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quarta-feira, julho 30, 2025

IMPREVISÍVEIS PREVISÕES


Estamos no final de julho de 2025, um mês que, prevejo, poderá ficar na história como marco de um tempo de incertezas, especialmente para o Brasil, este país capenga, previsto um dia vir a se levantar do “berço esplêndido”, se agigantar em suas riquezas naturais, e justificar a vaga previsão de Stefan Zweig de “país do futuro”.

Estou completando e encerrando[1] – já me adianto anunciar – 8 anos de discreta escrita militante digitrônica no espectro político rotulado de “direita”, espaço frequentado por conservadores nos costumes e, em diferentes medidas, liberais na economia.

Adquiri o hábito de começar o dia vendo mensagens de emeio, e vídeos no zap e iutube. Nestes últimos dias dediquei-me a configurar a opção “não recomendar o canal”[2] em TODOS os canais que noticiam ou comentam política. No zap, saibam todos, passei a ignorar e apagar o que me mandam sobre o tema. Nada contra ninguém, mas tudo contra o conteúdo. A contrapartida é que também deixo de lhes abarrotar a escassa memória com tais irrelevâncias!


Se estou, por um lado, em puro estado de cansaço mental por me envolver nesta nuvem ocidental[3] de completo nonsense, por outro, estou tardiamente reconhecendo e aceitando não passar de um mero palhaço sem graça (ou des/graçado) no picadeiro político, sem significância para ser obstáculo ao processo em curso de desmanche da Nação.

Este reconhecimento fundamenta meu afastamento de quaisquer falas e fatos políticos, pois “é preciso”[4] proteger um estado razoável de sanidade mental.

Quando temos na presidência, um descondenado por corrupção, invocando uma pretensa “soberania brasileira” e, simultaneamente, defender a “urgência de uma governança global”, é porque a lógica foi pro “saco”.

Quando todos os condenados por roubar milhões, digo, bilhões dos contribuintes, têm suas penas ANULADAS[5] e, em sentença inversa, é negada a anistia a cidadãs condenadas a mais de 12 anos de prisão por exercer o direito de protestar, é porque uma tropa de elite neurologicamente perturbada assumiu o phoder, com h.

Quando uma ministra, em suprema hipocrisia, diz que “a censura é proibida constitucionalmente, eticamente, moralmente, e eu diria até espiritualmente“, e, em seguida, contra sua própria sentença de que “o cala-boca já morreu”, vota, sem qualquer rubor[6], a favor de “calar a boca” de 213 milhões de brasileiros, então é porque a moralidade apodreceu, e a putaria se instalou como Lei máxima da República.

E para deixar claro aos desentendidos, se tal decisão do STF não for suficiente, o mesmo sujeito que pediu a um ditador africano para lhe ensinar o segredo de como ficar 40 anos no poder, recentemente fez um pedido especial a seu guru Xi Jinping “para lhe enviar um especialista” com a incumbência de implantar seus métodos de censura por aqui. Isso é soberania lulopetista na veia!


Há muito pouco que possamos fazer além de reservar domingos para manifestar nossa “precisão” nas orlas das praias ou nas avenidas principais de algumas capitais. E não é que juntos não sejamos uma força a ser considerada. É que o mundo contemporâneo instrumentalizou desproporcionalmente “eles” e nós. Há um abismo, como nunca antes, entre os intere$$e$, com cifrões, e as armas das cocoligarquias – corruptas e covardes - locupletadas com a oligarquia dominante no ápice da pirâmide, e nós, os cidadãos fantoches, praticantes ou não de uma inocência hipócrita, crentes de que a Era Digitrônica[7] veio para nos salvar das garras do Leviatã. Como somos convenientemente tolos e crédulos!

Os acontecimentos deste último mês, se foram mais ou menos previsíveis, deixam um pacotão de imprevisibilidades. É evidente a escalada do embate entre forças globais de dentro e de fora do phoder, com h. Nesta corrida furiosa e maluca, ultrapassagens a todo instante. Pilotos psicopaticamente agressivos passam dos limites e tentam jogar o opositor para fora, não da pista, mas do campeonato. Se é imprevisível o dia em que terminará, é previsível um vencedor, aquele único sobrevivente de todos os acidentes mortais inevitáveis. Também é imprevisível seu estado de saúde na chegada e as consequências da ressaca após se embriagar com a Champagne da vitória.

É imprevisível que possa surgir um “azarão”, como no turfe, aquele pangaré em quem ninguém aposta – feito Bolsonaro em 2018 - correndo por fora, atropelando os líderes e vencendo no foto chart? Só quem viver verá!

Tudo é previsível como ação, imprevisível como resultado, neste processo de dobra de apostas num mundo em que não se respeitam mais leis e valores morais. Não que eu esteja defendendo algum valor moral em particular, mas simplesmente apontando que não há mais qualquer valor moral. Só há um valor imoral: o do intere$$e, com cifrões, de quem, em tese, recebeu o poder para exercê-lo, sem “h”, em nome de todos os cidadãos.

Minha imprevisível previsão final é que os fatos presentes têm continuidade previsível, mas ao cabo as consequências são imprevisíveis para a civilização.

Cito, caminhando para o fechamento deste desabafo, alguns pensamentos a que atribuo alguma consistência filosófica.


De AYN RAND (1905/1982. “Moralidade é o julgamento que permite distinguir o certo do errado, é a visão que enxerga a verdade, é a coragem que age com base no que vê, é a dedicação ao que é bom, é a integridade de quem permanece no lado do bem a qualquer preço. Mas onde se encontra isso?” 


De EDMUND BURKE (1729/1897:
A conveniência é a sábia aplicação do saber geral às circunstâncias particulares. O oportunismo é a sua degradação.”


De Aristóteles (-384/-322): “Devemos
disciplinar nossos apetites para que a virtude triunfe sobre o vício.”

E, por fim, de Gertrude Himmelfarb (1922/2019): "A degradação dos valores morais está ameaçando a prosperidade das sociedades e as nossas liberdades individuais básicas. O que significa uma tentativa de normalização dos desvios de caráter.” Isto lhe soa familiar?


Reforço, enfim, meu comprometimento em não falar nem escrever sobre política, políticos, jornalistas e socinistas[8]. Emitir opiniões contra ou a favor. Isto definitivamente só me traz malefícios. E pra você?

Vou ficar com os bate-papos de Paulão e Paulinho sobre temas que considerar de mínima contribuição para “entender o que acontece em nós e à nossa volta”.

Até lá! E fique bem![9]


Paulo Vogel

Neste meio, eu sou a mensagem.

JUL/25



[1] Me é incompreensível a credulidade de gente instruída que me manda um vídeo do “Paulo Guedes” conclamando o sujeito a depositar 600 reais hoje e daqui um mês, repito, um mês, ter 90 mil reais!!! E isso só para começar!!! E ao ser alertado da fraude, responde com: “Ué, mas o Paulo Guedes não tem credibilidade!!!???”.

[2] A desgraça é que tal “opção”, assim como a de “bloquear” propagandas, não são respeitadas como esperamos que sejam.

[3] Além de sempre restringir minhas alegações ao Ocidente, o lado do mundo majoritariamente cristão e democrático em que vivo, sabemos que o oriente tem vieses diferentes e até mesmo opostos e, portanto, o que em tese vale aqui, não vale por lá.

[4] Para entender as aspas em "precisão", assista, no canal do Paulinho, ao vídeo “Poema da Precisão”.

[5] Há um risco ainda não afastado de que os anistiados venham e requerer o reembolso das quantias devolvidas aos cofres públicos por conta das condenações descondenadas.

[6] Tal "distúrbio" cognitivo da ministra, obviamente, tem por fundamento uma submissão a interesses inconfessos.

[7] Digitrônica – é o termo que criei para referenciar o pacote formado pelas tecnologias digitais e eletrônicas que dominam as relações humanas em nossos dias.

[8] Socinista é outro termo que criei para referenciar o pacote ideológico socialista/comunistas, onde o primeiro é a cama para acolher o segundo.

[9] Uso essa exclamação em tributo a meu neto, Henrique Palladino, que a manifesta sempre como expressão de seu desejo ao se despedir de quem gosta.






quinta-feira, dezembro 05, 2024

QUAL É A VERDADE? EXISTE UMA SÓ VERDADE?


·       Quem espera sempre alcança e devagar se vai longe?

o   Ou Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje?

o   Ou a pressa passa e a merda fica?

o   Ou, como disse Einstein, “Sempre deixo pra fazer os trabalhos no último dia, pois estarei mais velho... logo mais sábio”?

·       Mais vale um pássaro na mão do que dois voando? E Quem muito sonha pouco realiza?

o   Ou A imaginação é a semente das realizações?

·       Quem cedo madruga Deus ajuda?

o   Ou encontra tudo fechado?

·       Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura?

o   Ou a água acaba?

·       Onde há fumaça há fogo (no sentido de uma desgraça possível)?

o   Ou é só um churrasco em família?

·       Cão que ladra não morde?

o   Ou nunca dê as costas para cachorro que ladra?

·       A pressa é inimiga da perfeição? A pressa passa e a merda fica?

o   Ou seja rápido antes que outro faça?

o   Ou se quer vencer, corra!?

·       Mente vazia, oficina do diabo?

o   Ou o ócio é criativo?

·       Papagaio que acompanha João-de-barro vira ajudante de pedreiro?

o   Ou aprende mais rápido a fazer um abrigo?

·       Dar a César o que é de César?

o   Ou se o angu é pouco, meu pirão primeiro?

·       Em terra de cego quem tem um olho é rei?

o   Ou é só um caolho mesmo?

·       O seguro morreu de velho?

o   Ou quem não arrisca, não petisca?

·       O tempo muda tudo?

o   Ou o tempo passa e nada muda?

o   Ou fazer algo é o que muda tudo?

o   Ou nada vai mudar se ninguém fizer nada?

·       Ser amigo é ser verdadeiro?

o   Ou dizer o que pensa cria inimigos?

 

 


quarta-feira, julho 19, 2023

ONDE ESTÁ “A VERDADE”?


Contou Fernando Pessoa: 
"Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Ambos tinham toda a razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro. Mas cada um via uma coisa diferente, e cada um portanto, tinha razão.
Fiquei confuso desta dupla existência da verdade."

Ao longo da vida construí uma percepção de que quando muito se fala em algo é porque muito do algo falta. Nos últimos tempos muito se fala em democracia e em “defesa da democracia”. Se muito se está a ressaltar o valor da democracia é pela única razão de que ela está em falta, do contrário não haveria motivo para tanto nela se falar. Se ela precisa ser defendida, fica evidente que ela está sendo atacada.

Entretanto, diferentemente do conceito de democracia para o qual pode ser dada uma definição – ao sabor da visão ideológica de quem a faz, seja dito - e podermos então apontar com razoável assertividade se em um país se pratica ou não os princípios democráticos, para conceituar “a verdade” temos alguns problemas que precisamos considerar.

Nos últimos tempos só ouço de todos os cantos e vozes que é preciso que "os outros" saibam e digam "a verdade". Ora, se é isso, então é porque estamos rodeados de mentiras, ou inverdades (aquilo que não é uma mentira, mas também não é uma verdade!). Mas o que está acontecendo, pois TODO MUNDO SABE A VERDADE SOBRE TUDO, MENOS EU!!!???

De minha ótica, a história da humanidade foi feita com mentiras e narrativas em egocêntrico proveito próprio, jamais por uma impossível "verdade" absoluta e, menos ainda, universal. Ao longo dos séculos, "a verdade" sempre esteve - e continuará estando - com o detentor do PHODER e com aqueles que lhe delegaram a procuração para os representar (o poder é sempre uma concessão temporária, ninguém o tem como patrimônio).

Em 2015, publiquei um texto sobre o tema onde apresento alguns argumentos para mostrar que “a verdade” não existe, e que, revisitado hoje, não tive uma palavra, frase ou parágrafo sequer para mudar ou retirar. Apenas observei que deixei de tratar com um pouco mais de detalhe um aspecto fundamental do problema: a temporalidade das “verdades”.

Neste julho/23, é fácil perceber isto observando as viradas de ponta-cabeça nas falas atuais dos integrantes do espectro “pro/regressista” que nos chegam quase todos os dias pelas redes sociais mostrando as "verdades" de “antes” e as de “agora”. "Um espanto!!!", exclamaria um antigo personagem de Jô Soares. Um exemplo. Acabei de ver (19/7/23) uma explicação sobre o pedido da PGR para que seja emitida uma “ordem” para as plataformas entregarem a lista com todos os dados dos milhões de seguidores de Bolsonaro: “A PGR SÓ QUER MEDIR O ALCANCE DAS POSTAGENS EM REDES SOCIAIS!!!”. 

Tempos estranhos os que estamos vivendo. Nebulosos, escuros e ameaçadores.  

Esta postagem é apenas uma introdução para o artigo mencionado. Para conhecer meus outros argumentos, acesse: https://pfvogel.blogspot.com/2015/08/a-verdae.html

 

(*) Cometi um erro (verdae) ao nomear o arquivo desta postagem. Não dá para corrigir. Então, desconsidere e clica.

 

quarta-feira, dezembro 15, 2021

OS ARTIGOS FEDERALISTAS - Apresentação

“Os que se mantêm atentos às atividades humanas

terão por certo percebido que elas apresentam fluxos e refluxos.”

Jonh Jay – um dos “pais fundadores”



Alexander Hamilton
Acabei de ler “Os Artigos Federalistas” (são  85), editado em 2021 pelo selo Avis Rara da Faro Editorial. Tais artigos foram escritos por 3 integrantes do grupo que a história os reconhece como os “pais fundadores” dos Estados Unidos da América. São eles:   Alexander Hamilton (autor de 50 artigos e que, junto com Gouverneur Morris formou a dupla mais influente na elaboração do que viria a ser a Constituição Americana), James Madison (autor de 30 artigos, foi, posteriormente, o 4º presidente) e John Jay (autor de 5 artigos). Entre outros que participaram da primeira e única Constituição americana estavam:  George Washington (o 1º presidente), John Adams (o 2º) e Thomas Jefferson (o 3º).

A Convenção da Filadélfia (convocada a elaborar uma Constituição para estabelecer e regular uma União, das até então, colônias inglesas, em uma República Federativa) foi composta por 55 homens com alto nível de formação como se pode perceber pelas atividades que exerciam: 32 advogados, 11 comerciantes, 4 políticos, 2 militares, 2 doutores, 2 professores/educadores, 1 inventor, e 1 agricultor.

Como sempre, fiz o “extrato” desta leitura, mas desta vez optei por reunir parte delas em 3 artigos que pretendem dar uma certa unidade para as reflexões que hoje se tornam absolutamente necessárias a uma compreensão do presente político brasileiro e à construção de uma visão do que será preciso fazer para um futuro do Brasil mais promissor. Esta apresentação tem o caráter de introdução[1] a outras duas vindouras postagens onde reproduzirei e comentarei alguns argumentos apresentados pelos autores, por considerá-los pertinentes ainda hoje, mesmo que formulados há mais de dois séculos.

O propósito dos “artigos federalistas” foi o de quebrar a resistência de opositores em alguns estados, em especial, Nova York, à legislação proposta[2]. Se não abrangem a maior parte dos temas, com certeza tratam das crítica aos mais relevantes e sensíveis, e foram publicados entre outubro de 1787 e abril de 1788.

Nesta apresentação, creio ser importante que o Leitor volte sua mente para 245 anos atrás quando 13 colônias inglesas resolvem proclamar sua independência, o que vai gerar uma guerra que durou cerca de 7 anos, e guarde na mente a cronologia dos fatos principais: 

·        05/09/1774 – Primeiro Congresso Continental (reuniu 12 das 13 colônias inglesas, evento que deu início às hostilidades com a Coroa Inglesa).

·        10/05/1975 – Segundo Congresso Continental (reuniu as 13 colônias, já com a guerra acontecendo)

·        04/07/1776 -  O Congresso aprova a Declaração de Independência, criando o governo provsório dos “Estados Unidos da América”, uma união de estados autônomos com fins militares e diplomáticos comuns.

·        17/12/1777 – Foram aprovados os Artigos da Confederação.

·        03/09/1783 – Termina a Guerra da Independência.

·        25/05/1787 – Criação da Convenção da Filadélfia.

·        17/09/1787 – Conclusão da proposta e encaminhamento aos 13 estados, mas bastando a aprovação de 9 para entrada em vigor, mas que só foi ratificada pelos 13 estados em 1789.

Para se ter alguma ideia do que regia os pensamentos dos autores (e, provavelmente, da maioria dos “pais fundadores”), é de se notar a frequência com que atribuem ao povo não só a origem de todo o poder, mas o objeto fundamental do poder[3]. Como exemplo, veja o que diz Madison ao definir que o objetivo do governo é, em primeiro lugar, fidelidade ao objetivo do governo, que é a felicidade do povo”. Portanto, há muitas razões para que o texto tenha sido encabeçado com a expressão 

Uma outra conceituação que fundamenta seus argumentos é quando ele estabelece uma curiosa diferença entre República e Democracia: “A diferença entre República e democracia é que, numa democracia, o povo se junta e exerce o governo pessoalmente; numa República, ele se reúne e o administra por meio de seus representantes e agentes.”  Ao abandonar a diferenciação entre Democracia Direta e Democracia Representativa, ele opta por fazer uma óbvia proposição de confronto ao modelo de subordinação das colônias à Monarquia Inglesa. Penso que seu interesse tenha sido o de ressaltar o caráter federativo, ou seja, uma real distribuição do poder entre os 3 níveis, federal, estadual e municipal, de modo a tornar a República um regime efetivamente democrático em oposição à Monarquia Inglesa, onde o poder era exercido por uma oligarquia centralizada. E quanto ao exercício do poder ele faz uma interessante ressalva, qual seja a de ser “administrado por pessoas que conservam seus cargos enquanto são aprovadas e por um período limitado, ou enquanto exibem bom comportamento.” A necessidade de que seja mantido esse fundo ético aparece também em artigos de Hamilton. E Madison faz uma diferenciação entre República e Democracia:

O feito dos “pais fundadores” que já proporcionou 234 anos de estabilidade constitucional pode ser considerado quase como obra de “deuses” e pode, obviamente, ser atribuída a várias circunstâncias. Destaco as seguintes: o reduzido número de “convencionais” (55); a homogeneidade intelectual existente entre eles; a união em torno da causa da independência[4]; a limitação dos artigos em torno de valores fundamentais (entre estes a exaltação da ética, mecanismos para desestimular a improbidade administrativa, precedência do poder dos Estados e dos Condados em detrimento de um poder centralizador, e o povo como origem e objeto dos atos dos 3 poderes). 

Se olharmos para as circunstâncias quando da elaboração de nossa Constituição de 1824[5], à parte o “Poder Moderador” do Imperador, vamos encontrar algumas semelhanças: o fato de ser uma Constituição outorgada; a independência proclamada em 1822; o reduzido número de “constituintes” (Ministros e Conselheiros do Imperador); e, obviamente, o alto padrão intelectual de todos. Infelizmente, em vez de se inspirarem na Constituição americana de 1787, os “constituintes” optaram pela francesa de 1791, espanhola de 1812, a norueguesa e a portuguesa. Mesmo assim, é, entre todas as nossas 7 constituições (1824, 1891, 1934, 1937, 1966, 1967 e 1988), a mais duradoura. Esta sequência é o retrato inquestionável do fluxo e refluxo de nossas marés políticas. Não se pode desejar o desenvolvimento de uma nação dando tantos passos atrás em tão curtos espaços de tempo!!! 

Assisti, há poucos dias, um documentário na Netflix sobre a febre dos patinetes elétricos nos Estados Unidos (lá são chamados de scooters). Ali vemos a comprovação de uma diferença radical com o Brasil expressa pela inexistência de qualquer burocracia quanto à liberdade de realização empreendedora. As empresas simplesmente saíram colocando os patinetes nas ruas e fazendo seu marketing de venda do serviço e fim de papo. Os problemas ocasionados só foram tratados, pelos condados, quando surgiram. Em contraposição, e coincidentemente no dia seguinte, assisto Bolsonaro dando de seu governo ter conseguido aprovar um decreto que dá direito ao comerciante de abrir seu negócio caso a prefeitura não responda a seu pedido de alvará em... 30 dias.

A sensação síntese que tive ao final da última página de "Artigos Federalistas" é a de que há mais do que uma "simples" diferença de renda entre o Brasil e os Estados Unidos. Há um Everest ético e moral[6] a ser escalado pelas próximas gerações. Enquanto percebemos princípios fundamentais e perenes na Constituição americana, as nossas são resultado de subordinação pendular a utopias ideológicas e desejos tirânicos que se revezam no "phoder".

Será que precisamos de um evento que justifique uma ruptura institucional (uma guerra externa ou interna, uma tomada de poder pelas forças militares, uma revolta popular) para se fazer, aí sim, um “great reset” federativo em condições similares às existentes no final do século XVIII na América do Norte? 

Antes de deixá-lo navegando ao vento de suas reflexões, encerro recorrendo a James Madison: 

A experiência é o oráculo da verdade; e suas respostas, quando inequívocas, são definitivas e sagradas.” 

Fico por aqui. Espero que o contato com algumas das ideias dos “pais fundadores” dos Estados Unidos da América esteja ajudando o Leitor a enxergar com ainda mais clareza onde está o famoso “busílis” da questão. 

Volto em breve com “Os Artigos Federalistas – Brasil 2021”.


[1] Nesta apresentação me servi também da wikipedia.

[2] É Hamilton que no primeiro artigo já deixa claro o tamanho do problema: “Entre os mais duros obstáculos com os quais a nova Constituição terá de deparar, podemos distinguir prontamente o óbvio interesse de uma certa classe de homens em todos os Estados em resistir a todas as mudanças que possam significar uma diminuição de poder, remuneração e importância dos cargos que detêm nas instituições do Estado; e também a ambição depravada de outra classe de homens que desejarão se locupletar à custa da confusão instalada em seu país, ou se iludirão com possibilidades mais sedutoras de ascensão num cenário de subdivisão da nação em diversas confederações parciais do que num cenário de sua união sob um único governo.” E ainda acrescenta que “Uma torrente de paixões raivosas e malignas será desencadeada.”

[3] Eis o preâmbulo da Constituição: “Nós, o povo dos Estados Unidos, a fim de formar uma união mais perfeita, estabelecermos justiça, assegurar a tranquilidade interna, prover a defesa comum, promover o bem-estar geral e assegurar as bênçãos da liberdade para nós mesmos e nossa prosperidade, ordenamos e estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da América.” 

[4] A mesma estabilidade se deu em relação à nossa Constituição de 1824 que durou até 1891, após o advento da República.

[5] A íntegra do texto da Constituiçãode Brasileira de 1824.

[6] Aproveito para dar a minha definição da diferença entre ética e moral. A moral se constitui de normas e valores de conduta que um indivíduo segue dentro de uma dada cultura, mas que partem de seus próprios natos-valores, podendo estes merecer adaptação ou não ao todo, e que se mantém estável por toda a vida. A ética é um conjunto de normas e valores a serem seguidas por compromisso com um dado meio em que se está inserido em um dado momento. Enquanto a moral é perene e conceitualmente abrangente, a ética é casual, temporal. Um indivíduo pode ter um alto sendo de moralidade, e pode ter ou não senso ético, pois este é um compromisso assumido para atender interesse específico. Um indivíduo considerado ético, pode ter um senso moral fraco ou mesmo ausente. A moral é algo pertencente às escolhas livres de um ser humano. A ética é a adoção de compromissos de comportamento com algo que lhe é externo. Para a moral, portanto, há um certo e um errado independente do externo. Para a ética, o que vale é um "se comportar de acordo" com o externo independente de certo ou errado, independente do senso moral. Um exemplo que me parece bastante esclarecedor é o do integrante de uma facção criminosa: sem moral, mas extremamente ético quanto à obediência às regras e valores do grupo a que pertence. 

Não é bem isso que você vai encontrar ao pesquisar sobre ética e moral na internete. Pesquise se for de seu interesse.

sexta-feira, outubro 01, 2021

REFLEXÕES: O QUE PENSARAM OS FILÓSOFOS CLÁSSICOS?

  

Quem parece ter sido o primeiro a fazer proposições metafísicas foi o grego Homero.  Uns datam sua existência entre 1200 e 1100 a.C., mas há os que afirmam ter sido ele apenas uma lenda, atribuindo as obras “Ilíada” e “Odisseia” a vários autores entre 1200 e 700 a.C. Independente de polêmicas, é nestas obras que aparecem as primeiras propostas de antropomorfização, por assim dizer, dos deuses do Monte Olimpo, e a percepção da individualidade humana é afirmada nesta passagem: "Ninguém, com toda certeza, é capaz de assumir a liderança em todos os campos, pois para um homem os deuses concederam as proezas da guerra, a outro, a dança, para um outro, a música e o canto, e, num outro, o todo poderoso Zeus colocou uma boa cabeça."

Podemos considerar, portanto, que a filosofia tem cerca de dois mil e setecentos anos, tendo surgido e se consolidado, principalmente, na Grécia antiga. É entre os séculos VIII e VI a.C., que vamos encontrar registros das primeiras reflexões sobre a nossa existência, quem somos, de onde viemos, para onde vamos e, principalmente, como devemos ser, proceder, viver. 

Filosofia é... Bem, parece haver várias proposições para dar um significado ao termo. Pesquisando na rede você vai encontrar algumas. Em minha humilde interpretação, a filosofia é o exercício de abstrair o pensamento na busca de uma interpretação da existência humana, tentando conceituar uma regra geral para uma dada proposição através da identificação de padrões, cujo objetivo final é obter orientações para a manutenção da viabilidade e estabilidade da vida em sociedade, ou comunidade, como queira. Ficou um pouco longo, mas espero que não tenha sido hermético como o que você encontrou (ou vai encontrar) na grande rede. 

Fiz uma coletânea dos filósofos mais citados[1], lembrados, referenciados. Cada um deles sob o nome que a história deixou registrado, seguido de, entre parênteses, os “presumíveis” anos de nascimento e morte, onde números negativos significam a.C. e positivos d.C. A estes dados acrescento a natureza de sua atividade e a sua “nacionalidade”[2]. E sempre abaixo, uma referência a suas ideias, e uma ou mais de suas reflexões extraídas de registros que chegaram até nossos dias.

Para quem se aprofundar além desta superficialidade que apresento aqui, chamo sua atenção para observar alguns aspectos deste período que vai de 8 séculos antes de Cristo ao século 1. 

Primeiro, a preocupação em definir o que é e o que não é moral e, principalmente, quanto ao valor da virtude (a ponto de que aquele que não a tivesse não mereceria viver). Lembremos que no período de vida destes filósofos a escravidão era o padrão das relações socioeconômicas.

Segundo, a utopia de que seria possível ter uma humanidade padronizada, a possibilidade de se “educar” a todos na “virtude”, na moral, e em total respeito à ética, era visto não só como desejável, mas viável (claro que para alguns escolhidos, não para todos).

Terceiro, mas consequente, é preciso considerar que a realidade da ciência naqueles tempos era, se comparada com o que sabemos hoje depois de tantas descoberta no âmbito da psicologia, psiquiatria e genética, há que sempre se fazer a pergunta: “O que eles pensariam se soubessem o que nós sabemos?”

Tudo que incluí aqui sobre os filósofos busquei na internet[3] e você poderá fazer o mesmo para obter mais sobre cada um deles e mesmo sobre outros não inclusos aqui. .

Bom proveito!!!


Hesíodo (-750/-650) – Poeta Grego  

Sua poesia é a primeira feita na Europa na qual o poeta vê a si mesmo como um tópico, um indivíduo com um papel distinto a desempenhar.

"Qualquer um que prejudica os outros, faz mal a si."

“Convida aquele que mora próximo de ti para comer, pois se alguma coisa estranha acontecer em teu lugar, os vizinhos sem atar o cinto acorrem, os parentes, não.”

“Ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas; bom, o que escuta os conselhos dos homens judiciosos; mas o que por si não pensa, nem acolhe a sabedoria alheia, esse é, em verdade, um homem inteiramente inútil.”

Zaratustra de Balkh, ou Zoroastro (-660/-583) – Filósofo Persa

No entanto, a aproximação usando evidências linguísticas e socioculturais permite situar sua existência em algum período do II milênio a.C.

É o primeiro a propor o monoteísmo, e o Bem e o Mal como duas entidades.

"O que lavra a terra com dedicação tem mais mérito religioso do que poderia obter com mil orações sem nada fazer. Age como gostarias que agissem contigo."

Tales de Mileto (-623/-558) – Filósofo Grego

Há quem o considere o "Primeiro filósofo ocidental”. Considerava a água como a substância líquida primordial.

“A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que nada mais têm - ainda a possuem.”

“Toma para ti o conselho que dá aos outros.”

Anaximandro (-610/-547) – Filósofo Grego

Anaximandro foi um visionário e suas ideias são atualmente utilizadas na ciência, tendo relação com a Física Moderna. Iniciador da astronomia grega. Para ele a Terra teria o formato de um cilindro.

“Todos os seres derivam de outros seres mais antigos por transformações sucessivas.”

“As estrelas são porções comprimidas de ar, com a forma de rodas cheias de fogo, e emitem chamas a partir de pequenas aberturas.”

“O Sol é um círculo vinte e oito vezes maior que a Terra; é como uma roda de carruagem, cujo aro é côncavo e cheio de fogo, que brilha em certos pontos de abertura como os bicos dos foles.”

Anaxímenes de Mileto (588/-524) – Filósofo Grego pré-socrático.

Para ele a substância primária (o arché) era o "ar". Primeiro a afirmar que a luz da Lua provinha do Sol.

“A variação quantitativa de tensão da realidade originária dá origem a todas as coisas.”

“Como nossa alma, que é ar, nos governa e sustém, assim também o sopro e o ar abraçam todo o corpo.”

“A verdade é de quem fala a verdade.”

Xenófanes de Colofon (-580/-480) -    Filósofo Grego

Refutou a tese de Homero relativa ao antropomorfismo dos deuses gregos [semelhança com os homens], visto por ele como uma simples projeção humana, sem qualquer relação objetiva com a realidade. Fundador da escola de Eléia.

“É preciso um sábio para reconhecer um sábio.”

“Se os bois e os cavalos tivessem mãos e pudessem pintar e produzir obras de arte similares às do homem, os cavalos pintariam os deuses sob forma de cavalos e os bois pintariam os deuses sob forma de bois.”

Pitágoras de Samos (-571/-497) – Filósofo Grego

Propõe que os elementos básicos do cosmos não são constituídos de matéria, mas de formas e relações que se manifestam por meio de números e proporções.

“O universo é uma harmonia de contrários.”

“A Evolução é a Lei da Vida, o Número é a Lei do Universo, a Unidade é a Lei de Deus.”

“A matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo.”

“Observa o teu culto à família e cumpre teus deveres para com teu pai, tua mãe e todos os teus parentes.”

Heráclito de Éfeso (-535/-475) – Filósofo Grego pré-socrático

Pai da dialética. Para ele, o elemento original era o fogo, e tudo é movimento, nada pode permanecer estático. Também apresenta a tese de que nada existiria se, ao mesmo tempo, não existisse o seu oposto. Na harmonia entre os contrários, Heráclito viu aquilo que definia como o logos, a lei universal da Natureza. A filosofia deve privilegiar a racionalidade, pois os sentidos e/ou a experiência não dão conta de explicar a totalidade. Para ressaltar que nada se repete, ele observou que “não se pode banhar duas vezes no mesmo rio”, pois o rio não será o mesmo.

“Viver é, sem cessar, morrer e se rejuvenescer.”

Ésquilo (-525/-456) – Dramaturgo Grego, pai da tragédia.

Uma de suas obras, “Os Persas”, continua sendo uma grande fonte de informação sobre o  período da invasão à Grécia pelos Persas.

“Há poucos homens capazes de prestar homenagem ao sucesso de um amigo, sem qualquer inveja.”

“Faz parte da natureza dos mortais pisar ainda mais em quem já caiu.”

Parmênides de Eléia (-525/-450) – Filósofo Grego

Mudança e tempo não existem. Tudo o "que é" só pode ser eterno, pois não pode "vir a ser", e não pode ser destruído.

A filosofia de Parmênides se apresenta como um contraste entre a verdade e a aparência. A aparência é percebida pelos sentidos que nos mostram o ser e o não ser e nos levam a diversos erros. Já a verdade somente pode ser buscada pela razão, que para Parmênides demonstra que não podemos pensar o não ser, pois não podemos pensar sem que esse pensar seja sobre algo. 

“O mundo sensível é uma ilusão.”

“Não se confia no que se vê.”

“A essência das coisas não muda.”

Anaxágoras de Clazômena (-500/-428) – Filósofo Grego pré-Socrático

A matéria primordial é composta por uma infinidade de partículas que variam qualitativamente, porque possuem qualidades semelhantes (homeomerias). Para ele, a Lua não passava de um pedaço da Terra que se desprendeu. Fundador da Primeira Escola Filosófica de Atenas. 

“Todas as coisas estavam juntas, infinitas ao mesmo tempo em número e em pequenez, porque o pequeno era também infinito.” 

“Em cada coisa existe uma porção de cada coisa.”

“Nenhuma delas [as coisas existentes] podia ser distinguida por causa de sua pequenez.” 

Filolau de Crotona (-500/-400) – Pensador Grego

Foi o primeiro a atribuir movimento à Terra. O fogo era considerado pelos pitagóricos o elemento mais puro. Entre o fogo central e a Terra existia um outro planeta, invisível, que Filolau chamou de antiterra. Os nove corpos celestes (Sol, Mercúrio, Vênus, Terra, Lua, Marte, Júpiter, Saturno e Urano) eram os corpos celestes conhecidos na época, e a antiterra como décimo corpo celeste se movia em órbitas circulares em torno do fogo central. "E todas as coisas que podemos conhecer contêm número, pois sem ele nada pode ser concebido nem conhecido."

“Todas as coisas, pelo menos aquelas que conhecemos, contêm números. 

"A natureza do mundo é um composto harmonioso de elementos infinitos e finitos."

“Os antigos teólogos e sacerdotes… testificam que a alma está unida ao corpo por uma questão de punição; e, portanto, é enterrada no corpo como em um sepulcro”.

Sófocles (-496/-406) – Dramaturgo Grego

Por quase 50 anos, Sófocles foi o mais celebrado dos dramaturgos nos concursos dramáticos da cidade-estado de Atenas. De sua autoria as obras: Antígona; Édipo Rei; Electra.

"Silêncio completo parece-me tão grave quanto alarido descontrolado."

“Não conspira quem nada ambiciona.”

“Há muitas maravilhas neste mundo, mas a maior de todas é o homem.”

“Os filhos são para as mães as âncoras da sua vida.”

Zenão de Eléia (-490/-430) – Filósofo Grego, seguidor de Parmênides. Concebeu contra a pluralidade alguns paradoxos.

”Se a pluralidade existe, as coisas serão ao mesmo tempo limitadas e infinitas em número.”

“O que se move deve sempre alcançar o ponto médio antes do ponto final.” 

De fato, se há mais de uma coisa, vemos que entre a primeira e a segunda existe, então, uma terceira. Assim, entre a primeira e a terceira, existirá uma quarta; e assim, ao infinito.

“O que se move está sempre no mesmo lugar agora.”

Empédocles de Agrigento (-490/-430) – Filósofo Grego

Primeiro a explicar o eclipse solar.

"Sobrevive aquele que está melhor capacitado". [Observação feita 2.460 anos antes de Darwin.]

Górgias de Leontinos (-487/-380) – Sofista[4] Grego

O conhecimento do assunto em um debate é desnecessário, porque toda opinião é falsa e as palavras não tem nenhum significado fixo, pois servem apenas para lisonjear e persuadir. Ele se demonstrou cético em relação à ciência e à razão.

“A arte da persuasão ultrapassa todas as outras, e é de muito a melhor, pois ela faz de todas as coisas suas escravas por submissão espontânea e não por violência.”

“Difícil explicar o que leva o ser a direcionar as suas ações em função do meio.
Por vezes deixamos de fazer tanta coisa, justamente por conta do meio.
Liberte-se, escuta a tua intuição e serás feliz.”

Pródico (-483/-376) – Sofista Grego

Conhecido como precursor de Sócrates. Escreveu dois tratados: Da Natureza e Da Natureza dos Homens.    

“O sol e a lua e os rios e as nascentes e em geral tudo o que é útil à nossa vida, os antigos os chamavam de deuses por sua utilidade, tal como os egípcios fazem para o Nilo, e por isso o pão se chamava Deméter, e o vinho Dionísio, e a água Poseidon, e o fogo Hefesto e assim tudo.”

Protágoras (-480/-410) – Filósofo Grego

Considerava-se profundo conhecedor da virtude. Para Protágoras, as coisas são conhecidas de uma forma particular e muito pessoal por cada indivíduo, o que vai contra, por exemplo, ao projeto de Sócrates de chegar ao conceito absoluto de cada coisa. Para ele a verdade depende da experiência pessoal.

“As verdades não são verdadeiras ou falsas em si, mas apenas dentro de um sistema de pensamento que contenha regras que permitam colocar qualquer verdade à prova.”

"O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."

Eurípedes (-480/-406) – Poeta Grego

Ressaltou em suas obras as agitações da alma humana em especial a feminina. Obras: As Troianas, Medeia e Electra.

“Fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio, ou então guarda silêncio.”

“Tudo é mudança; tudo cede o seu lugar e desaparece.”

Melisso de Samos (-470/-400 Datação imprecisa.) – Militar e Poeta Grego.  

Pela sua obra depreende-se que foi mais um polemista e defensor das ideias de Parmênides de Eléia, portanto antipitagórico.

“O ser é também incorpóreo, mas esse incorpóreo não quer dizer que ele seja imaterial, ele tem que ser incorpóreo porque não pode ter uma forma e os corpos têm forma. Se o ser tivesse uma forma ele teria que ser limitado pois a forma tem limites e o ser não pode ter limites. (...) O ser é pleno e qualquer forma de vazio e nada não existem.”

Sócrates (-470/-399) – Filósofo Grego

"A verdade é algo imanente ao mundo e aos homens. O pensamento reflexivo leva o homem ao bem viver.” Maiêutica: para cada tese apresentada, sugere-se uma objeção que tenha por objetivo esgotar todas as possibilidades de questionamento, objetivando o surgimento da verdade.

"Só sei que nada sei."

"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses."

"A vida irrefletida não vale a pena ser vivida."

Hippias de Élis (-460/-400) – Matemático e Sofista Grego

Contemporâneo de Sócrates. Platão e Xenofonte o retratam vaidoso e arrogante, mas suas preleções e discursos públicos apresentados em Olímpia eram cuidadosamente preparados e faziam sucesso. Do ponto de vista filosófico, Xenofonte destaca que ele pelo menos reconhecia, assim como Sócrates, a ideia de que há leis naturais ou divinas, não escritas, que não podem ser mudadas pelo homem.

Demócrito de Abdera (-450/-370) – Filósofo Grego

O “filósofo que ri" ou "filósofo hilário". Expoente da teoria atômica, ou atomismo: tudo o que existe é composto por elementos indivisíveis chamados átomos.

“Se você sofreu alguma injustiça, console-se; a verdadeira infelicidade é cometê-la.”

“A felicidade não reside nas posses e nem em ouro, ela mora na alma.”

“Na realidade, não conhecemos nada, pois a verdade está no íntimo.”

Leucipo de Abdera (ou de Mileto) (-450/-370 - Datação imprecisa.) – Atomista[5] Grego

Mestre de Demócrito. A tradição lhe atribui a autoria de um único livro intitulado A grande ordem do mundo, também chamada Grande Cosmologia, um texto muito diferente da Pequena Cosmologia de Demócrito. 

“Nada acontece ao acaso, mas tudo a partir de razão e por necessidade.” 

Platão (-427/-347) – Filósofo Grego

Obcecado pela salvação dos homens e lutava contra a personalização dos deuses. “É preciso ir além das aparências para chegar à essência das coisas.”

Platão situa a justiça humana como uma virtude indispensável à vida em comunidade, é ela que propicia a convivência harmônica e cooperativa entre os seres humanos em coletividade. 

“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.”

“A punição que os bons sofrem, quando se recusam a agir, é viver sob o governo dos maus."

“O maior castigo consiste em ser governado por alguém ainda pior do que nós, quando não queremos ser nós a governar.”

Diógenes de Sinope (o Cínico) (-412/-323) – Filósofo Grego

Fundou a “escola cínica"[6]. A resposta ética do Cinismo era buscar viver em conformidade com a natureza, levando em conta a observação do comportamento dos animais, pois “eles não buscam o supérfluo”.

“Só é verdadeiramente livre quem está sempre pronto para morrer.”

“Qual o melhor momento para o jantar? Se alguém é rico, quando quiser, sé pobre, quando puder.”

Pirro de Élis (ou Élida) (-365/-270) – Filósofo Grego

Considerado o primeiro filósofo cético e fundador da escola que veio a ser conhecida como pirronismo. Os princípios de sua obra são expressos, em primeiro lugar, pela palavra acatalepsia, que define a impossibilidade de se conhecer a própria natureza das coisas.  Pirro conclui que, dado que nada pode ser conhecido, a única atitude adequada é ataraxia, "despreocupação". 

A mesma coisa aparece diferentemente a diferentes pessoas (...). A cada afirmação pode-se contrapor outra contraditória, mas com base igualmente boa, (...). Podemos ter opiniões, mas certeza e conhecimento são impossíveis. Daí nossa atitude frente às coisas deve ser a completa suspensão do julgamento.

Ele distingue o que é o bem por natureza e o que é o bem pelas convenções humanas e chega à conclusão de que não existem coisas verdadeiras ou coisas falsas, não existem também na natureza conceitos como a feiúra e a beleza ou a bondade e a maldade, esses conceitos todos são criações dos homens e ele os nega por serem somente uma convenção, um costume.  

É impossível afirmar se algo é realmente falso ou verdadeiro, se uma atitude é justa ou injusta. Todos esses conceitos vão depender do que está convencionado nas relações sociais e não da natureza, e essa não faz convenções.

Para os céticos, o saber é algo impossível de ser alcançado e que não existem afirmações que possam ser verdadeiras e que não sejam postas em dúvida.

“Não podemos ter certeza de nada, mesmo as afirmações mais triviais.

Aristóteles (-384/-322) – Filósofo Grego

"O Estagirita" por ter nascido em Estagira, na Macedônia. Aluno de Platão, professor de Alexandre, O Grande. Pensador multidisciplinar (contribuiu para quase todos os campos do conhecimento humano).

Teoria do silogismo dedutivo, ou lógica dedutiva: "Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal”.

"Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura."

"As pessoas dividem-se entre aquelas que poupam como se vivessem para sempre e aquelas que gastam como se fossem morrer amanhã."

"O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz."

Epicuro de Somos (-341/-270) – Filósofo Grego

Argumenta contra a existência de um deus que seja ao mesmo tempo onisciente, onipotente e onibenevolente. Isto é, se duas delas forem verdade, excluem automaticamente a outra.

Enquanto onisciente e onipotente, tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele. Mas não o faz. Então não é onibenevolente.

Enquanto onipotente e onibenevolente, então tem poder para extinguir o mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe quanto mal existe e onde o mal está. Então ele não é onisciente.

Enquanto onisciente e onibenevolente, então sabe de todo o mal que existe e quer mudá-lo. Mas não o faz, pois não é capaz. Então ele não é onipotente.

Epicuro não era um ateu, apenas rejeitava a ideia de um deus preocupado com os assuntos humanos.

"A morte é uma quimera: porque enquanto eu existo, não existe a morte; e quando existe a morte, já não existo."         

Zenão de Cítio (-336/-264) – Filósofo Grego

Propôs uma tripartição na filosofia: a lógica fornece um critério de verdade; a física constitui um materialismo monista e panteísta; e a ética regula as ações humanas, cujo objetivo é a conquista da felicidade. Esta deve ser perseguida "segundo a natureza". Fundou a escola estoica. Com base nas ideias dos cínicos, o estoicismo enfatizava a paz de espírito, conquistada através de uma vida plena de virtude, de acordo com as leis da natureza. O estoicismo floresceu até o advento do cristianismo.

“Quem é um amigo? Um outro eu.”

“A natureza deu-nos duas orelhas e uma só boca para nos advertir de que se impõe mais ouvir do que falar.“

Agripa (viveu provavelmente no final do século primeiro) – Filósofo Grego

Para ele existiam cinco formas para podermos alcançar a interrupção dos nossos juízos:

1 - Discordância, os filósofos vão sempre discordar sobre diversas coisas, sendo impossível escolher entre a opinião de um e de outro.

2 - Prova última, toda prova parte do princípio de que existe uma prova para esta prova e esse argumento pode ser levado ao infinito, pois sempre vai existir uma prova que prova a prova da prova;

3 - Relatividade, onde nós somente podemos conhecer os objetos relativos à nossa capacidade e à nossa forma de compreensão, que sempre será diferente da capacidade e da compreensão de todas as outras pessoas;

4 - Hipótese, porque todas as provas têm um fundamento último que não se pode provar e é, portanto, uma convenção, e que não é uma lei natural;

5 - Círculo vicioso, as convenções tomam por evidente e demonstrado justamente aquilo que se deveria demonstrar e isso acontece porque é impossível a demonstração do que se quer demonstrar.    

Sêneca (4/65) – Intelectual Romano.

Primeiro representante do Estoicismo[7] romano. Apesar de ter sido contemporâneo de Cristo, Sêneca não faz quaisquer relatos significativos de fenômenos milagrosos que aparentemente anunciavam o nascer de uma poderosa nova religião.

“Aos outros perdoa sempre, a ti nunca.”

“A religião é vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelos inteligentes como falsa, e pelos governantes como útil.”



[1] Se não listei algum que você tem em conta como importante, me diga. E caso encontre alguma informação errada, serei grato se me corrigir.

[2] Atribuir “nacionalidade” quando ainda não existiam “nações” é apenas para acompanhar como todos o fazem.

[3] Entre outros sites: pt.wikipedia.org, citações.in, pensador.com, kidfrases.com, frasesfamosas.com.br, citador.pt, filosofia.com.br

[4] O sofismo ou sofisma é uma estrutura de pensamento que foge às regras da lógica. Nesse sentido, ele conduz a conclusões falsas. A origem do termo é datada nos séculos V e IV a.C., quando os sofistas atuavam como mestres da retórica na Grécia Antiga.

[5] Demócrito e Leucipo foram dois filósofos pré-socráticos pluralistas da Escola de Abdera. Ambos são conhecidos por terem formulado a primeira teoria atomista. Demócrito foi discípulo de Leucipo e aperfeiçoou a sua teoria sobre os átomos. Leucipo e Demócrito estão inscritos na história como filósofos pré-socráticos.

[6] O Cinismo foi uma escola filosófica grega criada por Antístenes, seguidor de Sócrates, aproximadamente no ano 400 a.C., mas seu nome de maior destaque foi Diógenes de Sínope. Estes filósofos menosprezavam os pactos sociais, defendiam o desprendimento dos bens materiais e a existência nômade que levavam.

[7] Estoicismo é uma escola e doutrina filosófica que surgiu na Grécia Antiga, que preza a fidelidade ao conhecimento e o foco em tudo aquilo que pode ser controlado somente pela própria pessoa, desprezando todos os tipos de sentimentos externos, como a paixão e os desejos extremos.