cheiro da corrupção, do rabo preso, do olha-cuidado-eu-também-sei-dos-seus-podres. Como covardia podemos citar, tal como na Câmara, a subserviência ao STF, aqui junto com o componente de um pretenso acordo “eu não te julgo, você não me julga”. Nestas circunstâncias, portanto, não há espaço para atos que ultrapassem os limites do seu papel institucional, pois estes teriam que, obrigatoriamente, estar em acordo com o desejo dos “iluministros”. De outro lado, o Senado como um todo encontra-se hoje “estado de choque”, paralisado, sem ação quanto à arbitrariedade espúria daquele que tem a obrigação de agendar a sabatina de um indicado à Supremo Corte e não o faz por razões que todos nós desconhecemos, mas cujos objetivos desconfiamos.

Até aqui meu objetivo foi o de sugerir ao Leitor um olhar além dos fatos e das falas em si, um olhar para onde estão ocorrendo e a que estão subordinados. Mostrar, principalmente, que a maioria das instituições do país se enquadram em 4 classes: as que usurpam de seus poderes e limites; as que se investem inadequadamente de papéis para os quais não foram criadas; as hipocritamente silenciosas que aguardam condições para dar algum bote; e as demais que simplesmente se silenciam, principalmente, por medo de serem alvo de ataques das primeiras. Como salientei que instituições não falam, não pensam, não agem, as 4 classes são, na verdade, classes que identificam o caráter de indivíduos.

Ufa! Chegamos ao nosso Supremo Tribunal Federal, a instituição à qual os formuladores das bases democráticos atribuíram a condição de “poder” sem ter poder de fato, pois seu único poder não é poder, é tão somente o direito e obrigação de julgar causas dando seu veredito exclusivamente sob o manto do que estabelece a Constituição. Poderes são dois, o Legislativo e o Executivo. É o que deveria ser. Até já foi. Deixou de ser.

A maioria dos “iluministros” do STF, acreditando cada um em sua “sapiência suprema”, colocam-se acima da Constituição. Melhor dizendo, não estão nem aí para ela. Entrará para a história como um momento ridículo e de completo nonsense aquele em que Carmem Lúcia[4], então presidente do Supremo, entrega a Bolsonaro um exemplar da Constituição[5]. Super e iluminados Ministros, fazem o que bem entendem a quilômetros de distância de nossa lei máxima. Prendem arbitrária e ilegalmente qualquer um que diga “verdades inconvenientes” a eles ou a seus patrões (Ninefingers, guerrilheiro mor, Soros, “who knows”?) e quando não, simplesmente impedem o cidadão de exercer seu trabalho e tirando-lhe o direito ao sustento de si e dos seus. Não bastassem as loucuras de Alexandre de Moraes (sem maiores comentários), vem Fachin, que além de interferir no direito de ação de um Prefeito, quer, simples e ditatorialmente, viabilizar o assassinato da língua portuguesa - em uma ação de total desprezo pelo direito inalienável do cidadão ser livre para falar e escrever do jeito que sabe - deseja subordinar os valores de uma cultura construídos ao longo de dezenas de séculos a seus próprios valores[6]. É caso para colocar o autor em camisa de força ou então “que nos locupletemos todos!”.

Enfim, desde a posse de Bolsonaro até a primeira quinzena de novembro/21, tudo girava em torno do que expus acima com alguns poucos exemplos. E este “acima” foi apresentado para se chegar ao quase clímax[7] deste louco processo de tomada de phoder a que estamos assistindo.

O Super Ministro Gilmar Mendes, promoveu um seminário em Lisboa[8] onde reuniu esquerdopatas de carteirinha e muralistas de ocasião com a tarefa de discutir a implantação de outro regime de governança no Brasil!!! Fora do Congresso, mas com a presença de presidentes das duas casas, comunistas como Aldo Rebelo e Raul Jungmann, centenas de desembargadores e “algumas das figuras mais influentes da nata do poder em Brasília”[9].

Deste encontro de “autoridades” à revelia das instituições brasileiras e sediado “além mar”, eis que surgem descaradamente revelados seus objetivos. De Gilmar Mendes, depois de, desconfio eu, claramente ter sorvido algumas taças de um bom e caro vinho português, ficamos cientes de que “a questão central” foi a discussão do semipresidencialismo. Atenção: a proposição não é para o Togaquistão, é para o Brasil mesmo.

Já Toffolli nos confidenciou que o Brasil já tem “um semipresidencialismo com um controle de poder moderador que hoje é exercido pelo STF”, disse Toffoli. “Basta verificar todo esse período da pandemia.” Além de confessar estar participando de um paralelo governo semipresidencialista, despreza a vontade dos cidadãos-eleitores que optaram em 1993 pelo presidencialismo em um específico plebiscito. E quanto a se arvorar participar de uma entidade a que atribui unilateralmente o papel de “poder morador”,  com a palavra sua colega Ministra Carmem Lúcia que em 17/8/21(há recentes 3 meses) em entrevista dada, vaticinou, com convicção, que “Não há poder moderador no estado brasileiro”[10], pode procurar na Constituição.

Chegamos ao finalmente!!! Eis aí uma nova forma de conspiração, aquela que não se dá, como sempre imaginamos, em recintos fechados, em completa discrição, longe de todos os olhos não cooptados, sem provas de sua existência a não ser nossa fértil imaginação. Temos agora a maneira pública de conspirar: passeando em Lisboa, bebendo vinhos caros e lagostas do Mar do Norte, com direito a música, e entrevistas à velha mídia com um leve toque de embriaguez.

Reações? Nenhuma pois, como vimos nos exemplos, no interior de nossas instituições públicas e privadas de duas uma: ou "tá tudo dominado" ou estão todos se "borrando de medo". 

Sobram as FFAA de que não tratei. Estão caladas? Cochilando? Ruminando que rumo tomar? Não estão nem aí? Será que divididas? Ou... conspirando no velho estilo?

Cansado? Fui longo? Não gostou? Como dizem alguns Youtubers: “conta aí nos comentários e dá uma forcinha pra mim”.


Abraço e boa semana!

 



[1] Não sei se foi ela que primeiro usou esta denominação, mas Ana Paula Henkel a usa com frequência.

[2] Apenas 37 deputados dos 513 de hoje estão lá hoje por voto direto. Os demais foram alçados pelo instituto do voto proporcional, que faz com que “celebridades” do momento que se elegem exclusivamente por sua presença na mídia carreie votos para gente medíocre. Para saber mais e corretamente, acesse https://www.camara.leg.br/noticias/544742-deputados-sao-eleitos-pelo-sistema-proporcional-veja-como-funciona/.

[3] Tiro esta denominação de uma live do Rodrigo Constantino. Parece ter sido ele o primeiro a propor, mas não tenho certeza.

[4] Carmem Lúcia, quando presidente do STF, assinou um decreto “progressista politicamente correto” que obriga empresas a contratar presos e egressos do sistema prisional.

[5] Eu defendo que Bolsonaro aproveite esta realidade de termos um STF que não respeita a Constituição para devolver à Ministra o exemplar dela recebido, já que ele já decorou todos os artigos e os respeita na integridade, o que não é o caso “deles”.

[6] Não podemos esquecer de sua atuação na libertação do “molusco”.

[7] Uso “quase clímax” por que obviamente vem muito mais e além pela frente.

[8] Por que diabos, o Instituto Brasiliense de Direito Público, depois de mantido hibernado por quase 2 anos, faz este seminário em Portugal? As intenções explicam? Para mais informações acesse https://revistaoeste.com/politica/politicos-e-juizes-se-reunem-em-portugal-para-seminario-de-gilmar-mendes/

[9] Fonte: Revista Oeste https://revistaoeste.com/politica/politicos-e-juizes-se-reunem-em-portugal-para-seminario-de-gilmar-mendes/. Mas a proposta não é novo. Assim que Bolsonaro foi eleito Gilmar Mendes já enviava a proposta para o Congresso.


[10] Para mais informações acesse: https://veja.abril.com.br/blog/matheus-leitao/frase-do-dia-1284/

 




domingo, agosto 27, 2017

APRIMORAMENTO, SIM, REFORMA, NÃO!

Há tempos venho construindo uma visão sobre, principalmente, sistemas políticos que parte de uma proposição simples: chega de mudança! Ainda não tenho o pensamento e uma consequente proposição conceitualmente estruturada o suficiente para apresentar aqui. Entretanto, frente ao fato do Congresso brasileiro estar hoje na iminência de decidir sobre mudanças em nosso sistema que serão válidas para as eleições de 2018, decidi fazer esta postagem mais em termos práticos, deixando conceitos mais amplos para o futuro.

Mas dois conceitos básicos são necessários antes que possa prosseguir para o entendimento do que venho propor. O primeiro diz respeito ao fato de que todas as formas de vida, os átomos, o clima, o sistema solar, o universo, as sensações humanas e tudo o mais, não cambiam abruptamente, não transitam de um estado para outro sem terem passado por um processo marcado por mudanças evolutivas de um status em direção a um outro status normalmente oposto, frequentemente alternativo. A água não "pula" do estado líquido para o gasoso. Ao ser submetida a calor, a água gradativamente evolui para o estado gasoso. E tudo o mais obedece a esta lei que proponho chamar de "lei do aprimoramento evolutivo".

O segundo conceito é a realidade de que todo sistema, por mais bem elaborado, por mais aparentemente perfeito, é, por força das imponderabilidades e incertezas das forças que atuam sobre ele, são, inexoravelmente imperfeitos. Um executivo de uma indústria do que quer que seja, percebe um funcionamento não tão bom quanto desejaria de um produto sobre sua responsabilidade, não joga o projeto fora e propõe um novo. Ele não muda de produto, ao invés, ele investe em pesquisa e aprimoramento para torná-lo melhor do que é.


Isto posto, olhemos para os sistemas políticos. Como qualquer sistema, ele jamais será perfeito. Se alguém se der ao trabalho de comparar todos os sistemas políticos existentes nas mais de 200 nações atualmente existentes, eu me arrisco a supor que não encontrará dois iguais, na melhor das hipóteses, semelhantes.

Como cidadãos de um Estado-nação, temos uma característica comum de, quando alguma coisa está ruim, que elas mudem de status num passe de mágica, ou politicamente falando, no surgimento de um "salvador" que nos levará "à terra prometida" dos discursos de campanha. (Que os filósofos de Platão aos de plantão, expliquem este desejo que contradiz o que a vida nos diz a todo instante!)

Este direito que os cidadãos comuns têm de cuidar do próprio umbigo como mantra primordial, não o têm aqueles que se propõe a propor os caminhos e regras para a manutenção do desenrolar da  história do país de forma equilibrada, consistente e evolutiva para o aprimoramento.

Chegamos assim ao que se discute, hoje, na Câmara dos Deputados, e que em seguida o será no Senado: uma reforma política ajambrada para atender interesses próprios de perpetuação no poder, seja por desprezo ao país, seja por argumentos puramente eleitoreiros. Qualquer nova regra que não estimule fortemente a renovação dos nossos representantes, será considerada, com certeza, um atentado contra os desejos atuais dos eleitores.

Temos hoje um sistema que apresenta quatro questões que demandam avaliação e ajustes: o presidencialismo de coalizão que se tornou de "cooptação; o voto proporcional para cargos do legislativo; as coalizões por princípios espúrios; e o financiamento de campanhas. Todos têm inconveniências que precisam ser minimizadas. Todos têm regras de funcionamento que precisam ser aprimoradas. 

Caminharemos para dias melhores se nossos parlamentares tiverem foco na evolução dos processos em lugar de proposições de ruptura; se levarem em conta que o Brasil já fez sua opção pelo presidencialismo reiteradamente; se entenderem que todo o processo político precisa estar sob novos parâmetros de redução de custo (não só das campanhas); e quiserem realmente representar os cidadãos voltando suas atenções para o conhecimento das demandas, principalmente, daqueles que pertencem ao conjunto que eles chamam de "povo". 

Chega de rupturas/mudanças que atendem exclusivamente ao esprit de corps político! 

Aprimoramento já, e SEMPRE!


Se você também não gosta de hipocrisia na política, 
você precisa conhecer o PARTIDO NOVO.

terça-feira, junho 14, 2016

IMPEACHMENT, UMA ARMA A SERVIÇO DE GOLPES

Deixemos a hipocrisia de lado. O processo de  impeachment, como está estruturado no Brasil, é um dispositivo legal para a realização de golpes de Estado por quem estiver na oposição. E quem lá está, são aqueles que não se conformaram com o fato de terem sido preteridos por, pelo menos, 50% mais 1 dos votos. Isto é a base, o resto, são circunstâncias favoráveis.

Lula, inconformado com a derrota de 1989, golpeou Collor com base em um presentinho de 4 rodas. As circunstâncias: um Presidente sem partido, tentando governar sem uma base de apoio parlamentar, com uma estratégia egoísta, centralizadora, conduzida pelo tesoureiro Paulo César Farias.

Lula não se conformou com a derrota de 1994 e levantou a bandeira do  impeachment. Não colou, Fernando Henrique era, e é, de outra estirpe, tem mais princípios éticos que os de Lula, se é que este os tem. Circunstâncias favoráveis, portanto, não existiram.

Lula, em sua gestão, só escapou do  impeachment por erro de avaliação do PSDB que, não querendo botar azeitona na empada do Roberto Jefferson, mesmo tendo o mensalão como razão mais que suficiente para retirá-lo do poder, as tais circunstâncias, optou por deixá-lo "sangrar". Deu no que deu.

Dilma está sendo posta no olho da rua pela soma de desejos de um derrotado Aécio e de um político em fim de carreira que vislumbrou um coroamento para seu currículo na história. As circunstâncias são frágeis para garantir o afastamento a se considerar as alíneas do artigo 85, mas profusas se considerados o arcabouço de asneiras e incompetências cometidas por um governo que fez o país saltar 10 ou mais anos... para trás.

Mas o que este impeachment de Dilma está nos mostrando é a absoluta insanidade de como estão construídas as fases processuais. Em sã consciência, me diga o leitor, você consegue imaginar que seja minimamente razoável para a Nação, um governante afastado, voltar ao poder quando tudo já ganhou outro rumo por 6 meses? Tem sentido passarmos meses assistindo a shows diários de hipocrisia, pois todos sabem que a decisão já está tomada, simplesmente porque revertê-la seria um ato de irresponsabilidade política? Vejam que a pergunta é genérica, válida para qualquer governante submetido a um  impeachment como ele está construído, e não especificamente a Dilma.

Se o processo de  impeachment não for revisto tão logo advenha uma mínima normalidade política, é certo que todo novo governante eleito será objeto de uma tentativa de golpe com enormes chances de sucesso. No atual regime de presidencialismo de coalizão, só há uma maneira de evitar o  impeachment: cooptar a maioria de dois terços do Congresso usando os artifícios conhecidos de nomeações e mensalões.

No caso de Dilma, todos sabemos que ela será cassada. Ela sabe disso. Lula sabe. Mas vamos continuar sangrando porque, como disse um integrante atual do Alvorada respondendo a um jornalista, ela "só pensa nela, nela e nela". O país que se exploda.

Obviamente sempre há a possibilidade de reversão do que já foi decidido em fase anterior, mas, neste caso, ela é remota porque a consciência do Brasil como prioridade irá pesar sobre os senadores na hora do voto decisivo independente de qualquer outra coisa, mais alto inclusive que um improvável julgamento de injustiça que estaria sendo cometido, como é entendimento dela.

Deixo minha proposta à luz dos ensinamentos que este traumático processo está a nos deixar:
  
1 - Revisão das razões que possam ensejar um pedido de início de processo de  impeachment, adicionando ou excluindo.

2 - Definição clara do papel e das responsabilidades do vice no governo, de modo a determinar quando ele é cúmplice e quando é partícipe.

3 - Análise e votação do pedido por uma comissão mista, câmara e senado, com amplos direitos de acusação e defesa.

4 - Imediata votação do parecer no Congresso, sem possibilidade de acusação ou defesa, exigindo-se maioria de dois terços.

5 - No caso do Congresso decidir pelo impedimento, e considerando que o governante foi eleito pelo voto popular, é absolutamente necessário, fundamental e coerente que se realize um referendo popular, com voto facultativo, exigindo-se, para confirmar a decisão, a maioria de dois terços dos votantes.

Portanto, deixa de existir o afastamento provisório - agora peremptoriamente comprovado não ter sentido -, passando a haver tão-somente o impedimento definitivo ou a manutenção no poder, alternativas sem qualquer consequência para a normalidade do funcionamento do Estado em todas as suas instâncias.

Se algo neste sentido não for feito proximamente, o  impeachment continuará a ser a arma letal a serviço de golpes de Estado por quem desejar desestabilizar a normalidade democrática.
  
Tem algum político por aí que concorde minimamente com estes argumentos e tenha interesse em levá-los para um campo de discussão mais relevante?

quarta-feira, março 16, 2016

DILMA CUMPRE A PROMESSA!

A guerrilheira tem personalidade complexa. Para cumprir a palavra dada de não renunciar, opta pela sua autodesmoralização. É patético para ela. É trágico para o país.


Para os que vinham pensando em uma nova forma de governo, pronto, aí está: presidencialismo de figuração com superministro ladrão. Dilma Rousseff, a fraude, entra para a história como tendo realizado em 4 anos e 3 meses o feito de inventar um método inquestionável de dar 3 mandatos para um presidente sem nem mesmo precisar de eleição. Se o STF deixar passar, a moda vai pegar, com certeza!



Já Lula comprova peremptoriamente sua afirmação de que elegeria até um poste. Ei-lo/la, mais poste que um poste jamais sonhou ser.



Jogo a toalha. Temporariamente, mas jogo a toalha. Vou ficar assistindo. Quero ver:



- As falas dos que se dizem oposição.



- As tentativas de acabar com Sergio Moro e sua tropa.


sexta-feira, março 04, 2016

FHC - 1995 - 1996

Como sempre, após terminar a leitura de um livro, edito um arquivo que, por não respeitar as regras de um resumo, chamo de "extrato", sendo apenas uma coletânea de trechos, parágrafos e frases que, por alguma razão, considerei relevante guardar. É o que acabo de fazer após a leitura de DIÁRIOS DA PRESIDÊNCIA - 1995-1996, uma transcrição das gravações feitas por Fernando Henrique ao longo de seus 2 primeiros anos na Presidência.

Sendo um "diário", há desde registros de encontros familiares a questões de fundamental importância para os destinos da Nação. Neste caso, resolvi agrupar os registros conforme alguns temas que elegi: Corrupção; Exercício da Presidência e Presidencialismo; Globalização; Imprensa e Mídia em Geral; Lula; Membros do Governo; Políticos e Partidos; Questões Diversas; Radicais, Entidades Sindicais e Similares; Relações de Poder; Sistemas de Governo, Reeleição, Tamanho do Estado. Nesta estrutura, portanto, não obedeço à ordem em que constam do livro.