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sábado, agosto 21, 2021

SIM, E DAÍ?

 Eu, cidadão brasileiro, tenho um blog onde publico textos expondo minha opinião sobre diversos assuntos, principalmente sobre política. Você leu e não gostou do que eu disse. SIM, E DAÍ?

Alguém que leu, que não concordou com minhas opiniões, que distorce o que eu disse, pois não está muito interessado em entender meu ponto-de-vista, posta um comentário grosseiro, usando palavras chulas me criticando, me atacando. SIM, E DAÍ? 

O “supremo ungido” que apoiava urnas auditáveis há pouco tempo atrás, mudou de opinião e agora, em flagrante desrespeito ao que prescreve a Constituição, se reúne na madrugada com líderes de 11 partidos e os “convence” a tomarem uma atitude para evitar que uma proposta que viabilizaria a auditagem da totalização dos votos fosse aprovada na Comissão de Constituição e Justiça. SIM, E DAÍ? 

O “supremo ungido”, o “muralha”[1], decreta a prisão de jornalista sem apresentar NENHUMA acusação, em total desrespeito ao que prescrevem as normas dos processos civil e penal. SIM, E DAÍ? 

O mesmo “supremo” invade a autonomia do poder legislativo ao decretar a prisão de um deputado no exercício do mandato detentor de imunidade parlamentar, novamente sem apontar o crime por ele cometido, apenas citando uma vaga acusação de “ataques aos magistrados do tribunal”. SIM, E DAÍ?

Um ministro do TSE, considerada a mais inútil das cortes, “determina o bloqueio do dinheiro pago pelas redes sociais a canais, páginas e sites bolsonaristas por propagarem, na sua autoritária opinião, “fake news”, mas que verdadeiramente são “inconvenient news”[2]. SIM, E DAÍ?

Respaldados nos “supremos ungidos”, qualquer juiz pelo país afora está livre para perseguir cidadãos decretando busca e apreensão, quando não a prisão, desde que sejam desafetos seus ou de seus “amigos” e “cumpanheiros”. O próximo talvez seja... você. Ou eu. SIM, E DAÍ?

Sinadores[3] de uma CPI, mais conhecida por ser um verdadeiro circo dos horrores, não investiga os desvios de verba de governadores, enquanto cria um ato de corrupção supostamente cometido no governo em uma compra de medicamentos que não houve. SIM, E DAÍ?

Um sinador fica apenas rosado – porque vermelho já está -, ao tentar induzir a raríssima audiência da CPI de que é crime indicar um medicamento “sem eficácia comprovada”. SIM, E DAÍ?

Os Ministros da “Suprema Corte”, cuja existência se deve unicamente à função de defender a Constituição, a ignoram descaradamente, em especial os artigos 1º [4], 3º, 4º, 5º (com 58 itens), 15º, 19º, 34º, 52º, 53º, 54º, 55º, 84º, 102º, 136º e 142º. SIM, E DAÍ?

A OAB, no passado uma entidade que cumpria o papel de defensora dos direitos do cidadão e de proteger-nos contra eventuais abusos do Estado, hoje é um dos braços de um partido político que assaltou o país por 16 anos. SIM, E DAÍ?

A grande imprensa brasileira, que já abrigou veículos que, no passado, estiveram ao lado da luta contra o comunismo e por uma democracia de fato, está, hoje, carente do dinheiro público, agindo como falsificadora de fatos em uma derradeira tentativa de controlar a opinião pública com a intenção de voltarem a mamar nas tetas do Estado. SIM, E DAÍ?

Grandes empresas – lideradas por empresários CoCo (Comunistas de Coração) - afastadas do convívio espúrio, nefasto, criminoso, vivendo à sombra de um Estado protetor de cartéis, monopólios e oligopólios, se postam contra um governo liberal, capitalista, descentralizador, desestatizador, porque querem a volta do antigo “status quo”. SIM, E DAÍ?

Integrantes da Polícia Federal, que no auge da Lava-Jato, foram abordados pela minha mulher em um restaurante, que os exaltou publicamente e em voz alta pelo trabalho que vinham executando na prisão de CORRUPTOS de todos os kilates[5], hoje são serviçais de uma cadeia de phoder que se instalou em todos os níveis da hierarquia do Estado brasileiro[6]. SIM, E DAÍ?

Os “supremos” de todos os escalões e phoderes, estão se sentindo livres para arbitrar o que bem entendem. A começar pela nossa liberdade de agir, opinar, se expressar, viver à nossa independente maneira. SIM, E DAÍ?

Eu poderia continuar aqui por páginas e páginas. Mas você já entendeu o que estamos vivendo. No cume do phoder, todos se locupletam. Todos têm rabo preso com alguém. A coisa vai bem enquanto não aparece um Bob Jeff ou um Jair Bolsonaro[7]. Chamo sua atenção para entender que toda a informação a que você tem acesso não tem nenhuma relação com a realidade do que está acontecendo no último andar do phoder. Tudo o que lhe chega é apenas para distraí-lo. Confundi-lo. Enganá-lo. SIM, E DAÍ?

Há um fato real que já mencionei em texto anterior, mas que sinto ser necessário repetir. Quando “Daniel”[8] disse que “vamos tomar o poder e isso não significa ganhar eleição”, a inocência de todos nós achou que era uma ameaça futura, quando, na verdade, de fato, ele estava escamoteando a realidade de que já tomaram o poder faz tempo através do aparelhamento ideológico em todos os órgãos e entidades na hierarquia do Estado. SIM, E DAÍ?

O brasileiro de bem ficou sem instância “superior”. O Estado brasileiro foi dominado pela ideologia do PTdoG, muito bem e facilmente absorvida pelos que se sentem mais confortáveis na servidão da garantia da estabilidade do emprego. Nós crédulos, os inocentes fiéis aos princípios democráticos, os que têm que “ralar” para lhes sustentar com 5 meses de nosso trabalho e renda, não temos a quem e ao quê recorrer. SIM, E DAÍ?

Olhando em retrospecto, para os fatos históricos, para as pretensas “revoluções proletárias”, constatamos um fracasso monumental de tais proposições. Eu, você, nós vemos essa realidade incontestável. SIM, E DAÍ?

DAÍ é que sempre tem pato novo! A história não existe para os que chegam a cada parto. Só nos resta lutar por eles, pois “eles não sabem o que fazem”. Ou acreditamos em nossos valores e vamos às ruas, ou nos conformamos com deixar para nossos descendentes as consequências de nossa omissão.

Temos um compromisso no dia 7 de setembro de 2021.

Pela Pátria Livre!


[1] Como foi rotulado pela revista VEJA.

[2] Para entender esta referência leia o meu texto “Inconvenient News”.

[3] Não é erro de ortografia.

[4] A República Federativa do Brasil (...) tem como fundamentos: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da iniciativa privada e o pluralismo político. Parágrafo Único: Todo poder emana do povo (...). Neste link você tem acesso à íntegra da Constituição.

[5] Kilates servem para definir a pureza do ouro. Uso aqui, portanto, para definir a “qualidade” dos corruptos.

[6] Agora podemos entender a reação dos “supremacistas” ao direito do Presidente nomear um diretor da PF que não lhes seria subserviente.

[7] Curiosa coincidência: BJ e JB!

[8] Daniel, codinome de José Dirceu quando participante da guerrilha.





quarta-feira, agosto 18, 2021

INCONVENIENT NEWS

Me inspiro em Al Gore[1] para vir propor uma correção na atribuição de uma expressão usada para notícias que, publicadas nas redes sociais[2], são denominadas de “fake news” (na tradução literal “notícias falsas”).

Em primeiro lugar, o que é uma notícia falsa? Se alguém reproduz para outro uma informação (sentido amplo) qualquer e omite, intencional ou não intencionalmente, alguma parte que possa provocar alguma alteração na conclusão final que dela se tire, é algo que se possa considerar crime?

Em segundo lugar, quem é esta suprema autoridade capaz de determinar se uma informação é falsa ou não a partir unicamente de sua individual percepção[3]. Onde está a falsidade de um médico que, por exemplo, aconselha o uso do tratamento precoce de qualquer doença, indicando qualquer medicamento sobre o qual ele coloca sua confiança e esperança, fruto de seus conhecimentos e experiências empíricas?[4]

Em terceiro lugar, não vou analisar as razões dos dois pesos e duas medidas dependendo de que lado você está, independente do que você diga, ou melhor, as razões do “duplipensar” como enunciou George Orwell[5]. A razão, é simples, eu não gosto do que você diz, então eu o ataco em tudo o que você disser. Simples assim.

Em quarto lugar, e é o que mais me assusta, é o crescimento geométrico do arbítrio do STF a partir de uma postura ativa de descarte da Constituição, sem que haja qualquer instituição ou ação de indivíduo ou organização no sentido de interromper e/ou anular tais absurdos. Ok, sabemos que no andar de cima todos estão comprometidos com todos. Você finge não sentir o cheiro das minhas merdas que eu finjo não sentir o cheiro das suas. Ok, também sabemos que existem organizações de vários teores que estão raivosos por terem perdido aquilo que os sustentava, sejam privilegiados/benesses de toda a espécie e níveis de valor, quanto de recebimento de receitas/verbas gordas, impróprias, e comprometidas com uma determinada aparência pública. Não fui claro? Tente entender nas entrelinhas

Dito isto, vou aos “finalmentes”. Os socinistas encontraram na expressão “fake news” uma arma para acusar os adversários políticos de tudo o que eles consideram não lhes ser favorável. Neste sentido, a expressão que precisa ser proclamada é “Inconvenient News”.

Senhores e senhoras das redes sociais libertárias e conservadoras, por favor, passem a utilizar somente a expressão “Inconvenient News”, como proposto pelo vice citado , ou, até mais adequadamente, “Inconvenient truths”.

Para encerrar, relato essas coincidências que insistem em acontecer comigo, ou para mim. Resolvi eu nesta semana, ler um livro que carrego comigo desde que sai da casa de meu pai. Na verdade o tomo II de uma coleção publicada pela Abril Cultural em 1972, titulada ”Os Pensadores”. Nela, há a reprodução de um texto de Xenofonte, escrito há dois mil e quinhentos anos atrás, onde reproduz um diálogo entre o jovem Alcibíades e seu tutor Péricles sobre o que é uma lei. Eis:

“- Diz-me, Péricles, podes ensinar-me o que é uma lei?

- Ensina-me então, em nome dos deuses – tornou Alcibíades. – Pois ouço elogiarem certos homens por seu respeito às leis e me parece que sem saber o que seja uma lei jamais se poderia merecer tal encômio[6].

- Se é isso o que desejas saber, fácil é satisfazer-te, Alcibíades – disse Péricles. Chama-se lei toda deliberação em virtude da qual o povo reunido decreta o que se deve fazer ou não.

- E que ordena ele que se faça, o bem ou o mal?

- O bem, rapaz, por Júpiter! E nunca o mal.

- E qiando em lugar do povo, é, como numa oligarquia, uma reunião de algumas pessoas que decreta o que se deva fazer, como se chama isso?

- Tudo o que após deliberação ordena o poder que dirige um Estado se chama lei.

- Mas se um tirano que governa um Estado ordena aos cidadãos fazer tal ou qual coisa, trata-se ainda de lei?

- Sim, tudo o que ordem um tirano que detém o poder se chama lei.

- Que é então, Péricles, a violência e a ilegalidade? Não é o ato pelo qual o mais forte, em vez de persuadir o mais fraco, constrange-o a fazer o que lhe apraz?

- Essa a minha opinião – conveio Péricles.

- Portanto, toda vez que, em lugar de usar da persuasão, um tirano força os cidadãos por um decreto, será ilegalidade?

- Assim o creio. Errei, pois, dizendo sejam leis as ordens de um tirano que não emprega a persuasão.

- E quando a minoria não usa da persuasão junto à multidão, mas agusa de seu poder para forjar decretos, chamaremos a isso violência ou não?

- Tudo o que se exige de alguém sem empregar a persuasão, trate-se ou não de um decreto, parece-me antes violência que lei.”

E aí, você acha que chegaremos a um final feliz?

Como dizem os blogueiros: deixe seu comentário aqui.



[1] Al Gore, o vice-pilantra de Clinton, cheio de intere$$e$ financeiros em explorar a temática do aquecimento global, produziu um vídeo cujo título foi “Inconvenient Truth” (Verdade inconveniente).

[2] Só nas redes sociais, pois nos veículos de mídia impressa e eletrônica (majoritariamente dominados por esquerdopatas) podem publicar o que bem entenderem sem serem incomodados.

[3] Veja este parágrafo do artigo do PGR Augusto Aras publicado na “falha” de São Paulo em 17/8/21: “É preciso sobriedade e sabedoria para retomarmos, superando o luto vivido por milhões de famílias e o drama do desemprego sem abrir mão da democracia, que foi por décadas ansiada e buscada. Temos de nos apegar ao combate de problemas reais e ao cuidado para não apagar fogo com gasolina. O Brasil vive um momento onde todas as cordas estão esticadas. E cabe a nós, do Ministério Público, guiar-nos sempre contra o excesso de ativismo para evitar injustiças irreversíveis.”

[4] Mas a hipocrisia política dos que querem o poder pelo phoder, não pede comprovação “científica” e provas de duplo cego da homeopatia, ou dos medicamentos e chás caseiros.

[5] Duplipensar, para Orwell, é o ato de aceitar simultaneamente duas crenças mutuamente contraditórias como corretas

[6] Encômio: fala ou discurso em louvor de alguém; elogio.







terça-feira, março 09, 2021

SUPREMO TRIBUNAL DA FIRULA

 Firula: substantivo feminino

1. Rebuscamento da fala para enunciar algo simples; circunlóquio, rodeio.

2. No futebol, demonstração de virtuosismo com a bola.

No futebol, a firula acontece, principalmente, quando o jogador precisa dar um drible no adversário com criatividade, seja por simples demonstração de habilidade, seja porque sua única saída é usar suas habilidades. É neste sentido de "drible criativo" que renomeei o STF para entender esta decisão esdrúxula que anula as condenações do ex-presidente. Mas isto não exclui o significado que o termo tem de "rebuscamento", "rodeio", ou seja, mascarar o que realmente se quer dizer. Hipocrisia, portanto.

A firula jurídica que o Ministro Fachin criou é de considerar inválido todo o processo de anos contra nosso "ladrão de 9 dedos" mais estimado, sob o argumento de que... tudo foi realizado em uma jurisdição indevida, ou, algo como alegar um "erro de origem". A firula se dá porque a tese não passa pelo crivo de poucos segundos de reflexão. A operação "Lava-Jato" completaria 7 anos no próximo dia 17, não tivesse seu fim promovido pela PGR em 1/2/21. Ou seja, a Justiça aceitou a legalidade e propriedade das instâncias envolvidas por todos estes anos. Até ontem. Ao anular tudo, Fachin deixa claro que sua ação é uma farsa política a serviço de suas próprias ideias de para onde o Brasil deve se dirigir. Foram milhões de reais gastos para conduzir todos os processos que condenaram mais de uma centena de pessoas que praticaram os mais diversos atos de corrupção passiva e ativa. Fica, então, uma outra questão: quer dizer que o resultado de um julgamento depende de onde ele é realizado e quem são os julgadores? Coloquemos nosso nariz de palhaço.

Ao avaliar que negar a culpa depois do acusado ter sido condenado em duas instâncias seria uma afronta à própria estrutura da Justiça, PT-Fachin usa de uma firula, dá um drible de letra da lei, valendo-se de um detalhe processual para se sobrepor a todo um processo legal, pois o argumento é legal, previsto nos códigos de processos, mas ignorando totalmente os aspectos morais inerentes ao caso.

Já apontei para a escalada das tenções a que nossa vida política está subordinada. Chamo sua atenção para uma realidade ainda não percebida pela maioria. Estamos sob o domínio do poder de uma elite intelectual de esquerda. Em minha visão, a mais relevante razão de voto em Bolsonaro foi o desejo de defenestrar do poder a utopia esquerdista, praticada pelo PT. Ao elegê-lo, passamos a acreditar que tal objetivo tinha sido alcançado. Ledo engano. Trocamos apenas o representante maior do poder Executivo. Legislativo e Judiciário estão sob a vontade e mando de uma corrente de pensamento que vê na limitação da liberdade dos cidadãos o caminho para um globalismo moral jamais imaginado possível de ser alcançado. 

Já apontei para a escalada das tenções a que nossa vida política está subordinada. Chamo sua atenção para uma realidade ainda não percebida pela maioria. Estamos sob o domínio do poder de uma elite intelectual de esquerda. Em minha visão, a mais relevante razão de voto em Bolsonaro foi o desejo de defenestrar do poder a utopia esquerdista, praticada pelo PT. Ao elegê-lo, passamos a acreditar que tal objetivo tinha sido alcançado. Ledo engano. Trocamos apenas o representante maior do poder Executivo. Legislativo e Judiciário estão sob a vontade e mando de uma corrente de pensamento que vê na limitação da liberdade dos cidadãos, na destruição da família e da integridade psicológica dos indivíduos, os alicerces necessário para pavimentar o caminho para um globalismo moral jamais imaginado possível de ser alcançado.

O poder Judiciário, seguindo uma corrente mundial, abandonou seu papel de garantidor da Constituição, e passou a praticar uma justiça ativista, manipuladora da interpretação da lei maior para atender ações políticas, usurpando tanto as atribuições do poder Executivo quanto as do Legislativo. Basta lembrar o caso da nomeação do diretor da Polícia Federal, o inquérito das Fake News, ou inquérito do fim-do-mundo, e a prisão do deputado Daniel Silveira.

O Legislativo, por seu turno, regido sob o manto dos interesses particulares de senadores e deputados em se perpetuar no Poder, se subjugam ao Judiciário pois, se entre todos os que votaram a favor da manutenção da prisão de Silveira alguns até acreditavam ser a prisão a ação correta, a maioria deles o fez a favor de si mesmos, de serem "protegidos" em eventual situação negativa futura que vierem a se envolver (ou que já se envolveram), uma sinalização algo como "olha Ministro, lembre que votei direitinho como Vossa Excelência orientou!".

Acrescentemos aos 3 poderes outros 2, Forças Armadas e grande mídia, e temos um pacotaço dificílimo de desembrulhar. No caso dos militares, uma parte significativa é formada pelos "melancias", verdes por fora e vermelhos por dentro. Como já disse, elas estão divididas com certeza, não se sabe em que proporção, mas dali, de onde muitos esperavam alguma coisa, é de onde não vai sair nada mesmo. E a imprensa tradicional militante, com maior peso no noticiário televisivo, e menor, nos antes denominados, jornais impressos, hoje devidamente digitalizados e inseridos também nas redes sociais, vão continuar a clamar pela volta de um governo corrupto que as ampare financeiramente neste momento de transformação, em que suas audiências,  a cada evento jornazistamente manipulado, vão migrando para mais longe delas. Para tal objetivo, não medem esforços antiéticos.

Repito, estamos hoje sob um governo de direita, conservador, liberal, capitalista, mas sob o "poder" de uma máquina pública - o tal establishment - esquerdista, estatista, progressista, socinista (1), e que não vai abrir mão de fazer "de tudo" para "tomar o poder" em 2022, ou mesmo antes, como é desejo anunciado de José Dirceu.

A ação Pt-fachinosa é somente um passo neste sentido e ela ainda está sujeita a ser revertida se a PGR entrar com uma ação de "agravo regimental", o que levaria a decisão para ser validada ou revogada em julgamento na 2ª turma, onde estão Mendes, Lewandovsky e o próprio Fachin (2). Ou seja, sem chance de reversão. O sapo-barbudo, como o chamava Brizola, está livre, leve e solto para atuar em defesa da falência do país.

Que ninguém se iluda. Estimulados pelo que aconteceu na eleição presidencial nos Estados Unidos, essa massa de "servidores" de si mesmos vai pintar e bordar até outubro/22. Entre muitas outras ações, poderemos ter "pesquisas" com as mais inusitadas previsões de resultados, distribuição de informação e contrainformação pelas redes sociais, dossiês fajutos, manchetes tendenciosas da mídia, mais pedidos de impeachment de Bolsonaro, boicote, não só às reformas, mas a qualquer projeto originado no Executivo etc., até chegar, se for preciso, a executar ações que corrompam as urnas. 

Dois movimentos serão absolutamente fundamentais para enfrentar esta fúria destruidora da intelligentsia ungida: o apoio da população aos paladinos do espectro centro-direita que estão se expondo e se arriscando em mostrar a hipocrisia cínica dos perdedores e esta mesma população exigindo nas ruas um "basta".


1) Socinistas - Corruptela que proponho para empacotar socialistas e comunistas em um só conceito. Corruptela é a "deformação de palavras (...) de forma proposital, como forma de eufemismo (...)". Fonte: Wikipédia

2) Veja mais detalhes nesta matéria da BBC.

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quinta-feira, novembro 26, 2020

A MENTIRA DAS “FAKE NEWS”


“Refletir é incomodar os pensamentos.”

Evaristo Miranda, diretor da Embrapa, em 2020.

 

Fake é falso e news é notícia. Conclusão: “fake news” significa “notícia falsa”. Ou seja, não significa “notícia mentirosa”. E será que existe diferença entre mentira e falsidade? Pesquiso e aprendo que há, sim, uma sutil diferença entre mentira e falsidade. Vamos ver esta questão antes de continuarmos.

No que interessa a este exercício de reflexão, a mentira é dita por quem sabe a verdade, enquanto a falsidade é uma fala desprovida do conhecimento do fato, ou seja, a falsidade existe basicamente por ignorância, enquanto a mentira encobre um fato que não se quer que outros saibam, mente-se, portanto, na intenção de se auto proteger.

O problema básico da mentira é que, para não ser desmascarada, ela precisa: primeiro, estar bem estruturada; segundo, que não surjam fatos novos que não se encaixem com a versão contada; e, terceiro, que surtam os efeitos desejados antes que haja  tempo e circunstâncias para que os fatos venham à luz. Era assim na era analógica em que as sociedades viviam. Não é tanto mais assim. Como a digitrônica nos dá acesso a quase tudo de relevante para nossa vida cotidiana com dois ou três cliques, tudo se descobre muito, muito mais cedo do que tarde. As pernas da mentiram nunca foram tão curtas!

Uma das marcas dos anos 1950 foi a febre da ufologia. Apareciam discos voadores por todo canto. No Brasil, o aparecimento mais famoso foi em maio de 1952, na Barra da Tijuca, documentado por uma dupla (jornalista e fotógrafo) da revista O Cruzeiro. Como veio a se confirmar, uma reportagem mentirosa relatando uma “aparição” criada para vender mais revista. Não deu cadeia pra ninguém. Até os militares embarcaram na mentira. Ou seja, mentir para atingir um dado objetivo, vem, provavelmente, dos tempos em que o homem das cavernas usava a mentira como expediente para justificar sua ida na caverna da vizinha!

E a falsidade! Há que voltarmos à definição que dei acima: é um relato que independe do conhecimento do fato, ou, o que ocorre com certa frequência, quem falseia não quer conhecer o fato sob o risco de se ver tachado como um mentiroso. A ignorância é uma realidade na história da humanidade pelo simples fato de que, se era impossível aos Neandertais saberem da existência dos homo Sapiens, muito, muito menos agora que a amplitude dos fatos é milhões e milhões de vezes maior que então. Tal complexidade veio a calhar como circunstância favorável para aqueles que a utilizam como proteção vantajosa por psicopatas, fracos e/ou mal intencionados. 

Precisamos ver uma outra questão. O que é “opinião”? Na internet, a “mãe dos ignorantes”, encontramos que é a manifestação de um “julgamento pessoal; parecer”. É, no popular, o tão proclamado “eu acho”. “Eu acho” que no STF só tem gente interessada em si mesma. Isso é uma suposição? Um julgamento pessoal? É uma falsidade? Você acha? É a sua opinião. Não é a minha! E agora? Se fosse preciso que você e eu provássemos nossas opiniões a partir de nossas percepções, então, consequentemente, perderíamos o direito de manifestar opinião sobre o que quer que nos apresentasse para um julgamento mundano. 

Toda opinião está impregnada de alguma “falsidade”. É uma condição inerente à percepção, sentimento que a sustenta. Percepção tem um cordão umbilical com suposição, pela simples realidade de não estar calcada no conhecimento dos fatos. Qual o principal ingrediente das fofocas cotidianas se não “opiniões” cheias de suposições,  falsidades, a partir dos interesses de quem as emite? A nova era, ao nos tornar a todos "eceptores", nos deu o poder de "carimbar" com o rótulo de "fake" toda notícia que eu não desejo ver compartilhada. Não é um algo que possa ser conceituado. É simplesmente um instrumento político a serviço, fundamentalmente, dos que são adeptos de uma visão distorcida, míope, neurótica, de como realmente se comporta a humanidade.

Exposto isto há que se perguntar por que diabos estamos envolvidos em uma discussão maluca sobre coisas tão óbvias?

Acontece que a expressão “fake news” veio ao encontro dos interesses táticos dos que desejam subjugar os povos a todo custo. Na base dos motivos e do perfil dos integrantes deste grupo, vamos encontrar: comunistas frustrados com a derrocada da União Soviética;  o movimento pendular das insatisfações populares; o globalismo invasor das autonomias das nações; o recrudescimento da intolerância religiosa; o advento da digitrônica; o consequente derretimento do sistema democrático como estruturado até aqui; chegando à reação visceral das oligarquias perdedoras de poder, em especial, das mídias tradicionais até então exclusivas e poderosas fontes manipuladoras da interpretação dos fatos sócio-político-econômicos.  

A par das reações da “grande mídia” para a qual não interessa o que é dito, mas sim por quem é dito, surgem as plataformas das mídias sociais censurando cidadãos e empresas, através do bloqueio de conteúdos, simplesmente porque estão fazendo o jogo de políticos e juízes de todas a instâncias, que se coordenam para defender um status quo ameaçado pela nova era. Para atingir seus intentos, adotam ações que afrontam a constituição, desrespeitam a hierarquia jurídica, invadem os limites da alçada de cada poder, criminalizam sem acusação a manifestação de opinião, chantageiam empresas com as ameaças que lhes estão à mão. Neste processo, tudo pode e deve ser rotulado como “fake news” se não for do interesse da “patota do selo azul” (expressão proposta por Rodrigo Constantino). A hipocrisia saiu do âmbito das relações interpessoais e de instrumento de políticos, para subir muitos degraus na escala de usos, e aboletou-se no trono da soberba, e, ditatorialmente, tenta determinar as percepções de todos nós. Eu espero que o silêncio que se abateu tanto sobre o “inquérito do fim do mundo”, quanto o projeto de lei das “fake news”, já aprovado pelo Senado e atualmente na Câmara, signifique que os envolvidos estão percebendo que são intenções autoritárias, ditatoriais e, portanto, nada pode ser mais antidemocrático do que reprimir os legítimos direitos dos cidadãos emitirem suas próprias opiniões e avaliações sobre nossas instituições e seus representantes, isto sem considerar a absoluta impossibilidade de se estabelecer o que possa ser uma simples opinião e o que possa ser uma opinião criminosa!!!

O que você acha disto: os “antifas” acusam (e oprimem) os não adeptos de... “fascistas”, numa evidente afirmação e ação... “fascista”!!! Radicais esquerdistas vão às ruas em manifestações "pacíficas" de violência, portando faixas proclamando estarem em “defesa da democracia"!!! E mais. Só existem “fake news” nas mídias sociais, enquanto as mídias tradicionais são unânimes em falsear as notícias ao bel prazer de seus orgulhos feridos e sem qualquer constrangimento ou escrúpulos, pois reacionários à perda do poder.

Não nos iludamos. A campanha de "Combate às notícias falsas" é uma "cortina de fumaça" utilizada por perdedores nos processos democráticos pois têm a convicção de que o "povo não sabe votar" e que a "verdade" está com eles. Em que parte da história política foi necessário "combater" com polícia e leis a emissão e transmissão de falsidades? Isto sempre foi uma tarefa do tempo e dos indivíduos em sociedade. Não do Estado. Nas exceções, foi ação de governos de exceção para impor suas "impróprias" mas adequadas "verdades"!!! Quais serão os critérios a serem utilizados pela agência de checagem criada pelo governo do Ceará cujo objetivo anunciado é o "estabelecimento da verdade (sic) em temas ligados à administração estadual"? Ou eu sou um idiota ou isto é um instrumento de regimes neofascistas! Existe uma outra campanha debilóide circulando que pede algo singelo: "Se for fake news, não transmita"Só pro macaco entender: 1) Como eu descubro se é uma notícia que eu não devo compartilhar? 2) Ah! Já sei, eu devo consultar antes o "sleeping giants" (1), ou alguma agência de checagem "tendenciosa de fatos" (2). Hum, agora entendi! Só não entendi se a OMS emitiu notícia falsa quando induziu os países a adotar o "fique em casa", inclusive os alunos em idade escolar, e agora defende a volta às aulas!!! 

Se a mentira ufológica foi um “must” dos anos 1950, “fake news” será um dos “trending topics” dos anos 2020. Não entre nessa, pois cada acusação ou rotulagem de qualquer notícia como "fake" que alguém faça, está colocando uma gota num copo que, inevitavelmente, vai transbordar. Só ainda não se sabe quando.

O que se passa, portanto, no mundo, é o questionamento que uma geração faz sobre os valores da sociedade ocidental construídos pós revolução industrial, duas guerras mundiais com dezenas de milhões mortos, algumas pandemias, um risco de guerra nuclear, fantásticas descobertas que duplicaram a expectativa de vida em 70 anos, e um pacote de soluções tecnológicas que melhoraram incrivelmente os índices de qualidade de vida em todo o mundo.  Tal geração de ignorantes da história compõem um movimento sem líderes buscando direção e unidade onde só há fragmentação de causas de minorias cujos anseios não são comuns e por isso não ganham liga, não se "colam". Sobra apenas um inconsistente discurso da "discriminação" que usa a discriminação para encontrar "culpados" de suas fraquezas psicológicas. Isto nada mais é do que a prática do "dividir, enfraquecer, dominar" (3). Para estes, a digitrônica veio a calhar. Fazendo de cada cidadão um produtor e distribuidor de informação (falsa, mentirosa, verdadeira, interesseira etc.) virou de ponta cabeça o mundo das grandes corporações de mídia. Permitindo tal distribuição e o "feedback" instantâneo, as consequências das notícias deixaram de habitar o admirável mundo da manipulação da opinião pública. Neste ambiente, tal como o Corona-vírus, o contágio se dá por clique-contato e a infecção intelectual varia desde a não percepção de sintomas até a internação em UTI, prévia da falência dos neurônios. Mas se não tem líderes, a Grande Rede está repleta de "celebridades" apoiadoras, uma elite que viveu (e vive) às custas de fontes de renda herdadas de seus ascendentes ou do Estado protetor, onde o uso da máscara de "humanitário" progressista é de uso obrigatório, pois esconde a hipocrisia das intenções só admitidas entre quatro paredes da Champs-Elysées. Não há proposição, apenas contraposição. Não querem construir, apenas destruir para ver no que vai dar. Mas é só dar uma olhada na história para se certificar e prever que quem vai pagar pela insanidade psiconeurótica dessa turma, serão os milhões de cidadãos-ovelhas que serão usados como bucha de canhão. Cruzo os dedos para que antes dessa hora tenhamos ganho, tal como desejado em relação ao Corona, imunização de rebanho.

Exposto isto, abandono eu, e sugiro que você abandone também, a utilização da mentira “fake news”, e utilize somente nossa tupiniquim “falsidade”. Com esta atitude fica mais fácil identificar o que realmente está acontecendo, imaginar o que pode vir a acontecer e se posicionar quanto ao que se vai fazer.

Espero, mais uma vez, tê-lo ajudado a evoluir em sua percepção sobre o que nos espera, e, adicionalmente, enxergar com certa dose de saudade como era nosso maravilhoso mundo velho!

(1) Atenção: ninguém sabe até agora (nov/20) quem são os responsáveis por trás desta "entidade" que emite lacrações de modo absolutamente anônimo, o que é proibido pela Constituição, e, no entanto, não foram incomodados pelo STF: https://twitter.com/slpng_giants_pt. Dê uma olhada nesta matéria da Gazeta do Povo.

(2) Agência Lupa, ligada à Folha, se intitula "a primeira agência fact-checking do Brasil" https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/

(3) Para uma ideia clara do que isto significa assista aos 3 episódios da série "As grandes minorias" produzidos pelo movimento Brasil Paralelo. Aqui o primeiro capítulo, "Os Antifascistas". Não faça isto depois de se alimentar pois o risco de vomitar é alto.

Livro  https/ecclesiae.com.br/inquerito-do-fim-do-mAuiundo


Olha só quem está em primeiríssimo lugar!!!

Mas esta é uma coisa que a "patota" quer evitar a todo custo! 

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sexta-feira, novembro 20, 2020

MUNDO NOVO, ADMIRÁVEL OU ABOMINÁVEL? – O FUTURO


A existência de uma ditadura depende da ignorância da massa.

Ryszard Kapuscinski, jornalista polonês


Não tenho bola de cristal, não sou vidente, nem profeta do apocalipse. Vejo o presente, e com a vivência e mínimo conhecimento histórico, faço cá minhas deduções. O que percebo é um futuro que, se não for negro, se avizinha com contornos cinzentos.

O FUTURO NAS REDES SOCIAIS

Uma tecnologia imaginada para ser libertadora é hoje uma ferramenta castradora do direito à livre manifestação de opinião, e manipuladora da “verdade” para atingir objetivos econômicos e políticos tanto de indivíduos quanto das oligarquias, independente das ideologias, dos regimes políticos e do nível de psicopatia de quem dela faz uso. A quantidade e a intensidade das arbitrariedades estão em plena escalada. De indivíduos postando nas redes sociais ataques grotescos a quem emite opinião divergente, a ministros da suprema corte criando um inquérito “das fake news” que só reprime aqueles alinhados com o presidente da república, passando pela absurda censura promovida pelas próprias plataformas motivadas pelo medo de possíveis ações de uma justiça que tem olhos bem abertos para a proteção de seu próprio umbigo. Como escalada não vai parar por aqui. Não me arvoro determinar como isso acabará, mas uma tendência só arrefece quando atinge um ponto tal de saturação que dá razão, incentivo e momento para uma tendência contrária se mostrar viável.

Para ilustrar a nuvem de confusão que paira nos neurônios de dirigentes ao redor do mundo, vejam o que vi. Ao acessar um conteúdo no site da Folha, me deparei com um banner com a seguinte mensagem: “Vamos combater as notícias falsas. Para vencermos isso juntos, o Whatsapp, 1, limita o compartilhamento de mensagens altamente encaminhadas, 2, mostra quando uma notícia é encaminhada, 3, limita o número de participantes nos grupos”. Aguarde para breve a ação 4, 5... Não existe lei, apenas o aplicativo só aceita que você se comporte do jeito que eles (dirigentes) querem. Releia prestando muita atenção! O que considerávamos ser uma questão técnica é reconhecido publicamente pela plataforma como ações que visam impedir ou limitar a liberdade de expressão e opinião. O motivo declarado é “combater as notícias falsas”!!! Afora o fato de “notícia falsa” ser sempre aquela que vai contra os interesses do julgador, independente de o fato abordado ser falso ou não, para a dita plataforma TODA notícia, ou melhor, TODA mensagem distribuída nela é falsa, bastando considerar que as restrições valem para TODAS as mensagens!!! (1)

SEGURANÇA NO USO DA TECNOLOGA DIGITRÔNICA

Você já percebeu como se tornaram corriqueiras as tentativas de invasão de celular? E as invasões em computadores? E o sequestro de dados para posterior pedido de resgate? E quantos desses casos você tem visto as polícias chegarem aos autores e a justiça os condenar? O número de ataques para roubo de dados bancários cresceu 43% no primeiro semestre de 2020!!!  Se a impunidade é o combustível da criminalidade, que nível de caos o sistema financeiro terá que atingir para que algo (que algo?) seja feito?

AINDA HÁ SENTIDO NO CONCEITO DE PRIVACIDADE?

Não creio. Sou mais por considerar que privacidade pertenceu ao mundo analógico quando palavras como discrição, recato, humildade, proteção da intimidade, eram valores aplaudidos e copiados. Se na segunda metade do século XX, o auge era ter seus 15 minutos de fama, o êxtase nesta primeira metade do XXI já é ter “seguidores” (meu neto me confessou ontem que já tem 5!!!). Isso à custa de expor boa parcela de sua intimidade, deixar a humildade para os fracos e exaltar seus feitos, por menos relevantes que sejam. Sempre haverá uns tantos para lhe dar umas bajuladas, umas escovadas no ego e uns necessários “likes”.

O COMÉRCIO ELETRÔNICO

Enquanto o comércio eletrônico cresceu e ainda cresce na pantrônica, a parte da classe média oriunda do pequeno comércio está sendo dizimada. O  hábito de comprar pela Rede é cada dia mais praticado. No futuro não será mais necessária uma pandemia para nos trancafiar em casa, vai ser uma opção voluntária. Tudo pelo whatsapp, transportado por Uber Eats, pago com Betoni e via Pix! Espelho meu, há um ser mais digital do que eu!?

AS MÍDIAS TRADICIONAIS

Perderam seu poder. Num processo de negação pela morte anunciada, manipulam e distorcem os fatos numa tentativa desesperada de enganar uma audiência em declínio(2).  O tempo encurtou para tudo. Não temos mais tempo/saco para ler e as revistas e os jornais impressos veem suas tiragens despencarem vertiginosamente (bancas fecham ou viram lojinha de bugigangas). Queremos informação rápida, mastigada, sintetizada, e isso é o que obtemos tanto nas redes sociais quanto nos canais do Youtube. A Netflix me entrega via Smart TV, filmes, séries e documentários muito superiores às “antigas” novelas da rede Goebles. Sair de casa pra quê? Correr o risco de ser assaltado por algum excluído da digitrônica? Tô fora!

O HOME OFFICE

O espaço encurtou para os profissionais qualificados. Eles não precisam mais de salas, mesas, cadeiras, secretárias, contínuos, pois muito pode ser feito pelo computador no sofá de suas casas, ao som das arruaças das crianças e dos reclamos da mulher, quando as há. Quando não, fiquemos na companhia de uma obrigatória solidão tediosa. O home office, se não vai ficar do jeito e intensidade que está, veio para ficar. Se arrumar, pegar o buzão ou enfrentar um engarrafamento, andar uns quarteirões, dar alguns bons dias, trabalhar no convívio com os pares, chefes e subordinados, e “discutir o futebol”, será exclusividade dos menos qualificados.

ENSINO

Vou pular as questões "escola sem partido" e "ideologia de gênero" por imbecís de mais que são por si só. Atentemos apenas para o conteúdo curricular que já vem sendo questionado há muito tempo. Com a digitrônica, o ensino (abrangendo o professor, o aluno, o conteúdo e a disciplina) tal como até aqui, morreu, só ainda não contaram para o corpo docente, principalmente dos vinculados ao Estado, por causa do risco de uma rebelião por ameaça de perda de privilégios. Existem apenas duas matérias a serem aprendidas: língua pátria e posturas e cuidados no trato com a digitrônica. O resto, se aprende pesquisando, clicando e copiando quando a necessidade exigir.

DEMOCRACIA EM CRISE INTESTINAL

A democracia analógica derrete enquanto nada é proposto como alternativa. Minorias se multiplicam por todos os lados ocupando os espaços que uma maioria desarticulada não encontra seu ponto de unificação. Estamos nos confrontando com uma sociedade do mimimi – a moda pós a do politicamente correto. Jovens de iPhone clamam por uma igualdade di direitos que significa reivindicar uma igualdade de privilégios sem custo, caídos do céu, ou vindos da “nuvem”, ou, em última instância, usurpado de quem ralou para conquista-la (3). Só não dizem quem paga a conta, pois imaginam que “vaca dá leite” (4). Em síntese, não há como a democracia, tal como estruturada até aqui, conseguir se sustentar sob o ataque da dinâmica da comunicação digitrônica.

Não sei como será o futuro, mas não gosto de imaginar a evolução do que vejo neste meu presente. Não por mim, que não estarei mais por aqui, mas meu coração fica pequenininho quando penso nos filhos e netos de todos nós.

Deixo agora você com seus ícones, teclas e toques a pensar num futuro quase presente. De minha parte penso que não será abominável porque o ser humano é absolutamente resiliente, por esta característica é que eu e você existimos, mas temo, sinceramente, que não será admirável.

(1) Em Admirável Mundo Novo, há um diálogo em que o personagem Diretor afirma que o segredo para a felicidade e virtude dos cidadãos é “fazer as pessoas amarem o destino social do qual não podem escapar”.

(2) Sobre inversão de fatos lembro Bonner e Maju. 

(3) “No final, tudo se resume ao mesmo objetivo: um grupo querendo viver à custa do outro; um grupo querendo confiscar a renda do outro; um grupo querendo tolher a liberdade do outro em prol de seus "direitos".” Lew Rockwell, é chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute.

(4) Assista este trecho de uma palestra do Mário Sérgio Cortella.

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sexta-feira, outubro 30, 2020

MUNDO NOVO, ADMIRÁVEL OU ABOMINÁVEL? - O ECEPTOR

Até o final da Idade Média fomos essencialmente receptores, meros objetos dos detentores do poder. A partir do Renascimento nos vimos emissores ao podermos manifestar nossos sentimentos, desejos e necessidade, acreditando termos alguma relevância no contexto político. Nesta nova Era Digitrônica (ED), não existe mais uma separação entre estas duas condições opostas de participação no mundo, pois ambas são praticadas simultaneamente. Se clico o faço instado por uma mensagem recebida e se a recebo o foi porque anteriormente impulsionei um envio qualquer. Somos, portanto, emissores e receptores ao mesmo tempo, a condição do vivente do século XXI a que estou me referindo como a de um "eceptor".

Na ED, independente de nossas ideias, opiniões, crenças e valores, somos alvejados ininterruptamente por mensagens cuja autoria não temos, na maioria dos casos, como identificá-las, assim como somos alvo de notícias de “fatos” sobre os quais não temos ou tempo ou recurso para checar sua veracidade, mas que têm a finalidade de nos fazer acreditar em uma narrativa de interesse político ou econômico do emissor. Nesta nova era a tudo podemos ter acesso e estamos expostos ao acesso de todos. A toda mensagem recebida há que se responder, responder imediatamente, sempre opinar, mas consciente da bolha em que o tema está inserido sob pena de, se discordar, afrontar o pensamento lacrador e ser impiedosamente cancelado, bloqueado, eliminado. Se há, portanto, uma acusação de só falarmos dentro e para uma bolha, ela se justifica não tanto pela necessidade de “likes”, mas muito mais pelo receio de sermos acusados do que não somos. Os limites impostos pelas normas de convívio presencial, cara a cara, não existem na comunicação à distância, sem rosto, sem endereço, e, até mesmo, sem identidade.

Se a “grande rede” colocou em nossas telas o mundo todo e tudo do mundo, as redes sociais nos propiciaram um maravilhoso mundo novo onde tudo é mais rápido, mais fácil e mais barato.  Mas não há ponto sem contraponto. Por outro lado, estamos vivenciando uma degradação paulatina das liberdades (de expressão, de ir e vir, de educar os filhos etc.). Percebo em andamento um processo consequente de “acovardamento do cidadão perante o Estado” que tudo quer criminalizar, o que é temeroso, pois uma “sociedade amedrontada troca liberdade por segurança”, lembrando que segurança não é algo real, é tão-somente uma sensação.


A arbitrariedade e o autoritarismo se manifestam em todos os segmentos da sociedade (político, econômico, social e cultural) e em qualquer parte do espectro (à direita, à esquerda, ao centro, e ao muito-pelo-contrário). O “politicamente correto” evoluiu para um estado de transcendência, se tornou uma religião sem líder, sem ritos, sem templos, mas equipada por uma tropa de elite comprometida com a coerção total.


O STF, cuja função primordial, seria proteger a Constituição (independente de julgamentos pessoais de se é boa ou má), a afronta quase diariamente por decisões monocráticas de pseudos juízes (ou editores como definiu um deles) de tudo, ignorando o papel do legislativo e obstruindo legítimas ações do executivo.


Os correios e as companhias telefônicas jamais foram responsabilizados pelo conteúdo do que transitava por seus canais. Na ED, como tudo é gravado e passível de ser recuperado para qualquer fim, qualquer interesse, as empresas e plataformas tecnológicas passaram a ser responsabilizadas por tudo aquilo que é “postado” e armazenado em suas bases de dados. A “consequência inevitável” é que, para se protegerem das arbitrariedades do Estado (lembremos o que Alexandre de Morais exigiu do Facebook e Twitter) elas passaram a se antecipar e se auto-assumiram como censoras do mundo digital. A exemplo da Igreja na Idade Média, cada uma cria seu próprio “Index” de palavras e temas que não podem ser citados ou abordados e, caso o desavisado o faça, é imediatamente banido da plataforma.

Não bastando, o advento das “fake news” – a que vou atribuir a função de servir como aranha(1) -, motivou o surgimento de empresas e organismos não-governamentais, com a nobre tarefa de nos proteger de tão perniciosos conteúdos. São as chamadas “agências checadoras” que se propõem a verificar a veracidade do que circula na web. Tais checadoras são, na essência, agências censoras a serviço do interesse político ou econômica das entidades que as controlam. Exemplo maior no Brasil é a tal de LUPA ligada ao grupo Folha.


Entidades supranacionais, organismos internacionais e empresas multinacionais, “lacram” qualquer outro (pessoa, empresa, ou governo) que não adote “suas  verdades” por mais não-verdades que elas sejam, se colocando acima da autonomia/soberania das nações, numa busca alucinada pela pasteurização cultural e implantação de um poder único e uma ordem única global.

Fico por aqui. Na próxima semana finalizo esta investigação sobre a nossa nova identidade como cidadãos deste mundo em que a cada dia faz menos sentido dividi-lo em duas culturas, a ocidental e a oriental.

(1) Apontar uma aranha atrás de você é a técnica para desviar seu interesse daquilo que não querem que você tenha interesse em saber. Para entender como funciona, assista este vídeo do Lacombe com o médico Alessandro Loiola