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sábado, agosto 13, 2022

7/SET/22 - 200 ANOS DEPOIS UM NOVO DIA DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

 

As comemorações deste ano do 7 de setembro têm como mote estarmos completando 200 anos da libertação da Coroa Portuguesa e da consequente criação da nação brasileira. O Presidente Bolsonaro está convocando todos que queiram ajudar o Brasil a continuar trilhando o caminho da prosperidade, a ir às ruas para dar um novo grito de independência, o da independência da tirania do STF, do fim do calaboca, das censuras de toda ordem, de uma possível manipulação dos votos e da imposição de uma nova ordem mundial que tem como lema falso e ficcional o de que “você não terá nada e será feliz”!

Minha intenção aqui é trazer à sua avaliação um conjunto de mensagens a serem proclamadas nas passeatas que expressem nossas principais reivindicações de modo claro, sucinto e objetivo. Não é o caso da proposta de mensagem que me chegou há poucos dias pelo Whatsapp: “Voto impresso já”. A adotarmos tal impossibilidade estaremos cometendo um erro fatal. O momento de reivindicarmos tal recurso para auditagem do processo eleitoral já passou. Além de não haver tempo para sua realização (supondo que a proposta fosse acatada), ela já foi derrotada quando da interferência de ministros do STF sobre as prerrogativas de Deputados Federais, motivando a mudança de votos na Comissão de Constituição e Justiça. Nesta questão, resta-nos aceitar as urnas como são e nos concentrarmos na fiscalização, tanto no que possa ocorrer nas seções eleitorais (o que bastará uma atitude atenta ao que lá estiver acontecendo), quanto ao que possa vir a ocorrer no processo e ambiente de totalização (responsabilidade de instituições como as FFAA, entre outras).

Se quisermos que tais manifestações tenham um valor de pressão sobre as decisões dos que detêm o poder e, em especial, o controle do processo eleitoral, devemos bradar mensagens que consideremos absolutamente relevantes para o momento atual e que sejam críticas e viáveis quanto à sua coerência, aceitação e implementação.

Observando as redes sociais, creio que a maioria irá concordar que os seguintes temas estão no “trending tops” de nossas preocupações: liberdade (em sentido amplo), liberdade de expressão, opinião e crítica sem mordaça antecipada ou postecipada, fim da tirania do STF com criação e manutenção de processos ilegais, combate à intenção de eleitores em não votar (especialmente os mais velhos), políticos covardes que se recusam a nos representar, e necessidade de vigilância quanto à integridade dos votos e totalização das urnas.

Partindo destes pontos, ofereço uma lista de palavras de ordem a serem expressas no 7 de setembro. Escolha a sua (ou se inspire nelas para criar outras) e faça o seu cartaz ou faixa.

Evidentemente não estou descartando as manifestações em prol do apoio à reeleição do Presidente Jair Bolsonaro, pois toda manifestação pró 22, pró mais 4 anos, pró Brasil, nem se discute!

No barra de menu deste blog, clique em “7/set/22” e tenha acesso às artes com mensagens.

Ainda no menu, clique em “O Voto em 2022”. Tem muita coisa interessante para lhe ajudar a votar com mais coerência com seus valores. 



quinta-feira, outubro 28, 2021

MEUS QUERERES NESTE FINAL DE 2021


 “É fácil compreender o que se passa... depois que se passou”

Olavo de Carvalho

É com a intenção de ajudar a entender o que se passa antes que seja tarde que, neste texto, apresento minhas angústias, faço alertas e clamo por ajuda. 

Começo expressando o desejo desta mensagem chegar a pelo menos um ou dois dos valentes guerreiros que se expõe nas plataformas digitais, jornalistas ou não [1], fazendo oposição/reação ao processo de causar um black-out intelectual nas mentes dos cidadãos brasileiros, independente em que parte do espectro político-filosófico se coloquem. E é por esta abrangência das consequências que começo.

Jovem (ou idoso) socinista! Alerta! Hoje és flecha, no amanhã serás alvo! O critério para restringir seus direitos, suas liberdades de ação e expressão, não é a sua opinião, sua visão de mundo, sua cultura, seus valores, suas crenças, é tão somente a que classe de humanos o “mecanismo”[2] enquadre você: se na classe da minoria dos dominadores, detentores do poder pelas armas e “canais” opressores; se na classe dos inocentes úteis, lesados ideológicos, hoje bucha de canhão, mas que amanhã serão descartados por falta de uso; ou se na classe dos manobrados, manipulados,  desarmados, submissos, escravos voluntários ou involuntários a serviço de subsidiar os privilégios da primeira classe citada (lagostas, vinhos premiados etc.), benesses (auxílios justificados e injustificados etc.) e direitos auto-atribuídos (férias de 2 meses, jatinhos da FAB etc.) pelos primeiros. Neste final de outubro/21, paralelamente à ação canceladora das plataformas digitais contra o fato de Bolsonaro ter lido uma reportagem da revista “Infame”[3], alguns vitimistas já estão sendo atingidos[4].



Não estou preocupado com eles, nem comigo, pois me vou antes que possa saber em que vai dar isso tudo. Já disse: minha preocupação é com nossos netos, pois a evoluirmos neste processo insano de aumento gradativo de um regime tirânico, serão eles os escravizados (ou escravizadores), mas, de qualquer forma, serão os que pagarão a conta, talvez até com a própria vida. Se me disponho a expressar meus medos e angústias, é porque não quero, com silêncio e omissão[5], contribuir para um projeto que tem como fim usurpar da raça humana a própria natureza humana. Ok, hão de perguntar, fazer o quê? 

Não aceitar o duplipensar[6] expresso na novilíngua. Coisas como ter na mesma mente chamar a “ensacadora de vento” de “Presidenta” e defender o fim da identificação de gênero com coisas como sermos “seres humanes” e “pessoa com vagina”!

Ignorar totalmente a existência de vitimistas neuróticos como a “artista” da “performance” neste vídeo (pode ir direto ao minuto 2:18). Não vomite. 

E a mais importante é não cair na armadilha de perder neurônios elaborando uma indignação mental para se convencer de que você não é maluco. Não é, mas estão querendo que você acredite que é. E é aqui que chego a meu ponto principal, à minha crítica bem intencionada. 

Estamos em uma guerra (já falei disto antes, falo de novo porque é preciso). Não se diz ao inimigo que o raciocínio dele não está correto, ou que as razões que ele tem para te matar não são válidas, ou são mentirosas, ou são “fake news”. Se você quer sair vivo, entricheire-se antes de qualquer coisa, pegue sua melhor arma, faça uma boa pontaria e atire, diabos! Ou simplesmente proteja-se, fuja. Qualquer outra atitude será inócua, ou o levará a se render, ou será seu fim. 

No primeiro dia da TV JP News, um jornalista ao comentar sobre a “Fake News” Covid/HIV, termina com a seguinte afirmação: “É preciso criar um meio de coibir isso”! Criar quem? Coibir o que, cara pálida? Coibir alguém de ler uma reportagem? Coibir a revista de reproduzir uma notícia que é quase certo foi obtida e divulgada por uma big agência de notícias internacional? Coibir “alguém” de falar, escrever, divulgar uma pretensa “mentira”? Ou mesmo uma evidente, flagrante mentira? Ou coibir tudo que é “inconveniente” ao “mecanismo”. Diga lá, meu caro! Quando eu tive hepatite, várias pessoas (minha mãe a primeira) me aconselharam a tomar chá de boldo. E aí, ô cara de pau? Vai mandar prender mães, tias, avós, vizinhas que recomendam chás de toda ordem para toda ordem de males? E o padre que recomenda ave-marias e padre-nossos para nos livrar/perdoar de todos os pecados? É “Fake News”? Questionar tais manifestações de quem quer que seja é obrigação de um imprensa em busca de desmonte de narrativas com propósito definido. Há que trazer para a frente das câmeras de programas como “Direto ao Ponto”, “4por4”, “Opinião no Ar” e até mesmo convidados para aa live semanal do Presidente, personagens como Renan, Randolfe, Pacheco, Barroso, Moraes, Salomão, esquerdoartistas, Felipe Santa Cruz, Luiza Trajano, Maria Alice Setúbal, Hélio Schwartsman (e companheiros de mesma má índole), e todos os que se escondem no desejo de retorno a um sistema oligárquico de a$$alto ao país, de modo a  terem seus posicionamentos confrontados frente às câmeras. Mais do que isso, serem confrontados com o futuro previsível do avanço de uma tirania cultural imposta de cima para baixo a partir de políticas como ideologia de gênero, socinismo, passaporte de vacina, censura direcionada, governo mundial, nova ordem mundial e outras sandices. Não há porque temer tal confronto. Se temermos, então não estamos suficientemente conscientes de nossos valores. E não adianta bater em "saco vazio" como faz, por exemplo, Constantino com Amanda, pois ela é apenas uma pobre coitada que acredita em "democracia socinista" e em desejos honestos de políticos corruptos ou ansiosos por uma oportunidade.

Mas não é isto que nossos estóicos guerreiros estão fazendo. Boa parte dos que indico na primeira nota de rodapé, por decisão própria ou por injunção das regras de seus contratos de trabalho, nem podem fazer o que reivindico.  Mas que pelo menos, quando intimados a analisar uma “atuação” típica dos “perdedores de 2018”, não percam tempo precioso da tolerância de suas audiências falando para a bolha, nos explicando a falta de lógica e as razões “aparentes” que justificam o que apoiam ou o que fazem, até mesmo com total desprezo pela Constituição. Isto é atitude de avestruz. É ignorar a guerra. É não me ajudar a entender o que está por trás.

Quero saber as razões que sustentaram a birra de Barroso em relação ao voto impresso, auditável, que visa trazer mais um mecanismo de segurança para garantia de processo eleitoral honesto. Quero saber as razões de Alexandre de Moraes para ir contra si mesmo, pois está em todas as plataformas o vídeo de seu discurso onde diz: “quem não quer ser criticado, quem não quer ser ridicularizado, fique em casa” (assista o vídeo) tendo sido acompanhado em seu voto por todos os demais 10 ministros  de então. Que poderosas forças ocultas fazem este jurista, ministro da suprema Corte do País, passar a perseguir e prender quem diz o que ele não gosta de ouvir?[7] Quero saber quem exigiu que Fachin soltasse "o maior ladrão do país" em mar/21 com uso de uma “firula” jurídica - e se os argumento$$$ foram fortes ou se bastou o ministro ser militante do PTdoG - e enviasse os processos e provas para as catacumbas do judiciário do Distrito Federal para serem reanalisados (sic), reanálise esta que não aconteceu até hoje (out/21) e que, não acontecendo a confirmação da condenação até janeiro/22, do “homem mais honesto do Brasil” estará inocentado de ter comandado, por mais de uma década, um assalto na “mão grande” aos impostos pagos e oriundos do trabalho e inocência de mais de 200 milhões de brasileiros. Quero saber o que faz Renan e seus parceiros desejarem tanto retirar Bolsonaro da disputa em 2022? Que tanto eles perderam de propinas em obras públicas? O que sustenta as inações institucionais da OAB frente aos abusos da justiça que, iniciados pelo STF, já começam a ser copiados por instâncias inferiores (vide TSE)? Quero ver exposta a hipocrisia de artistas consagrados que foram agraciados com recursos da lei Rouanet tomando o lugar de jovens valores que seriam, em princípio, os destinatários dos recursos. Quero saber com o que eles se comprometeram para assumir tal cinismo (ouvi dizer que um certo ator ex-global deixou escapar que só investia em imóveis em... Paris). Quero saber o que move Dória na insistência de uma vacina pra lá de Xing-ling feita pelo país de onde surgiu o coronavírus (de onde provirá o financiamento de sua próxima campanha seja lá para que cargo for?). Quero saber com o que está relacionada a exigência de uma vacinação que não imuniza nem impede o contágio, como já observado. Quero saber como Renan e Aziz, possuidores de má ficha corrida, foram colocados no comando de uma CPI com o único propósito de tirar o Presidente do cargo. Que acordos foram feitos para os governadores terem sido blindados de investigação pela CPI, mesmo com casos suspeitos de corrupção apontados pela própria imprensa? 

Estes são alguns poucos dos meus quereres que, creio, sejam NOSSOS quereres. Eles são muitos e as respostas que encontramos não nos satisfazem, porque nós já sabemos que eles nos acusam do que são; sabemos que nos acusam de fazer o que fazem; sabemos que querem implantar um Estado opressor, desconstruir a família, e a integridade psicológica de nossas crianças (é de pequeno que se torce o pepino); sabemos que querem inserir o país em uma “nova ordem mundial”; que querem aumentar o poder de censura, mas só das manifestações de opinião contrárias às suas “verdades”; que querem tomar o lugar um presidente eleito em um pleito que não conseguiram fraudar; sabemos que são contra todo e qualquer ato ou intenção de um governo que não o deles; enfim, longe do phoder, sabemos o que conseguimos enxergar, o que nos é dado o direito de ver, mas e as intenções e objetivos que o “mecanismo” esconde?

Eu e todos os brasileiros distantes do phoder, mas alvos primários deste mesmo phoder, precisamos de fontes – informantes, na novilíngua – que, na possibilidade de enxergarem além do que podemos enxergar – exponham as reais intenções do que dizem e fazem em público esses “perdedores de 2018”. 


Acho que já disse o que precisava. Encerro recorrendo e me inspirando em um alerta do professor Olavo para ressaltar o erro de se argumentar logicamente, legalmente, juridicamente, moralmente, contra os ataques dos “perdedores de 2018”, pois aze-lo “é tão descabido quanto tentar deter um assaltante à força de citações do Código Penal” e/ou, acrescento eu, de com a Bíblia na mão citar os mandamentos “Não roubarás” e “Não matarás”!!!
 


Estóicos guerreiros da comunicação digital, tragam-nos a luz!

 

P.S.: Como fica evidente, estou relendo “1984”. Nos momentos de descanso da leitura me pergunto: onde eu estive vivendo por décadas que não me dei conta do que acontecia e que hoje tenho como realidade a ficção que Orwell imaginou em 1948.



[1] Talvez algum leitor tenha um meio de acesso a algum deles onde possa postar uma mensagem longa. Eles estão entre os listados aqui ao lado, abaixo do índice das postagens.

[2] “Mecanismo” é minha preferência (em substituição ao pedante “establishment”) para rotular a ação de todas as instituições do Estado e as da sociedade civil que preferem a ele se agarrar. São elas, entre outras: servidores públicos dos 3 poderes para os quais “redução do Estado” é palavrão; empresas de comunicação que perderam as gordas verbas que balizavam seus editorias; partidos e políticos que assaltavam empresas públicas; entidades “não-governamentais” que promoviam todo tipo de arruaça com verbas “governamentais”; entidades e profissionais do direito para quem quanto pior melhor; empresas e indivíduos “amigos do Rei” premiados com empréstimos super-subsidiados do BNDES; e alguns outros de pequena expressão, mas frustrados com perdas financeiras ou de privilégios causados por decisões de Bolsonaro desde seu primeiro dia de governo.

[3] Veja neste vídeo que a revista já correu para alterar a publicação, num ato que comprova a previsão feita em “1984” por George Orwell, onde o personagem Winston trabalha em um departamento de “atualização” da verdade. É o personagem Wilson que exime seu trabalho de “qualquer ato de falsificação: a referência era sempre a erros, enganos, equívocos, más interpretações que precisavam ser corrigidos, no interesse da exatidão. (...) Era apenas a substituição de uma sandice por outra.”

[4] Desde a postagem “Reflexões Mimimístas” passei a dividir os dois opostos político-filosóficos como vitimistas (ex-esquerdistas) e estóicos (ex-conservadores). E neste vídeo, entre outros fatos, veja o que postou nas redes sociais o Monark, integrante do canal Flow, um vitimista ativista de primeira.

[5] Cito novamente o personagem Winston: “Não é fazendo ouvir a nossa foz, mas permanecendo são de mente que preservamos a herança humana.”

[6] Como Orwell define: Duplipensar é “saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião  da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo.”

[7] Estará Moraes inspirado em 1984 e caminhando para implantação do método de “vaporizar” cidadãos “inconvenientes”? Escrevo isto e imediatamente me vem à lembrança o “sumiço” de Caio Coppolla. Quem sabe o que lhe aconteceu?


quinta-feira, abril 30, 2020

CAOCRACIA BRASILEIRA

Venho insistindo que a democracia tem que ser reinventada. Enquanto não, o Brasil, principalmente, vem aprimorando dia-a-dia uma caocracia(*), o governo do caos, onde ninguém governa, os poderes se confundem e se confrontam, e os cidadãos, principalmente agora quando não tendo o que mais fazer, se afogam em debates midiáticos e digitais ao sabor dos interesses de forças que disputam o poder pelo direito de saquear os cofres públicos.

Na minha vida como publicitário, aprendi que por mais inteligente, criativa, instigante que uma campanha publicitária seja, não se mantém em pé depois de meia hora de questionamentos. Um casamento, por mais juras, não se sustenta. Uma amizade, por mais enraizada e profunda, não resiste. Mesmo o mais íntegro dos seres humanos se verá arrasado, derrotado, depois de enfrentar um bombardeio de suposições, invasão de vida pessoal e levantamento de dúvidas sobre intenções imaginadas escusas. Mas é exatamente isto que estamos vivendo todos os dias, todas as horas, um constante ataque a não importa o quê o Presidente diga ou faça. 


Ágora ateniense
Quando a democracia foi imaginada, o tempo era muito longo. Pra tudo. De cozinhar a conquistar outros povos, levava um tempo muito maior do que agora. O microondas e novos vírus oriundos de condições de saúde pública precárias, oferecem solução mais imediata! Na Ágora ateniense, em uma pracinha com meia dúzia de gente sem ter o que fazer, o representante do imperador colocava em discussão aquilo que lhe interessava e, através de uma boa retórica, aprovava sua pauta. Dali até uma nova "assembleia", passariam meses ou mesmo anos.


Hoje, no mundo, todos os que têm recursos de acesso à digitrônica se sentem impelidos a participar. No Brasil, todos, eu incluso, se sentem aptos a opinar sobre tudo com a veemência dos pretensos especialistas, enquanto especialistas são bombardeados com ataques dos que ignoram sobre o que falam e escrevem. Um mar de blogueiros e youtubers a conquistar cliques que os levem aos píncaros de seus 15... segundos de fama.


Mas na caocracia tudo é imediato, tudo "precisa" ser publicado agora porque toda opinião perde a validade em poucas horas. Nesta caocracia, tudo é possível, todos podem, ninguém é responsabilizado, não há limites, não há princípios, ou melhor, o princípio é destruir para conquistar. Ética e moral se tornaram absolutamente relativas ou simplesmente postas de lado, haja vista a falta delas nas atitudes de Moro ao deixar o ministério.

Na nossa caocracia de ocasião, os três poderes se auto-questionam em seus papéis. O legislativo quer governar - Rodrigo Maia quer atuar como primeiro ministro -, o judiciário quer interferir no Congresso - Celso de Mello pede explicações a Maia sobre não pautar pedidos de impeachment, uma questão de regimento do poder legislativo -, o executivo tem seus decretos não votados pela câmara - porque Maia deixa caducar prazos propositalmente -, nomeações são  anuladas por razões sem pé nem cabeça - Alexandre de Moraes impede nomeação do Diretor da Polícia Federal por este ser amigo de Bolsonaro. Enquanto isso governadores querem o dinheiro do governo federal mas não querem se submeter a um plano nacional de combate ao COVID-19. Sem contar que três direitos constitucionais são violados sem qualquer rubor: 1) O direito de ir e vir por governadores algemando cidadãos no exercício de sua liberdade; 2) o direito de manifestar opinião em manifestação pública pelo Ministro, novamente, Alexandre de Moraes, a pedido do Procurador Geral, Augusto Aras, alegando atos "antidemocráticos"; e 3) o direito ao sigilo de resultado de exames pela juíza Ana Lúcia Petri Betto que deu 48 horas para Bolsonaro e pelo deputado Rogério Correia do PT que lhe deu 30 dias, o que ressalta o completo non-sense do status atual da pandemia que infecta nossas instituições.

Neste grande jogo político, antes jogado por  elites intelectuais e/ou políticas sedentas de meter a mão nos recursos do Estado em benefício próprio, tem agora como partícipes todos nós - antes apenas almas de uma massa informe de manobra -, agora nos vemos pretensos e ilusórios protagonistas de nossos destinos moldados por robôs formadores e interpretadores de nossos desejos contabilizados por likes e dislikes.  

Nesta grande caocracia do sul, nesta era digitrônica que já chega perto dos 30 anos, quem perde eleição não aceita derrota, abre mão de fazer oposição construtiva para agir destrutivamente. Basta-nos ver a quantidade de impeachments solicitados ao longo destes anos: FHC (27), Lula (37), Dilma (68), Temer (33) e Bolsonaro já passando dos 30. 


Para encerrar, inspiro-me no poeta Petrarca (**):

impichar 
é preciso, 
governar 
não é preciso.  




(*) Criei o termo caocracia - o governo do caos - para identificar uma democracia que precisa ser reinventada antes que o caos que se observa atualmente justifique a chegada de uma autocracia de direita ou simplesmente uma ditadura de esquerda, ambas desejada por duas minorias opostas de brasileiros. O termo provém do grego Χάος, (Cháos ou "caos"), e de κράτος (kratos ou "poder").

(**) Francisco Petrarca nasceu em 20 de julho de 1304, Arezzo, Itália. Foi um intelectual, poeta e humanista italiano, famoso, principalmente, devido ao seu romanceiro. É considerado o inventor do soneto, tipo de poema composto de 14 versos. "Fonte: Wikipédia

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