COMO A IGNORÂNCIA DOMINOU O MUNDO MODERNO
O texto de hoje é uma edição com muitos cortes de um
original publicado com este título e subtítulo acima, no Youtube, no canal “Despertar
Filosófico”. Procurei o nome do autor, mas não encontrei. Se alguém souber, me
diga.
É mais uma seleção das ideias do autor do que uma edição, síntese, resumo ou extrato de um artigo. Faço algumas poucas pontuais observações (que estão sempre entre
colchetes e em negrito). A maioria não chega nem a ser um comentário, mas
apontam para a divergência básica com o autor, pois ele ele trata o tema com
uma perspectiva saudosista, sempre apontando para uma deterioração de valores
civilizacionais do passado que estão sendo ou já foram destruídos (na edição
retirei estas comparações e, portanto, este aspecto só é percebido claramente na leitura completa do original).
Usando o recurso do word para
transcrever o áudio, obtive 7 páginas de texto sem parágrafos, que, depois desta edição, incluindo parágrafos, ficou com apenas duas páginas. A diferença, portanto, é grande. Reproduzo apenas os pontos que me pareceram mais relevantes no intuito de provocar a reflexão dos leitores. Independente
de minhas pontuais divergências, o conteúdo é excelente e dá uma síntese desta Era Digitrônica em que estamos mergulhados sob a ótica de uma contemporânea de uma sociedade sob o domínio da estupidez. O link do vídeo é este: https://www.youtube.com/watch?v=6cOVtzYdbEI
Bom proveito!
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“A humanidade atravessa um paradoxo sem precedentes: nunca fomos
tão profundamente estúpidos, fizemos uma escolha deliberada pela ignorância.
Nietzsche alertou que o homem prefere querer o nada a não
querer, A sociedade contemporânea cultiva a estupidez, a celebra e a transforma
em modelo de sucesso. O idiota deixou de ser uma anomalia social para se tornar
o padrão aspiracional.
[Quando escolho ser ignorante, exalto o ignorante para me
sentir exaltado. Simples assim, e nada de errado sob a luz do autocentrismo.]
A revolução não veio dos oprimidos contra opressores, mas
dos ignorantes contra o próprio conhecimento. A profundidade foi substituída
pela performance [produtividade], o pensamento pela reação e a verdade
pela conveniência emocional. A estupidez não apenas perdeu seu estigma social,
ela conquistou legitimidade, poder e admiração. O idiota moderno protagoniza,
opina, dirige e comanda.
A antiga hierarquia do conhecimento colapsou, a ignorância
se tornou virtude, o especialista que dedicou décadas ao estudo é colocado no
mesmo patamar do amador. A mediocridade virou marca de identificação com as
massas. Carregar sabedoria é uma forma de traição à comunidade do simplório. Assistimos
à ascensão de uma nova aristocracia, a da estupidez ostensiva.
Ver alguém tão limitado quanto si mesmo ocupando posições de
destaque oferece uma validação psicológica irresistível. Seguir o idiota exige apenas concordar com o
que já se sente. O sistema foi redesenhado [por um questão econômica de indivíduos
e entidades autocentrados em seus interesses] para produzir exatamente o tipo
de indivíduo que vemos proliferar superficialmente o suficiente para ser
manipulável e confiante.
A revolução dos idiotas começou quando ..... [Não existe
revolução e de qualquer fora não tem nada de novo, só existe adaptação dos
interesses as novas circunstâncias!]. Ela [apenas] consome e
regurgita em ciclos cada vez mais rápidos e rasos. Hoje só damos ouvidos aos
pensamentos que vêm com berros e impacto imediato. A sutileza morreu junto com
a paciência necessária para compreendê-la. Hoje, uma opinião deve ser formada
em segundos e defendida com ferocidade tribal, independentemente de sua
fundamentação. É verdadeiro porque
ressoa emocionalmente, porque confirma preconceitos existentes, porque oferece
conforto psicológico. [Nenhuma novidade!]
Eu sinto, logo essa [sua] verdade é sentida e é
tratado como agressão pessoal. O debate racional tornou-se impossível não
porque as pessoas discordam, mas porque discordar exigiria primeiro compreender
a posição do outro. A realidade que insiste em ser complexa e multifacetada é
violentamente espremida. A repetição cria a ilusão de compreensão. Se algo foi
dito, muitas vezes, passa a parecer verdadeiro.
Quando a emoção passa e os resultados desastrosos aparecem,
a resposta não é refletir sobre o processo que levou ao erro. É um ciclo
vicioso de estupidez emocional, onde cada erro apenas fortalece o mecanismo que
o produziu. Na distração perpétua, apenas o superficial sobrevive. O Império da
superficialidade não foi construído por decreto, mas por sedução.
A embalagem substituiu o conteúdo. A preocupação é parecer
valioso. A verdade tornou-se irrelevante. Fatos inconvenientes são descartados
se não se encaixam na história que queremos contar. Não há mais uma realidade
compartilhada sobre a qual possamos dialogar. [Exatamente porque ficou
exposto que a verdade não existe, ela sempre
é uma narrativa única e própria de cada indivíduo.]
Visibilidade pode ser manufaturada, gerenciada, monetizada. [Nada
é novo, tudo é apenas um velho potencializado.]
A estupidez é empacotada como entretenimento. Reality shows
que celebram o comportamento degradante.... tudo isso não é acidente, é design
intencional. Há mais dinheiro na exploração da estupidez do que na elevação da
inteligência. [Pra quê ser inteligente se temos a IA?}
Para existir socialmente, é preciso estar constantemente
produzindo conteúdo, emitindo opiniões, mantendo presença. Nos expomos
simplesmente para sermos vistos [e para sermos exaltados e aceitos. Enfim chegou
a hora dos medíocres. “Agora é nóis!”].
Quando as instituições tradicionais colapsam, novas surgem
para preencher o vácuo. A religião contemporânea tem telas digitais. O
influenciador moderno lidera por capacidade de gerar identificação emocional.
Sua autoridade vem de quantos o seguem. O que importa é a sensação de conexão, ter
a ilusão de intimidade com alguém. As pessoas querem ser validadas e
entretidas.
A adoração dos vazios não é fenômeno novo, mas sua escala é
sem precedentes. Um único idiota com acesso à tecnologia certa pode infectar
milhões de mentes em questão de horas. A promessa de pertencimento é a risca
fundamental numa sociedade atomizada. Questionar o influenciador é trair a
comunidade. Apontar inconsistências em seu discurso é heresia. A relação deixou
de ser racional e tornou-se emocional e tribal. [Ela sempre foi tribal.] Santos
e seus demônios, todos determinados pelo capricho emocional da massa. A fama
substituiu a santidade. A obscuridade é o inferno. As massas são seduzidas por
mecanismos que exploram vulnerabilidades psicológicas profundas, necessidade de
pertencimento, medo de exclusão, desejo de validação.
O sistema educacional existe para formatar mentes segundo as
necessidades do aparato produtivo e político. [Nenhuma novidade!] Eu, o
estado, sou o povo. Cada geração emerge das escolas mais preparada para
obedecer, tecnicamente treinados, mas intelectualmente castrados. O sistema não quer cidadãos livres, quer
funcionários previsíveis.
Aprendemos rapidamente qual comportamento produz
recompensas.[E qual a novidade nisso?]
Os verdadeiramente inteligentes recuaram não por covardia ou
indiferença, mas por cálculo racional de suas opções num mundo onde
inteligência tornou-se passivo, não ativo. Descobriram que argumentar com
ignorância é exercício fútil.
No Império dos idiotas, a verdade não triunfa, ela é
simplesmente descartada como inconveniente. O silêncio dos sábios é preservação
de energia para batalhas que possam ser vencidas e interlocutores que ainda são
capazes de raciocínio.
A sabedoria é rotulada como arrogância, porque a arrogância
é crime social mais facilmente identificável e punível que estupidez. O idiota
não consegue desafiar argumentos do sábio, então ataca seu caráter e mobiliza
ressentimento.
O silêncio tornou-se último refúgio da lucidez. A emoção
grita por abandono da razão. Os inteligentes não abandonaram o mundo,
apenas reconheceram que o mundo os abandonou primeiro, e esse silêncio
estratégico talvez esteja a única Esperança. Que quando a civilização da
estupidez inevitavelmente colapsar ainda haverá mentes preservadas capazes de
reconstruir algo melhor antes de nos despedirmos. [Melhor pra quem?].”

