Mostrando postagens com marcador cidadão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cidadão. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, novembro 06, 2020

MUNDO NOVO, ADMIRÁVEL OU ABOMINÁVEL? - O ECEPTOR (complemento)

No mundo analógico e desconectado, éramos hora emissores, hora receptores. No mundo digitrônico somos simultaneamente ambos, pois, na maioria das vezes, não há espaço temporal entre uma condição e outra. Quando clico num link com o objetivo de obter uma informação, a mesma ação está sendo armazenada para todo o sempre em um ou vários bancos de dados sediados sabe-se lá onde, informando para outrem uma preferência minha (a sexual em particular), uma característica, um desejo, meu provável posicionamento político etc., e tudo isto para ser avaliado por um algoritmo a serviço de interesses futuros daquele tal “outrem”. Isto aconteceu só porque dei um clique no mouse!!!??? Muito menos que isso. Agora basta ser um vivente digital em alguma medida (ter um celular, um notebook etc.) para que sua, até recentemente, tão valiosa privacidade vá para as cucuias nos servidores na nuvem. Privacidade? Esquece, isto num futuro não tão longínquo vai ser considerado coisa da "pré-história digitrônica".    

Como eceptores, estamos deixando de ser cidadãos como entendido até então. Cidadão deixa de ter um significado político, aquele que atua na sociedade como agente crítico e reivindicador de direitos, e passa a ser aquele que tem seus dados armazenados na nuvem. Se você acha que estou exagerando, lembro que agora, para o Estado, só existe quem ele pode enxergar, atingir através da tecnologia digital. O indivíduo que ainda vive no analógico simplesmente deixou de existir, ou virou “alma penada”, “walking dead”. É muito difícil e caro chegar até ele. Saber suas opiniões. Identificar suas necessidades. Políticas públicas agora são definidas a partir de uma estatística sobre o que é postado nas redes sociais: top 5, top 10, “likes”, “dislikes” e “trending topics”, cancelamentos e lacrações.

O poder, antes oligárquico, se tornou anárquico. Temos todos uma cota de poder, individual ou coletivamente. Quando postando, posso criticar qualquer um, sobre qualquer assunto, usando qualquer tom, ignorando as consequências do que e como o faço. Revestido de uma capa preta, posso determinar que alguém seja preso pelo simples motivo de que não gostei do que alguém disse sobre mim. Como Supremo, posso determinar que uma plataforma de rede social elimine mundialmente todo o conteúdo publicado por um desafeto “da minha instituição”. E se a plataforma se negar, ameaço-a com multas diárias e de impedi-la de atuar no país. Mas nem precisa do "Supremo". A própria plataforma digital pode se arvorar direitos de censura, bloqueio e eliminação , bastando que o CEO da ocasião (ou mesmo o PLH, Programador Lacrador da Hora) achar que fere suas susceptibilidades, de sua comunidade religiosa ou política, ou, até mesmo, interesses particulares. Ou, como fez o Whatsapp, simplesmente impedir que você compartilhe o que quer que seja com mais de 5 destinatários!!!

Como eceptores, podemos nos contrapor a qualquer opinião, de qualquer origem, com qualquer nível de intensidade e ênfase, a tudo e a todos instantaneamente. A opinião do especialista (em qualquer área do conhecimento) é contestada pelo leigo, ignorante, com a força de um “acho” ou da referência a um estudo fajuto qualquer que "alguém" postou no Facebook. E a opinião moderado passou a ser vista como sendo de um “passador de pano” e merecedor dos imediatos ataques raivosos de militantes, engajados ou simpatizantes. Isto sem nenhuma necessidade de aprofundamento de argumentos. Tudo é “resolvido” com uma dialética absolutamente superficial, rasteira e pobre de argumentos. 

O lembrete de “você está sendo manipulado” tinha sentido na era analógica quando principalmente os governos utilizavam a “grande mídia” para manipular o voto e tentar direcionar a vontade popular para seus objetivos. Agora é apenas motivo de riso. Antes você ainda tinha a possibilidade de, ao ser lembrado, se esquivar, reagir, contestar, processar, etc. etc. etc. Todos esses direitos não existem mais. A prova é o inquérito sigiloso das “fake news” ou “inquérito do fim-do-mundo” conduzido pelo “sinistro” Alexandre de Moraes que mandou prender sem acusação, apreendeu instrumentos de trabalho, impediu acesso dos advogados aos autos, não dá satisfação a ninguém e, sem ficar vermelho, confronta a Constituição e todos os direitos consagrados e normatizados pelo arcabouço de nossas leis.

Ah! Você vai exclamar, mas agora nós temos acesso a muito mais informações, a muitas fontes de diferentes opiniões, e isto nos dá um poder que nunca tivemos. Correto. Só tem um pequeno detalhe. Ai de você se não se comportar direitinho.


Na próxima semana, adiciono a pandemia da COVID-19 e analiso este período intermediário ao qual vou me referir como a fase da pantrônica. Até lá.

quinta-feira, maio 21, 2020

A FALA QUE BOLSONARO AINDA NÃO FEZ À NAÇÃO

Brasileiros de todos os sexos, etnias, cores e utopias,

Venho a público com o espírito aberto e profundamente preocupado com o destino de todos nós. Nenhum de nós, na mais criativa das novelas de terror, teria imaginado o que estamos vivendo e o que se avizinha se nós, os governantes, continuarmos a agir como temos agido, porque continuaremos a obter os mesmos resultados. E os resultados até aqui não são minimamente satisfatórios para maioria de nós, cidadãos brasileiros.

Num momento como este, todos aqueles que querem bem ao país, que desejam ver a sua vida social e econômica restabelecida, só estão contando com uma resposta de nós, políticos, de todos poderes: ações e determinações que ajudem cada cidadão a tomar decisões que, em função de sua situação individual e particular, minimizem os danos à si próprio, à sua família e à sua comunidade. 

Infelizmente um ou outro governador, e até prefeito, insiste em tomar decisões arbitrárias, ditatoriais e claramente antidemocráticas, colocando forças de segurança contra os cidadãos,  batendo e prendendo integrantes de manifestações pacíficas de opinião, ou de estarem exercendo o direito constitucional de ir e vir, com o infame argumento de estar protegendo a ordem pública ou evitando a propagação da virose. Isto não pode se repetir sob pena de resultar em justa revolta popular.

O que os cidadãos de bem desejam - para si e para o país -, é ver o poder judiciário e o poder legislativo unidos em um debate de ideias que contribuam para que o Presidente, a autoridade máxima do poder executivo, governadores e prefeitos, possam tomar as melhores medidas pois elas terão sido desenvolvidas pelos melhores homens e mulheres que integram os tres poderes.

Eu convoco todos os integrantes em todos os níveis de todos os poderes: façamos uma quarentena, pelo tempo que for necessário para nos livrarmos desta pandemia, e fiquemos proibidos de circular pela ruas do embate político, pela vielas das derrotas eleitorais, que evitemos nos aglomerar em locais que a discórdia, a vingança, a inveja e a mentira prevaleçam. A população brasileira não  merece ser tratada como lixo, ou simplesmente como massa de manobra de interesses egoístas, escusos por demais das vezes, criminosos em algumas delas. Deixemos isso, misericordiamente, para um futuro pós-pandemia.

E peço respeito, não a mim, mas aos 211 milhões de brasileiros, independente de em quem votaram nas eleições de 2018. Será um genocídio se continuarmos a fazer da pandemia uma oportunidade política. Sim, genocídio. Genocídio de sonhos, de patrimônios, e até mesmo de vida, o que rogamos a Deus não aconteça. Os pequenos empresários, do comércio, dos serviços e mesmo da indústria, os informais, os profissionais liberais, em sua total maioria estão perdendo todo o investimento de uma vida. Além da evidente falência de milhares de empresas, a poupança para o sonho da faculdade dos filhos está sendo minado pela necessidade de usar o recurso para pagar a comida, a luz, o gás e o aluguel. E ainda temos que lembrar o sonho da casa própria que  ficou ainda mais distante.

Aos abonados da vida, aqueles que conquistaram o privilégio de poder não se preocupar com o imediato, que podem arcar com certo nível de perda de patrimônio, e, principalmente, aqueles que fazem lives à beira da piscina e em situações de evidente riqueza, eu peço que reflitam, reflitam muito, sobre o que estão transmitindo. Vocês me parecem estar em outro planeta e não aqui, na nossa Terra. E descolados da realidade brasileira. Para vocês que têm recursos, peço que ajudem aqueles que lhe vinham servindo por tanto tempo, não necessariamente por misericórida, por pena, mas por interesse egoísta pois, provavelmente, ao fim desta crise, você poderá tê-los perdido.

Por fim, brasileiros, vocês que verdadeiramente desejam um Brasil acima de tudo, eu rogo a Deus que ele permaneça acima de todos.

Boa noite!


  

















sábado, março 23, 2019

A CONSCIÊNCIA DOS EXCLUÍDOS - Parte III


A estrutura que dominou a organização das sociedades pós agricultura, foi, e ainda é, fundamentada em um grupo - não mais que 10% da população(*) - que manda porque detém o poder através da exclusividade do uso legal da força, e uma massa - os 90% restantes - de cidadãos cuja única opção era (ainda é) a obediência pelo simples fato de estar sempre muito atrás do momento de reação, independente de ter recursos para tal. Não é mais. Atenção: estou apenas apontando o que me parece óbvio. 

Da eternidade de tempo entre o envio da mensagem e o recebimento de um retorno, padrão na Idade da Pedra, passando por meses no início da Idade Média, por semanas e dias na Idade Moderna, e chegando a horas e minutos no mundo Contemporâneo do século XXI, foram milhares de anos de distância. Mas para chegarmos à instantaneidade da intercomunicação de nossos dias, bastaram 3 exatas décadas(**) desde que o cientista do CERN, Tim Berners-Lee, teve a ideia de criar uma rede mundial de computadores. Não tenho dúvida de que a virada do século XX para o XXI, ficará registrado na história como o momento responsável pela desestrutura radical das regras de condução das sociedades. Neste barco, ocidente e oriente, hemisfério norte e sul, estão todos enjoados e prestes a vomitar.

Basicamente, o que apresentei até aqui, tem o propósito de justificar, respaldar, as observações do parágrafo precedente e tentar imaginar as consequências que já se observa e como poderá vir a ser o futuro de médio e longo prazo.

Nas duas postagens anteriores, apresentei a ideia de que na maior parte da história evolutiva do homo sapiens, o conceito de frustração social faz um caminho gradativo da sua total inexistência até o estabelecimento, no indivíduo, do sentimento de consciência de excluído, de rejeitado, renegado por um sistema a que só privilegiados podem ter acesso. É nestas últimas décadas que tal consciência se expande através da Grande Rede, permitindo a conexão de todo excluído com seu semelhante em status social e vêm à tona o sentido grupal. Agora é a consciência dos excluídos. Não mais o indivíduo. Agora uma massa de cidadãos frustrados com suas desgraçadas vidas, não que o sejam tão desgraçadas, mas o são, obviamente, se comparadas à de uma minoria privilegiada com acesso a tudo, de saneamento básico a conexão com o mundo na palma da mão, passando por acesso a formação profissional, viagens pelo mundo, mulheres e homens que se parecem com deusas e deuses Gregos. Tudo isso, na maior parte da história, era desconhecido, distante, impreciso, e coisas de abençoados pela sorte. Hoje, interligados, interconectados, não estão mais sozinhos, não têm mais que se conformar com coisa alguma, não atribuem mais à sorte, aos astros,  ao acaso ou à providência divina tais benesses. Agora têm a consciência de que são a maioria, que podem se unir espontaneamente, dispensam, recusam lideranças, e como unidade de movimento, entendem que tudo tem que ser concedido a todos. Um pouco mais que isso: direito de todos, obrigação do Estado, esta supra-entidade da qual se espera mais do que se espera de uma divindade qualquer.  

Tomemos a discussão da reforma da previdência. Até o final do século XX, ninguém sabia quanto ganhava um deputado, um senador, um ministro do Supremo, um juiz de qualquer instância. Menos ainda quais eram as regras de aposentadoria destes ocupantes do poder. Hoje, as redes sociais estão entupidas de bits de informação mostrando como tudo funciona e o abismo de realidade econômico-financeira que há entre os ocupantes dos poderes e o cidadão da massa de trabalhadores que, na essência, os sustenta. Quem acredita que isto vai mudar? Quem apostará que a sociedade em Rede aceitará ser prejudicada em nome de reduzir um déficit orçamentário sem que os privilegiados abram mão de suas gordíssimas e injustificadas remunerações e passem a fazer parte de uma realidade vivida pela maioria? A resposta é: A Rede, o golpe não previsto na estrutura de poder.


Por quanto tempo mais a sociedade brasileira, em especial, irá aceitar os absurdos ganhos de todos os que ocupam posições na estrutura de poder, em qualquer nível? Por quanto tempo mais a sociedade aceitará conviver com a regra imoral do "efeito cascata", principalmente nas instituições do judiciário onde um aumento no STF se espraia por todas as funções de todos os órgãos abaixo? Que justificativa haverá para que 13 milhões de desempregados aceitem a monumental diferença entre o salário mínimo e a remuneração mensal total de um vereador, deputado, senador, juiz, desembargador etc?

Agora vamos dar uma olhada na violência no Brasil (acontece ao redor do mundo, mas não tenho base para tratar neste âmbito). A criminalidade aumentou desproporcionalmente ao aumento da população (atente para o gráfico). Veja a coincidência da realidade entre o aumento da instantaneidade da informação em Rede e o aumento da taxa de homicídios por 100 mil habitantes. Simples coincidência? Ou o gradativo aumento da consciência de excluído de um enorme contingente de cidadãos jovens que estão completamente frustrados frente à visão de total ausência de perspectiva de futuro?

Como podemos imaginar uma solução para tamanho contingente de excluídos que se defrontam todo santo dia, o dia todo, com as tantas novidades tecnológicas que lhes são ofertadas como obrigatórias, a 10 vezes sem juros e com a ameça de que o seu não consumo lhe deixará infeliz por não participar deste "maravilhoso mundo novo"? Como suportar ver tantas selfies, hipócritas, falsas, na quase totalidade (mas e daí?), de gente sempre feliz quando se é parte de 13 milhões de desempregados, enfrentando filas imensas de candidatos a uma vaga (quando há) improvável de ser conquistada ? É razoável imaginar que este contingente cônscio de sua condição inevitável de excluído irá permanecer passivo para sempre? A que atitudes reacionárias (no sentido básico da palavra) tamanha frustração pela consciência de excluído inevitável os irá levar? 

Até o próximo sábado.

(*) Distribuição da Renda no Brasil em 2017

(**) A primeira proposta de criação da WWW foi apresentada no dia 25 de março de 1989. Não por acaso, o Muro de Berlim vem abaixo em 9 de novembro do mesmo ano.


As imagens aqui inclusas foram obtidas na internet e sem identificação de autor. Caso você seja autor de alguma, por favor me informe. 


terça-feira, outubro 02, 2018

DESCRENTES, O SEU VOTO DEFINE O FUTURO DO BRASIL

Já que tem tanta gente dando sua opinião nas redes sociais, então aqui vou eu também. 

Gravo esta mensagem apenas como um cidadão brasileiro. Ela é endereçada principalmente aos que, em relação ao cargo de presidente, pensam em não votar; é endereçada também aos que estão propensos a votar em branco ou em anular o voto; e a todos os que ainda não decidiram em quem votar. Como cidadão, em eleições passadas estive em todas estas situações. Mas não nesta eleição. Nesta eleição de 2018, ou eu faço uma escolha e a registro na urna eletrônica, ou estarei cometendo o maior erro da minha vida. 

Eu explico. Existem duas razões para esta convicção e que vou apresentar para serem avaliadas por você. A primeira é que nesta eleição não vamos eleger candidatos para os próximos 4 anos. Não  vamos eleger candidatos por suas qualidades ou defeitos pessoais na percepção de cada um de nós, seja para nos governar, seja para nos representar no Congresso. Não. Nós vamos escolher aqueles que vão apoiar e implantar um entre dois sistemas políticos. Em especial no caso de Presidente da República, temos nesta reta final do primeiro turno, dois candidatos que não importam em si mesmos como indivíduos: eles apenas representam as duas correntes políticas e econômicas de interesses e valores opostos. De um lado aquela corrente que pretende aumentar o tamanho do Estado e desestabilizar a família (*) como principal instituição da vida social; de outro, a corrente que quer preservar e proteger a família dos ataques da esquerda comunista e diminuir o tamanho do Estado tornando-o mais eficiente e dando liberdade e dinamismo para a sociedade como um todo, e garantindo aos cidadãos a autodeterminação sobre suas escolhas, sobre suas vidas, livrando-nos da tutela de um Estado opressor. Sendo mais claro: não está (e não pode estar) em avaliação as competências e as crenças pessoais dos candidatos, seja Luladdad ou o Mito. Ao votar estaremos manifestando o que desejamos deixar para nossos filhos e netos: a pobreza endêmica dos países totalitários, ou a possibilidade de nos tornarmos um país desenvolvido como as de tantos países democráticos do ocidente. E eu não quero que eles venham me apontar o dedo no futuro porque nosso legado foi uma Venezuela.org.BR! 

Resumindo: ou escolhemos um futuro com ditadura-comunista ou um futuro com democracia-capitalista. E a escolha é nossa, quer dizer, sua.

Sim, sua. E aqui chego à segunda razão. Quando você não vota em um candidato, você está deixando que outras pessoas decidam o seu futuro. Eu entendo nossa desilusão com os políticos. Mas, um Estado-Nação como é o Brasil, a política é condição necessária e básica para a definição das prioridades da sociedade. E só sob a democracia é que a política pode funcionar plenamente. Quando você se omite de fazer uma escolha, está consequentemente aceitando qualquer resultado, e qualquer resultado significa o resultado que outros desejaram. E você deixou de manifestar sua vontade. Vote, não se omita. Se omitir é sua pior opção. Eu prefiro deitar minha cabeça no travesseiro sabendo que contribui para o processo democrático. Se o caminho escolhido ao final não for a minha opção, poderei dizer: bem eu fiz minha parte e me orgulho de pertencer ao grupo dos opositores. Do contrário, contarei com a sorte ou então amargarei para sempre a vergonha de ter me acovardado.   

E aí, qual será sua escolha?

Descrentes, o seu voto define o futuro do Brasil.



(*) O objetivo da erotização de crianças.

(**) Bolsonaro fala sobre a Cartilha do PT ensinando sexo às crianças.



Aula "prática" de sexo para crianças.

domingo, abril 09, 2017

PARADOXO DA FRAGMENTAÇÃO

A fragmentação dos partidos políticos (35 registrados e mais em formação) (*) precisa ser substituída por um sistema político que estruture a fragmentação da manifestação popular via comunicação em rede.

Este o paradoxo da fragmentação.

A democracia representativa, ou seja, a democracia exercida por representantes de uma pretensa vontade popular, morreu. O velório será longo, doido, sofrido. Sua morte será negada por alguns por algum tempo. E, por outros, a admissão, a aceitação, também será longa.

Ouço que recente pesquisa identificou que 83% dos eleitores brasileiros não se identificam com NENHUM PARTIDO POLÍTICO.

A pós-modernidade identificada por alguns pensadores, já foi ultrapassada pela era pós-rede. A fragmentação da opinião, do pensamento, da reflexão, e da ação, é uma realidade ainda não absorvida pelas oligarquias. 

Se temos certeza absoluta de que partido político não é mais a forma de canalizar a vontade popular, não temos qualquer noção de qual seria um sistema capaz de gerenciar uma realidade que apresenta um nível de fragmentação de desejos, necessidades, anseios, que beira a impossibilidade de encontrar duas pessoas que concordem entre si, mesmo em um nível conceitual, sem descer ao detalhe.

Mas as mudanças estão ocorrendo. Canais de manifestação de opinião surgem diariamente no Youtube. As redes sociais estão abarrotadas de conflitos e, uma característica infeliz da tecnologia, até agressões e ameaças verbais. Novos partidos, com novas propostas (ainda que duvidemos delas e deles), surgem como ação de resistência ao fim do sistema. Mas, enquanto isso e paralelamente, novos instrumentos de ação política se apresentam para o cidadão.


Me arrisco a propor uma reflexão. Em uma babel de opiniões, de "verdades" individuais, de intolerância com o outro, com todas as diferenças, há lugar para a democracia? Onde ninguém concorda com ninguém, há espaço para o regime da maioria? Tem algum senso se falar em maioria? Se a maioria é tênue (vide Brexit, Trump, Equador etc.), se é frágil, podemos considerá-la "representativa", legítima? Ou, pior, se ela não for possível de ser alcançada, qual minoria prevalecerá? Neste novo mundo, não estaremos todos, em futuro próximo, implorando por alguém que nos diga o que pensar, o que fazer? Será o regime autocrático, ditatorial, a melhor alternativa para as gerações futuras?


(*) Como exemplo de fragmentação de mote:

Partido da Mulher Brasileira
Partido Novo
Partido Republicano da Ordem Social
Partido Ecológico Nacional
Partido Pátria Livre
Partido da Causa Operária
Partido Humanista da Solidariedade




segunda-feira, novembro 28, 2016

COMENTÁRIOS DA SEMANA - DE 27/11 A 3/12/2016

29 - "O DIA D DOS LADRÕES"

Indico a leitura da coluna de Jabor, de hoje, em O Globo.


28 - FIDEL, O PAI DELES DOS ÚLTIMOS ANOS

A "revolução cubana" de 1959, teve como mote tomar o poder em nome do restabelecimento da "democracia" (o entre aspas é explicado mais adiante).

Confesso que conheço pouco da história política mundial, mas tenho a sensação (ou conclusão do que observei ao longo da vida) que toda revolução de extrema esquerda se vale deste argumento, as variações são apenas de discurso, na prática o fundamento é o mesmo. Tomado o poder, todas elas se tornaram ditaduras de fato e/ou de direito. Tal como as revoluções de extrema direita. As diferenças estão na base. A direita se revolta, não em defesa da democracia, mas para salvar o país do totalitarismo de um comunismo radical. Ambas se sustentarão no poder promovendo uma "limpa" geral e restrita exterminando todo e qualquer dissidente, discordante ou não simpatizante.





 

Fidel, como Stalin, como Mussoline, como Hitler, como os militares no Brasil, na Argentina, enfim, como tantos outros, só sustentam suas "grandes verdades utópicas" porque reconhecem, mas não admitem, que elas são utópicas e grandes mentiras. Aboletados no poder, só lhes resta a saída de eliminar os que têm "grandes outras verdades utópicas" que possam atrapalhar suas trajetórias psicopatas em direção à perpeturação do poder. A democracia vai pro saco, ou melhor, a democracia boa é quando quem manda sou eu, seja à direita ou à esquerda do espectro de alternativas, quando todos obedecem aos meus ditâmes, sem oposição.

Mas a opressão não se perpetua sem que se estabeleça uma justificativa institucional. Assim, tal como o homem criou Deus, no plano espiritual, para estabelecer uma negociação com a força opressora - a natureza indomável, inexplicável e temida -, o cidadão cria o "Pai", o "Comandante", o protetor a quem reverenciam enquanto alguém está olhando, mas que abominam no escuro do quarto com a cabeça no travesseiro.

Quem será capaz de trazer outras explicações razoáveis para os discursos de horas de Fidel e seu "paredón" - jeito prático de se livrar de incômodos -, das manifestações de raiva de Hitler nos discursos e nas práticas contra os judeus, ou das ameças nucleares de King Jong-Un?



"A Ilha", um Estado de pequenas dimensões que, como ilha, protegido da interferência de vizinhos, foi facilmente controlado durante alguns anos. Na virada das décadas de 80 para 90, quando perdeu o escamoteador da "verdade verdadeira" por trás do discurso, a Sierra Maestra começou a desmoronar. Quem acredita na excelência do ensino cubano onde a promessa para estudantes universitários é ser motorista de táxi ou balconista de bar? Quem, no domínio de sua sanidade, acredita na excelência da medicina num país que controla o alimento da população através da distribuição de vales semanais ou mensais para troca no empório do Estado?

Todos esses líderes são psicopatas alimentando seus egos doentios. O chamado "povo" é apenas a grande massa de manobra. O que teremos no futuro? Sendo a política fundamental para a existência minimamente estável da vida em sociedade, será que conseguiremos construir mecanismos que nos livrem dessas mentes geneticamente concebidas para causar o mal? Será que os razoavelmente sãos poderão um dia servir aos seus semelhantes apenas pelo servir?

E restringindo ao tema do dia: qual a sua aposta para o futuro de Cuba no médio e longo prazos?



27 - SE NÃO QUER PARTICIPAR, NÃO ENTRE.

Marcelo Calero é um ponto fora da curva. Ele saiu do seu quadrado. Pisou na bola e chutou o balde.

Sempre tive a convicção de que as regras do meio se impõem sobre o indivíduo. Sou sempre tímido quando entro em um ambiente novo, não me exponho, me mantenho atento, observador a tudo o que vejo e acontece à minha volta. Quando percebo que já sei o suficiente, convicto de já saber os princípios e normas que ali prevalecem, então decido se permaneço - significa que concordo - ou pego meu boné e me retiro, pois sei que não terei forças, ou interesse, para mudar o meio.

Enfrentar o meio é possível, mas não é aconselhável pela alta taxa observada de insucessos. Sozinho, o reagente será nocauteado com golpes duros na boca do estômago e ganchos fulminantes na ponta do queixo que serão dolorosos por longos anos, quiçá pelo resto da vida. O espírito de corpo age raivosamente em defesa do grupo, não mede ações, tudo vale desde que corte a ameça pela raiz, independente do mal que cause. Calero está sentindo o peso da reação do poder afrontado, questionado. Foi corajoso, aparentemente cuidadoso. Se salvará ileso? Duvido muito. Com sequelas? Muito provavelmente. 

Adicionar legenda
Sérgio Moro não é um solitário Calero. Moro é síntese, é a face midiática de uma super-força tarefa que começou composta por dezenas de profissionais de uma geração de jovens que propuseram à nação um novo caminho e, em consequência, ganhou a aprovação e o apoio de milhões e milhões de cidadãos brasileiros. Mesmo assim, todos estamos assistindo diariamente às tentativas do poder (todos os 3 poderes) em arranjar uma saída para o desmonte da oligarquia atualmente no comando do país.

Dito isto, e aproveitando o dito, defendo a tese de que não há saída para o Brasil exceto esta:

1 - renúncia de todos os políticos hoje no Congresso;
  
2 - convocação, pelo executivo, de eleições para uma nova Constituinte exclusiva que tenha como alicerce, em todo o seu teor, o novo mundo emergido pós globalização e novas tecnologias de comunicação/manifestação, e que tenha prazo de 120 dias para encerrar o trabalho;

3 - convocação de eleições gerais para o legislativo e o executivo conforme as regras da nova Constituição. 

Isto não é muito, é pouco para o que temos pela frente. Mas é o essencial para um começo minimamente promissor. É mais ou menos por isto que hoje existe uma convocação geral para irmos às ruas no dia 4 de dezembro próximo.








terça-feira, abril 19, 2016

NÃO É JUSTO!

"A fraude fiscal foi o principal instrumento de estelionato eleitoral. (...) É crime de responsabilidade sim um candidato-presidente destroçar a economia do país para enganar uma nação."
Gil Castelo Branco, economista

Até semana passada, diziam as más línguas, que era na base do grito, da grossura, da porrada. Ontem a estratégia mudou. Dois ou três comprimidos de um ansiolítico qualquer e Dilma, a sofrida, a coitadinha, vem, dopadamente, se apresentar como injustiçada pela vida e vítima de maus meninos e meninas!!!

Injustiçada? Você, Dilma, responsável pelos quase 10 milhões de desempregados, estes sim, os grandes injustiçados? 

Injustiçada por não ter feito nada de mal? E a perda de poder aquisitivo causada por inflação que, acumulada de 2015 a 2016, será causa de uma perda de poder aquisitivo da ordem de 20% nos salários?

Injustiça por não ter roubado nada em proveito próprio? E acha que isso a redime dos roubos que deixou fazer? Da roubalheira para a qual fez vista grossa por ser conveniente para se reeleger?

Vítima? Você, Dilma, que para se reeleger não poupou a população de mentiras e falsidades que vieram à tona tão logo completada a contagem dos votos?

Vítima, sim, mas só se for de sua estratégia de desonerações fiscais inconsequentes, irresponsáveis, que nos aproximam de um déficit orçamentário acumulado em 3 anos próximo de 200 bilhões de reais.

Vítima? Você, Dilma, que tendo promovido um déficit irresponsável, agora destrói programas sociais por completa falta de recursos para sustentá-=los?

Injustiçados e vitimados são todos os cidadãos brasileiros que foram pela senhora, pelo PT e pelos crédulos convenientes, enganados, tripudiados, feitos de palhaço, com o único propósito de se manter no governo a qualquer custo.

E sua insistência em, hipocritamente, continuar a se vitimizar, só terá um resultado: um golpe no Brasil do qual levaremos uma década para nos recuperar.

Renuncie, Dilma, se você tem algum respeito e consideração pelos cidadãos brasileiros, principalmente por aqueles mais afetados pelos seus inconsequentes atos e falsas promessas.

Renuncie, Dilma, porque ainda não sabemos como sair desse abismo que você nos jogou, mas, queiram os deuses, não será com você, pois, inquestionavelmente, com você sangraremos por mais 6 ou, pior, 20 meses.

Isto sim, NÃO É JUSTO!!!