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domingo, agosto 20, 2023

A FONTE DO PODER

 


Para podermos entender como um sistema qualquer de poder funciona, é míster compreender sua fonte, como se forma e como se sustenta. Este é, portanto, um texto preparatório para o entendimento de um outro onde irei propor uma reflexão sobre qual sistema de poder predominará no mundo ocidental no futuro próximo.

Antes de mais, se me restrinjo à metade ocidental desta nossa laranja cósmica, é por ser a dimensão geopolítica a que nosso parco entendimento está restrito e, consequentemente, estamos muito distantes de compreender como as elites e os povos orientais percebem e tratam as mudanças que estão sendo propostas como resultado do avanço da digitrônica[1] em todos os aspectos da vida.

Indo a fontes de significados, vamos encontrar que poder é “a capacidade de fazer, de realizar algo”. Tal definição é correta, mas se restringe a apontar para o resultado, principalmente, da ação individual no âmbito da vida particular de um indivíduo. Este fazer/realizar pode ser tanto intelectual quanto físico, e pode ser usado para o bem ou para o mal (como aplicar a força física contra um outro mais fraco ou fazer uso de uma arma contra um outro pretensamente mais forte). Isto considerado, também será válido o significado inverso, o de que poder é a “capacidade de destruir ou impedir a realização de algo”. A origem deste poder é pontual e se encontra no estado emocional, no interesse do agente e das circunstâncias no momento de seu uso. O objetivo aqui é buscar a fonte do poder como instituição política e, portanto, de organização das sociedades.

Nossos ancestrais homo sapiens[2], caçadores e coletores viviam, dá para imaginarmos, em pequenos núcleos “familiares” à mercê de satisfazer suas necessidades básicas de modo bastante individual. Nada, ou praticamente nada, era produzido em colaboração com outros indivíduos, até porque nada era produzido, e sim, caçado ou coletado. Mesmo quando descobriram como plantar para colher, cada um podia ou deveria ter sua própria horta. Mas os pequenos grupos foram crescendo em número e se tornando “tribos” – talvez em função de certa melhora na frequência e qualidade da alimentação, e “produzir” em colaboração – divisão e colaboração do trabalho – foi percebido como uma solução melhor, menos desgastante individualmente, mais produtiva coletivamente.

Aqui cabe inserir uma nota. Não há como saber quando um processo cultural começou, mas precisamos, para entender a história da civilização, de estabelecer marcos delimitadores de um “antes” e um “depois”. Apenas um exemplo. Os historiadores usam como marcador do início da idade média o fim do império Romano. Isto não significa que há uma data, uma batalha ganha ou perdida, apenas identifica que na dimensão histórica o destino dos povos ocidentais ganhou outras influências a partir do início do processo de ascensão de outros povos. O que digo, portanto, é que em algum momento o individualismo não deu conta de resolver as novas demandas dos seres humanos, e apenas estou assumindo que o cultivo intencional em uma escala acima da necessidade individual passou a ser uma solução melhor. Continuando.

Naquela fase do desenvolvimento da civilização, quando se passa a produzir de forma colaborativa, dois novos problemas surgem e precisam de solução: a organização da produção e a proteção da terra usada para tal. É neste contexto e época que o poder ganha uma dimensão para além de um atributo pessoal (a força, a arma) e passa a ser um atributo “concedido”. Um conjunto de indivíduos com um mesmo problema a solucionar – a organização do trabalho – concordam em conceder a um deles a tarefa e responsabilidade de determinar como a produção será realizada, e, consequentemente, de determinar a cada um dos demais o que deve fazer.

Se exponho desta forma bem simples a questão da origem do poder é porque, (1) é o tema que mais se discute em nossos dias e (2) porque tenho afirmado em conversas que “ninguém” TEM poder, mas tão somente recebe de outros a concessão para exercê-lo em seus nomes e interesses. Minha afirmação é absolutamente reativa para chamar a atenção de meus interlocutores de que Xandão não tem poder algum intrínseco à sua gênese, mas é o representante de um conjunto de pessoas e entidades que, ao lhe delegarem algumas tarefas e “direitos” de “fazer”, estão, por consequência, comprometidos com aprovar todas as suas decisões e ações, pelo menos enquanto os interesses deles próprios estiverem sendo plenamente atendidos e satisfeitos.

A reação a Bolsonaro nada mais foi do que a percepção de que os habituais garantidores do poder estavam  sendo boicotados, seja por um desejo utópico do ex-presidente de “mudar o mundo”, seja por um desejo rasteiro de atender aos interesses de seus próprios garantidores – há apoiadores tanto destas duas hipóteses quanto de outras intermediárias.

Alguém formulou que se ninguém obedecer ao “supremo”, nenhum poder ele terá. Como todos, indivíduos e instituições, estão, neste Brasil de 2023, calados, é de se entender que os interesses estão sendo atendidos, por enquanto, na dimensão e qualidade pré-definidas.

Precisamos ainda dar mais um passo. Com o crescimento populacional, depois do objetivo de organizar a produção, chegou-se ao problema da propriedade da terra e de sua proteção. Tribos vizinhas e preguiçosas viram nas terras  produtivas a solução para sua própria fome e não viram nenhum problema em invadi-las e usufruir do produto cultivado, mesmo que para isso tivessem que matar. Para tal “olho perversamente grande”, as tribos produtivas se uniram e enxergaram uma solução: criar uma brigada de homens que “cuidariam” de dar um “corretivo” em outros homens das tribos não adeptas do esforço pessoal. Neste ponto de nossa trajetória humana, o poder deixou de ser apenas um instrumento de organização do trabalho e se aprimorou como instrumento de poder regulador,  opressor e punidor do comportamento do  homem em sociedade.  Não estou fazendo juízo moral, apenas constatando.

O processo de vingança a que estamos submetidos como sociedade neste ano (e sem enxergarmos um horizonte de fim), é a vingança e a punição dos recalcitrantes e desavisados. Tal momento e fatos expõem as entranhas apodrecidas de nosso sistema político. Simplificadamente podemos dividir os brasileiros que minimamente têm envolvimento com tais discussões, entre dois grupos: os perplexos, assustados e, ainda, sem bandeira, sem rumo, sem líder, e os COCOCOS, covardes e corruptos (todo corrupto é um covarde, e todo covarde se torna corrupto, ambos para sobreviver e por lhes faltar coragem moral) e os coniventes beneficiários temporários, os sujeitos ocultos de uma oração subordinada ao interesse umbilical.

Repito. O poder político, em especial, é um poder concedido. Revogada a concessão, revogado está o poder.

Toda essa conversa minha tem um fundamento. Estou com a paciência esgotada de ouvir[3] jornalistas renomados e outros alçados à proeminência de seus 15... segundos, ficarem a criticar as arbitrárias ações de atuais “elegidos” pela oligarquia de sempre, clamando por uma Constituição e outras leis de menor importância que são absoluta e integralmente ignoradas por tais “supremos”. O ex-Brasil é resultado deste novo processo de constituir um novo Estado, qual seja, o de um governo que não prescinde de leis, basta a vontade do tirano de plantão. Constatar que 250 anos depois volta-se à "verdade" de que "o Estado sou eu" é a prova de que a história se repete, inexoravelmente!

Antes de deixar meu leitor aproveitar melhor seu dia, quero chamar a atenção para o que aconteceu (e acontece) na distribuição e acumulação de capital na digitrônica. O conceito de “cauda longa”[4] que surgiu na virada do milênio criou fortunas imensuráveis em um bit de tempo. Empresas e indivíduos estão fazendo fortunas e mudando o modo de como o poder do capital interfere em nossas decisões e nos destinos de nossas vidas. E este, apesar de ser um poder que nós concedemos, também é um poder impingindo pela tecnologia, pois se não cedermos, temos a sensação de que estamos perdendo algo, algo que não sabemos o que é, nem as consequências de se o perdermos.

Fique em paz!

 

Esta é a síntese da mensagem!

 


[1] Digitrônica é o termo que uso para sintetizar a revolução provocada pelas tecnologias digitais e eletrônicas surgidas e aprimoradas nas últimas 3 décadas.

[2] Antropólogos situam a condição de “homo sapiens” às capacidades surgidas há 300 mil anos. Fonte: wikipedia.org

[3] E olha que eu nem mesmo assisto canais de TV há décadas, mas do tal do Whatsapp ainda não consegui me livrar e é por ele que os “podcasts” me atingem em cheio.

[4] Explicação simples para a “cauda longa”: é disponibilização de um produto digital por um preço ínfimo para uma quantidade absurda de consumidores. Antes assinávamos um jornal por X reais ao mês, hoje assinamos 10 canais de YouTube por 1/5 de X. Faça a conta e descubra que este exemplo dá 2X de gasto.







quinta-feira, outubro 07, 2021

REFLEXÕES MIMIMÍSTAS

"A vontade deve ser mais poderosa do que o sofrimento físico e moral." 
Zenão de Cítio


Vou concordar com o Fiúza. Os conceitos direita/esquerda, conservadorismo/progressismo, liberalismo/estatismo, realismo/utopismo, e outros mais, não servem para sintetizar, ou minimamente explicar as diferenças entre os dois lados da moeda política circulante neste século XXI. Minha percepção é de estarmos sob o embate entre duas posturas de existência. Ou nos comportamos como vitimas da crueldade das tragédias da vida e clamamos por algo ou alguém que delas nos livre ou proteja, ou agimos como protagonistas altivos, livres e corajosos na superação cotidiana dos obstáculos que nos são apresentados consequentes, tanto de nossas escolhas, quanto de nossos infortúnios. Portanto, daqui em diante vou ver a dicotomia entre dois modos de vida como sendo entre os vitimistas e os estoicos[1].

Chamamos, jocosamente, de mimimístas aqueles que se encaixam no primeiro grupo. Aqueles que avaliam tudo que lhes acontece como indevido, imerecido ou injusto, seja resultante da herança genética, da ação do Outro na interação social, ou de ações do Estado em qualquer uma de suas três esferas de poder. A reação deles é sempre a de atribuir sua condição, seu sofrimento, sua mediocridade, sua incompetência, a algo fora de si mesmo, e sempre através de um “mimimi” choroso, um pobrecoitadismo encharcado de covardia, inveja e ressentimento.

São estoicos[2] aqueles para quem "a virtude é suficiente para a felicidade" e que, seguindo esta crença como princípio norteador de suas ações, ficam imunes aos infortúnios.

É destes conceitos e de outros a eles relacionados que proponho um exercício de reflexão a partir de alguns pensadores. De minha parte, considerando que tudo é passível de interpretação, ganhei a convicção de que ser ou não vitimista é a condição “sine qua non” para definir as preferências políticas independente de conceituações e formulações de sistemas oriundos da cabeça de integrantes da “intelligentsia” contemporânea.

 

Boas reflexões!!!

 

VITIMISMO

AYN RAND (1905/1982)

Recuso-me a pedir desculpa por ser mais capaz – não aceito pedir desculpa por ter tido sucesso -, me recuso a pedir desculpas por ter dinheiro. (...) quando se violam os direitos de um homem, violam-se os direitos de todos, e que um público constituído de seres desprovidos de direitos está fadado à destruição.

BRUCE BAWER (1956/...)

“Estamos assistindo à ‘revolução das vitimas’”.

FLÁVIO GORDON (1979/...)

”Algumas pessoas ou categorias de pessoas são sempre oprimidas, mesmo quando eventualmente oprimem. Os ‘negros’ são necessariamente oprimidos, os ‘brancos’, opressores...”[e por aí e além].

THEODORE DALRYMPLE (1949/...)

 [Vitimização é] “A fuga da responsabilidade.”

“Os que creem que a culpa de nossos males está em nossas estrelas e não em nós mesmos ficam perdidos quando as nuvens encobrem o céu.”

THOMAS SOWELL (1930/...)

[No final do século XIX] “já havia, entre muitos intelectuais, a ideia de se dirigir as massas, uma ideia que incumbia a terceiros a tarefa de dar sentido para a vida delas”.


ESTOICISMO

GAZETA DO POVO – 10/9/21

“Mano Ferreira falar sobre Luiz Gama, o escravo baiano que se alfabetizou sozinho, formou-se em Direito e ajudou a libertar centenas de escravos, e sobre como o combate às desigualdades raciais pode andar lado a lado com a defesa do livre mercado.”

JORDAN PETERSON (1962/...)

 “É a responsabilidade que dá sentido à vida.”

MARCO AURÉLIO (121/180)

“Quando algo ameaça lhe causar dor não é uma desgraça de forma alguma. Suportá-lo e prevalecer é o grande êxito.”

“Se é tolerável então tolere. Não reclame. Muito mais dolorosas são as consequências da raiva do que as suas causas.”

VIKTOR FRENKL (1905/1997) - prisioneiro em campo de concentração)

“Entre o estímulo e a resposta, o homem tem a liberdade de escolha.”


RESSENTIMENTO, RAIVA, ÓDIO

[A raiva, a inveja, o ciúme, o ódio, são sentimentos humanos. Enquanto os estoicos procuram reduzir tais manifestações ao mínimo, ou mesmo delas libertar-se, os vitimistas as enfatizam para angariar "vantagens competitivas".]

[Na massa todo indivíduo é um bárbaro.]

AYN RAND (1905/1982)

“Sabe o que caracteriza o medíocre? É o ressentimento dirigido às realizações dos outros.”

EDMUND BURKE (1729/1797)

“A raiva e o delírio destroem em uma hora mais coisas do que a prudência, o conselho, a previsão não poderiam construir em um século.”

“Quando o ressentimento alimenta a turva, as massas são como boias à deriva, e sem rumo definido não chegaremos a lugar algum desejado.”

JEAN-FRANÇOIS REVEL (1924/2006)

“O ressentimento é o alicerce da filosofia comunista.”

JEAN-JACQUES ROUSSEAU (1712/1778)

“Que admirem quanto quiserem a sociedade humana, nem por isso deixará de ser verdade que ela leva necessariamente os homens a odiarem-se entre si à proporção que seus interesses se cruzam, a se prestarem mutuamente aparentes favores e a se causarem, na verdade, todos os males imagináveis.”

“Não há um povo que não se regozije com os desastres de seus vizinhos. A perda de um quase sempre faz a prosperidade do outro.”

JOHN MCENROE (1959/...)

"Todos gostam do sucesso, mas detestam as pessoas bem sucedidas."

NIETZSCHE (1844/1900)

Nietzsche nos convida a viver de tal modo que nem os arrependimentos nem os remorsos tenham mais nenhum espaço, nenhum sentido.

 

ACASO, DESEJO, VONTADE, INCERTEZA

EPITETO (50/138)

"Se te debruçares sobre ti mesmo, e te perguntares a que domínio pertence o acidente, tu te lembrarás imediatamente que ele pertence ao domínio das coisas que não dependem de nossa vontade, que não são nossas.” 

FRIEDRICH A. HAYECK (1899/1992)

“Na opinião dos estóicos, os dois males que pesam sobre a existência humana, são a nostalgia e a esperança.” 

KARL POPPER (1902/1994)

“Subestimamos a incerteza.”

"Devemos marchar para o desconhecido, o incerto e o inseguro, utilizando a razão de que pudermos dispor para planejar tanto a segurança como a liberdade."

A necessidade humana de controlar ou de antecipar o futuro, garante o emprego de todos esses profetas especialistas.

Poucos são os céticos que se dão ao trabalho de olhar para trás e verificar a quantidade de previsões erradas de todo tipo de expert. 

"Uma das principais tarefas da razão humana é tornar o universo em que vivemos algo compreensível para nós."

MICHEL DE MONTAIGNE (1533/1592)

“Não há por que nos maravilharmos de que o acaso tenha tanto poder sobre nós, desde que estamos neste mundo por mero acaso.”

STEVE JOBS (1955/2011)

"Jamais poderia imaginar que as coisas que eu estava fazendo levariam a esse resultado a que cheguei. Hoje as pessoas julgam o que eu fiz em função do ponto a que cheguei, mas não houve da minha parte uma estratégia deliberativa orquestrada para chegar aonde cheguei. Porque aonde cheguei decorreu de um milhão de causas que até eu ignoro - causas psicológicas das pessoas que contratei, causas macroeconômicas que eu não podia controlar. E hoje as pessoas querem fazer de mim um guru por ter arquitetado as coisas de maneira que chegasse a esse resultado. Mas não sou causa dos resultados que eu mesmo colhi.”

 

IGUALDADE, DIFERENÇA, DIVERSIDADE

[Para quê ser mais habilidoso se isso não me traz maior recompensa?]

ALEXIS DE TOCQUEVILLE (1805/1859)

Democracia e socialismo não têm nada em comum além de uma palavra: igualdade. Mas note a diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura igualdade na restrição e servidão.

FLÁVIO GORDON (1979/...) – Antropólogo, colunista do jornal Gazeta do Povo

“Vivemos a era da bondade espalhafatosa, auto comiserada, narcísica e vaidosa de si. (...) ‘Sou bom, logo, tudo me é permitido’.”

FRIEDRICH A. HAYECK (1899/1992)

“Há desigualdades irremediáveis, da mesma forma que há ignorância irremediável por parte de todos.”

MICHEL DE MONTAIGNE (1533/1592)

“A uns incumbe zelar pela paz, a outros pela guerra; uns têm o lucro como prêmio, outros a honra; àqueles a ciência, a estes a virtude; àqueles a palavra, a estes a ação; àqueles a justiça, a estes a intrepidez; àqueles a razão, a estes a força; e usam uns a toga e outros o uniforme.”

“A variedade é, efetivamente, normal na natureza (...). Nunca houve no mundo duas opiniões idênticas, como não há dois pelos nem dois grãos de cereal. A qualidade mais universal e comum é a diversidade.”

NIETZSCHE (1844/1900)

“O mundo não é um cosmos, é um caos, uma pluralidade irredutível de forças, de instintos, de pulsões que vivem em confronto.”

“A noção de “vontade de poder” é ‘a essência mais íntima do Ser’. Mas não vontade de conquistar ou ter, mas o desejo profundo de uma intensidade máxima de vida, a mais intensa e a mais viva possível.”

ROGER SCRUTON (1944/2020)

“Se as condições do conflito jazem, como evidentemente o fazem, na natureza humana, então a única esperança de removê-las é alimentar esperanças inumanas e se mover na direção de ações inumanas.” 


JUSTIÇA, DIREITOS

[Os desequilíbrios químicos passaram a entrar na equação para justificar as ações humanas.]

ADAM SMITH (1723/1790)

“A misericórdia em relação ao culpado significa crueldade para com os inocentes.”

“Como a sociedade não pode subsistir entre aqueles que estão sempre dispostos a ferir e machucar uns aos outros, a justiça é, instrumentalmente, a virtude primordial da sociedade.”

AYN RAND (1905/1982)

 [Para os ditos progressistas a regra de conduta moral é...] “Se vocês desejam algo, isso é mau; se os outros desejam algo, isso é bom; se a motivação de seu ato é seu bem-estar, não o realizem; se a motivação é o bem–estar dos outros, então vale tudo. (...) é para a própria felicidade que vocês têm que servir à felicidade dos outros. (...) Não, os que recebem não são maus, desde que não mereçam o valor que lhes deram. (...) É imoral viver do próprio trabalho, mas é direito viver do trabalho dos outros. (...) É mau criar a própria felicidade, mas é bom gozá-la quando o preço dela é o sangue dos outros. (...) É a infelicidade que lhes dá o direito de ter recompensas”.

“Eles não querem possuir a sua fortuna: querem que vocês a percam.”

“Elogiam qualquer empreendimento que se pretenda não lucrativo e maldizem os homens que ganharam os lucros que tornaram viável o empreendimento.”

“Se os culpados não pagam, então são os inocentes que têm que pagar.”

BERTOLD BRECHT (1898/1956)

“Alguns juízes são absolutamente incorruptíveis. Ninguém consegue induzi-los a fazer justiça.”

DAVID HUME (1711/1776)

“A justiça é a razão pela qual precisamos de governo.”

FRIEDRICH A. HAYECK (1899/1992)

“É um dos poucos que discute a justiça social caracterizando-a como ‘absurda’, uma ‘miragem’, ‘uma invocação vazia’, ‘uma superstição quase religiosa’ e um conceito ‘não pertence à categoria do erro, mas à da estupidez’.”

MÁRIO SERGIO CORTELLA (1954/...)

“Qual é o resultado que torna justo o caminho?”

“Não significa que um código valia de um jeito e agora vale de outro, mas que, se não considerarmos a ambiência histórica, social e cultural, não compreenderemos de fato os valores ali colocados.”

PLATÃO (-428/-438)

“Eu digo que a justiça nada mais é que a conveniência do mais forte.”

THOMAS SOWELL (1930/...)

“Criminosos atrás das grades é mais eficiente para reduzir o índice de criminalidade do que quaisquer teorias complexas ou políticas sofisticadas favorecidas pela intelligentsia.”

“O fato de criminosos cometerem crimes quando não mais estão encarcerados nada diz sobre a eficiência do encarceramento na redução da criminalidade.”

[Há] “juristas que insistem numa justiça de ‘resultados’ em detrimento das leis estabelecidas”.

YUVAL NOAH HARARI (1976/...)

“Se humanos desfrutam de direitos humanos iguais, super-humanos deveriam desfrutar de superdireitos?”

 

TRIBO, PERTENCIMENTO, IDENTIDADE

ALDOUS HUXLEY (1894/1963)

“Da família à nação, todo agrupamento humano é uma sociedade de universos insulares.”

E. M. FORSTER (1879/1970)

“Dei-me conta de que designar um inimigo e demonstrar a todo custo a inferioridade dele era a inseparável outra face da medalha da identificação do eu. Não existiria um ‘nós’ sem um ‘eles’.”

ERIC J. HOBSBAWN (1917/2012)

"Parentesco e 'sangue' têm uma óbvia vantagem em ligar membros de um grupo e excluir estranhos e, portanto, são centrais ao nacionalismo étnico. (...) A base crucial de um grupo étnico, como forma de organização social, é cultural e não biológica."

FLÁVIO GORDON (1979/...)

“No interior da academia (...) um tribalismo generalizado transformou o ambiente universitário numa praça de guerra entre as mais diferentes facções ideológicas, (...) o dialogo tornou-se impossível, já que cada facção fala a sua novilíngua particular. (...) Não há debates políticos que não sejam ações entre amigos.  (...) Não há crítica, apenas ausência de contato.”

FRIEDRICH A. HAYECK (1899/1992)

"Agir no interesse de um grupo parece libertar os homens de muitas restrições morais que regem seu comportamento como indivíduos dentro do grupo." [O que explica o vandalismo da "massa enlouquecida".]

GIOVANNI PAPINI (1881/1956)

“Todo ser humano gostaria de ser o primeiro entre seus iguais: ser superior, de um modo ou de outro, aos que o rodeiam. Quer dominar, mandar, parecer maior e mais rico, mais bonito e mais sábio... A história do gênero humano é pouco mais que o pavor da inferioridade.”

NATIONAL GEOGRAPHIC - OUTUBRO 2003

[Para os beduínos:] “O mais importante são os antepassados de uma pessoa, precisamos saber quem eles eram”, disse um dos homens. ‘Não dá para confiar em alguém que não pertença a nenhuma tribo’.” 

ROGER SCRUTON (1944/2020)

“A opção do brexit foi uma questão de crise de identidade.”

“Membros de tribos se veem como uma família; membros de comunidades de credo se veem como fieis; membros de nações se veem como vizinhos.”

“Se a lealdade do muçulmano britânico estiver com Alá e não com a comunidade local em que ele vive, ele dificilmente vai se tornar um bom cidadão.”

“E quando a diferença é identidade e a identidade é uma forma de diferença?”

YUVAL NOAH HARARI (1976/...)

"Todas as tribos humanas existentes estão empenhadas em fazer avançar seus interesses particulares e não em compreender a verdade global."

ZYGMUNT BAUMAN (1925/2017)

“Os símbolos de decisões identitárias gravados no próprio corpo sugerem (...) um compromisso mais sério e duradouro, e não somente um capricho momentâneo.”

 

RACISMO, PRECONCEITO

ERIC J. HOBSBAWN (1917/2012)

"O tipo 'certo' de classificação racial vai a par com o tipo 'certo' de posição social, independentemente da aparência."

FLÁVIO GORDON (1979/...) – Antropólogo, colunista do jornal Gazeta do Povo

“Caso você acalentasse a profunda ‘sensação’ de ser um craque de futebol, passaria a exigir na justiça a sua imediata convocação para a seleção brasileira? (...) Quando a subjetividade humana passa a servir de critério absoluto, tudo então há de ser permitido.”

SÓCRATES (-469/-399) (contado por Platão)

"Os filhos bem nascidos serão levados ao berço comum e confiados a amas de leite que terão habitações à parte em um bairro da cidade. Quando as crianças enfermiças sofrerem qualquer deformidade serão levadas como convém a um paradeiro desconhecido e secreto". 

YUVAL NOAH HARARI (1976/...)

“Um monge pregou compaixão por um mosquito, mas, confrontado com alegações de que mulheres muçulmanas tinham sido estupradas por militares de Mianmar, ele riu e disse: ‘Impossível. Os corpos delas são repulsivos demais’.”

“A polícia olha para a cor de sua pele com suspeita não por qualquer razão biológica, mas devido à história.” 

“Crescer como negro em Baltimore dificilmente faz com que seja fácil compreender a luta de crescer como lésbica em Hangzhou.”



[1] Exemplos de personalidades estoicas: Thomas Sowell, Martin Luther King, Cassius Clay, Stephen Hawkins, Edson Arantes do Nascimento, Elton John, Barak Obama, Yuval Noah Harari, Célio (meu jardineiro), Rogério (contínuo na minha empresa e juiz de futebol federado),Clodovil Hernandes, Rogéria, Glória Maria e milhões de outros.

[2] Estoicismo, escola filosófica fundada por Zenão de Cítio no início do século III a.C.