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domingo, dezembro 10, 2023

7 - EXTIRPANDO A DEMOCRACIA: Do “Laissez-faire” à Tirania

A ERA DIGITRÔNICA E A TIRANIA

 (Se preferir, ouça o áudio.)


 "Deixe-me dizer em que acredito:

no direito do homem de trabalhar como quiser,

de gastar o que ganha, de ser dono de suas propriedades

e de ter o Estado para lhe servir e não como seu dono.

Essa é a essência de um país livre,

 e dessas liberdades dependem todas as outras."

Margaret Thatcher[1]

 

Recordemos em síntese. Vimos que existem modelos diferentes e cada um adaptável ao gosto do opressor da ocasião. De todo modo, todos são variações sobre a relação entre opressores e oprimidos, poder e servidão, todos sistemas que fizeram parte da história da civilização humana. Por milênios, o tempo de transmissão da informação entre emissores e receptores,  foi longo o bastante para ser um escudo protetor das barbaridades cometidas pelos dominadores. Nos séculos recentes, este tempo veio sendo gradativamente reduzido, mas os governantes, mantendo o controle dos produtores e distribuidores de conteúdo, e podendo regular as empresas fornecedoras de acesso às tecnologias de transmissão, continuou protegido da massa desprezível, mas... necessária.


Eis que chegamos ao nosso mundo contemporâneo de posse de uma ferramenta que nos dá o poder de conhecer e questionar instantaneamente as intenções e ações dos ocupantes do poder.


Cito Yuval Noah Harari[2]: “O sistema democrático ainda está se esforçando por entender o que o atingiu, e está mal equipado para lidar com os choques seguintes, como o advento da inteligência artificial e a revolução da tecnologia de blockchain"[3].

O poder de ruptura da digitrônica é tão dramático para o status quo político, que o poder, sem saber como se defender, recorre à novilíngua[4], uma maneira para convencê-lo de que o que é, não é, e o que não é, é. Exemplos: censurar é ser democrático; cancelar e lacrar é ruim, mas é do bem se a boca que o faz é vermelha; opinião é “fake news” se não for do gosto dos governantes e dos “supremos”; liberdade de expressão, só para os militantes socinistas; passeata é tentativa de golpe; não comunista é neofascista, ponto, e deve ser “extirpado”; o pleito eletronicamente fraudado, é, para os “supremos”, o mais inviolável do mundo, totalmente imune a fraudes; cidadão que faz perguntas incômodas, é um “mané, não amola”; conluio entre militares, parlamentares, instituições civis, todos liderados por Supremos Ministros do STF, podem descondenar um ladrão e transformá-lo em Presidente, e isto ser proclamado como um ato em defesa do “Estado Democrático de Direito”, um eufemismo hipócrita para “Estado Autocrático de Opressão”.

Este é o “estado” em que nos encontramos. Se é exorcizante a capacidade de todos os cidadãos, independente de suas circunstâncias econômicas e culturais, ter sua voz, seu grito, sua revolta, sua opinião digitalmente ecoadas pelo mundo, isso também faz com que os que ouvem, os ocupantes do poder, se sintam ameaçados por tais manifestações, o que os estimula ainda mais a produzir instrumentos silenciadores, cerceadores da liberdade de expressão e de trabalho.

Por uma outra perspectiva, quando podemos nos manifestar contra intenções do Estado, imediatamente após serem reveladas, antes mesmo de serem debatidas e testadas, geramos uma consequência desastrosa: uma dificuldade em agir que tende a imobilizar o governo colocando o sistema democrático em constante situação de crise. Isto acontece porque para toda e qualquer ideia há sempre uma parcela da sociedade que será atingida negativamente se ela for implantada e, então, reage imediatamente em aguerrida oposição.

Tais realidades exacerbam a reação dos poderosos que não aceitam ter seus interesses contrariados, muito menos tão rapidamente, sem que nem mesmo tenham tempo de fazer as manipulações necessárias para “convencer” a sociedade.

Há mais a ser considerado. Se o pensamento socinista dominou a formação da geração que hoje tem entre 20 e 30 anos, também é fato que esta é a mesma geração que nasceu na Era Digitrônica. Enquanto nas salas de aula estes jovens foram submetidos a uma lavagem cerebral e convencidos a adotar dogmas ideológicos gramscianos[5], simultaneamente conviveu e convive tendo a possibilidade de acessar e conhecer outras formas de interpretar o mundo e a vida em sociedade. Mas quantos deles estão buscando um contraponto?

A toda ação corresponde uma reação6], só que em política, contrariando a física, esta é sempre de intensidade desproporcionalmente maior[, o que leva a uma sequência de reações a reações em crescente intensidade até que tudo colapsa, sempre deixando um rio de sangue e milhões de mortos que, no fim, não adicionarão nada à evolução civilizatória, ao contrário, fazendo-a retroceder alguns passos.

Sempre fui descrente quanto à democracia ser uma solução de sistema político. Como empreendedor que fui, o processo democrático de tomada de decisão vai até antes da tomada da decisão. Não conheço história longa de sucesso empresarial baseado em decisões colegiadas e pelo voto[7]. No âmbito da realização, do fazer acontecer, a responsabilidade da decisão é sempre de um só, exercida sob as experiências vividas, o sexto sentido, a intuição, a coragem, e sempre solitariamente no recanto de seus medos, convicções, angústias e esperanças. O que pude constatar no exercício de mais de 40 anos como dirigente empresarial, quem melhor decide é quem melhor está preparado para tal. Como o erro é inevitavelmente a posteriori, ao ser constatado, o mais qualificado para corrigi-lo é quem foi o responsável pela decisão original.

De certo modo, graças ao mecanismo da alternância de poder, a democracia como sistema político é a melhor maneira de desagradar muitos sem que se possa atribuir a quem quer que seja, a responsabilidade pelos desastres. E com a humanidade chegando aos 9 bilhões de indivíduos, caoticamente informados[8], torna-se impraticável obter-se um conjunto suficiente de indivíduos que estejam de acordo com uma dada solução para qualquer problema.

É neste contexto que vemos iniciativas que se aproveitam das novas tecnologias para estabelecer controle das massas através da padronização. As câmeras por todos os lugares, menos que nos dar “segurança”, nos obrigam a nos comportar de uma maneira padrão para não perdermos pontos[9] e/ou não sermos punidos com perda de direitos[10]. A Inteligência Artificial das Alexas, Siris, ChatGPT etc., não nos informa nada, elas impõem respostas dadas por um “algoritmo”, humano ou robótico, trazendo como fatos verdadeiros, deslavadas mentiras virtuais.

Nietzsche[11], o filósofo duro, como já o qualifiquei aqui, observou: É preciso pensar bem profundamente e defender-se de toda fraqueza sentimentalista. Eis que a própria vida é essencialmente apropriação, ofensa, sujeição daquilo que é estranho e mais fraco, opressão, dureza, imposição de formas próprias, incorporação e pelo menos, na melhor das hipóteses, exploração.

Tendo sido a fórmula que nos trouxe das cavernas para a civilização moderna, é razoável imaginar que a relação Poder e Servidão continuará para todo o sempre, composta, em minha particular visão, de 4 tipos fundamentais de humanas personalidades políticas: os Dominadores, que não se importam com o outro em nenhuma instância (financeira, moral, familiar, existencial...) e assumem o phoder; os Corruptos[12], que se associam a estes, não importa o que eles pensem ou façam, desde que possam usufruir de parte do butim; os Oprimidos, que se submetem voluntariamente porque não têm índole, ou interesse,  ou coragem em colocar em risco sua existência; e os Amortecedores, que servem de amenizadores da opressão exercida pelos Dominadores e Corruptos sobre os Oprimidos, conseguindo, como recompensa, manter suas conquistas, mas sempre se sentindo culpados em relação às circunstâncias dos Oprimidos e críticos às privilegiadas circunstâncias dos Dominadores e Corruptos. Hoje, Opressores, com a ajuda dos Corruptos, estão, xandrinamente, tentando extirpar a democracia da lista de opções de sistemas políticos. Enquanto isso, os Amortecedores se esforçam para se manterem vivos e, os Oprimidos..., bem, estes... “entregam pra Deus”.

Algumas conclusões de tudo que vimos nestas 7 postagens podem ser as que seguem.

1. O Universo é constituído de uma tal diversidade que não há dois elementos idênticos.

2. Não há solução para o Caos, pois isto seria substituí-lo pelo vazio.

3. Neste caos de circunstâncias diversas, toda pretensa maioria é frágil e suscetível de se desfazer ao longo do tempo.

4. Todo poder é concedido, portanto, é frágil, e para se manter é imperioso usar uma força opressiva.

5. A toda força se opõe uma força contrária - é a física que prova.

6. Toda oposição, inevitavelmente, vencerá em algum momento.

7. Todo sistema político está fadado, portanto, a ser substituído no decorrer da trajetória de desenvolvimento da civilização humana.

Nosso pêndulo das forças políticas está subindo em direção ao seu auge, a tirania. Só depois de conhecê-la em sua forma mais terrível, forma que já se apresenta no horizonte do oriente médio, ele inevitavelmente iniciará uma trajetória em sentido inverso. Mas será que a civilização sobreviverá a uma nova Era de terror e trevas? Quantos milhões, quiçá, bilhões, pagarão com a vida o desejo de poder de alguns milhares? Quão próximo estamos deste momento? Nossos filhos poderão integrar os mortos? Nossos netos? Bisnetos?

Mas a síntese da síntese, estou convencido, é a de que qualquer sistema político visa uma coisa só: uma minoria autoproclamada como a “elite”, a “crème de la crème” do saber, os ungidos, todos associados com e beneficiários de uma grande plutocracia[13], submetem a maioria de milhões de cidadãos a seus desejos e psicopatias[14]. A democracia é apenas um “me engana que eu gosto”. Quando criança, minha mãe, autocrática como todas, ignorando nossos inúteis pirracentos protestos, com a mão direita nos fazia engolir, “para o nosso bem”, uma colher de óleo de fígado de bacalhau[15] com um gosto que nos causava vômito. Mas como nos amava, na mão esquerda já tinha um copo de soda limonada para amenizar aquela horrível sensação.

É isso: a democracia é como uma soda limonada, ela ameniza a sensação de vômito que a tirania causa.

 

Com esta postagem, encerro a série “Extirpando a Democracia: do Laissez-faire à Tirania” e, como bônus, deixo algumas reflexões de três videntes pensadores.





Obrigado por sua atenção e não se avexe em comentar.

 

Até uma próxima postagem.

 

 


FRIEDRICH NIETZSCHE (1844-1900)

1 - Considerava a existência de duas morais: a dos nobres ou senhores e a dos escravos.

2 - Em “Vontade de Poder” [o que chamo de “processo revolucionário]:

·         Fato: os oprimidos, os rebaixados, toda a enorme massa de escravos e meio-escravos querem o poder.

·         Primeiro estágio: libertam-se, - soltam-se, de início imaginariamente, reconhecem-se entre, defendem-se.

·         Segundo estágio: entram em guerra, querem reconhecimento, direitos iguais, “justiça”.

·         Terceiro estágio: querem os privilégios (...).

·         Quarto estágio: querem sozinhos o poder e o obtêm.

3 - Nenhum filósofo duvidará de qual é o tipo de perfeição na política: o maquiavelismo.

4 - No fundo, todos juntos somos um gado e uma plebe que só têm olhos para si.

5 - O “tiranizar” diz respeito aos grandes homens: eles embrutecem os menores.

6 - O que é medíocre no homem típico? O fato (...) de combater as situações adversas como se fosse possível passar sem elas.

 

ALAIN TURAINE[16] (1925-2023) em “O que é a democracia”?

 

1 - (...) nos limitamos a definir a democracia como um conjunto de garantias para evitar a tomada ou manutenção no poder de uma minoria contra a vontade da maioria.

2 - Para ser democrática, a igualdade deve significar o direito de cada um escolher e governar sua própria existência.

3 -Toda tentativa para opor a política universalista aos atores sociais particularistas culmina na reivindicação de privilégios e direito de governar feita por uma elite de sábios desligados das preocupações dos trabalhadores comuns, ou na redução do cenário político ao choque de interesses particulares.

4 - Um governo nacional ou local que estivesse a serviço direto da opinião pública teria efeitos deploráveis.

5 - Quase por toda a parte, os grandes partidos populares de massa constituíram ameaças para a democracia, em vez de serem seus defensores.

6 - O preço da liberdade não pode ser a renuncia à identidade.

7 - Só é possível conhecer o interesse coletivo (ou da maioria) depois de se conhecer os interesses individuais (ou da minoria).

8 - As revoluções transformam movimentos democráticos em regimes antidemocráticos.

 

GEORGE ORWELL (1903-1950) em “1984”

 

1 - [No mundo do Grande Irmão] Nada pertencia ao indivíduo, com 2 - exceção de alguns centímetros cúbicos dentro do crânio.

2 - “Quem controla o passado” dizia o lema do Partido, “controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado”.

3 - As duas metas do Partido são conquistar toda a superfície da terra e extinguir de uma vez para sempre qualquer possibilidade de pensamento independente. Um deles é descobrir o que pensa outro ser humano, e o outro é matar várias centenas de milhões de pessoas em alguns segundos sem dar aviso prévio.

4 - Só há quatro modos de um grupo governante abandonar o poder. Ou é vencido de fora, ou governa tão ineficientemente que as massas são levadas à revolta, ou permite o aparecimento de um grupo médio forte e descontente, ou perde a confiança em si e a disposição de governar.

5 - O poder está em se despedaçar os cérebros humanos e tornar a juntá-los da forma que se bem entender.

6 - Se queres uma imagem do futuro, pensa numa bota pisando um rosto humano – para sempre.

7 - Nós [o Partido] criamos a natureza humana. Os homens são infinitamente maleáveis.

8 - [Diz a personagem Julia:] A gente quer que a coisa aconteça ao outro. Não se importa que sofra. Só nós temos importância [o militante, o ideologicamente abduzido].




[1] Margareth Hilda Thatcher, foi uma política britânica que exerceu o cargo de primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990 e líder da Oposição entre 1975 e 1979. Foi a primeira-ministra com o maior período no cargo durante o século XX e a primeira mulher a ocupá-lo.

[2] Yuval Noah Harari (1976-...), professor israelense de História e autor do best-seller internacional Sapiens: Uma breve história da humanidade.

[3] Blockchain: tecnologia que possibilita a existência de moedas criptografadas.

[4] Novilíngua, conceito enunciada por George Orwell em 1948.

[5] Antonio Sebastiano Francesco Gramsci (1891-1937), foi um filósofo marxista, escritor, teórico político e co-fundador e secretário geral do Partido Comunista Italiano. Na prisão onde ficou por cerca de 8 anos, escreveu Cartas do Cárcere, obra hoje fundamental para o pensamento e ações da extrema esquerda.

[6] O enunciado da Terceira Lei de Newton (Princípio da Ação e Reação) é descrito da seguinte forma: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos.”

[7] Sobre Democracia Participativa: Conheço casos de tentativa de democracia como base de decisão empresarial, e que não deu em nada ou deu em empresa falida, Eu mesmo me envolvi pessoalmente em uma experiência sobre Participação nos Lucros, no início dos anos 1990.

[8] O supremacista Alexandre de Moraes, defende, em proveito próprio, que suas ações censoras visam combater a “desinformação”, conceito que só encontra sentido na mente de um tirano, pois “desinformado” é o indivíduo que “não tem informação”.

[9] A China tem um sistema de crédito social. Para saber mais, acesse: https://www.poder360.com.br/internacional/entenda-o-sistema-de-credito-social-planejado-pela-china/

[10] Punição: O STF no Brasil parece estar na liderança deste tipo de método corretivo.

[11] Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo prussiano, autor de “Vontade de Poder”, “Assim falou Zaratustra”, “Além do bem e do mal”, e “Humano, demasiado humano”.

[12] Incluo entre os Corruptos, grande parte do funcionalismo público, sempre bajulador e braço executivo do poder da ocasião, independente de sua ideologia. São verdadeiros camaleões políticos e, neste sentido, tal como os Amortecedores, mas em sentido inverso, buscam a manutenção de seus privilégios.

[13] Plutocracia (ploutos: riqueza; kratos: poder) seria, em tese, um sistema político governado por um grupo de pessoas que detém o poder econômico.

[14] Para saber sobre controle das massas, acesse este link: https://villadobem.com.br/manipulacao_massa/

[15] Os mais velhos sabem o que era o tal do óleo de fígado de bacalhau. Os mais novos, não devem procurar saber.

[16]Alain Touraine (1925-2023), sociólogo francês, conhecido por sua obra dedicada à sociologia do trabalho e dos movimentos sociais.






sábado, agosto 21, 2021

SIM, E DAÍ?

 Eu, cidadão brasileiro, tenho um blog onde publico textos expondo minha opinião sobre diversos assuntos, principalmente sobre política. Você leu e não gostou do que eu disse. SIM, E DAÍ?

Alguém que leu, que não concordou com minhas opiniões, que distorce o que eu disse, pois não está muito interessado em entender meu ponto-de-vista, posta um comentário grosseiro, usando palavras chulas me criticando, me atacando. SIM, E DAÍ? 

O “supremo ungido” que apoiava urnas auditáveis há pouco tempo atrás, mudou de opinião e agora, em flagrante desrespeito ao que prescreve a Constituição, se reúne na madrugada com líderes de 11 partidos e os “convence” a tomarem uma atitude para evitar que uma proposta que viabilizaria a auditagem da totalização dos votos fosse aprovada na Comissão de Constituição e Justiça. SIM, E DAÍ? 

O “supremo ungido”, o “muralha”[1], decreta a prisão de jornalista sem apresentar NENHUMA acusação, em total desrespeito ao que prescrevem as normas dos processos civil e penal. SIM, E DAÍ? 

O mesmo “supremo” invade a autonomia do poder legislativo ao decretar a prisão de um deputado no exercício do mandato detentor de imunidade parlamentar, novamente sem apontar o crime por ele cometido, apenas citando uma vaga acusação de “ataques aos magistrados do tribunal”. SIM, E DAÍ?

Um ministro do TSE, considerada a mais inútil das cortes, “determina o bloqueio do dinheiro pago pelas redes sociais a canais, páginas e sites bolsonaristas por propagarem, na sua autoritária opinião, “fake news”, mas que verdadeiramente são “inconvenient news”[2]. SIM, E DAÍ?

Respaldados nos “supremos ungidos”, qualquer juiz pelo país afora está livre para perseguir cidadãos decretando busca e apreensão, quando não a prisão, desde que sejam desafetos seus ou de seus “amigos” e “cumpanheiros”. O próximo talvez seja... você. Ou eu. SIM, E DAÍ?

Sinadores[3] de uma CPI, mais conhecida por ser um verdadeiro circo dos horrores, não investiga os desvios de verba de governadores, enquanto cria um ato de corrupção supostamente cometido no governo em uma compra de medicamentos que não houve. SIM, E DAÍ?

Um sinador fica apenas rosado – porque vermelho já está -, ao tentar induzir a raríssima audiência da CPI de que é crime indicar um medicamento “sem eficácia comprovada”. SIM, E DAÍ?

Os Ministros da “Suprema Corte”, cuja existência se deve unicamente à função de defender a Constituição, a ignoram descaradamente, em especial os artigos 1º [4], 3º, 4º, 5º (com 58 itens), 15º, 19º, 34º, 52º, 53º, 54º, 55º, 84º, 102º, 136º e 142º. SIM, E DAÍ?

A OAB, no passado uma entidade que cumpria o papel de defensora dos direitos do cidadão e de proteger-nos contra eventuais abusos do Estado, hoje é um dos braços de um partido político que assaltou o país por 16 anos. SIM, E DAÍ?

A grande imprensa brasileira, que já abrigou veículos que, no passado, estiveram ao lado da luta contra o comunismo e por uma democracia de fato, está, hoje, carente do dinheiro público, agindo como falsificadora de fatos em uma derradeira tentativa de controlar a opinião pública com a intenção de voltarem a mamar nas tetas do Estado. SIM, E DAÍ?

Grandes empresas – lideradas por empresários CoCo (Comunistas de Coração) - afastadas do convívio espúrio, nefasto, criminoso, vivendo à sombra de um Estado protetor de cartéis, monopólios e oligopólios, se postam contra um governo liberal, capitalista, descentralizador, desestatizador, porque querem a volta do antigo “status quo”. SIM, E DAÍ?

Integrantes da Polícia Federal, que no auge da Lava-Jato, foram abordados pela minha mulher em um restaurante, que os exaltou publicamente e em voz alta pelo trabalho que vinham executando na prisão de CORRUPTOS de todos os kilates[5], hoje são serviçais de uma cadeia de phoder que se instalou em todos os níveis da hierarquia do Estado brasileiro[6]. SIM, E DAÍ?

Os “supremos” de todos os escalões e phoderes, estão se sentindo livres para arbitrar o que bem entendem. A começar pela nossa liberdade de agir, opinar, se expressar, viver à nossa independente maneira. SIM, E DAÍ?

Eu poderia continuar aqui por páginas e páginas. Mas você já entendeu o que estamos vivendo. No cume do phoder, todos se locupletam. Todos têm rabo preso com alguém. A coisa vai bem enquanto não aparece um Bob Jeff ou um Jair Bolsonaro[7]. Chamo sua atenção para entender que toda a informação a que você tem acesso não tem nenhuma relação com a realidade do que está acontecendo no último andar do phoder. Tudo o que lhe chega é apenas para distraí-lo. Confundi-lo. Enganá-lo. SIM, E DAÍ?

Há um fato real que já mencionei em texto anterior, mas que sinto ser necessário repetir. Quando “Daniel”[8] disse que “vamos tomar o poder e isso não significa ganhar eleição”, a inocência de todos nós achou que era uma ameaça futura, quando, na verdade, de fato, ele estava escamoteando a realidade de que já tomaram o poder faz tempo através do aparelhamento ideológico em todos os órgãos e entidades na hierarquia do Estado. SIM, E DAÍ?

O brasileiro de bem ficou sem instância “superior”. O Estado brasileiro foi dominado pela ideologia do PTdoG, muito bem e facilmente absorvida pelos que se sentem mais confortáveis na servidão da garantia da estabilidade do emprego. Nós crédulos, os inocentes fiéis aos princípios democráticos, os que têm que “ralar” para lhes sustentar com 5 meses de nosso trabalho e renda, não temos a quem e ao quê recorrer. SIM, E DAÍ?

Olhando em retrospecto, para os fatos históricos, para as pretensas “revoluções proletárias”, constatamos um fracasso monumental de tais proposições. Eu, você, nós vemos essa realidade incontestável. SIM, E DAÍ?

DAÍ é que sempre tem pato novo! A história não existe para os que chegam a cada parto. Só nos resta lutar por eles, pois “eles não sabem o que fazem”. Ou acreditamos em nossos valores e vamos às ruas, ou nos conformamos com deixar para nossos descendentes as consequências de nossa omissão.

Temos um compromisso no dia 7 de setembro de 2021.

Pela Pátria Livre!


[1] Como foi rotulado pela revista VEJA.

[2] Para entender esta referência leia o meu texto “Inconvenient News”.

[3] Não é erro de ortografia.

[4] A República Federativa do Brasil (...) tem como fundamentos: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da iniciativa privada e o pluralismo político. Parágrafo Único: Todo poder emana do povo (...). Neste link você tem acesso à íntegra da Constituição.

[5] Kilates servem para definir a pureza do ouro. Uso aqui, portanto, para definir a “qualidade” dos corruptos.

[6] Agora podemos entender a reação dos “supremacistas” ao direito do Presidente nomear um diretor da PF que não lhes seria subserviente.

[7] Curiosa coincidência: BJ e JB!

[8] Daniel, codinome de José Dirceu quando participante da guerrilha.





domingo, abril 16, 2017

EXPLICAÇÕES PARA O INEXPLICÁVEL

A maioria de nossos políticos tem aparecido nos noticiários como venais, corruptos e ladrões, mas todos, em uníssono, proclamam um princípio jurídico básico na ordem social: "somos todos inocentes até que o Ministério Público prove o contrário e o STF, por incapacidade estrutural (é o alegado por  seus ministros do Supremo), nos livrem de qualquer penalidade por decurso de prazo, permitindo que nos reelejamos e continuemos protegidos pelo foro privilegiado".

Três anos de operação Lava-Jato, dezenas de delações premiadas, centenas de políticos listados como beneficiários de caixa 2, mas todos, incrivelmente todos, se proclamam inocentes e alvos de empresários e executivos de grandes construtoras que, em conluio sabe-se lá como construído, combinaram contar à justiça uma mentirosa história fantasticamente coerente, com o único intuito de vingança por eles terem sido tão honestos e santos homens e mulheres no cumprimento de seus mandatos eletivos.


As provas existem (vídeos, áudios, comprovantes de depósito e remessa de valores para o exterior, percurso do dinheiro entre a conta bancária das empresas e o destino "off shore" etc.) e virão a público no correr dos processos. 

Só algumas coisas permanecem exigindo explicações para fatos inexplicáveis.

Em tese só pode existir pagamento em caixa 2 se existir recebimento em caixa 2. Uma empresa para pagar sem comprovante tem que receber sem emissão de nota fiscal. Se fossem quantias pequenas, sempre se dá um jeito com notas de gasolina, restaurante, passagens etc. Para quantias maiores, no passado, a solução era via notas frias, mas hoje, com os cruzamentos de informação, não dá mais. Mesmo se ainda fosse possível, não daria para resolver bilhões de reais. Então, como valores da monta que estamos sendo informados saíram da contabilidade das construtoras? Em que rubrica do plano de contas elas foram lançadas? Investimento para retorno futuro? Ou, na outra ponta, como estes bilhões entraram no ativo das mesmas? Antecipação de receitas para cobrir despesas futuras?

Balanços de construtoras e fundos de pensão de estatais (ficando só nestes dois) não são auditados por ninguém? Será que os programas da Receita Federal possuem um desvio para um salto na rotina de confronto de informações quando a empresa em pauta está inclusa em alguma tabela "empresas privilegiadas"?

Como bilhões de reais, repito, BILHÕES de reais, transitaram em bits pelos céus do Brasil e durante décadas a Receita Federal, com todo o seu sofisticado sistema que questiona depósitos acima de R$ 1.000,00 mas, incrivelmente, tenha tido um comportamento tão "ninguém sabe, ninguém viu" em relação às propinas pagas à nossa oligarquia dominante?

A Receita Federal tem, na minha percepção, se feito de surda e muda quanto a tudo que ecoa pelas ondas sonoras em todas as frequências. A participação da Receita Federal na força-tarefa da Lava Jato, pelo menos nas coletivas à mídia, tem sido pífia. A impressão que tenho é que seus representantes nesses eventos estão metidos numa tremenda saia justa, torcendo para que nenhum jornalista faça uma pergunta constrangedora, e doidos para se verem fora dali. Ou não é nada disso e eu é que estou vendo fantasmas.

De qualquer forma, vou continuar aguardando explicações para o que até aqui é absolutamente inexplicável.



domingo, novembro 13, 2016

COMENTÁRIOS DA SEMANA - 13 A 19/11/16


17 - CÂMARA E SENADO

Estão arquitetando uma anistia geral para os mal-feitos em caixa dois e propinas. Está na hora de irmos para as ruas dar o recado de que, se tentarem, o risco é grande de o caldo entornar.


SEM PERDÃO PARA OS CORRUPTOS. 

E FORO PRIVILEGIADO APENAS PARA ATOS DO EXERCÍCIO DO MANDATO.


15 - DILMA, FARC, BREXIT, TRUMP

Na ressaca pós vitória de Trump, me fixo em dois fatos que se conectam nos 4 eventos citados no título: a afirmação, pela mídia, de que os institutos de pesquisas erraram e a margem de vitória.

Quanto às pesquisas, sinto muito, mas não erraram. A margem de erro é que pendeu para o "lado errado" ou lado não desejado pela mídia e especialistas de todas as vertentes.

Quanto à margem de vitória, apertada em todos os casos, esta sim me incomoda. Nos 4 casos, uma minoria de cidadãos foi responsável por uma decisão de grave importância para o futuro de curto e médio prazos de suas nações, o que, em última instância, significa afetar seus próprios destinos individuais. Se levarmos em conta os altos índices de abstenção, temos um fato que incomoda bastante a democracia (em tese, o regime da maioria): a responsabilidade da decisão foi da minoria!!!

O que pode estar por trás dessas rupturas? Lembrando que Dilma foi eleita e deposta (uma ruptura com as ideias petistas). Esta democracia conduzida pela visão de curtíssimo prazo do homem-eleitor comum tende a nos levar para onde?

A inovação tecnológica e a rapidez em que estas nos são impostas está aumentando o fosso entre as populações das metrópoles e as demais?  Em que medida a globalização está sendo questionada e ameaçada? A perda dos empregos, em alguns países, a queda dos salários dos não-formados em outros, justificam esta tendência ao protecionismo e, consequentemente, ao agravamento de manifestações nacionalistas e xenófobas? O desenvolvimentismo, visto até aqui pelos economistas como única saída para a humanidade, se sustenta?

De volta às cavernas, ou à barbárie da sobrevivência do mais forte, ou há uma alternativa ainda não formulada?


Resultados do voto popular:

BRASIL: ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE (out/2014) - 51,64% x 48,46% (Aécio) - Diferença: 3,5 milhões de votos - Abstenção: 19%


GRÃ BRETANHA: BREXIT (jun/2016) - 51,9% (sim para saída da UE) x 48,1% (permanência) - Diferença: 1,8 milhão de votos - Abstenção: 28%

COLÔMBIA: FARC (out/2016) - 50,2% (não ao acordo) x 49,8% (sim) - Diferença: 60 mil votos - Abstenção: 62,6%

ESTADOS UNIDOS: ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE (nov/2016) (*) - 47,2% (Trump) x 47,9% (Hillary) - Diferença: 900 mil votos - Abstenção: Não encontrei dado correto, mas historicamente é perto de 50%

(*) Fonte: CNN - A vitória de Trump se deu no colégio eleitoral com 306 delegados a seu favor.

13 - RADICAIS

O problema dos radicais é que eles estão, por definição, sempre errados. Radicalismos só têm utilidade como tentativa de ruptura, de colapso, de morte do conhecido e nascimento do incógnito. O radical não tem proposta de solução. Seu horizonte de percepção não existe porque sua cegueira é congênita.

Isto me vem quando ouço sobre invasões de escolas (incentivadas, alimentadas e coordenadas por psicopatas desalojados de posições nas instâncias de poder estatal) a pretexto dos alunos serem contra a proposta - superficial, diga-se - de flexibilização do ensino médio.

Todos os alunos de uma escolha são contra? E só de algumas escolas que o grupelho, no caso, de esquerdistas, conseguiu se infiltrar? Quer dizer que os alunos, pretensamente contra, preferem ser obrigados a adquirir conhecimentos que jamais irão fazer uso, ao invés de terem a liberdade de investir mais no que suas genéticas e escolhas desejam? Eles são contra a flexibilização no exato momento em que as formas de transmissão do saber estão sendo avassaladoramente questionadas pelas novas tecnologias de acesso à informação? Ou apenas estão tão famintos de debate de ideias e de alimento que estão aceitando receber sanduíche de mortadela como recompensa pela servidão a que se sujeitam de serem massa de manobra para quem não quer ver vingar ideias alheias?