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quarta-feira, fevereiro 07, 2024

PHODERCOPATIA

 

“Toda unanimidade não é burra, mas fruto de alguma esperteza,

de algum ardil, de alguma combinação de interesses poderosos.”

Mario Rosa, jornalista, ao opinar sobre o livro “Consenso Inc.”

 

O tema “conspiração” é a bola da vez sobre o veludo vermelho da mesa de sinuca onde phoderosos se revezam em tacadas que vão desde o espirro de taco a magistrais encaçapadas na disputa da partida final para definir quem vai levar o bolo arrecadado em apostas, perdão, impostos.

Como espectadores ignorantes das regras do jogo ou apenas estupefatos pelas habilidades demonstradas pelos jogadores, nos dividimos entre momentos de “Oooohhh!!!” – para jogadas que resultam em desastre – e “Gritinhos de bravo!!!” – para tacadas de inimaginável precisão. Mas como Ronnie O’Sullivan é tanto capaz de acertar a bola considerada impossível quanto errar a bola dada como morta, só nos resta atribuir os resultados das partidas a uma real conspiração dos astros. Dos astros da política por trás dos torneios.

Paula Schimitt é uma jornalista forjada no campo de batalha e não no ar-condicionado das redações militantes - é a única jornalista brasileira a entrevistar dois extremos da longa guerra no Oriente Médio: o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e o ex-diretor do Mossad Shabtai Shavit.

Ela é, atualmente, a bola da vez no jogo da informação que tem um de dois objetivos dependendo do jogador jornalista: informar para abrir nossos olhos e captar as intenções ou criar narrativas para embaralhar neuroticamente nossas mentes. Ganha quem chegar primeiro e bater na mesa política gritando: “Game over!!!”.

Acabei de ler, de sua autoria, “Consenso Inc. - O Monopólio da Verdade e a Indústria da Obediência”. É uma coletânea de artigos seus publicados em jornais como “Folha” e “Estadão” e em canais digitais como o “Poder 360”. Sua escrita é fluída, discorrendo sobre fatos[1] e pontuada por confissões de suas fraquezas e tiradas de humor sarcástico. Absolutamente imperdível para  quem tem um mínimo de interesse em se aprimorar na defesa de sua sanidade e na busca por alicerces de conhecimento que o coloquem em uma outra direção que não a da manipulada manada.

Considero tão fundamental a leitura de “Consenso Inc.” que não vou publicar o “extrato” como sempre faço. Você tem que ler o livro todo! E vai ser de um vezada só. Aposto.

Vou só deixar alguns “spoilers” para dar uma ideia do tanto que é exposto de safadeza e hipocrisia criminosa, tudo, evidentemente, fruto azedo da phodercopatia[2] – o poder quando exercido por mentes psicopatas. São frases pinçadas e agrupadas em temas.

JORNALISMO e IMPRENSA

Com o tempo, fomos todos muito bem informados do tipo de notícias que deveríamos cobrir. (...) vídeos com testemunhas “oculares” de ovnis e com pessoas que tinham críticas a Angela Merkel. (...) tínhamos que voltar à redação com críticas suficientemente negativas à chanceler alemã. O assunto da matéria era irrelevante, todos nós fomos orientados a guiar o entrevistado e obter a resposta que desejávamos como o chefe sênior, explicou.

Upon Sinclair, escritor norte-americano: “É difícil fazer um homem entender algo quando o seu salário exige que ele não entenda”.

FARMACÊUTICAS e VACINA

Madeleine Laszko: “se Donald Trump disser que eu deveria tomar a vacina, eu não vou tomar”.

Existem pessoas que preferem fazer mal a si mesmas do que concordar com o oponente.

A pandemia revelou algo mais pavoroso do que qualquer governo tirânico: um povo que obedece mais do que o tirano exige.

Em vídeo publicado pelo Project Veritas funcionários da Pfizer admitem privadamente que são contra a vacinação de adolescentes porque a imunidade natural funciona melhor do que a da vacina.

Hoje, imunidade das vacinas significa que os fabricantes estão imunes a processos legais por danos, doenças e mortes.

Tem um pedido oficial para revelação dos documentos da Pfizer sobre os estudos de segurança da sua vacina em poder do FDA. O órgão alegou que precisaria de 75 anos para cumprir esse pedido.

[No mercado das fármacos] “a cura faz mal para os negócios”, como cunhou Tae Kim, autor de uma reportagem sobre elas.

Documentos mostram que funcionários da Bayer optaram por vender o plasma contaminado [pelo HIV] a fim de se livrar “de grandes estoques de um produto que se tornava cada vez menos vendável nos Estados Unidos e na Europa”.

Um recorde da vergonha no Guinness é da Pfizer, que pagou a bagatela de 2,3 bilhões de dólares em 2009 por “marketing fraudulento”, segundo o site do departamento de justiça dos Estados Unidos.

Depois de fazer muito dinheiro com o analgésico MS contin, estava chegando a hora de a Pordue Pharma perder a patente do seu campeão de vendas. A empresa então fez o que muitos laboratórios fazem (...) inventa uma suposta “melhora” no produto.

CENSURA

A história nos mostra que a censura nunca foi implementada para coibir mentiras. Ao contrário, o alvo da censura foi sempre a verdade.

Para os donos do mundo (...) toda mentira a favor do rei é bem-vinda, e toda a verdade contra ele deve ser banida.

Que tipo de vácuo mental acomete uma pessoa que defende a ausência de debate?

OBSOLESCÊNCIA

Existe uma lâmpada que está acesa há mais de 115 anos, raramente desligada. (...) Uma das principais decisões do cartel de energia foi impor um limite para a durabilidade da lâmpada incandescente. [Este é] um dos primeiros exemplos do que hoje se conhece como obsolescência programada.

EUGENIA

Para Edwin Black, o conceito de uma raça nórdica branca loira de olhos azuis não se originou com Hitler, mas na Califórnia, o epicentro do movimento eugenista norte-americano. 

IDEOLOGIA e AFINS

A ideologia é uma desculpa mais nobre do que o mero interesse financeiro.

As contradições da ideologia identitária são tantas e tão absurdas que elas seriam risíveis - se não fossem tão nefastas.

É fácil controlar populações inteiras com apenas uns poucos soldados, bem como acontece num formigueiro. Vejamos estes itens:

·        1% das pessoas controlam o mundo.

·        4% das pessoas se vendem para os controladores.

·        5% das pessoas estão despertas e sabem o que está acontecendo.

·        90% das pessoas estão dormindo.

·        1% paga os 4% para não deixar que os 5% despertem os 90%.

SCIÊNSIA

Os cientistas devem escolher estudos e experimentos que validem o que querem validar e ignorar aqueles que os contradizem. Com essa seletividade pré-determinada, qualquer resultado é possível, inclusive o resultado falso.

[Desfazendo crenças:]

  • A de que revistas científicas só tem a ciência e o bem da humanidade como motivação. Que jamais trabalham para favorecer governos, empresas, financiadores e amigos.
  • A de que governos são formados por pessoas superiores de impecável retitude moral e que esses humanos quando em agências reguladoras ou com poder decisório e legislativo jamais trabalhariam em favor de financiadores de campanha, parceiros de mercados.
  • A de que cientistas, médicos e jornalistas são imunes ao poder financeiro e trabalham desinteressadamente pela verdade.

CONTROLE SOCIAL

O Holocausto foi possível porque seres humanos optaram por renunciar à sua consciência e terceirizar suas decisões morais.

Karl Rove, assessor de George W. Bush: nós somos um Império agora, e quando nós agimos, nós criamos a nossa própria realidade e enquanto você estuda essa realidade criteriosamente, nós vamos agir novamente, criando outras novas realidades.

Se houve manipulação no passado, não há razão para duvidar que ela esteja acontecendo no presente.

George Orwel em seu "1984": 


Quem controla o passado controla o futuro. 

Quem controla o presente, controla o passado.

 




[1] TODAS as notas de rodapé, um total de 284!!!!, são compostas exclusivamente de links para conteúdos das fontes que ela cita.

[2] A proposição do termo e seu significado é minha.


domingo, agosto 15, 2021

REFLEXÕES: ESTRATÉGIAS E TÁTICAS DO PTdoG

Antonio Gramsci, o finado presidiário-psicopata italiano, é tratado pelos socinistas como um padrasto dos filhos de Marx. Como sabemos, padrasto não é clone de pai, ele apenas toma o lugar daquele, mas com ideias próprias sobre como “educar” seus não-filhos, seus apenas enteados. De herança, ele assume apenas os objetivos, quais sejam os de “formar” adultos à sua imagem e semelhança. Entretanto, o conteúdo do que é transmitido é, no máximo, inspirado nas ideias do verdadeiro pai, mas os métodos são outros. Este é o caso das instruções deixadas por Gramsci.

O PT, como outros partidos e movimentos em outros países ocidentais, tornou as ideias de Gramsci o centro de sua cartilha doutrinária. Como estamos vivendo tempos bicudos, nebulosos, controversos, nesta postagem ofereço ao Leitor algumas poucas ideias do pensamento gramsciano para uma melhor compreensão das ações dos principais atores nesta tragédia[1] ao estilo grego que estamos assistindo, e que, em nosso caso, reúne “deuses do Olimpo”, “tirania judicial” e implantação de um regime de exceção[2] ao melhor estilo das tragédias de Sófocles e Ésquilo. Isto, agora, quando, em tese, há um governo de “direita”. Imagine quando o PtdoG “tomar” de papel passado o poder?

A prisão de Roberto Jefferson me fez entender que uma ruptura institucional já aconteceu, o que me lembrou a afirmação de “Daniel”[3] de que não é necessário para si e seus “companheiros” vencerem uma eleição para “tomar” o poder pois, na verdade, sua frase escondia o fato de que já o “tomaram” na medida em que estão infiltrados em todas as instituições em tal intensidade que já as controlam[4]. A ruptura, portanto, já se deu, só falta proceder à troca da guarda.

A seguir divido o conteúdo em 3 partes: as afirmações do próprio Gramsci e as referências, avaliações, observações de dois de seus mais ferrenhos opositores, o professor Olavo de Carvalho[5] e o filósofo Roger Scruton[6].

Seguem as notas, lembrando que entre colchetes são anotações minhas.

 

ANTONIO GRAMSCI – 1891/1937

“Os jornais são aparelhos ideológicos cuja função é transformar uma verdade de classe num senso comum, assimilado pelas demais classes como verdade coletiva – isto é exerce o papel cultural de propagador de ideologia. Ela embute uma ética, mas também a ética não é inocente; ela é uma ética de classe.” [O que significa que na visão dele a humanidade padronizada está muito acima do direito à liberdade.]

“A conquista do poder cultural é a prévia da conquista do poder político.”

“O mundo civilizado tem sido saturado com cristianismo por 2.000 anos, e um regime fundado em crenças e valores judaico-cristãos não pode ser derrubado até que as raízes sejam cortadas.”

“Nós vamos destruir o Ocidente, destruindo sua cultura. Vamos nos infiltrar e transformar a sua música, sua arte e sua literatura contra eles próprios.” [Estratégia que vem sendo adotada desde os anos 60 no Brasil, através da doutrinação em todos os níveis educacionais, nas leis ruanês, no fomento a ONGs, Sindicatos e Movimentos Sociais. Estamos assistindo ao resultado.]

[Ele sintetizou a proposta acima, assim:] “Não tomem quartéis, tomem escolas e universidades, não ataquem blindados, ataquem ideias.”

“Você destrói a família; você destrói a escola; você destrói a Igreja; você destrói os Sindicatos, a não ser o seu próprio. Você destrói os Partidos políticos, a não ser o seu próprio. Você destrói o Estado; você destrói a Economia. Aí você toma o Estado e acaba com a oposição. Acabando com a oposição você conquista toda a sociedade.” [Quem não enxerga o PT praticando todo dia estas máximas, está precisando urgentemente de um “oculista intelectual”.]

“Devemos nos infiltrar dentro da Igreja, dentro da comunidade educativa lentamente e ir transformando e ridicularizando as tradições que se tem sustentado historicamente, a fim de ir destruindo e formando a sociedade que nós queremos.” [Esta é a revelação mais dramática, pois ela rompe com o processo de desenvolvimento civilizatório gradual que se processa sob pequenos incrementos ao longo de gerações, e propõe um novo status imposto à totalidade da humanidade por uma pequena elite de intelectuais liderando um exército de inocentes úteis.]

“Odeio os indiferentes. Viver significa tomar partido.” [E o que o “indiferente” se importa com a opinião de Gramsci e seus vassalos? Por que a heterogeneidade dos seres humanos têm que vestir a camisa de força do que os gramscistas gostam ou não?]

 

OLAVO DE CARVALHO[7] – (1947/...)

“A geração derrotada pela ditadura militar (...) reviu sua estratégia (...) [e recuou] do combate político direto para a zona mais profunda da sabotagem psicológica. (...) é mais importante solapar as bases morais e culturais do adversário do que ganhar votos.”

[O PT] “produz o mal para no ventre dele gerar o ódio, e no ventre do ódio o discurso de acusação”.

“Se Lenin foi o teórico do golpe de Estado, Gramsci foi o estrategista da revolução psicológica que deve preceder e aplainar o caminho para o golpe de Estado. (...) A revolução gramsciana está para a revolução leninista assim como a sedução está para o estupro.”

[O gramscismo] “está mais interessado (...) na ênfase na educação primária”.

“Jornalistas, cineastas, músicos, psicólogos, pedagogos infantis e conselheiros familiares representam uma tropa de elite do exército gramsciano.”

“No campo das técnicas psicológicas, nunca se investiu tanto na busca de meios para subjugar a consciência individual, quebrar sua autonomia, forçá-la a repetir mecanicamente o discurso coletivo.”

“A corrupção petista não é [só] financeira: é uma corrupção política, moral e psicológica. Ela consiste em perverter até o fundo os meios de atuação política e mesmo cultural, os critérios de julgamento e a consciência moral dos indivíduos e das massas.”

“A decadência da policia federal coincide com a sua infiltração maciça por agentes do PT e da CUT.”

“Nenhuma revolução socialista se fez até hoje sem genocídio, que chegou, no caso chinês, à extinção de dez por cento da população local.”

“Cuba apresentava em 2001 uma taxa de um espião do governo para cada 28 habitantes.”

“Um público que está contaminado de doutrinação marxista até a medula não tem, por isso mesmo, a menor ideia de que está sendo doutrinado.”

[Olavo cita Eric Voegelin:] “Intelectuais iluminados não são curiosidades inofensivas. São maníacos perigosos.”

[Já em 2002 Olavo dizia:] “Aí aqueles que vetam e boicotam a difusão de ideias que os desagradam não sentem estar praticando censura: acham-se primores de tolerância democrática.”

“De acordo com Gramsci, para a imposição de qualquer ideia primeiro os adeptos da ideia “ocupam os espaços”, apropriando-se de todos os meios de divulgação; depois conversam entre si e dizem que as conclusões da conversa expressam o consenso universal.”

“Não é que o gramscismo seja pacifista. Apenas, ele não admite violência antes do momento certo. (...) Ele é como a aranha que anestesia a vítima antes de matá-la.”

“Gramsci ensinou a seus companheiros que a mentira e o fingimento não eram apenas um instrumento tático, por obrigatório e consagrado que fosse, mas sim a própria natureza íntima, a essência e a chave do processo revolucionário como um todo.”


ROGER SCRUTON[8] – (1944/2020)

“Os comunistas têm a convicção de que é possível modificar a realidade modificando as palavras.”

“O desejo por uma ordem moral objetiva é uma exibição de má-fé e uma perda da liberdade sem a qual nenhum tipo de moralidade seria concebível.”

“Como em todas as ideologias, a principal tarefa é persuadir as ordens mais baixas a aceitá-la.”

[Os intelectuais ungidos fazem uma] “distinção entre ciência e ideologia: meu pensamento é ciência, o seu é ideologia; meu pensamento é marxista (...) o seu é “idealista”; meu pensamento é proletário, o seu é burguês (...)”.

“Gramsci [achava que] da união entre intelectuais comunistas e as massas (...) emergirá uma nova forma de governo por consenso.[??????] Para o realista que pergunta como, nessa sociedade do futuro, os conflitos serão acomodados ou resolvidos, Gramsci não tem resposta.”

[Outra pergunta que Gramsci não responde é:] ”Por que é melhor que as massas sejam dominadas por uma elite intelectual que por uma hegemonia de honestos burgueses?”

“Gramsci esperava substituir a cultura burguesa por uma nova e objetiva hegemonia cultural.” [Mas como pode haver “hegemonia cultural” a partir da heterogeneidade dos seres humanos?]

“A ideologia, na análise marxista clássica, (...) é o sistema de ilusões por meio do qual o poder adquire legitimidade.”

“A hipótese comunista não pode ser testada e refutada. [Pois] é uma declaração de fé no incognoscível, no inominável, na errância do nada”.

“A ideologia é um conjunto de doutrinas, na maior parte de assombrosa imbecilidade, criadas para fechar as avenidas da investigação intelectual. (...) A ideia de “ditadura do proletariado” não pretendia descrever uma realidade; pretendia pôr fim às indagações, de modo que a realidade não pudesse ser percebida.


[1] Wikipédia: No sentido vulgar, tragédia, desgraça e drama são sinônimos.

[2] Wikipédia: O Estado de Exceção é uma situação de restrição de direitos e concentração de poderes que, durante sua vigência aproxima um Estado democrático de um Estado autoritário.

[3] Codinome de José Dirceu quando integrante da UNE.

[4] Em 2012 Olavo de Carvalho chamou a atenção para o fato de que “nenhum momento poderia se apossar do Estado se primeiro não se tornasse mais poderoso que ele”.

[5] Livro “A Nova Era e a Revolução Cultural”. de Roger Scruton.

[6] Livro “Tolos, Fraudes e Militantes”.

[7] Como complemento/aprofundamento da compreensão sobre o gramscismo, acesse o “extrato” que fiz de minha leitura de “A Nova Era e a Revolução Cultura”, ou ler o próprio livro, obviamente.

[8] Como complemento/aprofundamento da compreensão sobre o gramscismo, acesse o “extrato” que fiz de minha leitura de “Tolos, Fraudes e Militantes”, ou ler o próprio livro, obviamente.

NOTA: Para mais ideias da maioria dos autores citados, visite paulovogel.blog.br e acesse a aba "Extratos".



quarta-feira, julho 21, 2021

ROGER SCRUTON, E O PTdoG – (1944/2020)


Entre os mais de seus 30 livros, Roger Scruton[1], inglês, filósofo contemporâneo, está “Tolos, Fraudes e Militantes” que acabo de ler. Nele Scruton procura desmascarar as proposta de alguns pensadores que integraram a “Nova Esquerda”[2] no século XX que pretendia, e ainda pretende, consertar o homem e a civilização. Uma das conclusões a que se chega após a leitura é que a intelectualidade ungida é composta de loucos, neuróticos, psicopatas, e quando não, no mínimo dos mínimos, hipócritas cínicos.

De todos os capítulos – quase todos de leitura árida - dois vou referenciar aqui. O primeiro é o que trata de “Guerras culturais no mundo todo: a Nova Esquerda de Gramsci a Said”. Nele Scruton começa lembrando o objetivo síntese de suas ideias – elaboradas no cárcere, é bom lembrar – era o de substituir a cultura burguesa por “uma nova e objetiva hegemonia cultural”. O que passa na cabeça de alguém com essa pretensão? O que ele imaginava ser “objetiva”? Como se pode obter, em qualquer tempo e lugar, “hegemonia cultural” quando em cada canto do mundo o desenvolvimento da cultura se deu sobre a heterogeneidade dos seres humanos e em função de circunstâncias absolutamente particulares e únicas? O nível de arrogância, de pretensão sobre deter a verdade, e de um absolutismo intelectual que chega ao cume além do qual ninguém conseguirá ir além.

Para qualquer mente sana in corpore sano, tal proposição bastaria para deixar tal indivíduo no limbo da história, mas não foi o que aconteceu. Gramsci se tornou o guru, o “grande mestre”, o tutor maior dos perdedores, dos carentes de um guia intelectual, mesmo que não compreendam razoavelmente o que ele diz. Basta gritar “abaixo a burguesia!!!” e seguir marchando de iPhone na mão. Mas este não descarte, ou, resgate extemporâneo, se deu, com especial intensidade, no Brasil. Gramsci está nos fundamentos das ideias e ações de PSOL e, em particular, do PT. Tendo isto como fato, passo a não me interessar mais em analisar Gramsci, mas apenas as ideias deste “intelectual” que estão no âmago da conduta daqueles dois partidos que hoje diariamente e intensamente tentam nos empurrar para o precipício da escuridão utópica que eles defendem.

Passo, então, a me referenciar apenas ao PT do G (Partido dos Trabalhadores de Antonio Gramsci) sempre que citar, daqui em diante, alguma das ideias e sugestões daquele prisioneiro italiano que se tornarem práticas de seus membros. Passagens extraídas do texto de Scruton estarão entre aspas duplas, e se contiverem citações de Gramsci, estas estarão entre aspas simples e itálico.

Entre as maluquices do PTdoG, está a de que seus dirigentes acham que da união entre intelectuais comunistas e as massas (...) ‘emergirá uma nova forma de governo por consenso’.” Para o sujeito minimamente realista que pergunta “como os conflitos serão acomodados ou resolvidos”, eles não têm resposta. Mas é uma enganosa constatação de ignorância. Todos sabemos que o cidadão pode ser maluco, mas não tão burro. Não à toa, portanto, o PTdoG devota parte considerável de sua utopia “ao papel dos intelectuais, afirmando diretamente não apenas que são os verdadeiros agentes da revolução, mas também que devem sua legitimidade à ‘correção’ de suas opiniões”.

Para os “petistas do G”, não há necessidade nenhuma de integrar o “proletariado”. Você pode continuar a ser um bajulador do seu intelectual de estimação, ou cumprir sua “desobrigação” em alguma repartição pública, ou, melhor ainda, “continuar em qualquer cargo confortável que lhe tenha sido oferecido e trabalhar pela derrota da hegemonia burguesa”, mas todos, ressalto, enquanto, hipocritamente, “aproveitam seus frutos”.

Os “petistas do G” desejam um governo que lhes proteja das injustiças da vida. Eles querem saúde, alimento, moradia, segurança e lazer, tudo oferecido por um Estado centralizador. Para tal satisfação estão dispostos a abrir mão da propriedade, as esquecem que quanto mais dependentes, mais limitados serão seus direitos e sua liberdade. E por uma razão simples que eles fingirão não enxergar até alguns milhões de “dissidentes” serem assassinados como sempre o foram na história: “os objetivos, libertação e justiça social, não são compatíveis”.

O planejamento central reivindicado pelos próceres do PTdoG, é o melhor caminho para a criação de escassez, privilégios de classes, mercado negro, sobrevivência do mais forte (literalmente) e injustiça – para dúvidas quanto a esta afirmação, consultar a história da economia e da vida soviética depois de 1917.

O capítulo encerra com Scruton diagnosticando que “entramos em um período de suicídio cultural, comparável ao sofrido pelo Islã após a ossificação do Império Otomano”.

O último capítulo, “O que é a direita?”, é o segundo do qual trago aqui algumas reflexões. Pouco o texto se dedica a dar uma resposta. A única que Scruton apresenta é que uma vez que um indivíduo é “identificado como de direita (...) seu caráter é desacreditado e sua presença no mundo é um erro”. Independente desta “falha”, no meu entender, ele coloca algumas cerejas neste indigesto bolo que estão pretendendo nos servir em futuro próximo.

De minha parte, o que me chamou a atenção ao longo de toda a obra é falta gritante de uma explanação sobre as bases de um sistema socinista (socialista-comunista). Scruton confessa que buscou, “em vão, nas obras” de diversos autores “uma descrição de como a “igualdade dos seres” defendida em seus atormentados manifestos” poderia ser alcançada. O máximo a que se chega é à utopia das utopias, “uma sociedade da qual tudo que a torna possível – leis, propriedade, costumes, hierarquia, família, negociação, governo, instituições – foi removido”.

A ideologia socinista ou “a ‘práxis revolucionária’ apenas nos leva a destruir o que não sabemos substituir” sem nos dar a mínima pista, “em termos concretos, o fim para o qual trabalha”.

O que fato incontestável é que “a tentativa de conseguir ordem social sem dominação inevitavelmente leva a um novo tipo de dominação, muito mais sinistra que a deposta”.

E é de Foucault que podemos tirar o lembrete de que “um déspota estúpido pode prender seus escravos com correntes de ferro, mas um verdadeiro político os amarra ainda mais firmemente com as correntes de suas próprias ideias [onde] o elo é ainda mais forte porque não sabemos do que é feito”.

Scruton vai chegando ao final. “O mundo do comunismo é um mundo de dominação impessoal no qual todo o poder está nas mãos de um partido” porque “a ideologia é um conjunto de doutrinas (...) de assombrosa imbecilidade (...) A ideia de ‘ditadura do proletariado’ (...) pretendia pôr fim às indagações, de modo que a realidade não pudesse ser percebida”.

Claramente, estamos lidando com uma necessidade religiosa, uma necessidade plantada profundamente em nosso “ser genérico”. (...) E esse desejo é mais facilmente recrutado pelo deus abstrato da igualdade do que por qualquer forma concreta de compromisso social. Defender o que é meramente real se torna impossível quando a fé surge no horizonte com seus atraentes presentes de absolutos.

Como você chegou até aqui me resta, apenas, esperar que você tenha tirado algum proveito.

 



[1] Na wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Roger_Scruton

[2] São eles: Eric Hobsbawn (1917/2012), Edward Thompson (1924/1993), John Kenneth Galbraith (1908/20060, Ronald Dworkin (1931/2013), Jean-Paul Sartre (1905/1980), Michel Foucault (1926/1984), Jürgen Habermas (1929/...), Louis Althusser (1918/1980), Jacques Lacan (1901/1981), Gilles Deleuze (1925/1995), Antonio Gramsci (1891/1937), Edward Said (1935/2003), Alain Badiou (1937/...), e Slavoj Žižek (1949/...).

 

quinta-feira, julho 15, 2021

REFLEXÕES DE THOMAS SOWELL (1930/...)

Thomas Sowell[1] completou 91 anos no dia 30 de junho p.p. É americano, negro, economista, professor universitário, escritor com mais de 30 livros publicados. Um dos mais importantes filósofos do século XX. Não é hipócrita, nem vitimista, e, portanto, contra ações “afirmativas”, como regimes de cotas e outras proposições sociopatas que fingem ignorar a natureza humana. Neste início de segunda década do século XXI, conhecer suas ideias e proposições, refletir com suas reflexões, nos ajuda a iluminar a escuridão intelectual em que a “intelligentsia[2] mundial, em particular, obviamente, a brasileira, quer nos ver subjugados. Não se deixar embromar por narrativas e identificar a hipocrisia dos personagens da cena política atual, se tornou vital para a manutenção de nossa saúde mental. Espero que esta coletânea seja mais uma contribuição para esse propósito.

Bom proveito![3]

 

HOMEM, HUMANIDADE, POVOS

O homem é para o homem, um enigma.

A desigualdade é um traço comum a toda a humanidade.

As limitações morais do homem em geral e seu egocentrismo em particular não foram lamentadas por Adam Smith nem vistas como coisas a serem modificadas. [Smith tratou a tentativa de mudar a natureza humana tanto como vã quanto sem sentido.]

Considerando os limites inerentes dos seres humanos, a pessoa extraordinária (moral ou intelectualmente) é extraordinária somente dentro de uma determinada área muito restrita, talvez à custa de sérias deficiências em algum outro lugar, e pode haver pontos cegos que não lhe permitam ver algumas coisas que são claramente visíveis aos olhos de pessoas comuns.

Quando “os povos” são invocados, os povos concretos tiveram, na realidade, pouco a dizer a respeito das decisões tomadas. (...) Não tinham nem o grau de conhecimento nem a responsabilidade pelas consequências, as quais acabaram sendo desastrosas.

 

VISÕES

“O que são ‘visões’? São as moldadoras silenciosas de nossos pensamentos. (...) Uma visão tem um sentido de causalidade, ou seja, é mais como um palpite ou um “instinto” do que um exercício de lógica ou de verificação factual.” (...) O que faz uma visão ser uma visão não é sua abrangência, mas sua coerência.

Há tantas visões quantos seres humanos (...) e mais de uma visão pode ser compatível com um determinado fato.

Uma visão modela nossa orientação teórica e não a teoria determina nossa visão. (...) Fazemos praticamente qualquer coisa por nossas visões, exceto pensar a respeito delas.

Visões são somente a matéria-prima a partir da qual teorias são construídas e certas hipóteses são deduzidas.

“Conflitos de interesse predominam por períodos curtos, porém conflitos de visões dominam a história.”

Para a visão restrita [liberal], o que é moralmente fundamental é a fidelidade ao dever de seu papel na vida. (...) Já na visão irrestrita [progressista], o dever de uma pessoa é destinar o bem à humanidade.

A capacidade de sustentar asserções sem evidências é outro sinal da força e persistência das visões. (...) [Por esta razão] As visões são: (1) projeções simplificadas da realidade; e (2) estão sujeitas a contradição por fatos (...).

A manipulação dos números pode tornar quaisquer dados estatísticos consistentes com determinada visão, e a manipulação de outros números ou até mesmo dos mesmos números, vistos ou selecionados de forma diferente, pode produzir dados consistentes com a visão oposta.

“As visões são indispensáveis, mas perigosas porque nós as confundimos com a própria realidade.”

 

RACISMO, AÇÕES AFIRMATIVAS, FAVORECIMENTO

Um grupo étnico ou racial que enfatize o trabalho árduo, economize dinheiro e busque uma boa formação acadêmica, geralmente prosperará, independentemente do cenário político ou social. (...) Os negros estariam em melhor situação se progredissem por seus próprios meios.

Os indivíduos favorecidos por ações afirmativas (...) faz com que qualquer conquista de um indivíduo pertencente a esse grupo pareça suspeita.

“Favorecer um lado” provoca geralmente, a ambos os lados, uma situação futura pior, mesmo que de maneiras distintas e em graus diversos.

Uma das violações mais comuns dos padrões intelectuais pelos próprios intelectuais é atribuir uma emoção (racismo, machismo, homofobia, xenofobia, etc.) àqueles que detêm pontos de vista diferentes, em vez de responder a seus argumentos.

“A era das ações afirmativas nos Estados Unidos assistiu ao favorecimento dos negros mais afortunados, enquanto os menos afortunados perderam em termos de suas participações nas rendas.”

 

EDUCAÇÃO, PAIS, IGUALDADE

As escolas norte-americanas substituíram a educação pela doutrinação (...) [desviando-se do dever de] fazer com que os alunos sejam capazes de raciocinar por si mesmo.

Depois que os programas de “educação sexual” foram introduzidos nas escolas norte-americanas na década de 1960, coube aos pais o trabalho de colher os cacos e arrumar a bagunça sempre que uma filha adolescente aparecia grávida ou um filho adolescente contraía uma doença venérea. Nenhum professor ou nenhuma professora teve que arcar com as consequências de nada (...).

Professores (...) expandem sua influência, seja por meio de doutrinação ideológica dos alunos ou por sua manipulação psicológica com o intuito de alterar os valores que esses estudantes receberam dos pais.

A crença de que terceiros sabem mais que os outros (...) inclui impedir que as crianças consolidem os valores recebidos pelos pais caso valores mais “avançados” tenham a preferência daqueles que ensinam nas escolas e faculdades.

“Ser compreensivo ou não julgar um jovem com um background culturalmente limitado talvez pareça humano, mas pode ser o beijo da morte no que se refere a seu futuro.”

Qualquer um que pense que uma mãe não é importante para a criança, ou a criança para uma mãe, não sabe nada sobre seres humanos. [negacionistas]

Nas escolas e nas faculdades a intelligentsia alterou o papel da educação, que é de equipar os alunos com o conhecimento e as habilidades intelectuais para que possam avaliar as questões e alcançarem independência mental, transformando a educação em processo de doutrinação, com as conclusões já fornecidas pelo intelectual ungido.

Os intelectuais dão às pessoas que já têm a desvantagem da pobreza outra desvantagem adicional: a de que são vítimas.

É compatível com a visão irrestrita [progressista][4] promover fins igualitários por meios desiguais.

Partidários da visão irrestrita [progressista] colocam a liberdade de expressão acima dos direitos de propriedade.

 

INTELECTUAIS, “INTELLIGENTSIA

[O intelectual ungido] se coloca num patamar moral superior, como alguém preocupado e misericordioso, promotor da paz no mundo, defensor dos oprimidos, alguém que luta por preservar a beleza da natureza e salva o planeta da poluição perpetrada por outros que não comungam a mesma consciência.

[Os ungidos usam a técnica de] contornar a realidade [para implantar sua visão.] Eles não se ajustam à realidade; é a realidade que deve se adaptar a eles.

[O problema para os ungidos é que] a realidade teima em não cooperar. (...) [E a cada dia] há menos lugares para se esconder de evidências cientificas.

[Para o intelectual desconstrucionista] A plausibilidade ou não que uma nova idéia incita depende do que (...) já tem incorporado como crença.

“Alguns intelectuais tendem a gravitar em torno de instituições onde suas ideias ficarão menos sujeitas aos perigos do descrédito factual.”

[Os intelectuais ungidos] se furtam à responsabilidade e ao trabalho árduo de aprender os fatos reais sobre pessoas reais vivendo num mundo real.

Quando o conhecimento é (...) abrangente, (...) difundido de forma mais ampla, (...) os intelectuais não têm vantagem preponderante sobre o homem comum. (...) Intelectuais comportam uma mistura de conhecimentos precisos e vagas noções sobre as coisas.

[Na Idade Média] Valores existentes pareciam ameaçados somente porque a visão em que se baseavam parecia estar ameaçada – e não porque Copérnico e Galileu propagassem valores alternativos. [É a ameaça à verdade de alguém que provoca a reação irada.]

[As elites educadas se legitimam] como guias superiores, declarando que têm o direito de impor o que deve e não deve ser feito na sociedade [pois] estão convencidas da superioridade de seu conhecimento e de suas virtudes, uma fórmula certeira para o desastre.

A confiança no conhecimento acadêmico superior pode ocultar, dos próprios membros da elite, a extensão de sua ignorância e de seus equívocos. (...) [Os “ungidos”] não percebem a necessidade de buscar informações factuais antes de expressar sua indignação.

A real e eficiente rotina de milhões de pessoas (...) dá pouca atenção às supostas “barreiras” sociais tão alardeadas pelos integrantes da intelligentsia.

A discrepância entre o real e o ideal sempre será julgada, pelos infalíveis visionários intelectuais, como fracasso moral da sociedade.

Para os intelectuais ungidos são os defeitos inerentes aos seres humanos que são os problemas fundamentais. (...) A sociedade existente é amplamente discutida a partir de suas insuficiências, as quais precisam ser corrigidas.

Um “respeito decente pelas opiniões da humanidade” não tem hoje mais lugar num mundo pautado pela visão do intelectual ungido.

As burocracias são frequentemente capazes de manipular as visões da intelligentsia para seus próprios interesses (...).

 

IDEOLOGIA, CRENÇAS, FATOS

Os homens não podem criar diretamente resultados sociais, mas somente processos sociais.

Dedicação a uma causa pode legitimamente implicar sacrifícios de interesses pessoais, mas não sacrifícios da mente ou da consciência.

[Uma ideologia] pode aniquilar totalmente as evidências.

Nada parece ser mais difícil que buscar fatos ou argumentos contrários às nossas certezas. (...) porque é mais sedutor se agarrar a certezas que moldam o mundo segundo as nossas próprias convicções.

Quais pressupostos fundamentais existem por trás das tão variadas visões ideológicas de mundo em disputa nos tempos modernos?

Estamos no âmbito de um “discurso de propaganda” pensado para deslocar o eixo das coisas como são para as coisas como “devemos percebê-las”.

“A manipulação retórica é capaz de fazer perguntas de uma forma que torna a resposta desejada quase inevitável, qualquer que sejam os méritos ou deméritos concretos da questão.”

Por mais poderosa que a ideologia seja, ela não é onipotente. Fatos inevitáveis e brutais (...) levaram muitos, simultaneamente, a abraçar ou abandonar uma ideologia.

Na política, pouco importa quão desastrosa uma política possa se tornar, desde que as causas do desastre não sejam compreendidas pelo público  eleitor. (...) [Os políticos] possuem todos os incentivos para negar seus equívocos, uma vez que sua admissão pode condenar toda uma carreira.

Muitos entre a intelligentsia se consideram agentes de “mudança”, um termo muito usado de forma leviana, como se as coisas estivessem tão ruins que a mera e genérica “mudança” pudesse ser tomada como uma mudança para melhor.

Os intelectuais ungidos querem deter o privilégio exclusivo de decidir (...) quais pequenos riscos as pessoas estariam proibidas de contrair e a quais riscos bem maiores estão liberadas.

Os intelectuais buscam (...) apropriar-se das decisões que deveriam ser tomadas pelas pessoas diretamente envolvidas, as quais têm conhecimento e correm riscos pessoais concretos (...).

Na União Soviética [uma economia planejada e controlada pelo Estado] bens encalhados se empilhavam nos depósitos, ao mesmo tempo em que terríveis carências faziam as pessoas esperarem em longas filas por outros bens.

A possibilidade de impor a vontade de alguém no comportamento de outras pessoas é uma característica da visão irrestrita [progressista].

 

SOCIEDADE, DEMOCRACIA, GOVERNO, POLÍTICOS

“No grande tabuleiro da sociedade humana, cada peça individual tem um princípio de movimento próprio, inteiramente diferente daquele que a legislação possa escolher impor sobre ela.”

“Na política, pouco importa quão desastrosa uma política possa se tornar, desde que as causas do desastre não sejam compreendidas pelo público eleitor.”

Se as pessoas não querem uma coisa em particular, mesmo que a intelligentsia a considere desejável ou até imperativa, isso não é uma dificuldade. Isso é democracia.

Ao se conceber o conhecimento, tanto fragmentado quanto amplamente disperso, a coordenação sistêmica entre muitos suplanta a sabedoria especial de poucos.

O governo, enquanto entidade deliberadamente criada, pode agir com intenção e ser moralmente julgado por seus atos, mas não a sociedade. (...) O governo (...) não tem a onisciência de fato para prescrever resultados justos ou iguais.

O problema primordial dos políticos não é trabalhar para o bem público, mas ser eleito e permanecer no poder. (...) Os líderes das nações democráticas são sempre obrigados a se deparar com a perspectiva das eleições, e a atmosfera em que essas eleições são realizadas é de suma importância para os políticos que buscam manter a carreira em andamento e o partido no comando.

Monitorar o desejo de um grande número de resultados individuais costuma estar além das capacidades de qualquer indivíduo ou conselho.

“Marx e Engels (...) desconsideraram que o planejamento central seria uma perpétua tentação para os detentores do poder político em dirigir a economia inteira para a satisfação de seus próprios propósitos – incluindo o poder militar – ao invés de deixá-la servir o interesse dos consumidores.”

Na visão restrita [liberal] o controle deveria ser tão disperso quanto possível.

“O marxismo deve ser julgado como a arrogância de imaginar que uma sociedade inteira poderia ser construída a partir da base estabelecia pela visão de um único homem, ao invés de envolver a experiência de milhões de pessoas pelas gerações séculos afora.”

Sowell identifica 5 axiomas:

1 - problemas sociais existem [porque os ignorantes] não têm o conhecimento que os ungidos têm;

2 - desprezo por soluções descentralizadas (...) que sobreviveram a processos de aprendizado por tentativas e erros;

3 - condenação moral dos ignorantes pelos resultados não desejados pelos ungidos;

4 - os problemas podem ser evitados pela imposição da visão superior dos ungidos;

5 - as resistências contra as políticas dos ungidos se dão pelas limitações morais e intelectuais dos oponentes, não pelas leituras diferentes de evidencia complexa e inconclusiva.

Os 4 estágios típicos desse padrão ideológico são:

1 – uma crise é identificada;

2 – é proposta uma solução “definitiva” para o problema;

3 – constatação de resultados opostos aos desejados;

4 – e, por fim, a reação envolve afirmar que, se não fossem pelas políticas adotadas, os resultados seriam ainda piores.

Todo mundo é progressista segundo sua própria ótica.

[Os promotores do planejamento econômico centralizado] Em vez de confiarem nas interações sistêmicas dos mercados (...) preferem a imposição da visão da elite.

 

PROPRIEDADE, CAPITALISMO, LIBERDADE

“O que se observa é que aqueles países cujos inputs envolvem menos trabalho e mais empreendimento tendem a ter, em larga escala, mais altos padrões de vida, incluindo horas de serviço mais curtas.”

Exemplo de observação distorcida: o capitalismo tornou os trabalhadores mais pobres como se eles tivessem sido mais prósperos antes.

Os benefícios econômicos para a sociedade não foram buscados intencionalmente pelos indivíduos, mas surgiram sistematicamente de interações do mercado, sob pressões da concorrência e impulsionados pela motivação do ganho individual.

O fato é que a riqueza é produzida. Ela não é um simples fator natural já dado. Milhões de sujeitos são pagos segundo o valor atribuído ao que produzem e isso é feito subjetivamente, por milhões de outros indivíduos.

O conceito básico de liberdade, como não se sujeitar às restrições impostas por outras pessoas, e o conceito de poder, como habilidade de restringir as opções mantidas por outros, ficaram, ambos, de cabeça para baixo em alguns dos “reempacotamentos” [verbais] que sofreram nas mãos dos intelectuais que discutem assuntos econômicos.

Os direitos de propriedade são barreiras legais contra políticos, juizes e burocratas que arbitrariamente buscam se apropriar do patrimônio de alguns seres humanos, transferindo-os para outros.

 

JUSTIÇA

Por vezes, a “dificuldade” em se mudar as leis e especialmente a dificuldade em se criar emendas constitucionais é invocada como razão para justificar por que os juízes devem se tornar os agentes que aceleram as mudanças.

O ativismo judicial é um cheque em branco no qual se pode explorar qualquer direção, em qualquer questão dependendo das predileções de cada juiz em particular.

As elites intelectuais anseiam ampliar sua esfera de influência de poder decisório usando os tribunais como meio.

As batalhas políticas diárias são um pot-pourri de interesses específicos, emoções coletivas, conflitos de personalidade, corrupção e vários outros fatores.

Fundamentalmente para o conceito de justiça social é a noção de que indivíduos têm direito a alguma parte da riqueza produzida por uma sociedade simplesmente por serem membros daquela sociedade, independentemente de quaisquer contribuições individuais feitas ou não para a produção de tal riqueza.

 

TECNOLOGIA, MÍDIA, JORNALISMO, DIGITRÔNICA

As maravilhas tecnológicas modernas trouxeram pouca melhora para o que o rico já tinha, porém revolucionaram muito as vidas das massas.

É necessário somente que aqueles que têm o poder de filtrar as informações, seja no papel de jornalistas, editores, professores, acadêmicos ou produtores e diretores de filmes, decidam que há certos aspectos da realidade que as massas “não compreenderiam corretamente” e que um senso de responsabilidade social clama, por parte dos que detêm o poder de filtragem, pela supressão de alguns dados.

A influência dos intelectuais sobre o curso dos eventos na sociedade em geral, por meio de sua influência sobre o grande público, era menor do que hoje porque, na maioria dos paises em outros tempos, o público em geral exercia muito pouca influência na condução das políticas nacionais. [Esta era a realidade que a digitrônica mudou radicalmente.]

Fatos simplesmente não parecem importar para mitos na mídia, uma vez que eles têm um estereótipo fixo em suas mentes.

[Quando se trata de jornalismo] Em última instância (...) o importante é ser honesto com o leitor, o qual, afinal de contas, não pagou para aprender sobre o psiquismo ou a ideologia do escritor, mas para adquirir algum conhecimento real sobre o mundo.


[2] Uso o termo aqui para identificar os intelectuais que se manifestam tendo como padrão a proposição de verdades políticas e filosóficas inquestionáveis, pois tudo por eles elaborado está acima da capacidade, tanto de elaboração, quanto de entendimento, do homem comum. Neste grupo aparecem pensadores, escritores, educadores, jornalista, juristas et caterva. Por esta razão, tal como Sowell, trato os membros desta "classe" como "Ungidos".

[3] As citações selecionadas nesta postagem foram agrupadas de acordo com a similaridade ou correlação dos assuntos. Citações literais do autor aparecem entre aspas e, quando não, são conclusões a partir do entendimento de suas ideias; e entre colchetes é sempre uma anotação minha visando a melhor compreensão do texto.

[4] Sowell propõe dois conceitos para identificar as visões filosóficas: a restrita e a irrestrita. Como para entendê-las é preciso ler sua obra, podemos associar a visão restrita à visão “liberal-conservadora”, e a irrestrita à visão “progressista”.