O ser vivo, qualquer ser vivo,
tem como seu guia de vivência a entidade Medo. Ela se manifesta em diversas
instâncias e intensidades, mas todas diretamente relacionadas à sobrevivência. Mas
para os humanos, com suas consciências “evoluídas”, o reconhecimento desta condição é absolutamente
incômodo e a saída que vislumbramos é nos tornarmos estúpidos, sabendo que estupidez
é o sinônimo “mais que perfeito” para o negar as realidades de si e de seu
entorno.
Temos medo porque odiamos perder
privilégios. Odiamos imaginar perder a vida, o primeiro dos privilégios (evidentemente
para aqueles que têm noção de a vida ser um privilégio que o acaso concedeu a
uma específica estrutura de átomos!). A partir deste, todos os demais são uma sequência de
medos de perder privilégios. Para o Homem moderno, o medo de perder a casa para o banco,
a namorada para o amigo, o amigo para o ciúme, o emprego para o beneficiado de uma cota qualquer, o bolsa família para a troca de governo, e assim “ad aeternum”.
O medo é o mote da vida e o pai da estupidez. Por nossos privilégios não nos
vexamos de ser estúpidos, de nos mantermos com antolhos para não termos que ver
e conviver com o que ameaça nossos privilégios.
Estupidez e hipocrisia são irmãos siameses[1], um não sobrevive sem o outro. Para ser estúpido e sobreviver, preciso ser hipócrita. Se não sou hipócrita, não sou estúpido.
Vejamos o jogo (jogo?, não!),
guerra de poder, especificamente no caso do ex-Brasil[2].
Tanto de um lado quanto de outro do
espectro político, o que é objeto das ações é, por uns, o medo de perder o
poder, por outros, o medo de não chegar ao poder. Integrantes, defensores,
militantes, partidários, cidadãos apolíticos, TODOS somos bonecos manipulados pelo medo, seja o de perder
privilégios, seja o de almejar privilégios.
A exaltação de Lula só se sustenta enquanto se descarta, consciente, mas estupidamente, tudo o que possa ameaçar a coerência. Sou estúpido, logo sobrevivo. Lula está no poder por ação de
uma massa minoritária de apoiadores brasileiros de todos os níveis e de todas
as instâncias (econômica, social, política e intelectual). Bolsonaro foi posto para fora, mas continua um potencial candidato ao poder, pois sustentado também por uma massa não majoritária
de sustentadores também de todas as instâncias. Enquanto o lulismo teme o bolsonarismo
e usa como recurso a estupidez para desmoralizar as propostas liberais com a intenção de eliminar a ameaça potencial a seus privilégios,
o bolsonarismo teme o lulismo e usa do mesmo artifício, a estupidez, para desqualificar
seus atos e ideias de todas as formas, com a intenção de destruir o "progressismo",
pois um obstáculo à chegada do poder e dos privilégios.
É a isto que a política se
resume. Um contingente de gentes que necessitam do exercício de poder,
divididos em dois grupos, os que querem mantê-lo e os que querem conquistá-lo. É
só isso em essência, mas uma essência que só se manifesta através de massas
cuja estupidez é manipulada, parte por uns, parte por outros. Contingente que
denomino de IIUs, “inocentes inúteis, úteis”. Mas quem não é?
[2] A constituição brasileira foi incinerada pelos seus protetores. Como um país só existe a partir de uma “Constituição”, caso contrário ele não pode ser “constituído”, então, por dedução primária, não existe mais um país denominado Brasil.


Ex-Brasil é ótimo, porque ex-cidadão é exatamente como me sinto.
ResponderExcluirO medo como mordaça assassinou o pensamento crítico. Com medo e silenciado, o indivíduo hoje é um nada. Nesta era, ou se vive na hipocrisia, ou se aceita a condição de ex-cidadão — um estrangeiro em sua própria liberdade.
ResponderExcluirPara o indivíduo comum, trabalhador e pagador de impostos, resta a morte civil, o silêncio para preservar sua integridade e sustento ou fazer parte da massa.