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terça-feira, abril 05, 2022

A INACEITÁVEL PERDA DE PODER ou A REAÇÃO DE UMA OLIGARQUIA DERROTADA

Oligarquia: regime onde o poder é exercido por um pequeno grupo de pessoas pertencentes a um mesmo partido, classe ou grupo.  

Cleptocracia: regime onde o poder é exercido por ladrões.

  

Todo grupo que se apodera do poder político é oligárquico e cleptocrático – em menor ou maior intensidade -, mas raramente podemos chamá-lo de "pequeno". As razões são muitas e não tenho capacidade/conhecimento para explorá-los e sintetizá-las todas, nem mesmo acho que interessaria ao Leitor tal digressão. Mas é básico perceber a realidade histórica de que todo poder governamental visa se perpetuar e se valer da apropriação indébita dos impostos para proveito dos oligarcas de primeira classe e de um contingente de privilegiados de segunda classe que recebem benesses para mantê-los na defesa e sustentação dos primeiros – são os conhecidos “inocentes úteis”. As oligarquias, portanto, se constituem obrigatoriamente de dois grupos oligárquicos  complementares, simbióticos, que vou rotular de "ativo" e "passivo", respectivamente. O grupo ativo é o que exerce o poder político conquistado através de discursos demagógico-utópicos de promessas para não serem cumpridas. O grupo passivo é o que sustenta o ativo, composto pelos integrantes do “establishment” – servidores públicos em todas as instâncias – que se beneficiam de privilégios a que a população não tem direito –, e por todas as pessoas físicas e jurídicas capacitadas a prestarem serviços ao governo, qualquer governo, e que não se importam com qual seja o pensamento político desde que elas se mantenham beneficiárias do destino dos recursos do Tesouro Nacional. A principal característica dos agentes passivos é sua flexibilidade e resiliência às circunstâncias, se adaptando ao modus operandi de quem detém o poder político. Mesmo servidores militantes mudam de lado rapidinho desde que tudo “permaneça como antes...” em seus holerites e “direitos adquiridos”.,  É do jogo! É um fato. Portanto, sem crítica.

Uma vez no poder, os oligarcas passam a reger tanto os destinos da nação, quanto os nossos destinos particulares, pois praticamente todos os governos republicanos do Brasil tiveram um pendor irresistível para o estatismo e a preservação dos privilégios com o chapéu dos contribuintes. Entre estes temos subsídios a setores da economia, contratos superfaturados, salários dobrados em relação à média de mercado acrescidos de penduricalhos a título de  "ajuda de custo", aposentadoria integral, direitos vitalícios etc.

E aqui chego ao busílis desta postagem: Bolsonaro que, uma vez eleito cumpriu e cumpre com promessas de campanha – as que não cumpriu é porque não deixaram – como a de mandar para a rua a oligarquia aboletada por mais de 20 anos no phoder, foi além e simplesmente ignorou as regras de até então, quebrou paradigmas, e rompeu com os oligarcas ativos, e parte dos passivos, de modo radical, mas não com todos os passivos, pois a maioria destes está no serviço público e serão necessários alguns anos para que o processo de substituição se concretize. Não sem razão, portanto, Bolsonaro vem apanhando, nestes mais de 39 meses de governo, de todos os atingidos: dos "Supremacistas Ungidos do Talibã Federal"; dos Sinoadores, comparsas protetores dos Iluministros e depostos de seus currais financeiros; da esquerda corrupta (caviar ou mortadela) sonhadora com uma boquinha no “sistema”; daqueles que se servem do público em lugar de servir o público; da mídia saudosa do gordo leite das tetas federais e minguando em audiência e relevância por conta da digitrônica;  de outros sanguessugas do Estado espalhados por todas os setores e regiões do país; et caterva. Que ninguém subestime, portanto, a quantidade de gente e instituições que “odeiam Bolsonaro”[1]!!!


Os princípios praticados pelo Presidente para acabar com a putaria generalizada, desencadeou reação e união inevitáveis dos defenestrados que “precisam destruir"[2] Bolsonaro. São muitos, cito apenas uns tantos para dar a dimensão do exército de vitimados perdedores: Marinhos, Frias, Moreira Sales, Marisas, Anittas, artistas carentes de Rouanet, integrantes da intelligentsia nacional infiltrados em todos os espaços da cultura, empresários assumidos corruptores processados pela Lava-Jato, políticos populistas que perderam o controle de verbas, "capitalistas" de meia tigela, na verdade rentistas de olho em inflação e juros altos, e, lamentavelmente, uma juventude submetida à lavagem cerebral com escovão feito de Marx e sabão Gramsciano, sem ter um bit de conhecimento do estrago feito ao país desde a hipócrita Constituição de 88 e muito menos do extermínio em massa que psicopatas como Lênin, Stalin, Mao e outros perpetraram em nome da imposição da "verdade" deles sobre a verdade de cada cidadão, corrompendo a integridade do indivíduo, principalmente, sobre os mais humildes e incultos. Enfim, todos os esquerdistas, pretensos esquerdistas, esquerdistas de oportunidade, de ocasião, todos bajuladores do maior corrupto do Brasil, condenado, descondenado e tornado elegível por um artifício jurídico aplicado pelo "Iluministro" militante petista.

 

É claro que a natureza tosca das falas de Bolsonaro não condiz com o que se espera de um estadista, mas quem disse que tal status intelectual é necessário para se eleger Presidente? Deixemos isso para os diplomatas do Instituto Rio Branco. A Constituição brasileira não faz qualquer exigência neste sentido. A prova é o próprio 9Fingers que sempre se gabou de não ter paciência para ler!!! Alguns atribuem inabilidade de comunicação de Bolsonaro com a elite (será? Ou é só despeito dos “perdedores"?). Se seu vocabulário é o do povo, é porque do povo veio, ao povo se dirige. Isto os falsos puristas e moralistas não suportam, a ponto de se avocarem o direito democrático de tirar Bolsonaro da presidência, sob o perigo “dele ficar mais 4 anos”[3]. E jornalistas ainda se sentem “incomodados” por seu pavio curtíssimo para aqueles que fazem perguntas capciosas e tentam aplicar armadilhas retóricas. Sim, se fosse outro seria mais polido, mais tolerante, mais cortês. Mas aí não seria Bolsonaro. Aí não seria alguém que fez o que fez. Aí teríamos continuado afundados na lama da roubalheira. A prova de que há um movimento coordenado para desestabilizar a governança e, por objetivo maior, derrubá-lo da presidência, é o fato gritante de que hábitos e falas grosseiras, rudimentares, do ex-sindicalista que ficou na presidência por 8 anos, não ensejarem a menor reação da grande comunidade de perdedores das benesses do poder.

 

"Perdeu mano!" Essa recusa em aceitar a derrota - típico de quem odeia democracia -, esta intenção de rebelião antidemocrática, neuroticamente apoiada na repetição paranoica, cognitivamente disfuncional de que Bolsonaro ameaça a democracia, é acusado de autoritário quando é quem pede respeito à Constituição, que é um genocida, mas que socorreu milhões de brasileiros distribuindo auxílio emergencial durante a pandemia, mostra que, realmente nossa democracia está realmente em perigo porque está sob ataque de ex-integrantes de uma oligarquia  cleptocrática, derrotada, contrariada e, agora, amotinada pela inaceitável perspectiva de continuar longe do phoder.  

 

2022! 2 passos à frente, nem 1 passo atrás!



[1] Dia desses alguém me disse que odeia Bolsonaro porque ele é autoritário. Quando retruquei perguntando para listar duas ou três atitudes autoritárias dele, recebi a seguinte resposta: “Não vou lhe responder” e repetiu “Não vou lhe responder”.

[2] Nas “belas” sincericídias palavras de Ciro Gomes.

[3] Idem.

terça-feira, março 09, 2021

SUPREMO TRIBUNAL DA FIRULA

 Firula: substantivo feminino

1. Rebuscamento da fala para enunciar algo simples; circunlóquio, rodeio.

2. No futebol, demonstração de virtuosismo com a bola.

No futebol, a firula acontece, principalmente, quando o jogador precisa dar um drible no adversário com criatividade, seja por simples demonstração de habilidade, seja porque sua única saída é usar suas habilidades. É neste sentido de "drible criativo" que renomeei o STF para entender esta decisão esdrúxula que anula as condenações do ex-presidente. Mas isto não exclui o significado que o termo tem de "rebuscamento", "rodeio", ou seja, mascarar o que realmente se quer dizer. Hipocrisia, portanto.

A firula jurídica que o Ministro Fachin criou é de considerar inválido todo o processo de anos contra nosso "ladrão de 9 dedos" mais estimado, sob o argumento de que... tudo foi realizado em uma jurisdição indevida, ou, algo como alegar um "erro de origem". A firula se dá porque a tese não passa pelo crivo de poucos segundos de reflexão. A operação "Lava-Jato" completaria 7 anos no próximo dia 17, não tivesse seu fim promovido pela PGR em 1/2/21. Ou seja, a Justiça aceitou a legalidade e propriedade das instâncias envolvidas por todos estes anos. Até ontem. Ao anular tudo, Fachin deixa claro que sua ação é uma farsa política a serviço de suas próprias ideias de para onde o Brasil deve se dirigir. Foram milhões de reais gastos para conduzir todos os processos que condenaram mais de uma centena de pessoas que praticaram os mais diversos atos de corrupção passiva e ativa. Fica, então, uma outra questão: quer dizer que o resultado de um julgamento depende de onde ele é realizado e quem são os julgadores? Coloquemos nosso nariz de palhaço.

Ao avaliar que negar a culpa depois do acusado ter sido condenado em duas instâncias seria uma afronta à própria estrutura da Justiça, PT-Fachin usa de uma firula, dá um drible de letra da lei, valendo-se de um detalhe processual para se sobrepor a todo um processo legal, pois o argumento é legal, previsto nos códigos de processos, mas ignorando totalmente os aspectos morais inerentes ao caso.

Já apontei para a escalada das tenções a que nossa vida política está subordinada. Chamo sua atenção para uma realidade ainda não percebida pela maioria. Estamos sob o domínio do poder de uma elite intelectual de esquerda. Em minha visão, a mais relevante razão de voto em Bolsonaro foi o desejo de defenestrar do poder a utopia esquerdista, praticada pelo PT. Ao elegê-lo, passamos a acreditar que tal objetivo tinha sido alcançado. Ledo engano. Trocamos apenas o representante maior do poder Executivo. Legislativo e Judiciário estão sob a vontade e mando de uma corrente de pensamento que vê na limitação da liberdade dos cidadãos o caminho para um globalismo moral jamais imaginado possível de ser alcançado. 

Já apontei para a escalada das tenções a que nossa vida política está subordinada. Chamo sua atenção para uma realidade ainda não percebida pela maioria. Estamos sob o domínio do poder de uma elite intelectual de esquerda. Em minha visão, a mais relevante razão de voto em Bolsonaro foi o desejo de defenestrar do poder a utopia esquerdista, praticada pelo PT. Ao elegê-lo, passamos a acreditar que tal objetivo tinha sido alcançado. Ledo engano. Trocamos apenas o representante maior do poder Executivo. Legislativo e Judiciário estão sob a vontade e mando de uma corrente de pensamento que vê na limitação da liberdade dos cidadãos, na destruição da família e da integridade psicológica dos indivíduos, os alicerces necessário para pavimentar o caminho para um globalismo moral jamais imaginado possível de ser alcançado.

O poder Judiciário, seguindo uma corrente mundial, abandonou seu papel de garantidor da Constituição, e passou a praticar uma justiça ativista, manipuladora da interpretação da lei maior para atender ações políticas, usurpando tanto as atribuições do poder Executivo quanto as do Legislativo. Basta lembrar o caso da nomeação do diretor da Polícia Federal, o inquérito das Fake News, ou inquérito do fim-do-mundo, e a prisão do deputado Daniel Silveira.

O Legislativo, por seu turno, regido sob o manto dos interesses particulares de senadores e deputados em se perpetuar no Poder, se subjugam ao Judiciário pois, se entre todos os que votaram a favor da manutenção da prisão de Silveira alguns até acreditavam ser a prisão a ação correta, a maioria deles o fez a favor de si mesmos, de serem "protegidos" em eventual situação negativa futura que vierem a se envolver (ou que já se envolveram), uma sinalização algo como "olha Ministro, lembre que votei direitinho como Vossa Excelência orientou!".

Acrescentemos aos 3 poderes outros 2, Forças Armadas e grande mídia, e temos um pacotaço dificílimo de desembrulhar. No caso dos militares, uma parte significativa é formada pelos "melancias", verdes por fora e vermelhos por dentro. Como já disse, elas estão divididas com certeza, não se sabe em que proporção, mas dali, de onde muitos esperavam alguma coisa, é de onde não vai sair nada mesmo. E a imprensa tradicional militante, com maior peso no noticiário televisivo, e menor, nos antes denominados, jornais impressos, hoje devidamente digitalizados e inseridos também nas redes sociais, vão continuar a clamar pela volta de um governo corrupto que as ampare financeiramente neste momento de transformação, em que suas audiências,  a cada evento jornazistamente manipulado, vão migrando para mais longe delas. Para tal objetivo, não medem esforços antiéticos.

Repito, estamos hoje sob um governo de direita, conservador, liberal, capitalista, mas sob o "poder" de uma máquina pública - o tal establishment - esquerdista, estatista, progressista, socinista (1), e que não vai abrir mão de fazer "de tudo" para "tomar o poder" em 2022, ou mesmo antes, como é desejo anunciado de José Dirceu.

A ação Pt-fachinosa é somente um passo neste sentido e ela ainda está sujeita a ser revertida se a PGR entrar com uma ação de "agravo regimental", o que levaria a decisão para ser validada ou revogada em julgamento na 2ª turma, onde estão Mendes, Lewandovsky e o próprio Fachin (2). Ou seja, sem chance de reversão. O sapo-barbudo, como o chamava Brizola, está livre, leve e solto para atuar em defesa da falência do país.

Que ninguém se iluda. Estimulados pelo que aconteceu na eleição presidencial nos Estados Unidos, essa massa de "servidores" de si mesmos vai pintar e bordar até outubro/22. Entre muitas outras ações, poderemos ter "pesquisas" com as mais inusitadas previsões de resultados, distribuição de informação e contrainformação pelas redes sociais, dossiês fajutos, manchetes tendenciosas da mídia, mais pedidos de impeachment de Bolsonaro, boicote, não só às reformas, mas a qualquer projeto originado no Executivo etc., até chegar, se for preciso, a executar ações que corrompam as urnas. 

Dois movimentos serão absolutamente fundamentais para enfrentar esta fúria destruidora da intelligentsia ungida: o apoio da população aos paladinos do espectro centro-direita que estão se expondo e se arriscando em mostrar a hipocrisia cínica dos perdedores e esta mesma população exigindo nas ruas um "basta".


1) Socinistas - Corruptela que proponho para empacotar socialistas e comunistas em um só conceito. Corruptela é a "deformação de palavras (...) de forma proposital, como forma de eufemismo (...)". Fonte: Wikipédia

2) Veja mais detalhes nesta matéria da BBC.

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sábado, janeiro 16, 2021

A HIPOCRISIA DAS PLATAFORMAS, DO ESTABLISHMENT E DOS IDEÓLOGOS

"Não há mais sentido em apelar para nada quando a mente se perdeu na coerência de uma boa ideia. O ideólogo torna-se cínico."

Proposição extraída de "Thomas Sowell e a aniquilação de falácias ideológicas".


Tomei contato e me fascinei com a internet em 1996. No ano seguinte já tinha criado uma lista de distribuição chamada INTERNET MARKETING onde publicava textos com o intuito de ajudar outras pessoas a entender a nova tecnologia. Tais textos me levaram a ser um dos primeiros "articulistas" da nova revista INTERNET BUSINESS (1). Conto isto só para ressaltar que vivi com certa intensidade o engatinhar, a infância e a juventude da Web, desde quando, portanto, o buscador principal era o AltaVista e no Brasil o Cadê (2).

Naquela época e até meados da primeira década do novo milênio, os provedores de acesso desempenhavam também o papel de guardadores dos conteúdos gerados pelos seus usuários, basicamente, clientes que usavam aplicativos de envio de mensagens eletrônicas, os tais e-mails, cujo conteúdo ficava armazenado nos "servidores" da empresa. Já ali, o comportamento irascível se manifestava em mensagens postadas em listas de distribuição com temáticas diversas. Esta constatação logo logo me fez cair fora, pois meu estômago não é muito forte. Algumas destas manifestações incomodaram terceiros gerando demandas judiciais e uma discussão sobre a obrigação dos provedores de não só "censurarem" o conteúdo, como também acatar uma ordem judicial que obrigasse a quebra da privacidade de um cliente. Evidentemente houve reação. A estratégia de defesa foi a de se compararem com os correios (sigilo da correspondência) e até mesmo com as companhias telefônicas (naquela época, em tese, ainda não se gravavam as conversas). Não lhes cabia, portanto, a obrigação de fiscalizar o conteúdo que transitasse pelos seus canais digitais, e ainda alegavam que seria um completo absurdo, além de inconstitucional. 

Assim foi até que a evolução da tecnologia e do agigantamento de algumas poucas empresas se transformassem em "plataformas" de redes sociais espalhadas, principalmente, pelo mundo ocidental. Agora o "busílis" da questão passou a ser outro. Os interesses econômicos passaram a ser tratados na casa das dezenas de bilhões de dólares e, neste nível de "interesse" a política se torna o elemento, a variável, o fator mais relevante em qualquer tomada de decisão. A consequência todos nós estamos vendo. A questão se inverteu, ou seja, se antes o negócio era tirar o corpo fora e dizer que "isso não é comigo", agora  é muito mais um "deixa comigo que eu chuto", pois "censurar é a principal tarefa". Reivindicam até mesmo um alegado direito de tocarem seus negócios do jeito que melhor lhes aprouver, apartados de qualquer aparato legal. Hummmm! Será? Vamos analisar o argumento dos apoiadores deste "direito". Alega-se que as plataformas digitais, só as plataformas, por serem empresas privadas em um regime de livre mercado, podem "excluir" qualquer um por terem o direito de escolher quem as pode frequentar com base tão somente em supostas "fake news" ou na constatação do usuário não ter a mesma opinião política que elas têm. Vejam a hipocrisia. Se eu manifestar nas redes sociais criticando o que você andou postando, tudo bem, a plataforma não se importa. Eu só não posso postar opinião com a qual "eles" não concordem (amplie a extensão deste "eles"). A meu ver, se esquecem do fato primeiro que motivou sua criação, qual seja, oferecer uma ferramenta universal de comunicação entre as pessoas, e não uma ferramenta de comunicação exclusiva de uma corrente política. Lembremos que quando nos associamos a elas, não nos foi perguntado para quem torcíamos, o que seria normal se o detentor do negócio fosse um partido político, um clube de futebol etc. Portanto, para evitar a hipocrisia, a justiça poderia concordar com elas desde que declarassem tanto em suas homepages quanto em seus ilegíveis contratos de uso, suas posições políticas para que pudéssemos nos associar àquelas plataformas com as quais nos identificássemos, o que nos permitiria manifestar nossas opiniões sem sermos "cancelados" a cada postagem. Que tal? 

Só pra deixar claro. Eu posso negar a uma pessoa o acesso à minha casa, até mesmo a um policial que não tiver um mandado de busca (desde que não tenha vindo a mando do Alexandre de Moraes). Acontece que a finalidade da minha casa é a de abrigar e proteger a mim e a minha família e não a de ter as portas abertas para quem quiser entrar, pois isto, evidentemente, contrariaria o objetivo básico!!! Sendo ainda mais explícito, os Correios podem se recusar a entregar uma correspondência por que seu endereço, do remetente, vem da "área suspeita" de ser apoiadora da oposição? As companhias telefônicas podem se recusar a completar uma ligação por que você foi "classificado" como um usuário que fala muito palavrão? Você concordaria com isto? 

Por que o Presidente dos Estados Unidos da América foi excluído de diversas plataformas? Por que nada acontece para impedir tais atos de violência explícita? O fato alegado de que Trump incitou a violência da invasão do Capitólio não se sustenta. Simplesmente ele não fez isso. Mesmo que tivesse feito, ainda assim isto não poderia ser motivo de nenhuma reação antes que um processo fosse instaurado para apurar TODOS os fatos, inclusive quem eram os que realizaram a invasão (mandantes e mandados). A opção por um viés político agora, pelo menos, ficou clara. Não por outro motivo cidadãos pelo mundo afora estão, neste meados de janeiro de 2021, cancelando suas contas nas "canceladoras" e procurando abrigo em plataformas comprometidas com a liberdade de expressão, pelo menos, em princípio. Enfim, um show de hipocrisias para satisfazer aos gostos mais exigentes feitas por indivíduos que se apresentam com a cara mais lavada e sem um mínimo de rubor. Fico por aqui, nem vou mencionar a sordidez das táticas usadas para destruir o PARLER.

Livro mais recente de Sowell.

Chegamos então à questão que salta à indignação: por que ninguém faz nada? Ocorre que esse "ninguém" inocentemente proferido é exatamente o "establishment" (3), a máquina pública que nas últimas décadas veio sendo invadida pelo contingente socialista. No caso do Brasil, há um "esprit de corps" estatal que se agarra à defesa de privilégios angariados ao longo de décadas dividindo os brasileiros em duas categorias: os privilegiados funcionários públicos e os demais. Àqueles, tudo, aos outros, o rigor da lei. Os primeiros não estão nem aí para utopias políticas, o que eles querem é tão somente reivindicar a manutenção de "direitos adquiridos". "Nosotros" também não estamos nem aí para as mesmas utopias, apenas a razão é outra: estamos ocupados, dia-a-dia, em "ganhar o pão", "tocar a vida" e pagar os impostos que sustentam aqueles. Hipocrisia, quero uma para sobreviver! É óbvia sua imediata pergunta: a quem interessam as utopias? Só aos ungidos, evidentemente, mas como estão no poder ou são bajuladores do poder, causam um estrago capaz de atingir gerações, sendo que seus autores não estarão mais por aqui para ver o resultado, nem para serem julgados e condenados. Este é o movimento a que estamos assistindo, infelizmente, e qualquer um que intente mudança neste "status quo", enfrenta a reação de uma massa de mais de 10 milhões de protegidos (4). E este comportamento se dá em toda a esfera de poder, legislativo, executivo e, particularmente, judiciário. Como já disse alguém: de onde você espera que saia alguma coisa, é dali que não sai nada mesmo!

E o que está na base, tanto da promoção e exaltação do pensamento único, quanto do Estado como um bondoso e mão-aberta empregador? A utopia ideológica dos ungidos que criaram uma teoria socioeconômica não a partir dos fatos da vida real, mas a partir de uma "visão" que quer impor globalmente um padrão de comportamento cultural e moral que contraria a inquestionável realidade de que a natureza humana é imperfeita e que o desenvolvimento das nações se dá graças ao intercâmbio de visões e experiências que ocorrem nas relações entre os cidadãos. A reboque desta "visão cega", vem o Estado controlador da economia, provedor do conhecimento de um só viés, e a divisão dos cidadãos entre várias "classes" com as consequentes políticas específicas para cada um, o que, evidentemente, acaba por criar dois grandes grupos, o dos "protegidos" e o dos "ressentidos".

Vamos nos preparar espiritual e mentalmente e aguardar para ver no que isso vai dar. Boa coisa, imagino, não vai ser.


(1) Tudo o que escrevi nesta época você encontra neste outro blog meu.

(2) Em 1994, Berners-Lee fundou o World Wide Web Consortium (W3C) no MIT; tanto  o Altavista quanto o Cadê, o buscador brasileiro, nasceram em 1995, sendo que o  cadastramento dos sites, no nosso caso, era feito manualmente (!!!); e o Google só veio se tornar uma empresa a partir de 1998.

(3) Establishment: A elite social, econômica e política de um país. Eu "odeio" o termo, mas fazer o quê depois de Paulo Guedes ter trazido para o nosso cotidiano tal anglicismo!!!???

(4) Segundo estudo do IPEA publicado em 2020, em pouco mais de 30 anos saímos de 5,1 milhões para 11,4 milhões. Quem foram os governantes no referido período?


sábado, abril 25, 2020

NOVES FORA HIPOCRISIAS...

Tenho poucas qualificações além de ser um observador da vida, dos seres humanos e cultivador de um gosto especial por projetar consequências futuras de fatores e atos do presente. Isto posto e, portanto, do alto da minha ignorância do que se passa nas alturas do poder, vou registrar minha tese sobre o imbróglio Bolso/Moro ou Moro/Bolso, como prefiram.

Desde os primeiros dias da era digitrônica, quando ela ainda engatinhava nos idos da década de 90, já mostrava seu potencial de interferir no modus operandi das relações humanas e dos humanos com as "entidades" da civilização em todos os níveis de atuação. Um dos exemplos disto é a profunda alteração na dinâmica política em função do "encurtamento dos tempos" que ocorreu nestes últimos 30 anos. Quando antes tudo demorava um tempo favorável à digestão dos acontecimentos, hoje o tempo que dura é apenas uma questão de quão larga é a banda de transmissão medida em gigabits por segundo. Sendo mais específico, a demora na circulação da comunicação, nos dava certa garantia de que a informação, antes de provocar reações, tinha grande probabilidade de ser ingerida, gerida e dela extraído um extrato menos venenoso, menos danoso, e mais fortalecedor de nossas próprias ideias e princípios.

Em nossa era digitrônica, o Ministro faz uma coletiva de imprensa em que antes mesmo de seu término já se espalham por todas as mídias interpretações, considerações e projeções tão díspares quanto os interesses de seus propagadores - cidadãos, políticos, empresários, jornalistas (principalmente), blogueiros, etc.

Somadas as falas, as contra-falas, as fofocas, as fake news e outros ingredientes midiáticos duvidosos, escusos, e tirados os noves, até aí o resto que sobra é sempre o mesmo: uma grande hipocrisia.

As questões relevantes, o que realmente compõe o arcabouço dos acontecimentos, as reais motivações de cada ator neste grande jogo de poder não-digital, sem heróis pré-configurados, sem armas totalmente conhecidas, sem regras de pontuação e sem saber o que determina o como e quando o jogo acaba, simplesmente não são postas à evidência do maior número de cidadãos. Seria contra-produtivo!

Quais então seria tais questões? Temos nós, incautos e manipulados cidadãos-eleitores, possibilidade de conhecê-las? Possível é, mas não é fácil. Por isso vou expor algumas observações para organizar meu pensamento e tentar ajudar meu leitor a fazer mesmo.

Desde muito certas coisas vindas de Moro me incomodam. Como acontece quando nos identificamos com o que faz/pensa alguém, somos psicologicamente induzidos a fingir que não relevamos coisas que... hum... "é melhor não pensar nisso". Lembra da divulgação da conversa entre Lula e Dilma sobre a nomeação para ministro da Casa Civil? Não ficou um cheirinho de merda no ar? E a omissão recente de Moro sobre a obstrução do direito de ir e vir cometidas em obediência a ordens de governadores e prefeitos? Outros "eventos" estranhos ocorreram, mas saí de minha cegueira voluntária depois da forma imoral que ele escolheu para marcar a comunicação de seu pedido de demissão. Enquanto ele cobrava do Presidente uma razão "técnica" para exonerar o Diretor Geral da PF, ao mesmo tempo ele não dava sua real razão para intencional e claramente criar uma crise política com graves consequências para o país. Qual sua intenção? Por que simplesmente não se concentrou em sintetizar os resultados de sua gestão, o que seria absolutamente justo, em lugar de fazer insinuações sobre pretensos interesses escusos de Bolsonaro? Para esse tipo de atitude, quando acontece conosco, classificamos o sujeito taxativamente como um tremendo mau-caráter.

O segundo aspecto importante a que devemos dedicar especiais reflexões é quanto ao grande, monumental feito realizado por Bolsonaro a partir de seu primeiro dia de governo: o desmonte do establishment (*), anglicanismo horroroso que Paulo Guedes gosta de usar. Chamo sua atenção para avaliar com extremo cuidado e à luz de princípios de uma democracia plena, a atuação de Ministros do STF que têm se arvorado iniciativas de completo ataque à Constituição, como, por exemplo, Celso de Melo interpelando Rodrigo Maia sobre as razões de não colocar em pauta os tantos pedidos de impechment que foram protocolados na Câmara. Respondi assim, em rede social, a comentário manifestando a retirada de apoio a JB: "Só a coragem destemperada de JB para revirar o status quo da política então vigente. Quem o acusa está esquecendo que há um jogo político de alta resistência que: 1) faz tudo o que pode para minar o poder de ação do governo federal; 2) fazem de tudo para se refestelarem com as verbas que deveriam estar a serviço do país; e 3) não estão nem aí para todos nós". E acrescentei um "lembrem-se":
Mas aqui vou deixar uma outra pergunta: como estaria sua integridade moral, psíquica, fisiológica, mental, se estivesse no lugar dele, passando pelas mesmas pressões?

Um terceiro aspecto tem a ver com o valor pessoal que Bolsonaro me parece ter como sendo o maior que preza: a família. Não sem razão, portanto, levou para o Planalto seus 4 filhos, sendo que 3 deles políticos eleitos, cada um em uma esfera, cada um com responsabilidades de atuação na estrutura do poder executivo federal. Proteger qualquer um deles é o que ele faz e é o que a maioria de nós faria. Pelo menos até onde os preceitos morais de cada um não fosse ferido de morte. Dito isto, me acompanhe com vagar, porque vou fazer uma suposição a partir do fato incontestável de que o inquérito sobre "rachadinhas" no Rio de Janeiro, cujo protagonista principal é Fabrício Queiroz, um amigo pessoal de Flávio e Jair Bolsonaro, não anda, não chega a nenhuma conclusão final. 

É do "conhecimento" popular desde áureos tempos que a maioria dos assessores nomeados por políticos de cargos eletivos ou não, destinam, em princípio, 30% de seus salários para o político que o nomeou. Arrisco-me a deduzir que esta prática é uma, ou talvez a principal razão para que os salários de servidores públicos sejam na média o dobro dos salários da iniciativa privada para as mesmas funções e qualificações. Isto é razoável supor porque, do contrário, ninguém toparia ganhar 30% menos no serviço público quando poderia ganhar os 100% na iniciativa privada!!! Esta seria, na minha hipótese, uma prática que ao longo do tempo foi ganhando ares de "normalidade", a ponto de que novos integrantes, mesmo que íntegros como madre Tereza, com o passar dos meses e ganhando um salário não condizente com sua "abnegação pelo povo", cheguem à conclusão de que os "mais antigos" têm toda razão em praticar a "rachadinha" como justo complemento de renda. Na minha hipótese, portanto, talvez o problema do papai seja que entre os integrantes do poder isto sempre tenha sido normal, até que alguém use tal "desvio moral" como pretexto para atacá-lo. Dar uma gorjeta para o guarda é prática normal até o dia em que você é publicamente exposto tendo praticado tal ato. Sacou? No caso em pauta, como defender agora tal prática em tempos passados? Supondo, obviamente, que nos dias atuais a prática tenha sido no mínimo suspensa temporariamente.

Antes de encerrar, deixo a opinião de que a democracia precisa ser reinventada para lidar com os desafios impostos pela era digitrônica. Em particular aquelas que, como a brasileira e a americana, têm mandatos de 4 anos, com eleições intercaladas a cada 2 anos, dinâmica que impede projetos de longo prazo e favorecem a constante disputa pelo poder, levando, inevitavelmente, a pedidos de impeachment, independente de quem seja eleito, de quanto apoio tenha o governante, de quais seus níveis de acerto etc. É impossível um país ter estabilidade para se desenvolver se não puder agir com objetivos e metas de longo prazo. É inconcebível que a quase 3 anos da próxima eleição presidencial, esteja hoje em pauta em todas as mídias a doisputa de 2022!!! É insano ter diversos governadores que, em plena pandemia, estão em flagrante campanha para Presidente da República!!! 

Noves fora a hipocrisia, portanto, sobra o restolho, o inevitável lixo do jogo político, jogo do qual só participamos como gândulas, apanhadores de bola-fora de jogadas mal executadas! Entendeu a ironia?


(*) Significa "todos os que compõem a elite no poder".