Quem
parece ter sido o primeiro a fazer proposições metafísicas foi o grego Homero. Uns datam sua existência entre 1200 e 1100
a.C., mas há os que afirmam ter sido ele apenas uma lenda, atribuindo as obras “Ilíada”
e “Odisseia” a vários autores entre 1200 e 700 a.C. Independente de polêmicas, é nestas obras que
aparecem as primeiras propostas de antropomorfização, por assim dizer, dos
deuses do Monte Olimpo, e a percepção da individualidade humana é afirmada
nesta passagem: "Ninguém, com toda
certeza, é capaz de assumir a liderança em todos os campos, pois para um homem
os deuses concederam as proezas da guerra, a outro, a dança, para um outro, a
música e o canto, e, num outro, o todo poderoso Zeus colocou uma boa cabeça."
Podemos
considerar, portanto, que a filosofia tem cerca de dois mil e setecentos anos, tendo
surgido e se consolidado, principalmente, na Grécia antiga. É entre os séculos
VIII e VI a.C., que vamos encontrar registros das primeiras reflexões sobre a nossa
existência, quem somos, de onde viemos, para onde vamos e, principalmente, como
devemos ser, proceder, viver.
Filosofia
é... Bem, parece haver várias proposições para dar um significado ao termo. Pesquisando
na rede você vai encontrar algumas. Em minha humilde interpretação, a filosofia
é o exercício de abstrair o pensamento na busca de uma interpretação da
existência humana, tentando conceituar uma regra geral para uma dada proposição
através da identificação de padrões, cujo objetivo final é obter orientações
para a manutenção da viabilidade e estabilidade da vida em sociedade, ou
comunidade, como queira. Ficou um pouco longo, mas espero que não tenha sido
hermético como o que você encontrou (ou vai encontrar) na grande rede.
Fiz
uma coletânea dos filósofos mais citados,
lembrados, referenciados. Cada um deles sob o nome que a história deixou
registrado, seguido de, entre parênteses, os “presumíveis” anos de nascimento e
morte, onde números negativos significam a.C. e positivos d.C. A estes dados acrescento
a natureza de sua atividade e a sua “nacionalidade”.
E sempre abaixo, uma referência a suas ideias, e uma ou mais de suas reflexões extraídas
de registros que chegaram até nossos dias.
Para
quem se aprofundar além desta superficialidade que apresento aqui, chamo sua
atenção para observar alguns aspectos deste período que vai de 8 séculos antes
de Cristo ao século 1.
Primeiro,
a preocupação em definir o que é e o que não é moral e, principalmente, quanto
ao valor da virtude (a ponto de que aquele que não a tivesse não mereceria
viver). Lembremos que no período de vida destes filósofos a escravidão era o
padrão das relações socioeconômicas.
Segundo,
a utopia de que seria possível ter uma humanidade padronizada, a possibilidade
de se “educar” a todos na “virtude”, na moral, e em total respeito à ética, era
visto não só como desejável, mas viável (claro que para alguns escolhidos, não
para todos).
Terceiro,
mas consequente, é preciso considerar que a realidade da ciência naqueles
tempos era, se comparada com o que sabemos hoje depois de tantas descoberta no
âmbito da psicologia, psiquiatria e genética, há que sempre se fazer a
pergunta: “O que eles pensariam se soubessem o que nós sabemos?”
Tudo
que incluí aqui sobre os filósofos busquei na internet
e você poderá fazer o mesmo para obter mais sobre cada um deles e mesmo sobre
outros não inclusos aqui. .
Bom
proveito!!!

Hesíodo (-750/-650) – Poeta Grego
Sua
poesia é a primeira feita na Europa na qual o poeta vê a si mesmo como um tópico,
um indivíduo com um papel distinto a desempenhar.
"Qualquer um que prejudica os
outros, faz mal a si."
“Convida aquele que mora próximo de
ti para comer, pois se alguma coisa estranha acontecer em teu lugar, os
vizinhos sem atar o cinto acorrem, os parentes, não.”
“Ótimo é aquele que de si mesmo
conhece todas as coisas; bom, o que escuta os conselhos dos homens judiciosos;
mas o que por si não pensa, nem acolhe a sabedoria alheia, esse é, em verdade,
um homem inteiramente inútil.”
Zaratustra de Balkh, ou Zoroastro (-660/-583) – Filósofo Persa
No
entanto, a aproximação usando evidências linguísticas e socioculturais permite situar sua existência em algum período do II milênio a.C.
É
o primeiro a propor o monoteísmo, e o Bem e o Mal como duas entidades.
"O que lavra a terra com
dedicação tem mais mérito religioso do que poderia obter com mil orações sem
nada fazer. Age como gostarias que agissem contigo."
Tales de Mileto (-623/-558) – Filósofo Grego
Há
quem o considere o "Primeiro filósofo ocidental”. Considerava a água como
a substância líquida primordial.
“A esperança é o único bem comum a
todos os homens; aqueles que nada mais têm - ainda a possuem.”
“Toma para ti o conselho que dá aos
outros.”
Anaximandro (-610/-547) – Filósofo Grego
Anaximandro
foi um visionário e suas ideias são atualmente utilizadas na ciência, tendo
relação com a Física Moderna. Iniciador da astronomia grega. Para ele a Terra
teria o formato de um cilindro.
“Todos os seres derivam de outros
seres mais antigos por transformações sucessivas.”
“As estrelas são porções
comprimidas de ar, com a forma de rodas cheias de fogo, e emitem chamas a
partir de pequenas aberturas.”
“O Sol é um círculo vinte e oito
vezes maior que a Terra; é como uma roda de carruagem, cujo aro é côncavo e
cheio de fogo, que brilha em certos pontos de abertura como os bicos dos
foles.”
Anaxímenes de Mileto (588/-524) – Filósofo Grego
pré-socrático.
Para
ele a substância primária (o arché) era o "ar". Primeiro a afirmar
que a luz da Lua provinha do Sol.
“A variação quantitativa de tensão
da realidade originária dá origem a todas as coisas.”
“Como nossa alma, que é ar, nos
governa e sustém, assim também o sopro e o ar abraçam todo o corpo.”
“A verdade é de quem fala a
verdade.”
Xenófanes de Colofon (-580/-480) - Filósofo Grego
Refutou
a tese de Homero relativa ao antropomorfismo dos deuses gregos [semelhança com
os homens], visto por ele como uma simples projeção humana, sem qualquer relação
objetiva com a realidade. Fundador da escola de Eléia.
“É preciso um sábio para reconhecer
um sábio.”
“Se os bois e os cavalos tivessem
mãos e pudessem pintar e produzir obras de arte similares às do homem, os
cavalos pintariam os deuses sob forma de cavalos e os bois pintariam os deuses
sob forma de bois.”
Pitágoras de Samos (-571/-497) – Filósofo Grego
Propõe
que os elementos básicos do cosmos não são constituídos de matéria, mas de
formas e relações que se manifestam por meio de números e proporções.
“O universo é uma harmonia de
contrários.”
“A Evolução é a Lei da Vida, o
Número é a Lei do Universo, a Unidade é a Lei de Deus.”
“A matemática é o alfabeto com o
qual Deus escreveu o universo.”
“Observa o teu culto à família e
cumpre teus deveres para com teu pai, tua mãe e todos os teus parentes.”
Heráclito de Éfeso (-535/-475) – Filósofo Grego pré-socrático
Pai
da dialética. Para ele, o elemento original era o fogo, e tudo é movimento,
nada pode permanecer estático. Também apresenta a tese de que nada existiria se,
ao mesmo tempo, não existisse o seu oposto. Na harmonia entre os contrários,
Heráclito viu aquilo que definia como o logos, a lei universal da Natureza. A
filosofia deve privilegiar a racionalidade, pois os sentidos e/ou a experiência
não dão conta de explicar a totalidade. Para ressaltar que nada se repete, ele
observou que “não se pode banhar duas vezes no mesmo rio”, pois o rio não será
o mesmo.
“Viver é, sem cessar, morrer e se
rejuvenescer.”
Ésquilo (-525/-456) – Dramaturgo Grego, pai da tragédia.
Uma
de suas obras, “Os Persas”, continua sendo uma grande fonte de
informação sobre o período da invasão à
Grécia pelos Persas.
“Há poucos homens capazes de
prestar homenagem ao sucesso de um amigo, sem qualquer inveja.”
“Faz parte da natureza dos mortais
pisar ainda mais em quem já caiu.”
Parmênides de Eléia (-525/-450) – Filósofo Grego
Mudança
e tempo não existem. Tudo o "que é" só pode ser eterno, pois não pode
"vir a ser", e não pode ser destruído.
A
filosofia de Parmênides se apresenta como um contraste entre a verdade e a
aparência. A aparência é percebida pelos sentidos que nos mostram o ser e o não
ser e nos levam a diversos erros. Já a verdade somente pode ser buscada
pela razão, que para Parmênides demonstra que não podemos pensar o não ser,
pois não podemos pensar sem que esse pensar seja sobre algo.
“O mundo sensível é uma ilusão.”
“Não se confia no que se vê.”
“A essência das coisas não muda.”
Anaxágoras de Clazômena (-500/-428) – Filósofo Grego pré-Socrático
A
matéria primordial é composta por uma infinidade de partículas que variam qualitativamente,
porque possuem qualidades semelhantes (homeomerias). Para ele, a Lua não
passava de um pedaço da Terra que se desprendeu. Fundador da Primeira Escola
Filosófica de Atenas.
“Todas as coisas estavam juntas,
infinitas ao mesmo tempo em número e em pequenez, porque o pequeno era também
infinito.”
“Em cada coisa existe uma porção de
cada coisa.”
“Nenhuma delas [as coisas
existentes] podia ser distinguida por causa de sua pequenez.”
Filolau de Crotona (-500/-400) – Pensador Grego
Foi
o primeiro a atribuir movimento à Terra. O fogo era considerado pelos
pitagóricos o elemento mais puro. Entre o fogo central e a Terra existia um
outro planeta, invisível, que Filolau chamou de antiterra. Os nove corpos
celestes (Sol, Mercúrio, Vênus, Terra, Lua, Marte, Júpiter, Saturno e Urano)
eram os corpos celestes conhecidos na época, e a antiterra como décimo corpo
celeste se movia em órbitas circulares em torno do fogo central. "E todas
as coisas que podemos conhecer contêm número, pois sem ele nada pode ser
concebido nem conhecido."
“Todas as coisas, pelo menos
aquelas que conhecemos, contêm números.
"A natureza do mundo é um
composto harmonioso de elementos infinitos e finitos."
“Os antigos teólogos e sacerdotes…
testificam que a alma está unida ao corpo por uma questão de punição; e,
portanto, é enterrada no corpo como em um sepulcro”.
Sófocles (-496/-406) – Dramaturgo Grego
Por
quase 50 anos, Sófocles foi o mais celebrado dos dramaturgos nos concursos
dramáticos da cidade-estado de Atenas. De sua autoria as obras: Antígona; Édipo
Rei; Electra.
"Silêncio completo parece-me
tão grave quanto alarido descontrolado."
“Não conspira quem nada ambiciona.”
“Há muitas maravilhas neste mundo,
mas a maior de todas é o homem.”
“Os filhos são para as mães as
âncoras da sua vida.”
Zenão de Eléia (-490/-430) – Filósofo Grego, seguidor
de Parmênides. Concebeu contra a pluralidade alguns paradoxos.
”Se a pluralidade existe, as coisas
serão ao mesmo tempo limitadas e infinitas em número.”
“O que se move deve sempre alcançar o ponto médio antes do ponto final.”
De
fato, se há mais de uma coisa, vemos que entre a primeira e a segunda existe,
então, uma terceira. Assim, entre a primeira e a terceira, existirá uma quarta;
e assim, ao infinito.
“O que se move está sempre no mesmo
lugar agora.”
Empédocles de Agrigento (-490/-430) – Filósofo Grego
Primeiro
a explicar o eclipse solar.
"Sobrevive aquele que está
melhor capacitado". [Observação feita 2.460 anos antes de Darwin.]
Górgias de Leontinos (-487/-380) – Sofista
Grego
O
conhecimento do assunto em um debate é desnecessário, porque toda opinião é
falsa e as palavras não tem nenhum significado fixo, pois servem apenas para
lisonjear e persuadir. Ele se demonstrou cético em relação à ciência e à razão.
“A arte da persuasão ultrapassa
todas as outras, e é de muito a melhor, pois ela faz de todas as coisas suas
escravas por submissão espontânea e não por violência.”
“Difícil explicar o que leva o ser
a direcionar as suas ações em função do meio.
Por vezes deixamos de fazer tanta coisa, justamente por conta do meio.
Liberte-se, escuta a tua intuição e serás feliz.”
Pródico (-483/-376) – Sofista Grego
Conhecido
como precursor de Sócrates. Escreveu dois tratados: Da Natureza e Da Natureza
dos Homens.
“O sol e a lua e os rios e as
nascentes e em geral tudo o que é útil à nossa vida, os antigos os chamavam de
deuses por sua utilidade, tal como os egípcios fazem para o Nilo, e por isso o
pão se chamava Deméter, e o vinho Dionísio, e a água Poseidon, e o fogo Hefesto
e assim tudo.”
Protágoras (-480/-410)
– Filósofo Grego
Considerava-se
profundo conhecedor da virtude. Para Protágoras, as coisas são conhecidas de
uma forma particular e muito pessoal por cada indivíduo, o que vai contra, por
exemplo, ao projeto de Sócrates de chegar ao conceito absoluto de cada coisa.
Para ele a verdade depende da experiência pessoal.
“As verdades não são verdadeiras ou
falsas em si, mas apenas dentro de um sistema de pensamento que contenha regras
que permitam colocar qualquer verdade à prova.”
"O homem é a medida de todas
as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto
não são."
Eurípedes (-480/-406) – Poeta Grego
Ressaltou
em suas obras as agitações da alma humana em especial a feminina. Obras: As
Troianas, Medeia e Electra.
“Fala se tens palavras mais fortes
do que o silêncio, ou então guarda silêncio.”
“Tudo é mudança; tudo cede o seu
lugar e desaparece.”
Melisso de Samos (-470/-400 Datação imprecisa.) – Militar
e Poeta Grego.
Pela sua obra depreende-se
que foi mais um polemista e defensor das ideias de Parmênides de Eléia,
portanto antipitagórico.
“O ser é também incorpóreo, mas
esse incorpóreo não quer dizer que ele seja imaterial, ele tem que ser
incorpóreo porque não pode ter uma forma e os corpos têm forma. Se o ser
tivesse uma forma ele teria que ser limitado pois a forma tem limites e o ser
não pode ter limites. (...) O ser é pleno e qualquer forma de vazio e nada não
existem.”
Sócrates (-470/-399) – Filósofo Grego
"A
verdade é algo imanente ao mundo e aos homens. O pensamento reflexivo leva o
homem ao bem viver.” Maiêutica: para cada tese apresentada, sugere-se uma
objeção que tenha por objetivo esgotar todas as possibilidades de
questionamento, objetivando o surgimento da verdade.
"Só sei que nada sei."
"Conhece-te a ti mesmo e
conhecerás o universo e os deuses."
"A vida irrefletida não vale a
pena ser vivida."
Hippias de Élis (-460/-400) – Matemático e Sofista Grego
Contemporâneo
de Sócrates. Platão e Xenofonte o retratam
vaidoso e arrogante, mas suas preleções e discursos públicos apresentados
em Olímpia eram
cuidadosamente preparados e faziam sucesso. Do ponto de vista filosófico, Xenofonte destaca que
ele pelo menos reconhecia, assim como Sócrates, a ideia de que
há leis naturais ou divinas, não escritas, que não podem ser mudadas pelo
homem.
Demócrito de Abdera (-450/-370) – Filósofo Grego
O
“filósofo que ri" ou "filósofo hilário". Expoente da teoria
atômica, ou atomismo: tudo o que existe é composto por elementos indivisíveis
chamados átomos.
“Se você sofreu alguma injustiça,
console-se; a verdadeira infelicidade é cometê-la.”
“A felicidade não reside nas posses
e nem em ouro, ela mora na alma.”
“Na realidade, não conhecemos nada,
pois a verdade está no íntimo.”
Leucipo de Abdera (ou de Mileto) (-450/-370 - Datação
imprecisa.) – Atomista
Grego
Mestre
de Demócrito. A tradição lhe atribui a autoria de um único livro
intitulado A grande ordem do mundo, também chamada Grande Cosmologia,
um texto muito diferente da Pequena Cosmologia de Demócrito.
“Nada acontece ao acaso, mas tudo a partir de razão e por necessidade.”
Platão (-427/-347) – Filósofo Grego
Obcecado
pela salvação dos homens e lutava contra a personalização dos deuses. “É
preciso ir além das aparências para chegar à essência das coisas.”
Platão
situa a justiça humana como uma virtude indispensável à vida em comunidade, é
ela que propicia a convivência harmônica e cooperativa entre os seres humanos
em coletividade.
“Podemos facilmente perdoar uma
criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm
medo da luz.”
“A punição que os bons sofrem,
quando se recusam a agir, é viver sob o governo dos maus."
“O maior castigo consiste em ser
governado por alguém ainda pior do que nós, quando não queremos ser nós a
governar.”
Diógenes de Sinope (o Cínico) (-412/-323) – Filósofo
Grego
Fundou
a “escola cínica".
A resposta ética do Cinismo era buscar viver em conformidade com a natureza,
levando em conta a observação do comportamento dos animais, pois “eles não
buscam o supérfluo”.
“Só é verdadeiramente livre quem
está sempre pronto para morrer.”
“Qual o melhor momento para o
jantar? Se alguém é rico, quando quiser, sé pobre, quando puder.”
Pirro de Élis (ou Élida) (-365/-270) – Filósofo Grego
Considerado
o primeiro filósofo cético e fundador da escola que veio a ser conhecida
como pirronismo. Os princípios de sua obra são expressos, em
primeiro lugar, pela palavra acatalepsia,
que define a impossibilidade de se conhecer a própria natureza das coisas.
Pirro conclui que, dado que nada pode ser conhecido, a única atitude adequada
é ataraxia,
"despreocupação".
A
mesma coisa aparece diferentemente a diferentes pessoas (...). A cada afirmação
pode-se contrapor outra contraditória, mas com base igualmente boa, (...).
Podemos ter opiniões, mas certeza e conhecimento são impossíveis. Daí nossa
atitude frente às coisas deve ser a completa suspensão do julgamento.
Ele
distingue o que é o bem por natureza e o que é o bem pelas convenções humanas e
chega à conclusão de que não existem coisas verdadeiras ou coisas falsas, não existem
também na natureza conceitos como a feiúra e a beleza ou a bondade e a maldade,
esses conceitos todos são criações dos homens e ele os nega por serem somente
uma convenção, um costume.
É
impossível afirmar se algo é realmente falso ou verdadeiro, se uma atitude é
justa ou injusta. Todos esses conceitos vão depender do que está convencionado
nas relações sociais e não da natureza, e essa não faz convenções.
Para
os céticos, o saber é algo impossível de ser alcançado e que não existem
afirmações que possam ser verdadeiras e que não sejam postas em dúvida.
“Não podemos ter certeza de nada,
mesmo as afirmações mais triviais.”
Aristóteles (-384/-322) – Filósofo Grego
"O
Estagirita" por ter nascido em Estagira, na Macedônia. Aluno de Platão,
professor de Alexandre, O Grande. Pensador multidisciplinar (contribuiu para
quase todos os campos do conhecimento humano).
Teoria
do silogismo dedutivo, ou lógica dedutiva: "Todo homem é mortal. Sócrates
é homem. Logo, Sócrates é mortal”.
"Nunca existiu uma grande
inteligência sem uma veia de loucura."
"As pessoas dividem-se entre
aquelas que poupam como se vivessem para sempre e aquelas que gastam como se
fossem morrer amanhã."
"O sábio nunca diz tudo o que
pensa, mas pensa sempre tudo o que diz."
Epicuro de Somos (-341/-270)
– Filósofo Grego
Argumenta
contra a existência de um deus que seja ao mesmo tempo onisciente, onipotente e
onibenevolente. Isto é, se duas delas forem verdade, excluem automaticamente a
outra.
Enquanto
onisciente e onipotente, tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com
ele. Mas não o faz. Então não é onibenevolente.
Enquanto
onipotente e onibenevolente, então tem poder para extinguir o mal e quer
fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe quanto mal existe e onde o
mal está. Então ele não é onisciente.
Enquanto
onisciente e onibenevolente, então sabe de todo o mal que existe e quer
mudá-lo. Mas não o faz, pois não é capaz. Então ele não é onipotente.
Epicuro
não era um ateu, apenas rejeitava a ideia de um deus preocupado com os assuntos
humanos.
"A morte é uma quimera: porque
enquanto eu existo, não existe a morte; e quando existe a morte, já não
existo."
Zenão de Cítio (-336/-264) – Filósofo Grego
Propôs
uma tripartição na filosofia: a lógica fornece um critério de verdade; a física
constitui um materialismo monista e panteísta; e a ética regula as ações
humanas, cujo objetivo é a conquista da felicidade. Esta deve ser perseguida
"segundo a natureza". Fundou a escola estoica. Com base nas ideias
dos cínicos, o estoicismo enfatizava a paz de espírito, conquistada através de
uma vida plena de virtude, de acordo com as leis da natureza. O estoicismo
floresceu até o advento do cristianismo.
“Quem é um amigo? Um outro eu.”
“A natureza deu-nos duas orelhas e
uma só boca para nos advertir de que se impõe mais ouvir do que falar.“
Agripa (viveu provavelmente no final do século primeiro)
– Filósofo Grego
Para
ele existiam cinco formas para podermos alcançar a interrupção dos nossos
juízos:
1
- Discordância, os filósofos vão
sempre discordar sobre diversas coisas, sendo impossível escolher entre a
opinião de um e de outro.
2
- Prova última, toda prova parte do princípio de que existe uma prova para
esta prova e esse argumento pode ser levado ao infinito, pois sempre vai
existir uma prova que prova a prova da prova;
3
- Relatividade, onde nós somente
podemos conhecer os objetos relativos à nossa capacidade e à nossa forma de
compreensão, que sempre será diferente da capacidade e da compreensão de todas
as outras pessoas;
4
- Hipótese, porque todas as provas têm
um fundamento último que não se pode provar e é, portanto, uma convenção, e que
não é uma lei natural;
5
- Círculo vicioso, as convenções tomam por evidente e demonstrado justamente
aquilo que se deveria demonstrar e isso acontece porque é impossível a
demonstração do que se quer demonstrar.
Sêneca (4/65) – Intelectual Romano.
Primeiro
representante do Estoicismo
romano. Apesar de ter sido contemporâneo de Cristo, Sêneca não faz quaisquer
relatos significativos de fenômenos milagrosos que aparentemente anunciavam o
nascer de uma poderosa nova religião.
“Aos outros perdoa sempre, a ti
nunca.”
“A religião é vista pelas pessoas
comuns como verdadeira, pelos inteligentes como falsa, e pelos governantes como
útil.”